4.2 O PROCESSO DE REGISTRO
4.2.3 A Retificação do Registro
A retificação é o meio pelo qual se corrige registro incorreto, omisso ou impreciso, com o fim de exprimir a verdade.
Leciona Rizzardo327: “Estando incorreto, omisso, impreciso ou não exprimir a verdade o registro, e da mesma forma a averbação, autoriza-se a correção por meio de retificação [...]”.
Estabelece o art. 1.247328 do CC: “Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule”.
No mesmo sentido é a disposição do art. 212329, da LRP:
325 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
326 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
327 RIZZARDO, Arnaldo. Direito das coisas: Lei n° 10.406, de 10.01.2002. p. 324.
328 BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
329 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
Art. 212. Se o registro ou a averbação for omissa, imprecisa ou não exprimir a verdade, a retificação será feita pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, a requerimento do interessado, por meio do procedimento administrativo previsto no art. 213, facultado ao interessado requerer a retificação por meio de procedimento judicial.
Parágrafo único. A opção pelo procedimento administrativo previsto no art. 213 não exclui a prestação jurisdicional, a requerimento da parte prejudicada.
Acerca do procedimento para retificação do registro informa Borges330 que:
A retificação pode ser solicitada diretamente ao oficial do registro de imóveis, quando o erro for material e simples, de modo que não atinja interesses ou direitos de terceiros, ou se atingir estes estão acordes com o pedido.
A retificação deve ser judicial, quando envolve substância do registro que possa interessar a terceiros e ao próprio interesse público, valendo dizer, quando mesma for mais complexa e não havendo concordância de partes interessadas.
Desta feita o procedimento previsto no art. 213 da LRP é administrativo, todavia não se exclui a prestação jurisdicional.
Nestes termos, extrai-se do art. 213, da LRP o procedimento de retificação do registro:
Art. 213. O oficial retificará o registro ou a averbação:
I - de ofício ou a requerimento do interessado nos casos de:
a) omissão ou erro cometido na transposição de qualquer elemento do título;
b) indicação ou atualização de confrontação;
c) alteração de denominação de logradouro público, comprovada por documento oficial;
d) retificação que vise a indicação de rumos, ângulos de deflexão ou inserção de coordenadas georeferenciadas, em que não haja alteração das medidas perimetrais;
e) alteração ou inserção que resulte de mero cálculo matemático feito a partir das medidas perimetrais constantes do registro;
f) reprodução de descrição de linha divisória de imóvel confrontante que já tenha sido objeto de retificação;
g) inserção ou modificação dos dados de qualificação pessoal das partes, comprovada por documentos oficiais, ou mediante despacho judicial quando houver necessidade de produção de outras provas;
II - a requerimento do interessado, no caso de inserção ou alteração de medida perimetral de que resulte, ou não, alteração de área, instruído com planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade
330 BORGES, Antonio Moura. O Registro de Imóveis no Direito Brasileiro. p. 402.
técnica no competente Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA, bem assim pelos confrontantes.
[...]
Desta feita, a retificação poderá ser requerida de ofício pelo oficial ou a requerimento dos interessados nos casos citados acima.
4.2.4 O Cancelamento do Registro
O cancelamento é espécie do qual o gênero é a averbação, fazendo com cessem os efeitos de outro ato registrário.
Nestes termos conceitua Francisco331: “O cancelamento é o ato do oficial do registro de imóveis, na forma de averbação, que aniquila os efeitos de outro ato registrário, que, ao mesmo tempo, faz nascer e morrer direitos reais ou ônus sobre bens imóveis”.
O cancelamento será realizado mediante averbação, assinada pelo oficial, seu substituto legal ou escrevente autorizado, e declarará o motivo que o determinou, bem como o título em virtude do qual foi feito, conforme art. 248332, da LRP.
Segundo o art. 249333, da LRP: “O cancelamento poderá ser total ou parcial e referir-se a qualquer dos atos do registro”.
O cancelamento será feito em virtude de cumprimento de decisão judicial transitada em julgado; a requerimento unânime das partes que tenham participado do ato registrado; ou, a requerimento do interessado, de acordo com o art. 250334, da LRP.
331 FRANCISCO, Caramuru Afonso. Do Registro de Imóveis e seu Cancelamento. p. 217.
332 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
333 BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br.
Acesso em: 05.05.09.
334 Art. 250. Far-se-á o cancelamento: I - em cumprimento de decisão judicial transitada em julgado; II - a requerimento unânime das partes que tenham participado do ato registrado, se capazes, com as firmas reconhecidas por tabelião; III - A requerimento do interessado, instruído com documento hábil.
BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 05.05.09.
Enquanto não cancelado o registro, este produz todos os seus efeitos legais, ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido335.
O cancelamento não poderá ser feito, todavia, em virtude de sentença, sujeita, ainda, a recurso336.
Assim, cancelado o registro cessarão os feitos do ato registrário, seja totalmente se o cancelamento for total, ou, parcialmente se o cancelamento for parcial.
