2.3 Contabilidade Gerencial
2.3.2 Análise de Custos, Volumes e Lucros
Para o planejamento e tomada de decisão, os administradores devem compreender o inter-relacionamento de custo, volume e lucro, uma vez que a contabilidade de custos fornece informações e análises úteis para a tomada de decisões gerenciais, envolvendo estes três parâmetros. A “análise CVL” auxilia na definição dos custos utilizados no processo de elaboração de orçamentos e também determina como uma expansão das facilidades de produção impacta o lucro. (MAHER, 2001)
“Um conjunto de procedimentos, denominados análise de custo-volume-lucro, determina a influência no lucro provocada por alterações nas quantidades vendidas e nos custos”. (BORNIA, 2002, p. 71). De acordo com o autor, esta análise tem grande importância na tomada de decisões de curto prazo.
Segundo Wernke (2005, p. 98), a análise CVL permite averiguar - para atingir um determinado montante de lucro desejado pelos investidores - quais valores a ser praticados em relação ao preço de venda, qual o custo de fabricação máximo dos produtos e quantas unidades devem ser vendidas. Para obter estas informações devem ser analisados os conceitos de Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Margem de Segurança.
Margem de contribuição: “A margem de contribuição pode ser conceituada como o valor (em $) que cada unidade comercializada contribui para, inicialmente, pagar os custos fixos mensais da empresa e, posteriormente, gerar o lucro do período”. (WERNKE, 2005, p.
99)
De acordo com Bornia (2002, p. 72) a margem de contribuição é o montante das vendas menos os custos variáveis. A margem de contribuição unitária representa a parcela do preço de venda que resta para cobrir os custos e despesas fixas e para a geração de lucro por produto. Sendo que:
Margem de contribuição unitária = Preço unitário – Custos variáveis unitários
Perez Jr.; Oliveira; Costa (2005, p. 195) expõem um exemplo interessante de margem de contribuição. Supondo que um produto tenha o preço de venda de R$ 15,00 e custos variáveis de R$ 3,00 de matéria-prima e de R$ 4,00 de mão-de-obra direta. Além disso, na ocasião da venda, incorre o pagamento de comissões de vendedores, de 5% sobre o preço de venda e impostos, de 15% sobre o preço de venda. Aplicando a fórmula, chegamos ao resultado abaixo, sendo que:
Margem de contribuição = Preço de venda – (Custos + Despesas Variáveis)
Então:
MC = 15 – (3,00 + 4,00 + 0,75 + 2,25) = 5,00
Pode-se entender que, cada unidade vendida contribui com R$ 5,00 para absorver os custos fixos e ainda gerar o lucro. No caso de a empresa produzir e vender 300 unidades por período, a margem de contribuição total deste produto será de R$ 1.500,00, ou seja, 300 x R$
5,00. (PEREZ JR.; OLIVEIRA; COSTA, 2005, p. 195)
A razão de contribuição, ou seja, o índice de margem de contribuição está relacionado com a rentabilidade do produto e pode ser assim expressa, segundo Bornia (2002, p. 72):
Razão de contribuição = Margem de contribuição unitária / Preço
A análise de rentabilidade dos preços de venda dos produtos comercializados é uma das formas mais tradicionais de aplicar o conceito de margem de contribuição. (WERNKE, 2005).
Ponto de Equilíbrio: “O ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, é o nível de vendas em que o lucro é nulo”. (BORNIA, 2002, p. 75). O ponto de equilíbrio é alterado por mudanças no preço de venda, nos custos fixos ou nos custos variáveis.
Para Maher (2001, p. 436) “Ponto de equilíbrio é o volume de vendas para o qual o lucro é igual a zero”. O ponto de equilíbrio em unidades pode ser assim representado:
Ponto de Equilíbrio = Custos fixos / Margem de contribuição unitária
Já o ponto de equilíbrio em valor das vendas pode ser assim encontrado:
Ponto de equilíbrio = Custos fixos / índice da margem de contribuição
O ponto de equilíbrio pode ser dividido em três tipos: o contábil, o econômico e o financeiro.
Segundo Wernke (2005, p. 120) o ponto de equilíbrio contábil em unidades informa a quantidade de produtos que devem ser vendidas para que o resultado seja nulo, enquanto que o ponto de equilíbrio contábil em valor informa o valor mínimo de vendas para que a empresa não tenha nem lucro nem prejuízo. As fórmulas podem ser assim representadas:
PEC unid = Custos Fixos ($) / Margem de Contribuição Unitária ($) PEC valor = Custos Fixos ($) / Percentual da margem de contribuição (%)
De acordo com Bruni; Famá (2004, p. 255) o ponto de equilíbrio contábil é encontrado através da análise dos gastos variáveis e fixos:
PEC$ = Preço x PECq
Considerando que:
PECq : Ponto de equilíbrio {Gastos Fixos/[Preço-Gastos Variáveis Unitários]}
Martins (2003) define como ponto de equilíbrio contábil quando a soma da margem de contribuição totalizar o montante suficiente para cobrir todos os cutos e despesas fixos. No entanto, um resultado contábil nulo significa que, economicamente, a empresa está perdendo.
