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A R ESPONSABILIDADE C IVIL EM S ENTIDO A MPLO

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 90-94)

2.4 A RESPONSABILIDADE CIVIL AMBIENTAL

2.4.1 A R ESPONSABILIDADE C IVIL EM S ENTIDO A MPLO

privados do lesado de tal modo a privar-lhe do uso daquele micro bem atingido pela ação ou omissão, causando-lhe um transtorno de ordem psíquica. Quando o a lesão atingir a um bem ambiental mais amplo, ter-se-á um dano ao macro bem ambiental que, por sua vez, é de interesse de toda a coletividade, cujas conseqüências afetarão psiquicamente e espiritualmente a várias pessoas em razão da degradação do bem lesado183.

A idéia da responsabilização e reparabilidade de danos causados a interesses de outrem, não é um fenômeno do mundo moderno. Desde os mais remotos tempos, quando os seres humanos passaram a conviver em sociedade, a responsabilidade unia-se aos grupos de homens que atuavam em conjunto não se fazendo presente a idéia do individualismo, de modo que o juízo de responsabilidade e de reparação de dano recaia sobre cada agrupamento de homens, ou seja, a coletividade era responsável pelos atos praticados por seus membros.

A responsabilidade implica em uma obrigação e, em se tratando da esfera dos direitos privados (civil), a responsabilidade abarca justamente a obrigação que determinado sujeito tem de ressarcir os danos causados a outrem cujos resultados podem ser prejuízos de ordem patrimoniais ou extrapatrimoniais e que podem ser causados pelo próprio sujeito, ou por terceiros, coisa ou animal que estejam sob a sua tutela.

A palavra responsabilidade tem sua origem no verbo latino respondere (responder, afiançar, prometer, pagar) que remete ao significado ou pensamento de reparação, recuperação, compensação, pagamento, indenização184.

Diniz185 leciona que:

O vocábulo “responsabilidade” é oriundo do verbo latino respondere, designando o fato de ter alguém se constituído garantidor de algo. Tal termo contém, portanto, a raiz latina spodeo, fórmula pela qual se vinculava, no direito romano, o devedor nos contratos verbais.

Desta feita, a idéia de responsabilidade se liga à idéia da obrigação, segundo a qual, todo aquele, com capacidade jurídica está sujeito a ter

184 LEITE, Rubens Morato. Dano ambiental: do individual ao coletivo extrapatrimonial, 2000, p.

116.

185 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. 7. ed. V. 7, 1999, p. 33.

que cumprir um dever legal de reparar algum dano que venha a causar a direito tutelado de outrem186.

Nalin187 leciona que:

A justiça referente à responsabilidade civil é a denominada comutativa, ao abranger as relações de trocas voluntárias, lícitas ou ilícitas. As relações recíprocas entre partes, e dentro da concepção de equilíbrio social, se desenrolam sob uma relação simples entre dano, indenização e na equivalência de prestações.

Sob a visão ora sustentada, passa a ter relevância a concepção do que seja justo ou injusto, e até mesmo de qual homem seria justo ou injusto. A justiça, voltada para a recomposição da situação jurídica desestabilizada, em razão de dano, estaria comprometida com a idéia de igualdade das leis, que oportuniza, ao menos em tese, idênticas condições de postulação a todos os proponentes possíveis.

Pode-se dizer que o instituto da responsabilidade está inserido no âmbito do direito das obrigações, uma vez que o mesmo respalda-se, justamente, na obrigação a que está sujeito todo àquele que pratique um ato tido como contrário às normas tuteladas causando dano a outrem e, por esta razão, deve ressarcir o lesado dos prejuízos a ele causados188.

Por maiores que sejam as discussões a respeito da responsabilidade civil, não há como negar que esta deriva das ações dos homens, quando do seu convívio social.

A responsabilização dos atos praticados por um sujeito pode interferir na esfera dos direitos de outrem a ponto de provocar neste último, lesões de ordem patrimonial (material) ou psíquica (moral), sujeitando o lesante a ter que reparar economicamente o lesado e, desta maneira, “a responsabilidade não é

186 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 1222.

187 NALIN, Paulo Roberto Ribeiro. Responsabilidade civil: descumprimento do contrato e dano extrapatrimonial. Curitiba: Juruá, 1996, p. 34.

188 SAMPAIO, Rogério Marrone de Castro. Direito civil: responsabilidade civil. 3. ed. São Paulo:

Atlas, 2003, p. 17.

fenômeno exclusivo da vida jurídica, antes se liga a todos os domínios da vida social”189.

O objetivo de reconstituir a harmonia transgredida pelo dano é a origem da responsabilidade civil, na qual se tem por base a depreciação ou a desvalorização identificadas nos bens daquele contra quem a ação do sujeito lesivo gerou o dano que, à luz do ordenamento, é tida como um ato ilícito, que por sua vez quando praticado, gera a obrigação indenizatória a ser suportada pelo lesante.

A responsabilidade civil não tem lugar tão somente na esfera da ação lesiva propriamente dita, mas também, no potencial risco que a atividade exercida pelo sujeito possa representar em dano a outrem190.

Dias191 leciona que:

A responsabilidade é, portanto, resultado da ação pela qual o homem expressa o seu comportamento, em face desse dever ou obrigação. Se atua na forma indicada pelos cânones, não há vantagem, porque supérfluo em indagar da responsabilidade daí decorrente. Sem dúvida, continua o agente responsável pelo procedimento. Mas a verificação desse fato não lhe acarreta obrigação nenhuma, isto é, nenhum dever, traduzido em sanção ou reposição, como substitutivo do dever de obrigação prévia, precisamente porque a cumpriu. O que interessa, quando se fala de responsabilidade, é aprofundar o problema na face assinalada, de violação da norma ou obrigação diante da qual se encontrava o agente.

Deste modo, a responsabilidade civil é o resultado de um ato comissivo ou omissivo de determinada pessoa que, de acordo com o entendimento do ordenamento jurídico vier a causar algum dano a direitos de outrem, obriga o agente a repará-lo em sua integralidade, uma vez que, a responsabilidade figura na esfera do Direito Obrigacional.

189 DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979, p. 03.

190 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil, 1999, p. 05.

191 DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil, 1979, p. 03.

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 90-94)