3.4 ABATE E PROCESSAMENTO
3.4.3 Ambiente Competitivo
3.4.3.4 Alternativas de mercado
universo de 27 empresas. Dentre os oito maiores abatedores, todos têm inspeção SIF e constam três cooperativas, além das líderes nacionais, Sadia e Perdigão.
TABELA 23 - MAIORES ESTADOS BRASILEIROS PRODUTORES E EXPORTADORES DE CARNE DE FRANGO - 2000
EXPORTAÇÃO ESTADOS
PRODUÇÃO BRASILEIRA DE FRANGOS ABATIDOS
(milhões de cabeças)
Milhões de
cabeças %
Paraná 622,3 254,3 28,0
Santa Catarina 596,4 411,7 45,4
Rio Grande do Sul 505,9 215,1 23,7
São Paulo 422,8 13,2 1,5
Outros estados 1 096,8 12,4 1,4
BRASIL 3 244,2 906,7 100,0
FONTES: ABEF, DERAL
A produção paranaense cresceu em torno de 15% entre 1999 e 2000, orientada pelo acréscimo das vendas das firmas localizadas no Estado para outras regiões (tabela 24). A produção para o mercado interno e as exportações se mantiveram próximas entre 1999 e 2000, apesar de as exportações brasileiras terem aumentado em torno de 18%.100
TABELA 24 - DISTRIBUIÇÃO DA CARNE DE FRANGO PRODUZIDA NO PARANÁ - 1999-2000
1999 2000
DISCRIMINAÇÃO
Toneladas % Toneladas %
Produção 960 070 100,0 1 106 160 100,0
Exp. para outros estados 488 726 51,0 628 923 57,0 Exp. para o exterior 239 707 25,0 250 173 23,0 Mercado interno (PR) 231 637 24,0 227 064 21,0 FONTES: ABEF, DERAL
Entre 1999 e 2000 houve um acréscimo tanto na produção paranaense quanto nas exportações de, respectivamente, 9,18% ao ano e 10,76%. Ressalta-se o aumento significativo da produção entre 1999 e 2000, orientado, como já explicitado, pelo comércio entre os estados. Além disso, deve-se salientar o importante crescimento das exportações em 1999 (57%), que pode ser justificado pela política de liberalização
100BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria de Comércio Exterior. AliceWeb. Disponível em http://www.portaldoexportador.gov.br/cimaframe.asp?
link=http://aliceweb.mdic.gov.br/. Acesso em 2002.
cambial e desvalorização da moeda brasileira.101 O produto mais exportado é a carne congelada, representando 71% do total exportado (tabela 25).
TABELA 25 - PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO PARANAENSE DE CARNE DE FRANGO - 1996-2000 QUANTIDADE (mil toneladas)
DISCRIMINAÇÃO
1996 1997 1998 1999 2000
Carne resfriada
Produzida 333 667 337 425 414 025 489 672 564 141
Exportada 3 096 4 781 1 121 295 -
Cortes resfriados
Produzidos 100 148 104 965 177 330 74 041 85 285
Exportados 223 286 647 3 28
Carne congelada
Produzida 191 179 192 029 236 740 267 640 308 397
Exportada 99 033 77 695 110 357 169 611 177 962
Cortes congelados
Produzidos 63 413 63 980 85 785 111 795 128 867
Exportados 47 700 42 186 39 984 69 799 72 184
Miúdos e outros
Produzidos 25 251 27 702 29 266 16 922 19 470
Exportados
Total Produzido 713 658 726 101 943 146 960 070 1 106 160
Total Exportado 150 052 124 948 152 109 239 707 250 173
FONTES: ABEF, SEAB/DERAL, MDIC/SECEX
Nota-se, ainda, um crescimento de aproximadamente 51% nas exportações de cortes congelados entre 1996 e 2000, orientado pelo maior valor agregado dentre os produtos da pauta de exportação da avicultura. Em sentido inverso, o baixo valor dado aos produtos refrigerados fez com que as exportações dessas carnes e cortes fossem praticamente nulas em 2000. Houve, inclusive, uma forte queda de preço dos produtos congelados entre 1996 e 2000.102
101Isto não isenta as questões da dinâmica do próprio mercado internacional que possam ter incentivado o aumento das exportações brasileiras, contudo a desvalorização cambial é um fato relevante para explicar este aumento significativo das exportações.
102Os motivos dessa queda de preço e o porquê da carne de frangos congelada ser mais cara que a refrigerada não são evidentes, necessitando maior pesquisa sobre o assunto para levantamento de alternativas. Pode-se adotar a hipótese de que a carne resfriada é mais perecível, sendo preferível no mercado interno. Como a pauta de exportação brasileira é direcionada quase 40% para o Oriente Médio, a carne resfriada não se torna uma boa alternativa. (BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria de Comércio Exterior. AliceWeb. Disponível em http://www.portaldoexportador.gov.br/cimaframe.asp?link=http://aliceweb.mdic.gov.br/. Acesso em 2002)
Analisando-se o preço médio exportado em dólares correntes e a produção exportada entre 1996 e 2001, pode-se observar que a carne congelada é a mais exportada e apresenta um maior preço médio. Há um evolução, principalmente em 2001, das exportações brasileiras de frangos em cortes, direcionada pelo incremento do preço internacional103 (gráficos 27 a 30).
