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A RUA VISCONDE DE INHAÚMA

No documento os rumos da arquitetura latino-americana (páginas 107-117)

A Rua Visconde de Inhaúma possui cento e setenta e sete metros de extensão e ainda abriga alguns armazéns do século XVI. Sua paisagem é marcada, principalmente, pela arquitetura colonial, e as edificações que mais se destacam fazem parte do complexo da antiga Alfândega.

Localizada no Porto da Capital, conhecido como Varadouro, primeiro bairro da capital, essa rua foi a espinha dorsal da capital da Paraíba. Nela encontrava-se, Mercado do Porto, Casa Bancárias, Casa de Leilões, Companhias de Navegação, o primeiro Paço da capital, com sua balança, o Tesouro Provincial, a Alfândega, os Armazéns do Império e particulares, etc. Nela se desenvolveram os primeiros comércios da cidade. Chamava-se antigamente rua dos Ferreiros depois, já em meados da segunda metade do século 19, passou a ser denominada de Visconde de Inhaúma em honra ao famoso militar da Guerra da Paraguai. (RIBEIRO, texto da Comissão do Centro Histórico de João Pessoa)

Figura 02: Mapa de pontos focais.

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

De acordo com Cavalcante (2009, p. 99), há um uso inadequado das edificações por parte das atividades econômicas, além da inexistência de manutenções pelo poder público.

Figura 03: Mapa de Uso e Ocupação.

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

Figura 04: Mapa de Cheios e Vazios.

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

A Rua possui poucos imóveis inutilizados, seu uso é predominantemente comercial e não há lotes vazios; tem via de mão dupla e fica próxima aos trilhos do trem, com passagem constante de caminhões, devido às atividades comerciais existentes no local.

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Figura 05: Mapa de Fluxo Viário.

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

No ano de 2009, havia planos para revitalização do prédio da Intendência da Alfândega, conhecido como ―prédio amarelo‖ (pelos resquícios de cor amarela em sua fachada). A construção de um Centro Cultural Popular, fruto da parceria da Superintendência do IPHAN na Paraíba com a Gerência Nacional do Patrimônio da União – GRPU, nunca chegou a sair do papel, e a última reforma feita na edificação foi no século anterior, em decorrência de um incêndio. Esse e outros projetos faziam parte do ―Programa de Revitalização do Centro Histórico de João Pessoa‖, que tinha como meta a valorização da cidade baixa.

Atualmente, a edificação em questão, que é de Conservação Total1, encontra-se inutilizada, sem coberta, com vãos abertos e danos na fachada que incluem pichações. Assim como o prédio da intendência da antiga alfândega, a rua apresenta outra edificação de conservação total: a edificação onde funcionava a superintendência da alfândega, onde houve o desabamento de parte de sua estrutura no início do ano de 2019.

1 O IPHAEP, pelo Decreto Estadual 25.138/2004, tipifica os níveis de intervenção para as edificações. Uma edificação de Conservação Total – CT é aquela que preserva notavelmente suas características espaciais, volumétricas, tipológicas e decorativas originais.

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Figura 06: Superintendência da alfândega. Acima: 1911-1920. Abaixo: 2019.

Fonte: Arquivos da Biblioteca Pública da Paraíba (1911-1920) e acervo fotográfico dos autores (2019).

Figura 07: Prédio da Intendência da Alfândega.

Fonte: Acervo fotográfico dos autores, 2019.

A maioria dos demais imóveis da Rua classificam-se como de Conservação Parcial, pois preservam entre 20% a 80% de suas características originais. Dois lotes apresentam edificações de Renovação Controlada em razão de estarem dentro de uma Área de Preservação Rigorosa – APR, mas não possuírem valor cultural. As edificações dos últimos dois lotes do lado direto se encontram descaracterizadas e também são de Renovação Controlada, mas ainda assim compõem a ambiência da rua.

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Figura 08: Mapa de Classificação

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

UM OLHAR SOBRE A LEGISLAÇÃO

De acordo com o atual zoneamento do município de João Pessoa, o Bairro do Varadouro, onde se encontra a Rua Visconde de Inhaúma, pertence a uma Zona Comercial de Terminais – ZCT, onde estão localizados três grandes equipamentos públicos: a CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos, a Integração do Varadouro e o Terminal Rodoviário da cidade.

As edificações ficam restritas a 6 pavimentos para uso residencial e 2 pavimentos para comércio e serviço, em contraposição.

Por estar dentro da Poligonal de Tombamento do IPHAN e do IPHAEP, tratar-se de uma Área de Preservação Rigorosa, na qual a tipologia das edificações deve ser mantida para que seja preservada a ambiência. Uma edificação de 6 pavimentos, por exemplo, quebraria essa ambiência impactando visualmente na paisagem.

A Rua Visconde de Inhaúma apresenta edificações de no máximo 1 pavimento, sendo que a maioria são térreas, como pode ser observado no mapa de gabaritos.

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Figura 09: Mapa de tombamento: A Rua Visconde de Inhaúma dentro do Perímetro de Tombamento Rigoroso do IPHAN

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019, com base no perímetro de tombamento do IPHAN Figura 10: Mapa de Gabaritos.

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019.

