Outra modalidade de adoção é a chamada adoção internacional, que está regulamentada nos artigos 51 e 52 do Estatuto da Criança e do Adolescente e nos princípios presentes no Decreto nº 3.087/99, o qual ratificou a
“Convenção Relativa à Proteção e Cooperação Internacional em Matéria de Adoção Internacional” que foi aprovada em Haia 17ª Seção da Conferência de Leis Privadas Internacionais de maio de 1993.165
O Código Civil não faz menção sobre esse tipo de adoção, assim são aplicáveis, de maneira geral, as disposições deste como regras programáticas, já que não existem regras específicas sobre esta determinada modalidade.166
O autor Fábio Ulhoa Coelho167 menciona que “A adoção pode ser nacional (...) ou internacional (...), segundo o domicílio dos adotantes se situe no Brasil ou no exterior”. Portanto, o domicílio dos autores revela se esta adoção será nacional ou internacional.
165 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil: direito de família. Rio de Janeiro:
Forense, 2006.p. 408.
166 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro:Forense, 2012.p. 525.
167 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito civil: família, sucessões. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2011.p.181.v.5.
Existe ampla discussão quanto à adoção internacional, onde há aqueles que se manifestam favoravelmente e outros contra. Aqueles que se manifestam contra se baseiam que deve-se estimular a adoção nacional, reportando-se aos riscos de “adoções irregulares” e de tráfico de crianças, ademais, argumentam principalmente que tal modalidade fere o direito à identidade da criança, como por exemplo o direito ao nome e a nacionalidade. Opostamente, aqueles que apóiam a adoção internacional visam priorizar a vontade dos estrangeiros em proporcionar carinho e amparo aquelas crianças e adolescentes que deles necessitam.168
Conforme expõe o artigo 31 do ECA169 a colocação de criança ou adolescente em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, sendo admitida somente pela via de adoção.
Nesse sentido de ser adoção internacional medida excepcional Fábio Ulhoa Coelho170 escreve que:
A adoção internacional somente pode ser deferida após consulta aos cadastros de pessoas ou casais habilitados à adoção (da comarca, de Estado e nacional) e não se encontrar neles nenhum interessado em adotar aquela criança ou adolescente. Em outros termos, a lei manifesta sua preferência pela adoção nacional. Se esta for viável, não terá cabimento a adoção internacional.
Constata-se que, somente após realizadas as consultas nos cadastros de pessoas ou casais habilitados à adoção e inexistindo qualquer interessado a adotar tal criança ou adolescente, é que poderá ser deferida a adoção internacional, visto essa ser uma medida excepcional.
A adoção por estrangeiro também exige os mesmos requisitos comuns a adoção por brasileiro171. Porém, esta possui alguns requisitos específicos que estão estabelecidos nos incisos do §1º do art. 51 do ECA, o qual dispõe:
168 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil: direito de família. Rio de Janeiro:
Forense, 2006.p. 408.
169 Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.
170 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito civil: família, sucessões.4.ed.São Paulo: Saraiva, 2011.p.186.v.5.
§1º A adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro ou domiciliado no Brasil somente terá lugar quando restar comprovado: I – que a colocação em família substituta é a solução adequada ao caso concreto; II- que foram esgotados todas as possibilidades de colocação da criança ou adolescente em família substituta brasileira, após consulta aos cadastros mencionados no art. 50 desta Lei; III- que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios adequados ao seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado para a medida, mediante parecer elaborado por equipe interprofissional, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art..
28 desta Lei.
Ainda, preceitua o §2º do art. 51 do ECA que:
§2º Os brasileiros residentes no exterior terão preferência, nos casos de adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro.
Assim sendo, os brasileiros que residem no exterior tem preferência para adotar crianças ou adolescentes que são brasileiros.
A adoção internacional é muito complexa, conforme expõe Arnaldo Rizzardo:
Extensas as normas introduzidas pela Lei nº 12.010, tornando-se extremamente complexa a adoção, até porque exige a habilitação, por primeiro, em país de onde procede o adotante, como se depreende do inc. I do art. 52, estabelecendo: “A pessoa ou casal estrangeiro, interessado em adotar criança ou adolescente brasileiro, devera formular pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade Central em matéria de adoção internacional no país de acolhida, assim entendido aquele onde está situada sua residência habitual.”
Portanto, para os adotantes que são estrangeiros estarem habilitados a adotar um brasileiro é previamente necessário que estes estejam habilitados perante a Autoridade Central que trata sobre a adoção internacional no respectivo país em que residem habitualmente.
Ademais, referente às adoções internacionais de pessoas estrangeiras por brasileiros, ou seja, onde os adotantes são brasileiros e o adotado é estrangeiro, devem-se respeitar também as regras gerais da adoção estabelecida no país.172
171 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família.8.ed.Rio de Janeiro: Forense, 2012.p. 527.
172 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família.8.ed.Rio de Janeiro: Forense, 2012.p. 528.
Além do mais, quanto ao tipo de adoção exposta no parágrafo acima, merece destaque algumas regras, tais quais: que os documentos que irão instruir o pedido e que são de origem do exterior, devem ser traduzidos e estarem em língua nacional e ainda autenticados pelas autoridades consulares (inc. V, art.
52); que somente após transitar em julgado a sentença que deferiu a adoção internacional é que pode o adotado sair do país (§8º, do art. 52), quando será fornecido alvará de autorização (§9º, art. 52); realização de estágio indispensável de 30 dias, que será feito antes da sentença173.
Hélio Borghi (A nova adoção no Direito Civil Brasileiro) apud Arnaldo Rizzardo174:
Agora, a adoção por estrangeiros será irrevogável (o que já ocorria com a adoção plena anteriormente, mas proibida a estrangeiros).
Entretanto, com a exigência de vasta documentação que agora é ordenada pela nova lei, e com a obrigatoriedade de estágio a ser cumprido em território nacional, pretende-se evitar os abusos anteriores, com a indiscriminada saída de crianças nacionais para outros países, sem maiores garantias.
Portanto, assim como a adoção nacional é irrevogável a adoção internacional também o é. Ainda, visando dar mais segurança à adoção internacional e impedir o tráfico de crianças é que constata-se a complexidade dessa modalidade de adoção.