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A QUESTÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

No documento mayara benvenutti - Univali (páginas 72-81)

de Processo Civil e dependem dos pressupostos normais da tutela cautelar em geral, ou seja, há necessidade de demonstração do fumus boni juris e periculum in mora.

Sobre o tema, conclui DIAS161: “[...] Não há como liberá-lo do encargo de provedor da família. Seria um prêmio. A vítima pode requerer alimentos para ela e os filhos, ou mesmo só a favor da prole.”

Para DIAS164: “A inovação é bem-vinda, pois vem atender às hipóteses em que a prisão em flagrante não é cabível”.

Na mesma vertente, manifesta-se CABETTE, citado por CUNHA e PINTO165:

A utilidade dessa inovação é cristalina. Basta, para exemplificar, destacar a inocuidade da medida protetiva de urgência de proibição ao agressor de aproximação da ofendida, de seus familiares e da s testemunhas, fixando um limite mínimo de distância entre estes e o agressor (art. 22, III, a, da Lei 11.340/06).

Tal determinação judicial desprovida de um instrumento coercitivo rigoroso não passaria de formalidade estéril a desacreditar a própria justiça.

Em sentido contrário, manifesta-se NUCCI166:

A inclusão do inciso IV no art. 313 não deve utilizada de forma indiscriminada. Se a intenção do legislador foi abrir um precedente para a possibilidade de decretação da custodia cautelar para delitos apenados com detenção (como lesão corporal simples), nos tempos atuais é preciso precaução. Ilustrando se o juiz decretar prisão preventiva daquele que responder por lesão corporal simples (pena mínima de três meses de detenção), diante do caótico quadro de lentidão da Justiça, é possível que o réu fique mais tempo preso cautelarmente do que, no futuro, tenha tempo de pena a cumprir.

CUNHA e PINTO167, por sua vez, observam:

A nova possibilidade que se inaugura para a decretação da prisão preventiva não pode ser interpretada de forma isolada, impondo, ao revés, que se atente ao preenchimento dos requisitos gerais de toda e qualquer prisão dessa espécie, mencionados no art. 312 do CPP. [...]. O art. 42 da lei, que ampliou a redação do art. 313 do CPP, permitiu a prisão preventiva “para garantir a execução das medidas protetivas de urgência”. [...]. Ocorre que várias dessas medidas possuem, inequivocamente, caráter civil. [...] se a medida protetiva é de caráter civil, a decretação da prisão preventiva, em um primeiro momento, violará o disposto nos arts. 312 e 313 do CPP, que tratam, por óbvio, da prática de crimes. E, pior, afrontará princípio constitucional esculpido no art. 5º, LXVII, que autoriza a prisão civil apenas nas hipóteses de dívida de alimentos [...].

164 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. p. 102.

165 CUNHA, Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violência Doméstica. p. 120.

166 NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. p. 1148.

167 , Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violência Doméstica. p. 121-122.

Assim, para aplicação correta da inovação trazida pelo inciso IV, do art. 313, do Código de Processo Penal, é necessário que estejam presentes os requisitos da prisão preventiva (art. 312 do Código de Processo Penal), e que estejam sendo descumpridas as medidas protetivas de urgência aplicadas em favor da vítima, quando de cunho penal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho teve como objetivo principal analisar as inovações trazidas no combate a violência doméstica e/ou familiar contra a mulher com o advento da lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.

Para seu desenvolvimento lógico o trabalho foi dividido em três capítulos.

O primeiro capítulo referiu-se às leis do ordenamento jurídico brasileiro que trataram da violência doméstica e familiar, destacando principalmente a Lei nº 11.340/06 e apresentando os sujeitos destes crimes.

No segundo capítulo tratou-se das diversas formas de violência previstas na Lei nº 11.340/06, que em seu artigo 7º, visa coibir, tais como a violência física, violência psicológica, violência sexual etc.

E, no terceiro e último capítulo, analisou-se os aspectos processuais da Lei Maria da Penha, pois esta lei trouxe algumas modificações em relação aos demais crimes, citando-se, por exemplo, a não aplicação da Lei nº 9.099/95 para os crimes envolvendo violência doméstica e familiar.

A pesquisa foi embasada nas seguintes hipóteses:

1º) A violência doméstica e familiar contra a mulher sempre foi reprimida de forma específica na história do ordenamento jurídico brasileiro.

Não, a Lei nº 11.340/06 é a primeira lei que trata especificamente da violência doméstica e familiar contra a mulher. Hipótese confirmada.

2º) A Lei Maria da Penha é exclusiva para a proteção da mulher? Sim, conforme entendimento jurisprudencial dominante no momento, a Lei Maria da Penha enfrenta a questão da violência de gênero tendo como sujeito passivo exclusivamente a mulher. Hipótese confirmada.

3º) Tratando-se de crime remetido, caso seja cometido delito de menor potencial ofensivo, ao agressor não poderão ser aplicadas as benesses

da Lei nº 9.099/95. Sim, a Lei Maria da Penha expressamente proíbe a aplicação dos benefícios da Lei nº 9.099/95. Hipótese confirmada.

Por fim, ressalte-se que o presente trabalho não tem a finalidade exaurir a matéria, o estudo da Lei nº 11.340/06 é relativamente novo, sendo que o trabalho visa destacar os aspectos processuais controversos da referida legislação.

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