To ne la d a s U S $ /kg
2 0 0 0 0 0 1 ,4 0
1 ,0 0 1 ,2 0 1 5 0 0 0 0
0 ,8 0 1 0 0 0 0 0
0 ,6 0 0 ,4 0 5 0 0 0 0
1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1
0 ,2 0
0 0
1 2 5 4 4 4 1 ,2 7
1 ,2 2
1 ,0 8 1 ,0 3
0 ,7 9 0 ,8 6
9 4 5 9 4
11 8 7 9 9
1 7 4 3 5 1
1 4 0 8 5 7
1 8 0 5 0 0
G R Á F IC O 2 7 - E X P O R TA Ç Ã O D E F R A N G O IN T E IR O C O N G E L A D O , N O PA R A N Á - 1 9 9 6 -20 0 1
F O N T E : S E C E X
To n e la d a s U S $ /kg
U S $ /kg
1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1
2 2 6 1 ,0 2
0 ,9 6
0 ,8 0
1 ,0 3
1 ,0 9
0 ,5 5 2 7 5
5 2 0
3
3 0 2 8
G R Á F IC O 2 8 - E X P O R TA Ç Ã O D E C A R N E D E F R A N G O E M C O R T E S R E F R IG E R A D O S , N O PA R A N Á - 1 9 9 6 -2 0 0 1
F O N T E : S E C E X
To n e la d as U S $ /kg
1 ,2 0 1 ,0 0
0 ,8 0 0 ,6 0
0 ,4 0
0 ,2 0
0 6 0 0
5 0 0
4 0 0 3 0 0
2 0 0
1 0 0
0
To n e la d a s
103A redução do preço médio ao longo do período analisado deve-se, além de um movimento do próprio mercado, à desvalorização do Real, já que tais valores são em dólares correntes.
U S $ /kg
1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1
8 1 7 1 9 1 ,7 1
1 ,5 1
1 ,4 0
1 ,2 7
1 ,0 9
1 ,2 6
6 3 5 6 4
5 6 0 3 8
8 8 3 9 6
7 8 8 11
1 4 0 7 8 7
G R Á F IC O 2 9 - E X P O R TA Ç Ã O D E C A R N E D E F R A N G O E M C O R T E S C O N G E L A D O S , N O PA R A N Á - 1 9 9 6 -2 0 0 1
F O N T E : S E C E X
To n e la d as U S $ /kg
2 ,0 0
1 ,5 0
1 ,0 0
0 ,5 0
0 1 6 0 0 0 0
1 4 0 0 0 0 1 2 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0
2 0 0 0 0 4 0 0 0 0 6 0 0 0 0
0
Ton e la d a s
S u b siste m a A
Tecnologia Insumos Ambiente Competitivo Gestão Interna Ambiente Institucional Relações de Mercado Competitividade do Abate e Proces.
S u b siste m a B
G R Á F IC O 3 0 - D IR E C IO N A D O R E S D E C O M P E T IT IV ID A D E D O A B AT E E P R O C E S S A - M E N TO D A C A D E IA P R O D U T IVA D A C A R N E D E F R A N G O , N O PA R A N Á - 2 0 0 2
-0 ,5 0 -1 ,0 0
-2 ,0 0 -1 ,5 0 0 ,0 0 0 ,5 0 1 ,0 0 1 ,5 0 2 ,0 0
F O N T E : IPA R D E S
N O TA : A e sca la d o s d ire cio n a d o re s d e co m p e titivid a d e va ria d e + 2 (m u ito favo rá ve l) a -2 (m uito d e sfa vo rá ve l), co m o s va lo re s in te rm e d iá rio s co re sp o n d e n d o a fa vo rá ve l, n e u tro e d e sfa vo rá ve l.
1 ,8 0 1 ,9 5
1 ,6 5 1 ,8 0 1 ,7 6
-0 ,3 0
1 ,7 0 1 ,7 0
1 ,0 0
0 ,4 0 0 ,5 5
0 ,0 0
0 ,9 0
0 ,4 2
A estrutura de mercado para o caso paranaense apresenta similaridades com os demais estados, até pela própria dificuldade em estabelecer o que é específico em um mercado. No mercado, ocorre a coexistência de grandes empresas líderes, que
buscam o aprimoramento tecnológico nos processos e nos produtos por meio da diferenciação de produto, e de médias e pequenas empresas, que atuam em pequenos mercados regionalizados de produtos homogêneos.104
Verifica-se a existência de três tipos de mercados em que a cadeia produtiva avícola do Paraná compete, quais sejam:
a) o primeiro refere-se ao mercado tradicional da venda de frango inteiro, que se caracteriza como um oligopólio competitivo;
b) o segundo, fruto da tendência de comercialização de industrializados, é oriundo de um novo padrão de concorrência que compete não só em preço mas também em qualidade. Neste caso, trata-se de um oligopólio diferenciado, e o desenvolvimento dessa estrutura está limitado pelo padrão de renda da população no mercado nacional;
c) o terceiro, mercado internacional, tende a ser caracterizado como um mercado competitivo em preço, em função do tipo de produto comercializado, que é caracterizado como commodity.
A partir de tais delineamentos do mercado avícola serão analisadas as economias de escopo na atividade, após demonstrar a estruturação da cadeia de valor dessa atividade.