3.4 ABATE E PROCESSAMENTO
3.4.6 Relações de Mercado
3.4.5.5 Entidades de representação
As entidades representantes do setor de produção e abate do frango de corte no Paraná atuam como agentes de pressão junto ao setor público (poderes legislativos e executivos) nas esferas estadual e federal. No âmbito estadual, é representada pela AVIPAR que está filiada a UBA, que atua principalmente na observação e sugestão de leis, portarias que interferem ao regulamentar questões tributárias e sanitárias. Para as empresas exportadoras há também a ABEF, que representa a cadeia nas questões referentes às exportações.
Comparativamente com as demais cadeias de carnes e até outros setores produtivos, a cadeia do frango de corte possui um bom subsistema de representação, que é verificado quando é observado o grau de estruturação e coordenação da cadeia.
FIGURA 3 - SEGMENTOS BÁSICOS DO SISTEMA FRANGO DE CORTE
Produção de milho
Granjas de matrizes de frango
Granjas de frango de corte
Segmento de criação e abate
de frangos
Segmento de distribuição/
consumo Fábrica
de ração
Fábrica de Premix
Produção de soja
Produção de Grãos Produção e difusão de Linhagens
Abatedouro
Distribuição
Consumo Indústria de soja
Granjas de matrizes-avós
Criação de linhagens
Industrialização
FONTE: Adaptado de NICOLAU, José Antônio. A organização das cadeia agroindustriais de arroz irrigado e frango de corte: uma abordagem de custos de transação. São Paulo, 1994. Tese (Doutorado em Economia) – USP/FEA. p.135
3.4.6.1 Capacidade de transmissão de informações
O segmento de criação, abate e processamento do frango de corte apresenta, para as firmas líderes, uma certa indissolubilidade, tendo em vista que a forma de organização e planejamento da criação está em função do planejamento e da organização do abate e processamento, e este em função do comportamento da demanda interna e externa. A inserção dessas etapas em um mesmo segmento é justificada pelo fato de que existem interfaces técnicas de produção comunicantes.
Do ponto de vista das relações técnicas, a granja é um apêndice da etapa de abate e processamento. Essa capacidade de informação pode ser exemplificada pela atuação da representação de classe no Paraná (AVIPAR) que promoveu um encontro para analisar os impactos de uma superprodução de frangos e, por conseqüência, de uma redução dos preços. Gasparin cita que "ao final do encontro foi aprovada a Carta de Curitiba, que será entregue aos produtores de frango de todo o país para
que adotem a mesma postura (diminuir a oferta de frangos)".106 Após divulgação da Carta de Curitiba, Scaramuzzo afirma, a partir de dados da APINCO: "o alojamento de pintos de corte recuou 4,1% no mês de julho (...). A queda reflete acordo entre os produtores, sobretudo os do Paraná, principal região criadora de frangos, de reduzir volume de pintos de corte em 8% em razão de maior oferta do mercado interno".107
3.4.6.2 Comercialização eletrônica
Há uma demanda potencial para a comercialização eletrônica a partir do desenvolvimento de grandes redes de distribuição que busquem eficiência e agilidade na transmissão das informações e do planejamento de estoque. Entretanto, essa demanda ainda não levou a grandes transformações na forma de comercialização do segmento de frangos de corte. Tendo em vista que as empresas habilitadas a exportar (subsistema A) já têm a tecnologia de informação mais presente em suas atividades, elas terão, em tese, condições para atender tal demanda quando exigidas. Porém, ainda não estão realizando vendas por esse tipo de comercialização, o que caracteriza como um ponto desfavorável para tais empresas.
Contudo, as empresas que não são habilitadas a exportar (subsistema B), principalmente de gestão familiar, não têm a tecnologia de informação como recurso disponível e utilizado, como descrito no item referente à eficiência organizacional.
Isso é um limitador para o crescimento de tais empresas, pois se houver a realização dessa demanda e as grandes redes exigirem a comercialização eletrônica, essas empresas terão dificuldades para conseguir obter essa competência. Isso se caracteriza como um fator desfavorável à competitividade, pois mostra a falta de preparo para atender a uma demanda latente desse segmento.
106GASPARIM, Miriam. Produção de frango será reduzida para manter preço. Gazeta do Povo, Curitiba, 3 jul.2002. p.21.
107SCARAMUZZO, Mônica. Produção de pintos recua 4% em trinta dias. Gazeta Mercantil, São Paulo, 18 jul.2002. p. B-16.
3.4.6.3 Diversificação de canais de distribuição
A capacidade de diversificar canais de distribuição está relacionado à extensão de mercado das empresas (SIF ou SIP) e ao seu poder de negociação, que depende do seu grau de participação no mercado. A primeira questão indica que as empresas habilitadas a exportar têm a alternativa de exportar seus produtos. Neste aspecto a dificuldade de escoamento no mercado interno pode ser suprida pela alternativa da exportação.
O poder de mercado é um fator decisório para a negociação com as grandes redes de supermercados, as quais estão cada vez mais concentradas e centralizando a distribuição de produtos. As alternativas de escoamento da produção no mercado interno passam a ser pequenas redes restantes, o varejo ou o atacado.
Entretanto, hoje tais alternativas ainda não alcançam um volume tão significativo para permitir o redirecionamento das vendas.
As empresas não exportadoras buscam atender nichos de mercado formados pelos pequenos varejistas e supermercados, além de atacadistas, em algumas regiões. Contudo, há a limitação de escoamento por esses canais. Isso torna a situação das empresas que não são habilitadas a exportar menos favorável do que as que são habilitadas. Essas últimas, além de maior poder de negociação com as grandes redes – pelo volume e diversificação dos produtos –, podem exportar ou vender no mercado interno, concorrendo com as demais empresas. Isso torna a situação das empresas habilitadas à exportação muito favorável para o desempenho competitivo, pois têm maior diversidade de canais de distribuição.
3.4.6.4 Formação de alianças mercadológicas
A distribuição da carne e seus subprodutos, desenvolvidos pelas firmas líderes do subsistema do frango de corte, ocorre de duas formas. A primeira está pre- sente nos principais mercados consumidores, e é organizada de forma hierárquica, por meio de subsidiárias que tratam da comercialização dos produtos no atacado e
em grandes grupos supermercadistas. A segunda dá-se por meio de contratos com distribuições e representantes comerciais presentes em outros mercados regionais.
Há também nessa etapa a presença das empresas transportadoras frigoríficas, que são prestadoras de serviços das agroindústrias no transporte do produto final para as distribuidoras. Essa atividade envolve especificidade de ativos (ativos dedicados) em função do tipo do produto transportado, que é de frios e congelados, inviabili- zando os fretes de retorno para os locais de produção da agroindústria.
A relação com as grandes redes de supermercados é conflituosa108 e foi relatada pelos entrevistados como um dos grandes problemas da atividade. Isso se coloca à medida que as empresas abatedores precisam disponibilizar para o mercado uma grande quantidade de frangos e não conseguem de outra forma que não por meio das grandes redes principalmente. O processo de concentração dos supermercados fez com que houvesse maior poder de barganha dos compradores, que é utilizado para negociar o preço efetivo do produto.
O conflito decorre das taxas cobradas por grandes supermercados para colocação dos produtos nas gôndolas, o que leva as indústrias a venderem a preços mais baixos que para pequenas redes. Por causa disso, os "fornecedores afirmam que é melhor vender para redes mais modestas".109 O problema é como escoar tanta produção em redes tão "modestas".