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Análise geral das Categorias

No documento MONOGRAFIA_ALINE pronta! - Univali (páginas 42-53)

Depois de ter analisado cada categoria observa-se as mudanças que ocorreram na comunicação entre pais e filhos, frente às mudanças que ocorrem na educação dos filhos na fase da adolescência, segundo o relato tanto dos pais quanto dos filhos obtido nas entrevistas. Mas também pode-se perceber que não foram em todas as categorias que houveram mudanças significativas.

As mudanças que ocorrem no relacionamento entre pais e filhos na adolescência, de acordo com Carter e McGoldrick (1995), envolvem as mudanças na maturidade física dos filhos, juntamente com as mudanças que ocorrem com os pais por estarem entrando na meia-idade. Geralmente depois de superadas estas confusões e perturbações geradas tanto nos pais quanto nos filhos, as famílias reogarnizam-se para que o adolescente caminhe rumo a sua autonomia.

Foi feito uma comparação entre as categorias, analisando primeiro a fase da infância do filho e posteriormente a fase da adolescência, sempre levando em conta as respostas dos pais e dos filhos.

A primeira categoria fala a respeito da comunicação, sendo sua primeira subcategoria a comunicação entre pai e filho (a). Na visão dos pais há uma mudança nas famílias A e B, pois durante a infância dos filhos, estes recorriam apenas a mãe, já na adolescência o pai da família A diz que agora o filho recorre mais a ele, e o pai da família B diz que eles conversam mais agora. Já na família C o pai relata ainda não ter conseguido manter uma boa comunicação com sua filha, o que pode indicar que esta família pode estar envolvida a questão de gênero, pois o pai pode apresentar mais dificuldade em se comunicar com sua filha, por ela ser mulher.

Na segunda subcategoria onde foi analisada a comunicação entre a mãe e filho (a), observou-se não haver qualquer mudança significativa, pois na fala das mães das três famílias fica claro que de acordo com seu ponto de vista, os filhos tanto na infância como agora na adolescência recorrem preferencialmente a elas.

A terceira subcategoria diz a respeito da comunicação estabelecida entre o casal para educar o (a) filho (a), esta é outra categoria onde não houve mudança, pois os pais salientam que tanto na infância quanto na adolescência quando preciso, eles sempre conversam e chegam num consenso conjuntamente. Este é um ponto muito positivo encontrado em todas as três famílias.

Na quarta subcategoria onde foi observado como o filho percebe a comunicação que tinha na infância e que tem atualmente com os pais, os filhos das

famílias A e C afirmam que sempre tiveram uma melhor comunicação com a mãe, já o filho da família B diz conversar com ambos, pai e mãe, tanto quando era criança como agora.

Conforme Maldonado (1994), não há nenhum tipo de comunicação que seja infalível ou indiscutivelmente adequada para todas as ocasiões. Mas existem maneiras de comunicação que são facilitadoras para resolução de problemas e impasses, fazendo com que ao passar pelas dificuldades saiba-se lidar com as situações posteriormente de um modo construtivo.

A próxima categoria é sobre regras/liderança, onde se pode concluir que as três famílias têm em comum a característica de não serem muito rígidos quanto às regras, os pais não achavam necessário submeter a criança a um castigo severo, e esta educação que deram fez com que na adolescência seus filhos soubessem diferenciar sozinhos o que é certo do que é errado, sabendo dos seus limites a partir das atitudes dos pais.

O único diferencial que aparece é na fala da mãe da família C, onde ela diz que acha que deveria ter cobrado mais da filha quando ela era criança para ela se tornar mais independente na adolescência. Mas no geral os pais mostraram ter autoridade e não serem autoritários.

Nesta categoria uma variável pode ser em relação ao número de filhos que o casal possui, e qual a geração do filho entrevistado, sendo que nas famílias A e C os adolescentes entrevistados tinham irmãos mais velhos, podendo estes a partir da observação dos irmãos também terem assimilado quais eram seus limites, assim os pais não precisaram estar enfatizando severamente quais os limites que os filhos devem atingir.

Há uma grande diferença entre pais autoritários e pais com autoridade.

Zagury (2005) enfatiza que pais autoritários são aqueles que levam em conta apenas seu ponto de vista, considerando que são os únicos com a razão, não cedem, dominam e tentam moldar seus filhos. Já os pais que tem autoridade são aqueles que ouvem, são rígidos quando precisam, mas por prezar o bem-estar do filho, ou seja, eles impõem respeito com cautela e são flexíveis.

Referente à categoria interação familiar/convivência ocorreram mudanças entre a fase da infância e da adolescência dos filhos, sendo que segundo a fala tanto dos pais quanto dos filhos, na infância os filhos passavam mais tempo com a família, sempre saindo juntos e passando datas comemorativas também juntos.

