A adoção é irrevogável, conforme exposto no art.39, §1º do ECA, o qual dispõe:
Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segundo o disposto nesta Lei.
§ 1o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Desse modo, o ECA estabelece que a adoção é medida excepcional e é irrevogável, sobre esse tema assevera a autora Maria Berenice Dias123:
A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais (ECA 49). Como a adoção é irrevogável (ECA 39, §1º),
122 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Pamplona Rodolfo. Novo curso de direito civil: direito de família. 2.ed.São Paulo: Saraiva, 2012.p.668.v.6.
123 DIAS, Maria Berenice. Manual de direitos das famílias. 7.ed. São Paulo: Revistas do tribunais, 2010.p.473-474.
rompe todos os laços com a família biológica. Ainda assim, com certa freqüência simplesmente os adotantes evolvem as crianças que adotaram. Tal situação não está prevista na lei, mas infelizmente é algo que existe e há a necessidade de disponibilizar a criança novamente à adoção. Nesses casos, vem a jurisprudência impondo aos adotantes o dever de pagar alimentos, ao menos para subsidiar o acompanhamento psicológico de quem teve maus uma perda, até ser novamente adotado. De qualquer forma, há a possibilidade de haver a suspensão ou a destituição do poder familiar do adotante (CC 1.635 e 1.638).
Verifica-se que, a adoção é irrevogável, porém ainda existem aqueles adotantes que devolvem as crianças que adotaram, sendo tal situação não prevista em lei. Ademais, menciona-se que a jurisprudência vem impondo indenização de alimentos aos adotantes àquele que foi adotado, até nova adoção.
Ademais, assevera a autora acima mencionada que existe a possibilidade de haver suspensão ou a destituição do poder familiar do adotante, sobre esse tema entendem Farias e Rosenvald124 que: “O desligamento do vínculo estabelecido pela adoção, entre o adotante e o adotado, somente poderá ocorrer pela regular destituição do poder familiar, nos casos previstos em lei, respeitado o devido processo legal.”
No artigo 15 do Estatuto da Criança e do Adolescente expõe:
Art.15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Juntamente com o art.18 do mesmo diploma legal:
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Fica claro, a necessidade pela prioridade da dignidade da criança e do adolescente, também com fundamento nos demais princípios que regem o interesse do menor, no que se trata sobre a irrevogabilidade da adoção.
124 FARIAS, Cristiano Chaves; ROSENVALD, Nelson. Direito das famílias. 2.ed. Rio de Janeiro:
Lumen juris, 2010.p. 935.
Hildeliza Lacerda Tinoco Boechat Cabral e Nilda Siqueira Andrade125 sobre a irrevogabilidade da adoção asseveram:
A irrevogabilidade da adoção fundamenta-se na necessidade de se resolver uma questão que se mostra insustentável, expondo a criança ou adolescente a riscos emocionais, psicológicos e do ponto de vista do próprio direito. Salienta-se que deverá ser sempre resolvido de acordo com a técnica de ponderação de interesses, sendo excepcionalíssima e segundo os princípios do melhor interesse da criança, da proteção integral, respeito, liberdade (art. 15 do ECA) e da dignidade da pessoa humana, direitos indisponíveis, na qualidade de pessoas em desenvolvimento que são.126
Com o Decreto Legislativo n. 60 de junho de 1996 que aprova o texto da Convenção Interamericana sobre Conflitos de Leis em Matéria de Adoção de menores, celebrada em La Paz, em 24 de maio de 1984, que foi aprovado pelo Congresso Nacional127, em seu artigo 12, expõe:
Art.12 As adoções a que se refere o Artigo 1º serão irrevogáveis. A revogação das adoções a que se refere o Artigo 2º reger-se-á pela lei da residência habitual do adotado no momento da adoção.
Como mencionado anteriormente as adoções à que se referem o artigo 1º128, são irrevogáveis, que assim expõe:
Art.1º Esta Convenção aplica-se-à adoção de menores sob as formas de adoção plena, legitimação adotiva e outras formas afins que equiparem o adotado à condição de filho cuja filiação esteja legalmente estabelecida, quando o adotante (ou adotantes) tiver seu domicílio num Estado-Parte e o adotado sua residência habitual noutro Estado-Parte.