Além da legislação de que rege o IPHAN no Brasil, não há nenhuma normativa específica que incida sobre o Centro Histórico de João Pessoa que tenha sido elaborada apenas pela Superindência do IPHAN na Paraíba. Há um suporte e concordância com a Legislação Estadual.

A Rua Visconde de Inhaúma está entre as 25 ruas e 6 praças da poligonal de tombamento do IPHAN e qualquer intervenção na área de preservação do Centro Histórico só deve

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acontecer após análise do projeto e autorização dos órgãos patrimoniais, como é apontado no Art. 25 do Decreto Estadual n°7.819/78, ―O Instituto providenciará a realização de um acordo com o IPHAN, para coordenação e desenvolvimento de atividades de proteção, restauração e tombamentos do Estado‖.

Mesmo com seu uso comercial desde sua origem, faz-se necessária a autorização do órgão patrimonial antes de intervenções. Tendo ciência da forte presença de madeireiras na Rua Visconde de Inhaúma, atentou-se para o Art. 38 do mesmo decreto acima citado:

―Art. 38. A utilização de bem tombado, para fins comerciais ou turísticos, só poderá ser feita mediante consentimento expresso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, depois de análise e estudos do processo enviado pela parte interessada‖ (PARAÍBA (Estado), Decreto Estadual n. 7.819/78)

De acordo com o anexo do Decreto Estadual n°33.816/2013, no que diz respeito à publicidade, fica proibida a inserção de toldos, placas e letreiros que encubram elementos construtivos que façam parte da morfologia original da fachada e dos vãos, o que inclui vergas, bandeiras entre outros. As placas se restringem apenas ao pavimento térreo, podendo ser paralelas ou perpendiculares à fachada. Na Rua Visconde de Inhaúma observou-se as duas tipologias de placas que estão de acordo com a legislação.

ASPECTOS ARQUITETÔNICOS

Os estilos arquitetônicos variam entre Colonial, Neoclássico e Eclético, com presença moderada de adornos e pouco refinamento. Boa parte das edificações encontra-se descaracterizada devido a grandes aberturas nas fachadas, por conta das madeireiras que ali se instalaram.

Podem ser observados aspectos em comuns nas tipologias das fachadas: aberturas com arco pleno e bandeiras em ferro, que era um elemento bastante comum na arquitetura colonial, especialmente no Nordeste, pois, como as edificações eram geminadas, contribuía para a ventilação e iluminação natural nos espaços internos.

Entre as edificações do lado direito da rua, destaca-se o prédio da antiga superintendência da alfândega, indicado como o número 3 na figura à diante. A edificação 8 trata-se de uma construção mais contemporânea e nota-se que a mesma respeitou o gabarito da rua.

Figura 11: Perfil lateral direito.

Fonte: Elaborado por Raiana Guimarães, 2019.

Natabela abaixo,encontra-se aclassificaçãodos estilos arquitetônicos edascaracterísticas predominantes, seguindo a numeração do perfil lateral da rua apresentado na Figura acima.

Tabela 01: Tabela de classificação das edificações

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019 Figura 12: Redesenho do perfil lateral direito.

Fonte: Elaborado por Raiana Guimarães, 2019.

Já no lado esquerdo da rua, destaca-se o prédio da antiga Intendência da Alfândega, edificação número 8.

Figura 13: Perfil lateral esquerdo.

Fonte: Elaborado por Raiana Guimarães, 2019.

A seguir, a classificação dos estilos arquitetônicos e das características predominantes nos imóveis, novamente seguindo a numeração do perfil lateral da rua.

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Tabela 02: Tabela de classificação

Fonte: Elaborado por Suellen Paulina, 2019 Figura 14: Redesenho do perfil lateral esquerdo.

Fonte: Elaborado por Raiana Guimarães, 2019.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para compreender o objeto de estudo é preciso percebê-lo: sua imagem, usos, fluxos, aspectos históricos e sociais. Atualmente, as principais atividades que atraem as pessoas para o Centro da cidade de João Pessoa são o comércio e serviços; e a área do Varadouro retém, sobretudo, atividades industriais como oficinas mecânicas e madeireiras.

Diariamente, por volta das 17:30, o comércio começa a fechar e a cidade baixa se esvazia.

Ainda assim, a proximidade entre a Rua Visconde de Inhaúma e o Porto do Capim faz com que o trecho seja lugar de passagem dos moradores da comunidade que ali existe, apesar de não haver um intenso fluxo de pedestres e presença de fixos na rua.

O potencial turístico, se desenvolvido junto à comunidade estabelecida no local, poderá fortalecer ainda mais as raízes históricas do lugar e abrir caminho para novas funcionalidades, além da essencial permanência de pessoas no local durante todo o dia.

O material levantado e apresentado ao longo este trabalho permite não só a leitura da Rua Visconde de Inhaúma, como também abre caminho para novas discussões sobre as suas competências e problemáticas. A apreensão das peculiaridades dos espaços deve ser considerada como prerrogativa para a consolidação dos mesmos em debates que envolvam intervenções direcionadas ao seu desenvolvimento e às diversas possibilidades de ocupação por parte da população.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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A HISTÓRIA EDIFICADA DA RUA PEREGRINO DE

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