Após a visita à biblioteca do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) do Bairro Cidade Nova e dos trabalhos desenvolvidos na biblioteca escolar, os alunos fizeram uma visita guiada à Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC). A visita teve o objetivo de apresentar para os alunos uma biblioteca de grande porte composta por uma diversidade de obras e toda a logística de seu funcionamento. Essa visita foi pensada considerando o entendimento de que a biblioteca se constitui ambiente de referência no que se refere ao desenvolvimento de hábitos de leitura.
Figura 21: Alunos no hall de entrada da Biblioteca Central Julieta Carteado
Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador.
Durante a visita, os alunos conheceram as instalações da biblioteca, seus projetos e serviços aos visitantes. Conforme iam conhecendo os espaços, ouviam atentamente o que as funcionárias transmitiam e registravam em seu diário de bordo. Era a primeira vez que entravam em uma biblioteca com tais dimensões. Eles aprenderam sobre a pesquisa do acervo, empréstimo, sobre os espaços de estudo e equipamentos disponíveis para uso, além de receberem orientação sobre normas de funcionamento. As funcionárias, mais do que informações técnicas, atuaram como agentes de letramento, pois levaram os alunos a refletirem sobre a importância da leitura para a formação do indivíduo e a importância da biblioteca para o fomento à leitura.
Esse momento resultou em um roteiro cultural e de aprendizagem para os estudantes.
Acreditamos que a biblioteca seja um recurso que não pode ser esquecido ao se enfrentar o desafio de formar leitores. Embora o avanço tecnológico tenha alterado o comportamento do leitor contemporâneo, dinamizando as ações de leitura e busca de informações, a biblioteca física ainda é um instrumento muito importante não apenas para possibilitar o acesso dos estudantes a uma diversidade de livros e materiais de leituras, mas principalmente para ajudar a estimular o hábito de ler, dado que é um ambiente interativo fundamental para a democratização da cultura. Muitas vezes, é vedado ao aluno esse direito, com a ideia pré- concebida de que o aluno não se interessa pela leitura ou de que a biblioteca se tornou obsoleta. Porém, pequenas ações são suficientes para contradizer aqueles que defendem esse ponto de vista. Foi possível observar interesse dos estudantes após a visita à BCJC. Isso pode ser confirmado pelo que registrou um deles em seu diário de bordo:
Figura 22: Relato de aluno sobre a experiência vivida na BCJC
Quando a gente chegou na biblioteca, uma mulher chamada Lívia guiou a gente e apresentou tudo. Eu aprendi que biblioteca não é só ler e fazer silêncio, tem música, cultura entre outros. Ela mostrou tudo, falou um pouco de cada lugar. Tem um setor de periódico que era o mais frequentado porque as pessoas usam mais a internet. Na frente, tem antenas que impedem as pessoas de sair com os livros sem registro.
Esse setor é coleção geral. Lívia explicou que quem ainda não lê dá tempo.
Suzi fica no balcão de empréstimo e devolução de livros. No primeiro andar, tem as cabines de estudo individual para quem gosta de muito silêncio e tem a direção do setor de comando.
O texto do aluno foi revisado e adaptado.
Fonte: Pesquisa de campo.
Figura 23: Alunos encantados diante do mar de livros
Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador.
A experiência na BCJC cumpriu o objetivo principal de despertar o interesse por espaços como esse e conscientizar a turma da sua importância no processo de apreensão do conhecimento em todas as suas dimensões. Na escola, a biblioteca passou a ser um espaço
para o desenvolvimento de várias atividades: exibição de filmes, leitura por fruição, rodas de leitura. Um espaço que há algum tempo estava servindo apenas como depósito, passou a cumprir um papel importante nas atividades de leitura da instituição.
Vale ressaltar que essa inserção da biblioteca nas práticas pedagógicas não se restringiu à turma contemplada pelo projeto de intervenção, este repercutiu no funcionamento da escola de uma forma geral. Os professores das diversas disciplinas passaram a desenvolver atividades na biblioteca com suas turmas. Para os alunos do projeto, foram programados momentos de leitura livre na biblioteca dando-lhes liberdade para escolher suas próprias leituras, fator imprescindível quando se tem por objetivo desenvolver o hábito da leitura.
Sempre às sextas-feiras, uma parte da aula ficou destinada para que pudessem ler livremente na biblioteca. Algo que também deixou a turma muito satisfeita foi a possibilidade de pegar livros emprestados. Um funcionário ficou responsável por registrar em uma lista os livros emprestados para assim ter controle do acervo. Os relatos no diário de bordo comprovaram a eficácia dessa iniciativa e o significado para os alunos.
Figura 24: Registro de aluno no diário de bordo
Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador.
A biblioteca, com o processo de revitalização, passou a ter um espaço para atividades com áudio e vídeo que possibilitaram a exibição de filmes como parte de atividades desenvolvidas nesse ambiente escolar. Durante o período de aplicação do projeto, foram exibidos curtas-metragens como: Dia e noite, da Pixar; os curtas Fonte de renda, Arroz com feijão, Deixa voar e Apague a luz, que compõem a obra Cinco vezes favela-agora por nós mesmos, uma produção de Carlos Diegues e Renata de Almeida Magalhães, o filme de herói
da Marvel Pantera Negra, entre outros trabalhados pelos professores das diversas áreas. Esse movimento gerado pela revitalização da biblioteca diversificou o trabalho pedagógico e imprimiu mais dinamismo à rotina escolar.