125 CABRAL, Hildeliza Lacerda Tinoco Boechat; ANDRADE, Nilda Siqueira. Ponderação de
interesses e (irrevogabilidade) da adoção. Disponível em:
<http://www.mp.ce.gov.br/orgaos/CAOCC/dirFamila/artigos/Pond.Interesses.e.Irrevog.Adocao.pdf>.
Acesso 13 de set 2013
126 CABRAL, Hildeliza Lacerda Tinoco Boechat; ANDRADE, Nilda Siqueira. Ponderação de
interesses e (irrevogabilidade) da adoção. Disponível em:
<http://www.mp.ce.gov.br/orgaos/CAOCC/dirFamila/artigos/Pond.Interesses.e.Irrevog.Adocao.pdf>.
Acesso 13 de set 2013
127Ministério Público do Rio Grande do Sul. Disponível em:
<http://www.mprs.mp.br/infancia/documentos_internacionais/id120.htm>. Acesso 11 maio 2014.
128Ministério Público do Rio Grande do Sul. Disponível em:
<http://www.mprs.mp.br/infancia/documentos_internacionais/id120.htm>. Acesso 11 maio 2014.
Sendo que no artigo 14 da referida Convenção129, segue:
Art.14 A anulação da adoção será rígida pela lei de sua outorga. A anulação somente será decretada judicialmente, valendo-se pelos interesses do menor de acordo com o Artigo 19 desta Convenção.
Os interesses do menor devem prevalecer, trata o artigo 19130, da mesma Convenção:
Art.19 Os termos desta Convenção e as leis aplicáveis de acordo com ela serão interpretados harmonicamente e em favor da validade da adoção em benefício do adotado.
Segue um trecho do artigo escrito pela advogada e professora Regiane Sousa de Carvalho Presot131:
A adoção deverá ser assistida pelo poder público, sendo que se constitui por sentença judicial e somente poderá ser anulada no caso de ofensa ao princípio da proteção integral do menor e nunca na conveniência dos adotantes, pois neste caso haverá uma destituição do pátrio poder, permanecendo todos os direitos decorrentes da filiação tais como alimentos e herança.
Ademais, sobre a irrevogabilidade da adoção a autoria Maria Helena Diniz132 escreve:
A adoção é irreversível, entrando o adotado definitivamente para a família do adotante; por isso só se deve recorrer a essa medida excepcional apenas quando se esgotados os recurso de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa (art. 39, §1º, 2ª parte, da Lei n. 8.069/90). A morte do adotante não restabelecerá o poder familiar dos pais naturais (ECA, art. 49).
Assim, a adoção é irrevogável, não sendo ainda no caso de morte do adotante o poder familiar restabelecido aos pais biológicos.
129Ministério Público do Rio Grande do Sul. Disponível em:
<http://www.mprs.mp.br/infancia/documentos_internacionais/id120.htm>. Acesso 11 maio 2014.
130Ministério Público do Rio Grande do Sul. Disponível em:
<http://www.mprs.mp.br/infancia/documentos_internacionais/id120.htm>. Acesso 11 maio 2014.
131 PRESOT, Regiane Sousa de Carvalho. A irrevogabilidade da adoção: um direito humano.
Disponível em: <http://www.reid.org.br/?CONT=00000306>. Acesso 11 maio 2014.
132 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. 28.ed. São Paulo:
Saraiva, 2013.p.584.v.5.
Ainda nesse sentido, refere Aroldo Rizzardo133:
Nesta concepção inútil estabelecer normas sobre a não cessação da adoção com a morte do adotado ou dos adotantes, ou sobre a permanência do vínculo. Se alguma regra se editasse, estar-se-ia fazendo a distinção entre filhos. Assim como não cessa o vínculo de filiação com a morte dos pais naturais, o mesmo acontece no caso da adoção. Tanto não se tolera abdicar da filiação natural como da nascida da adoção.
Desse modo, assim como não é admitida a revogação da filiação natural, quando da morte dos pais legítimos, sanguíneos, também não é aceita a revogação daquela filiação que decorre do vínculo de adoção.