O Autor expõe a seguinte fórmula:
PEC = Custos + Despesas Fixos Margem de contribuição
O ponto de equilíbrio econômico pode ser utilizado para calcular o volume de vendas a ser conseguido. Sua fórmula, em unidades, pode ser assim expressa, de acordo com Wernke (2005, p. 123):
PE Econ. = Custos Fixos ($) + Lucro Desejado ($) Margem de Contr. Unitária ($)
Quando uma empresa deseja saber o volume de vendas que é suficiente para pagar os custos e despesas variáveis, os custos fixos (exceto a depreciação) e outras dívidas a saldar no período, como empréstimos e financiamentos bancários, pode-se calcular o Ponto de Equilíbrio Financeiro. (WERNKE, 2005, p. 122).
PE Fin. = Custos Fixos ($) – Depreciações ($) + Dívidas do Período ($) Margem de Contribuição Unitária ($)
“O ponto de equilíbrio financeiro corresponde à quantidade que iguala a receita total com a soma dos gastos que representam desembolso financeiro para a empresa”. (BRUNI;
FAMÁ, 2004, p. 259). Neste cálculo, portanto, não devem ser consideradas amortizações, depreciações ou exaustões.
Martins (2003, p. 261) expõe um exemplo interessante. Sendo que a empresa tem as seguintes características:
• Custos + Despesas variáveis = R$ 600/un
• Custos + Despesas Fixos = R$ 4.000.000/ano
• Preço de venda = R$ 800/un
Então seu ponto de equilíbrio contábil seria:
PEC = R$ 4.000.000/ano = 20.000 un/ano ou R$ 16.000.000/ano de Vendas.
R$ 200/un
Supondo que o Patrimônio Líquido desta empresa seja de R$ 10.000.000, que renda 10% a.a., tem-se o lucro de R$ 1.000.000. Portanto, este valor deve ser incluso para o cálculo do Ponto de Equilíbrio Econômico.
PEE = R$ 5.000.000/ ano = 25.000 un/ano ou R$ 20.000.000/ano de Receitas.
R$ 200/un
Já se, dentro dos custos fixos, tiver uma depreciação de R$ 800.000, sabe-se que este valor não significa desembolso, portanto, o Ponto de Equilíbrio Financeiro seria:
PEF = R$ 3.200.000/ano = 16.000 un/ano ou R$ 12.800.000 de Receitas.
R$ 200/ un
Os cálculos do ponto de equilíbrio demonstrados até agora, consideram que a empresa fabrica apenas um tipo de produto. Para calcular o Ponto de Equilíbrio para vários produtos ao mesmo tempo, Wernke (2005, p. 125) apresenta a seguinte fórmula:
PE unidades (mix) = Custos Fixos ($) / Margem de Contribuição Total ($) Quantidade Total (unidades)
Quando uma empresa produz um único produto, a obtenção do ponto de equilíbrio contábil, econômico ou financeiro é bastante simples [...] Quando são muitas as variedades e os tipos de produtos elaborados, porém, a obtenção do ponto de equilíbrio torna-se um pouco mais complexa. (BRUNI; FAMÁ, 2004, p. 261)
A melhor forma de encontrá-lo, segundo Bruni; Famá (2004) seria pela receita total de vendas:
Vendas$totais = Gastos Fixos/ Margem de Contr%média
Bornia (2002, p. 81) acredita que no caso de empresas multiprodutoras, não há sentido em ratear os custos indiretos fixos entre os produtos para obter o ponto de equilíbrio, pois não há apenas uma combinação de produtos que propicie lucro zero. Portanto, o enfoque deve ser que cada produto cubra seus custos diretos e que a margem de contribuição propicie a cobertura dos custos indiretos fixos e a geração do lucro.
Margem de segurança: A margem de segurança representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a empresa, já que significa o excedente das vendas da empresa sobre as vendas que representam o ponto de equilíbrio. (BORNIA, 2002)
A margem de segurança representa o excedente das vendas, projetadas ou reais, sobre o ponto de equilíbrio. Ela informa à administração a margem entre as vendas correntes e o preço de equilíbrio. Em certo sentido, a margem de segurança indica à companhia o risco de ela perder dinheiro, isto é, o volume pelo qual as vendas podem cair, até que a companhia comece a perder dinheiro. (MAHER, 2001, p. 442)
Bruni; Famá (2004, p. 263) consideram que a margem de segurança pode ser expressa em quantidade, valor ou percentual:
Margem de segurança em quantidade (MSq) = Vendas atuais – P.E. em quantidade Margem de segurança em $ (MS$) = MSq x Preço de Venda
Margem de segurança percentual = MSq / Vendas atuais
A partir de um exemplo de Martins (2003, p. 259), supõe-se que o ponto de equilíbrio de uma construtora seja de 10 casas por mês e que ela esteja produzindo e vendendo 14 casas por mês. Pode-se dizer que esta empresa está com uma margem de
segurança de quatro casas, sendo que pode ter uma pequena redução sem entrar no prejuízo.
Percentualmente, poderia-se dizer que:
Margem de Segurança = 4 un. = 28,6% ao mês 14 un.
Em receitas, o cálculo pode ser desta maneira, sendo que o Preço de Venda de cada casa é R$ 240.000:
Margem de Segurança = Receitas Atuais – Receitas no Ponto de Equilíbrio Receitas Atuais
Margem de Segurança = R$ 3.360.000 – R$ 2.400.000 = 28,6% ao mês R$ 3.360.000