Agora na adolescência, não é sempre que os filhos passam os fins de semana e saem juntos com os pais, sendo que nesta fase os filhos têm os amigos como companhia, apesar de que na fala dos filhos das três famílias eles ainda demonstram gostar de estar em família em certos momentos.

Humphreys (2000) afirma que na interação e convivência familiar é fundamental que as relações sejam autênticas e verdadeiras. Todos os integrantes da família necessitam de reconhecimento e aprovação. Pois, segundo Rosset (2003), é dentro da família que a pessoa define seus padrões básicos de funcionamento, o que utilizará em todas as situações que terá de enfrentar mundo afora. A interação positiva está relacionada ao fator afetividade, pois quanto melhor a afetividade, melhor a convivência familiar, sendo mais fácil de enfrentar as dificuldades encontradas.

A categoria seguinte é afetividade, observa-se que o pai da Família A tem orgulho em dizer que ainda hoje ele e o filho se beijam mesmo na frente dos amigos do filho e que este não fica constrangido, já a mãe diz que hoje em dia, o filho é mais seco com ela, e na infância ele era mais carinhoso. O filho deixa transparecer que acha boa a relação atualmente, como era na sua infância.

Na família B não houveram mudanças significativas da fase da infância para a adolescência, os pais parecem ser carinhosos com o filho através da fala, da comunicação, apesar de não falarem muito a respeito, e o filho percebe tal situação da mesma forma. Já na família C tanto na infância quanto na adolescência da filha o pai parece ter um pouco de dificuldade na demonstração de afeto, ele diz que sua demonstração é mais através de palavras do que de gestos, já a mãe não apresenta esta dificuldade, é o que se pode perceber através da fala tanto da mãe quanto da filha.

O amor dos pais pelos filhos precisa suportar uma série de dolorosas transformações. A principal responsabilidade dos pais tanto na infância quanto na adolescência dos filhos é fazer com que eles se sintam seguros e amados, mesmo que eles estejam agindo de forma que não satisfaçam os pais. Pois o amor dos pais é que produz inicialmente o equilíbrio psicológico da vida dos filhos (NOLTE e HARRIS, 2005).

A última categoria se refere à sexualidade, foi um tema que chamou a atenção pela dificuldade que todas as famílias apresentaram em abordá-lo com seus filhos, é algo que pode afetar diretamente na qualidade da comunicação. Nesta

categoria nas famílias A e C aparece o fato dos pais nunca terem iniciado um diálogo a respeito do tema, eles sempre ficaram esperando que os questionamentos viessem primeiramente dos filhos, o que não ocorreu, e esta dificuldade permanece na adolescência, sendo que a filha da família C diz conversar com as amigas sobre sexualidade e não com os pais. É um assunto que ainda paralisa os pais e deixam os filhos embaraçados em indagar sobre ele.

Apenas na família B houve mudanças da fase da infância para a adolescência, pois na infância não era falado sobre o assunto, já na adolescência o pai diz que conversa a respeito com o filho e este confirma dizendo que seus pais conversam com ele sobre sexualidade, embora a mãe saliente que ele não conta muito sobre este assunto para ela.

Conforme Carr-Gregg e Shale (2004), os jovens estão muito mais curiosos a respeito da sexualidade do que há cinco ou dez anos. Passam por uma fase estressante, sofrendo pressão por parte dos amigos, sendo que a compreensão e sensibilidade dos pais podem ajudar inquestionavelmente. O mais adequado seria os pais já começarem a conversar sobre o assunto antes mesmo da puberdade, não fazendo desta conversa um grande acontecimento e estarem preparados para responder e não somente fazer perguntas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em busca de investigar como ocorre a comunicação e quais as mudanças na educação dos filhos adolescentes, de acordo com a percepção tanto dos pais quanto dos filhos, verificou-se que em todas as famílias houve algum tipo de mudança, embora nenhuma mudança muito significativa.

Na família A houveram mudanças na categoria da comunicação, interação familiar/convivência e afetividade. Na família B as mudanças ocorreram nas seguintes categorias: comunicação, interação familiar/convivência e sexualidade.

Mas a família C foi a que menos apresentou mudanças, se comparada com as demais famílias entrevistadas, uma vez que a única categoria onde apareceu algum tipo de mudança foi a respeito da interação familiar/convivência.

As três famílias apresentaram muitas características em comum, quanto à educação e quanto ao comportamento dos filhos. Todos os pais relataram nunca terem precisado aplicar um castigo severo ou falar com muita rigidez, bem como, nunca utilizaram da violência como recurso, o que evidencia fatores muito positivos para educação de seus filhos. Mas devem ser levadas em conta as variáveis da geração que os filhos entrevistados são, sendo que na Família A e C os filhos podem ter como exemplo seus irmãos mais velhos.

Outro fator comum analisado, segundo o relato dos pais, é a questão de seus filhos serem muito calmos, tranqüilos quando crianças e permanecendo esta característica na adolescência. Estes se tornaram adolescentes muito responsáveis, não ultrapassando seus limites, podendo isto indicar o resultado de uma boa educação também.

Os pais e filhos (as) no geral mantêm uma boa comunicação, com exceção do pai da família C, o qual diz ter muita dificuldade em manter um diálogo com sua filha, a dificuldade do pai pode envolver a questão de ser uma filha mulher. Mas por outro lado, todas as famílias deixam a desejar na questão referente à sexualidade, pois mostraram grande dificuldade em iniciar um diálogo e uma orientação sexual para os filhos desde a infância, sendo que a família B foi a única onde pais e filhos conversam a respeito desse tema. Este fator pode gerar uma deficiência na comunicação estabelecida entre pais e filhos.

Os pais e mães das três famílias se mostram muito flexíveis na educação dos filhos adolescentes. E também se pode destacar mais um fator em comum, que é o

da preferência materna dos filhos frente a manter um diálogo ou a procura por parte deles, pela mãe quando necessário. Podemos observar que esta preferência ocorre em muitas famílias hoje em dia, pelo fator das mães muitas vezes se mostrarem mais pacientes e compreensivas quando escutam e auxiliam seus filhos.

Estas características muito semelhantes no que se referem a comunicação, educação e comportamento dos filhos, podem ter ocorrido devido ao fator dos filhos adolescentes entrevistados terem idades muito próximas, dos pais terem uma visão muito parecida de como educar os filhos. E estas características dos filhos podem ser conseqüências das características de comportamento dos próprios pais.

Apesar dos pais da família B, apresentar um nível de escolaridade mais baixo em comparação com os demais pais, como se pode observar no quadro onde estão os dados de identificação das três famílias, esta variável não influenciou nas respostas dadas por eles. Um fator interessante que apareceu foi do pai da família C, subentende-se que por ele ser uma pessoa que possuí um maior nível de estudos teria mais claro a importância de ter uma boa comunicação com sua filha, o que não acontece. Já a família B apresenta uma das melhores comunicações entre as famílias. Pode-se observar que o nível sócio-econômico não determina se o filho terá um melhor relacionamento com seus pais ou não.

Sendo assim pode-se perceber que a comunicação é um fator crucial para o bom relacionamento familiar na atualidade, onde todos podem sentir-se à vontade em expressar seus sentimentos, uma vez que os pais de hoje não são tão repressores como eram na geração anterior. O pai e a mãe das três famílias mostram estar sempre interessados em ouvir o que seus filhos têm a dizer. A comunicação faz parte de todas as categorias presentes, apesar de ter sido destacada em uma categoria em especifico. Mas tanto nas regras, como na interação, afetividade e sexualidade, todas envolvem a comunicação direta ou indiretamente.

A adolescência é uma fase de questionamentos, é uma época em que no geral os filhos estão mais introspectivos, pois estão se descobrindo. Os pais devem respeitar os limites do adolescente, mas não deixar que eles se fechem para si mesmos apenas, devem incentivar um diálogo entre ambos. Uma questão importante na adolescência é não focar apenas as dificuldades que ocorrem, e sim dar valor principalmente aos aspectos positivos.

Considera-se interessante que em pesquisas posteriores se realizem entrevistas com filhos com idade entre 17 e 18 anos, pois os adolescentes nesta idade já estão se preparando para iniciar em breve a fase adulta.

Sugere-se ainda uma pesquisa que investigue a comunicação entre pais e filhos frente à sexualidade, analisando as mudanças que podem ocorrer entre filhas e filhos, pois a questão de gênero é um diferencial importante a se verificar. Outra pesquisa relevante seria a respeito de como se da à comunicação entre pai e filho e entre mãe e filho, sendo os pais divorciados, verificar assim se há mudança de como era a comunicação quando os pais eram casados e como se dá a comunicação atualmente.

Vale também salientar, que seria válido uma pesquisa referente à comunicação entre pais e filhos, sendo os filhos adotivos, comparando assim desde a fase da infância até a adolescência.

Ser pai e mãe de adolescentes não é uma tarefa fácil, mas não se pode esquecer que ser filho também tem suas dificuldades. É compromisso de ambos chegarem a um equilíbrio para que haja um bom relacionamento, que é o que toda família busca.

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7 APÊNDICES

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