O articulista do Pequeno Jornal em seu artigo de fundo “Um dever que se impõe”, em frases lamuriantes faz recordar a aliança política de seus antepassados evocando as suas principais figuras; porém esquece-se que tudo neste mundo tem de pagar o seu tributo à rigorosa lei da evolução.
Faz lembrar os tempos do Império em que se revezavam no poder os partidos, Liberal e Con- servador, dissolvidos com a proclamação da República, para surgirem outros que viessem trabalhar no engrandecimento da pátria brasileira.
Deve o articulista ponderar que os antigos chefes desapareceram e com eles os passados ressentimentos e que todos nós devemos concorrer para o melhoramento do nosso Morro do Chapéu, tão digno de melhor sorte, infelizmente esquecido de todos os governos.
Desde 15 de novembro de 1889 que os partidos fundiram-se e aderiram a República; come- çando do alto a transformação política com a união dos antigos chefes do nosso Estado.
Assim vimos José Gonçalves, Barão de Geremoabo, Luiz Viana, José Marcelino, Araújo Pinho, Severino Vieira e outros conservadores ao lado de Rui Barbosa, Manoel Vitorino, Rodrigues Lima, Almeida Couto e outros chefes liberais.
E como quer o articulista hoje chamar a postos os descendentes dos chefes do antigo partido Conservador procurando infiltrar-nos mesmos um capricho odioso que já não tem razão de ser?
Todos não são filhos da mesma pátria e não têm o dever sagrado de amá-la?
Não foi o coronel Dias Coelho como chefe deste importante município, o organizador de um partido coeso e forte de que faziam parte Dourado, Pereiras de Souza, Valois, Rodrigues de Oliveira e tantos outros?
Quem desorganizou esse partido, tratou o chefe que deu-lhes representação, empregos ren- dosos, dispensou-lhes favores e que foi retribuído com a mais negra ingratidão, de que resul- tou a morte do mesmo?
Cumpre recordar que quando o Dr. Seabra no inicio de seu governo apresentara o Deputado Ângelo Dourado como presidente do Diretório político de Morro do Chapéu, ficando o coronel Dias Coelho em segundo lugar, surgiu logo um protesto chefiado pelo coronel Antonio de Sou- za Benta, com centenas de assinaturas, dentre as quais se encontrava a de Herculano da Silva Dourado, não reconhecendo outro chefe supremo a não ser o coronel Francisco Dias Coelho.
Principiou aí o ciúme de Ângelo Dourado que queria ser o solus totus e unus na política do Morro do Chapéu, perante o Governo, conforme escreveu ao coronel Dias Coelho, querendo com isso anular o alto prestigio do Senador José Abraão Cohim, com quem há muitos anos era solidário o coronel Dias Coelho.
Não concordando com tal imposição do Deputado Ângelo Dourado, que via no Senador Abra- ão Cohim um êmulo de encontro ao seu sonho de mando e depois dos telegramas passados pelo coronel Dias Coelho as altas personagens do Estado, dentre as quais se destacava a do ilustre Senador Abraão Cohim a quem reafirmava sua perpétua solidariedade política.
Foi o suficiente para o Deputado Ângelo Dourado alvitrar a seus parentes, rompessem com o coronel Dias Coelho e formassem um partido dissidente, o que efetivamente se deu, ficando os demais Dourado e muitos outros firmes à política do coronel Dias Coelho, conforme o pedido do velho Herculano Dourado nos últimos momentos da vida a seus parentes – que nunca se separassem do coronel Dias Coelho, a quem estimava e considerava seu benfeitor.
Agora vejamos quais os que honram a memória de Herculano Dourado, o que estão firmes à política do coronel Dias Coelho, ou aqueles que apostaram desligando-se dela?270
270 Correio do Sertão – Morro do Chapéu, 07 out. 1923.
ANEXO VI271
Fotografia de pessoas influentes na política local, durante uma visita que o Cel. Horácio Quei- roz de Matos fez a Morro do Chapéu no ano de 1921.
Na primeira fila sentados da esquerda para a direita – 1º Gustavo Macedo (pai de Jaime, casado com Amélia); 2º um alemão de Lençóis que acompanhava Horácio de Matos; 3º Pro- fessor Assis (secretário particular de Horácio); 4º Horácio Queiroz de Matos; 5º Professor Faus- tiniano Lopes Ribeiro (avô do deputado Edvaldo Lopes); 6º Antonio da Silva Dourado (delegado de Morro do Chapéu na época); 7º Teotônio Marques Dourado Filho (chefe político represen- tando os dourados); 8º Estandislau de Castro Dourado (representante do cartório).
Na segunda fila sentados da esquerda para a direita – 9º José Lino (de Gameleira de Irecê);
10º Lauro Barreto (de Caraíbas); 11º Ineni Marques (de Caraíbas); 12º Francisco Marques Dourado (do Achado, pai de Maria Amélia);13º Major Aristides Moitinho (do Achado, avô de Nobelino Dourado); 14º Justiniano de Castro Dourado (pai de Misael Dourado); 15º Antonio Nunes Dourado (de canal, avô do Rev. Celso Dourado); 16º Benigno Marques Dourado Filho (cunhado do Cel. Theozinho, único remanescente do grupo);17º Adelmo Pereira (Morro do Chapéu – diretor do Pequeno Jornal); 18º Leovigildo Cardoso Viana (de Lapão); 19º Manoel Quirino de Matos (avô do atual prefeito de Rochedo – Ibititá).
Na terceira fila de pé, da esquerda para a direita – 20º Emilio Moreira (líder de Gameleira);
21º Renerio Justiniano Dourado (ex-prefeito de Irecê); 22º Adelmo Marques (filho de Amélia);
23º Alilio da Silva Dourado (comerciante em Morro do Chapéu); 24º Benigno Marques Dourado (coletor de Morro do Chapéu); 25º não identificado – um Marques; 26º José Augusto da Silva Dourado (Zeca, filho de Clemente casado com a Professora Ana Guanes L. Dourado, 1ª pro- fessora do Arraial de Caraíbas em 1918); 27º Amélio Marques (de Caraíbas); 28º José Vilela ( de Lapão); 29º Antonio Otaviano Dourado (pai do deputado Rubem Dourado – M.D. do Rio de Janeiro).
271Arquivo pessoal de D. Radclief Dourado