Com a análise do processo de registro dá-se fim ao estudo do instituto do Registro de Imóveis no Brasil.
335 Art. 252 - O registro, enquanto não cancelado, produz todos os efeitos legais ainda que, por outra
maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido. BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 05.05.09.
336 Art. 259 - O cancelamento não pode ser feito em virtude de sentença sujeita, ainda, a recurso.
BRASIL. Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 05.05.09.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve como objetivo investigar, à luz da legislação e da doutrina, o instituto do Registro de Imóveis.
O interesse pelo tema deu-se em razão de sua diversidade, amplitude e importância, notadamente pelo fato de que o Registro de Imóveis é um dos modos de aquisição do direito de propriedade.
Para seu desenvolvimento lógico o trabalho foi dividido em três capítulos, tratando entre eles do direito de propriedade, o Registro de Imóveis no Brasil e por fim, tratou-se dos aspectos práticos do Registro de Imóveis no Brasil.
O estudo do tema iniciou-se no Primeiro Capítulo com a análise do Direito de Propriedade.
A noção de propriedade do início das civilizações era comunitária.
Posteriormente, com o desenvolvimento da civilização, a noção de propriedade passou a ser individualista, tendo sua origem, desta forma, no Direito Romano.
No direito brasileiro a história da propriedade começou com o descobrimento do Brasil em 1500, com as chamadas Sesmarias, as quais perduram até a proclamação da Independência em 1822. Mas foi só com a promulgação do Código Civil de 1916 que o direito de propriedade ganhou relevância, sendo regulado atualmente pelo Código Civil de 2002.
Assim, a propriedade é o direito que a pessoa física ou jurídica possui de usar, gozar, dispor e de reivindicar a coisa de quem a possua injustamente, nos termos do art. 1.228 do CC, sendo garantido tal direito, ainda, pelo art. 5°, inciso XXII, da CRFB/88.
Deverá a propriedade atingir seu fim social, sendo vedado qualquer ato que viole o bem da coletividade.
O objeto do direito de propriedade são os bens imóveis, móveis e os semoventes.
As principais espécies ou modalidades do direito de propriedade são: a propriedade plena, a propriedade restrita, a propriedade perpétua e, a propriedade resolúvel.
Tem-se, por fim, as formas de aquisição da propriedade imóvel que são o registro do título no Cartório de Registro de Imóveis, a usucapião, a acessão e o direito hereditário.
Por conseguinte, no segundo capítulo, tratou-se do Registro de Imóveis no Brasil, o qual possui duas acepções, uma de registro público, pelo qual se dá publicidade aos direitos reais e, outra, de ato ou assento praticado em livro de ofício para realizar o devido fim.
O registro de imóveis possui natureza de serviço público delegado, o qual é disciplinado pelo Poder Judiciário.
Os principais princípios do Registro de Imóveis são: o princípio da publicidade, princípio da presunção de veracidade e de fé pública, princípio da continuidade, e o princípio da especialidade.
Por derradeiro, no último capítulo, analisou-se os aspectos práticos do Registro de Imóveis no Brasil, cuidando-se de suas atribuições, as quais encontram- se elencadas no art. 167 da Lei de Registros Públicos, Lei n. 6.015/73.
As atribuições do Registro de Imóveis são: matrícula, atos de registro e averbação.
O procedimento para o registro de imóveis inicia-se com a apresentação do título a ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição da situação do imóvel.
Para a consecução do registro imprescindível é a prévia matrícula do imóvel, sendo que, apresentado o título, o oficial fará prenotação no Livro de Protocolo, realizando o registro no prazo de 30 (trinta) dias.
Caso haja exigências a serem cumpridas e o apresentante não concordar com o exigido ou não puder cumpri-las, abrir-se-á processo de dúvida.
O registro poderá ser retificado quando houver omissões, erros ou contradições e, ainda, cancelado, extinguindo desta forma os efeitos do registro.
Por fim, e com base em todo o estudo realizado, retomam-se as hipóteses levantadas para a presente pesquisa:
Primeira Hipótese: A aquisição da propriedade pelo registro se dá no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição da situação do imóvel.
Quanto a primeira hipótese, tem-se a mesma restou confirmada.
Segunda Hipótese: O procedimento para a efetivação do Registro de Imóveis inicia-se com a apresentação do respectivo título perante o Cartório de Registro de Imóveis, devendo o imóvel estar previamente matriculado, procedendo, o oficial, em seguida, à prenotação no Livro de Protocolo, sendo o registro realizado no prazo de 30 (trinta) dias.
Da mesma forma, a segunda hipóteses restou confirmada.
O presente trabalho monográfico se apresentou de grande importância para a aferição de conhecimentos acerca do Registro de Imóveis no Brasil.
O método utilizado na fase de investigação foi o dedutivo e na fase do Relatório da Pesquisa também foi a base dedutiva.
Foram acionadas as técnicas do referente, da categoria, dos conceitos operacionais, da pesquisa bibliográfica e do fichamento.
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