Ficha 1
Topônimo: Quilombo de Papuã.
Etimologia: Quilombo - sm. valhacouto de escravos fugidios XVI. Palavra em origem nos termos ―Kilombo‖ (Quimbundo) ou ―ochilombo‖ (Umbundo).Também presente em outras línguas faladas ainda hoje por diversos povos Bantus que habitam a região de Angola, na África Ocidental. Originalmente, designava apenas um lugar de pouso (povoação) utilizado por populações nômades ou em deslocamento. Apenas posteriormente, passou a designar também as paragens e acampamentos das caravanas que faziam o comércio de escravos e outros itens cobiçados pelos colonizadores. No Brasil, o termo ―quilombo‖ ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos.
Papuã - sm. Brachiara Plantaginea. Nome popular: Capim-marmelada; planta da família das Poáceas, também chamada de grama-paulista e milhã branca. Segundo registros
históricos, Pilar foi povoada no ano de 1741, com a descoberta das minas papuã (espécie de gramínea muito abundante na região, por negros foragidos.
Classificação toponímica: de natureza física – fitotopônimo.
Historiografia: Os primitivos habitantes de Pilar foram os índios Curuxás ou Kirixás e Canoeiros, além de escravos fugitivos da tortura e da exploração escravagista. O nome Quilombo de Papuã, ou simplesmente papuã, deu origem ao povoado; que recebeu este nome devido a presença deste capim amarelado, muito abundante na região. Sua fundação data de 1741, ano em que João Godói Pinto da Silveira descobriu as minas de ouro de papuã, ocupadas pelos negros foragidos e índios.
Relatos de colaboradores: Esse nome, naquela épca, era os portugueise, né? Divia de sê a orige de lá porque tem, ês aqui, têm o quilômeto, aqui perto tem o lugá lá que chama Quilomêto, é do dos...aonde tinha a turma de índio, passô o nome deisi.E por aí começo a cidade e foi construino, foi juntano gente aqui, ela foi muito grande(...) Inf.1
Era isso mesmo. Quilômedo têm aqui perto, tem a, o lugar que chama quilômedo da onde os escravo ficava, quera, era, era...acho que, eu num to bem certo não mais...,eu to muito esquecido, maise o quilômedo aqui acho que têm. Inf.2
O quilombo de Papua era o seguinte, a matinha quês foi chegano pra visitá os escravo e num pode chegá por que era hora quês tava tudo arreunido, ela teve medo de chegá e ês revoltá cum ela, ês era foragido né? Inf.3 (...) era um ramo, capim assim da foia larga, muito maciinhim pus animal cumê (...) é, essa matinha, te hoje ês fala, é pasto formado, num existe mais não, nessa estrada que vai pa Guarinu.Inf.3
5. Considerações finais
Os relatos orais funcionam como alternativas para a transmissão de experiências. Em certo sentido, eles constituem um modo de pensar. Este pressuposto e o da nossa própria experiência – extremamente prazerosa – desencadearam a vontade retornar com o capricho de observar as histórias, enriquecidas de simbolismo. Os depoimentos escolhidos para esta análise, dotados de sentido e significação, constituem- se em uma forma de expressão simbólica que possibilitaram à população rural, além de transmitir seus hábitos e costumes, preservar sua identidade. O imaginário comum, difundido por meio da circulação das narrativas e registros históricos da cidade de Pilar, possibilitou o resgate da cultura local e a preservação de sua memória. Os dados coletados também nos levaram a concluir que a toponímia pilarense guarda marcas de partes de povos que habitaram parte de Minas Gerais e São Paulo e que aqui pisaram como desbravadores do Sertão. Pode-se destacar que existe na toponímia local um vínculo histórico marcado por etnias de origem africana, indígena e portuguesa.
