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A análise documental permitiu o conhecimento dos aspectos jurídico-institucionais referentes ao curso de enfermagem e à dinâmica dos componentes curriculares ES I e II,

visando apreender a prática da supervisão no processo de ensinar e de aprender, o que propiciou a reflexão sobre tal prática relacionando com os dados advindos da observação sistemática e da entrevista semiestruturada.

Os dados da observação sistemática e da entrevista semiestruturada foram analisados e interpretados com base no Método de Análise de Conteúdo de Bardin (2011), definida como

“um conjunto de técnicas de análise das comunicações” (BARDIN, 2011, p. 37), ou seja, “um conjunto de procedimentos para valorizar, compreender, interpretar os dados empíricos, articulá-los com a teoria que fundamentou o projeto ou com outras leituras teóricas e interpretativas cuja necessidade foi dada pelo trabalho em campo” (MINAYO, 2009, p. 101).

A análise de conteúdo de Bardin (2011) contém três fases, a saber: pré-análise, exploração do material ou codificação, e tratamento dos resultados, inferência e interpretação, apresentadas de forma resumida na Figura 1.

A pré-análise correspondeu à organização propriamente dita, momento em que foi feita a escolha e leitura da literatura existente sobre a temática, possibilitando a formulação dos pressupostos teóricos e dos objetivos do estudo. Realizamos a preparação do material, através da transcrição das entrevistas semiestruturadas, por meio de repetidas escutas, objetivando a fidedignidade das falas dos entrevistados envolvidos na pesquisa, e pelo registro das situações observadas no campo. Esta fase aconteceu concomitantemente à coleta de dados.

A segunda fase foi a exploração do material ou codificação, “processo pelo qual os dados brutos foram transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exata das características pertinentes do conteúdo” (BARDIN, 2011, p. 133). Nesta situação foi realizada uma leitura compreensiva do conjunto do material selecionado (registro de observação sistemática e transcrição da entrevista semiestruturada), de forma exaustiva, em que buscamos ter uma visão do conjunto, apreender as particularidades do material analisado, elaborar os pressupostos iniciais que serviram de baliza para a análise e a interpretação do material, escolher formas de classificação inicial e determinar os conceitos teóricos que orientaram a análise (GOMES, 2009).

Nesta etapa estabelecemos os núcleos de sentidos identificados através da leitura vertical e horizontal exaustiva do material, sem perder de vista o objetivo, os pressupostos e os referenciais teóricos da pesquisa. A determinação desses núcleos se deu a partir das ideias que mais se repetiram com base nos objetivos do estudo – analisar a prática da supervisão no processo de ensinar e de aprender em Estágios Supervisionados I e II do curso de Enfermagem no olhar dos docentes e discentes de uma Instituição de Ensino Superior e

descrever as dificuldades e facilidades para esta prática – e assim, os núcleos de sentidos foram: papel do docente e do discente, conteúdo, metodologia, aprendizagem, processo de supervisão (planejamento das ações, execução das atividades e avaliação), processo de comunicação, trabalho em equipe, relações supervisivas, dificuldades e facilidades.

Figura 1 – Fases do método de análise de conteúdo de Bardin

Fonte: Bardin (2011, p. 132).

Em seguida elaboramos um quadro de análise (Quadro 3) com os núcleos de sentidos estabelecidos, em que selecionamos as falas das entrevistas relacionadas. Durante a descrição analítica foram colocadas, no quadro, as ideias principais e os trechos das falas das entrevistas de acordo com os núcleos de sentidos. Neste momento, procuramos estabelecer as sínteses convergentes e divergentes das informações contidas nas falas dos entrevistados. Isso possibilitou a análise minuciosa de todo o material empírico, tendo sempre como referência a questão norteadora, os objetivos, os pressupostos teóricos, o projeto político-pedagógico do curso e os planos de ensino dos ES I e II.

Em consonância com o material de análise das entrevistas, os registros da observação sistemática e a análise documental foram acrescidos ao final com o intuito de analisar o conteúdo encontrado contribuir com o encontrado nas falas dos entrevistados.

Quadro 3 – Núcleos de sentidos e síntese das entrevistas realizadas com os participantes do estudo no período de abril a junho de 2017

Núcleos de sentido

Entrevistados Síntese

EDoc1 EDoc2... EDisc1 EDisc2... Convergente Divergente Papel do docente

Papel do discente Conteúdo Metodologia Aprendizagem Planejamento das

ações Execução das

atividades Avaliação Processo de comunicação

Trabalho em equipe Relações supervisivas Dificuldades Facilidades

Fonte: Elaborado pela autora.

Após sucessivas e exaustivas leituras do quadro e dos registros da observação, foram estabelecidas as categorias empíricas para facilitar a classificação dos dados. Segundo Bardin (2011) as categorias reúnem as unidades de registro que possuem características comuns perante um título generalizado que as abarquem.

Os núcleos de sentidos permitiram à apreensão das categorias que foram: prática da supervisão no processo ensinar-aprender em estágios supervisionados I e II do curso de enfermagem: a tradicional e a social no contexto das tendências pedagógicas; e dificuldades e facilidades para a prática da supervisão no processo ensinar-aprender em estágios supervisionados I e II do curso de enfermagem.

A terceira fase correspondeu à inferência e interpretação, em que foi realizada uma

“operação lógica pela qual se admite uma proposição em virtude da sua ligação com outras proposições já aceitas como verdadeiras” (BARDIN, 2011, p. 45), e interpretamo-las, fazendo a identificação e problematização das ideias explícitas e implícitas no texto, diante das informações que foram percebidas como convergente e divergente. As informações convergentes corresponderam às ideias congruentes em falas de diferentes participantes da pesquisa. Já as divergentes referiram às informações que foram discordantes entre os relatos.

Nesta fase estão descritos também os momentos de “operações estatísticas” e “prova de validação”, conforme demonstrado na Figura 1, porém estes não ocorreram, pois trata-se de uma pesquisa qualitativa e não utiliza dessas ações.

Para assegurar a articulação e diálogo entre as diferentes fontes de dados utilizadas realizamos a triangulação de dados, de acordo à diversidade de participantes da pesquisa e de técnicas de coleta de dados. Assim, a triangulação de dados tem a finalidade de abarcar o máximo de descrição, explicação e compreensão sobre o objeto estudado, que é influenciado pela visão de mundo, cultura, realidade social e história dos indivíduos (TRIVIÑOS, 2008).

Acrescentando, Teixeira (2003, p. 189) aborda que a triangulação de dados “refere-se a pesquisar a coleta de dados em diferentes momentos ou de fontes diferentes”.

Desta forma, realizamos a triangulação de dados (TD) a partir da combinação e articulação dos diversos participantes da pesquisa (docentes e discentes do ES I e docentes e discentes do ES II) e da diversidade de técnicas de coleta de dados (observação sistemática, entrevista semiestruturada e análise documental) embasados no referencial teórico, exemplificado na Figura 2 abaixo.

Figura 2 – Triangulação de dados

Fonte: Elaborado pela autora.