Por fim, ao ouvir o encantamento das palavras dos meus informantes, maiores que sessenta anos, criamos um elo, uma intimidade com esta forma de expressar sentimento, beleza, solidão. Imaginamos que talvez seja, inconscientemente, uma forma de o narrador aproximar o ouvinte para suas histórias e dele sorver todo um ensinamento pra vida inteira. Do contador sertanejo, alimentamo-nos de vontade de contar tudo aquilo que está à vista de todos, mas poucos percebem e valorizam. Dele, tomamos emprestado o imaginário e a memória. De suas histórias, demos-lhes voz.
Referências Bibliográficas
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TURNER, Victor. The anthropology of performance. New York: PAJ Publications, 1992.
PANORAMA DO DITONGO DECRESCENTE [] SEGUIDO DE SIBILANTES ALVEOPALATAIS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO:
IMPLICAÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS E FONOLÓGICAS
Evilázia Ferreira MARTINS (UFMG/CAPES)855
Resumo: O objetivo deste estudo é realizar uma análise qualitativa que exponha a interação entre o estudo sociolinguístico e o estudo de cunho fonético-fonológico do ditongo856 decrescente variável no Português Brasileiro. Para isso, damos enfoque ao tratamento do ditongo [] antes de sibilantes alveopalatais [] e []. Quando necessário, ampliamos este quadro para a realização do ditongo [] variável. Esta análise faz-se necessária, ao passo que, cada vez mais, há a interação entre as duas áreas, na busca por um lugar para a variabilidade na fonologia. O resultado deste trabalho conduziu-nos à conclusão de que a observância do recorte fonológico pela pesquisa sociolinguística, e vice-versa, é capaz de trazer avanços para ambas às áreas.
Palavras-chave: Ditongo[]. Sociolinguística. Fonologia
1. Introdução
Relegada à marginalidade do processo de investigação da fonologia gerativa iniciada pelo SPE857 (cf. CHOMSKY; HALLE, 1968), a variabilidade linguística encontrou seu lugar nos estudos de cunho sociolinguístico e quantitativo fundamentados principalmente na figura de Labov (cf. Labov, 1978). A princípio, fonologia e sociolinguística caminhavam paralelas e objetivavam cada uma, a descrição de um mesmo objeto, i.e., a língua, porém, sob recortes diferentes.
Enquanto a fonologia dedicava um espaço central para as questões categóricas, a sociolinguística dedicava-se a entender quantitativamente como o contexto social imprimia suas marcas na opcionalidade linguística. Entretanto, o caminho que essas áreas vêm percorrendo nos últimos anos parece ser inverso à estratificação das duas linhas, e o que cada vez mais se observa é uma interação entre as áreas. Deste modo, a pesquisa sociolinguística quantitativa é considerada durante a formulação de propostas fonológicas. Visto isso, neste trabalho, descreveremos as principais contribuições da sociolinguística à análise formal do ditongo decrescente e as contribuições fonológicas para as análises sociolinguísticas. Além disso, quando possível, expomos os caminhos que devem ser trilhados para uma maior interação das mesmas na descrição do fenômeno.
Para guiar nossa pesquisa, estipulamos três perguntas a serem respondidas ao longo desta análise dos dados:
855 Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, Brasil. E-mail: [email protected].
856 Não se entende, aqui, que necessariamente o glide está no núcleo com a vogal, assim como sugere a definição de ditongo. Entretanto, utilizamos a denominação ‗ditongo‘ ao invés de ‗sequência‘ para facilitar a exposição do tema. Para nós, o glide é posicionado na coda, como apontam outros trabalhos do PB.
857The Sound of pattern of English.
a) A variação do ditongo [] antes de sibilantes alveopalatais tem ocorrência quantitativa semelhante nos dialetos, ou ela é típica em uma região, ou mais presente emdeterminadas regiões em detrimento de outras, podendo ser, assim, considerada uma marca particular dessas regiões?
b) Quais são as variáveis que influenciam nesse processo e como estão distribuídas?
c) O que as análises de interface fonético-fonológicas devem considerar sobre a variação sociolinguística e vice-versa?
Antes de responder a essas perguntas, observemos os dados: