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PARTINDO DO GÊNERO: APROPRIAÇÃO DO SENTIDO E DA ESTRUTURA

Figura 07: Alunos lendo na biblioteca

Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador.

seria apresentado nas próximas aulas. A turma ficou curiosa para saber qual seria a próxima história e as atividades que as acompanhariam.

Antes do término desse encontro, o professor apresentou o blog criado como suporte para as atividades de letramento propostas pela intervenção. Foi apresentado o passo a passo para acessar o ambiente virtual e a maneira como o conteúdo estava distribuído. Ao final desse encontro, foi solicitado que no blog https://professorgleidsonramos.wordpress.com assistissem ao vídeo do conto O caso do espelho e deixassem comentários sobre o que acharam da história contada. Essa atividade, inicialmente pensada para acontecer na sala de aula, objetiva a inserção do apoio das tecnologias digitais para um trabalho de formação do leitor que reserva espaço para suportes de leitura integrados aos hábitos da sociedade contemporânea.

Figura 08: Atividade no ambiente virtual

Fonte: Reprodução de página do blog criado pelo pesquisador.

A internet também foi o suporte para pesquisarem sobre a obra de uma escritora que possui em sua bibliografia a produção de diversos contos: Marina Colasanti. Essas atividades seriam desenvolvidas no laboratório da escola, mas questões técnicas e administrativas impossibilitaram que isso ocorresse. Assim eles foram incumbidos de realizar a pesquisa em casa para que pudéssemos conversar sobre a escritora no próximo encontro, antes de ler um dos seus famosos contos.

No encontro seguinte, a classe sentou-se em círculo e, após socializarmos informações sobre a escritora, foi lido o texto Palavras Aladas, de Marina Colasanti. Primeiro, foi estabelecido um tempo para que todos fizessem uma leitura silenciosa e depois listassem

palavras cujos significados desconheciam. Ao final, os alunos foram encaminhados à biblioteca da escola para fazerem uso do dicionário e descobrir o significado das palavras listadas. Em seguida, ainda na biblioteca, foi feita a leitura em voz alta. Alguns alunos pediram para ler o conto. Para contemplar a todos que se ofereceram, a cada um foi dado um personagem, procedendo assim a uma espécie de leitura dramática. Ao final, foi feito um bate-papo para que eles pudessem apresentar suas apreciações sobre o que havia sido lido. Já nesse primeiro momento, foi possível perceber uma mudança no comportamento da turma, pelo menos da maioria dos estudantes, em relação ao texto. A fala de um aluno sobre a história lida chamou bastante a atenção: “Eu nem imagino um mundo sem palavras, ia ser a coisa mais chata. Não ia acontecer nada”. Por mais inverossímeis que os fatos narrados se mostrassem, por um momento, aquele universo se tornou possível para aquele aluno. Sobre isso, Jouve (2002, p. 108) afirma que a leitura, como experiência estética, ao mesmo tempo em que faz o leitor superar as limitações da vida real, também renova sua percepção sobre o mundo. E acrescenta: “Ler, pois, é uma viagem, uma entrada insólita em outra dimensão que, na maioria das vezes, enriquece a experiência: o leitor que, num primeiro momento, deixa a realidade para o universo fictício, num segundo tempo volta ao real, nutrido da ficção”

(JOUVE, 2002, p. 109).

Durante a leitura, para esse aluno, ler a história de um rei que gostava de viver em silêncio e ordena a prisão de todas as palavras correspondeu a essa entrada em um mundo paralelo que não está subordinado às imposições da realidade. Mas o comentário, embora simples, mostra que essa ligação com a realidade é retomada. Além disso, sua assertiva não deixa dúvidas de que a palavra tem o poder de gerar vida, afinal, sem ela, como diz ele, “nada aconteceria”.

Figura 09: Aluna realiza atividade no material didático

Fonte: Arquivo pessoal do pesquisador.

O trabalho com o texto de Marina Colasanti previa ainda a delimitação dos elementos da estrutura narrativa. Uma vez que a discussão sobre o texto foi além do tempo previsto, na aula seguinte, foi realizada a atividade para delimitar a estrutura narrativa e seus elementos.

No material didático, uma tabela especificava as partes que compõem o texto narrativo e os elementos desse tipo de texto. Aos alunos, cabia completar os espaços vazios com fragmentos do texto que correspondiam ao que estava especificado. A classe concluiu a atividade antes do previsto, alguns argumentaram que se tratava de uma tarefa relativamente fácil. O professor propôs, então, uma brincadeira chamada “faça sua história”. A turma participou da construção coletiva de uma história. O professor fazia a solicitação e eles obedeciam a comandos como:

Quem são as personagens principais? Quem é o vilão? Onde se passa a história? Qual o conflito? O que acontece no clímax da narrativa? E o final? Foi um momento de descontração, mas que ajudou de forma significativa a fixar o que foi trabalhado na aula. O gráfico a seguir sintetiza o resultado final após análise das respostas dadas pelos alunos.

Figura 10: Reconhecimento da estrutura narrativa

Fonte: Elaborada pelo próprio pesquisador a partir de dados do material didático.

O gráfico mostra que 69% dos alunos conseguiram reconhecer a forma como os textos narrativos, em sua maioria, estão estruturados, em oposição a 31% que tiveram dificuldade.

Durante a correção da atividade, a turma teve a oportunidade de compartilhar as respostas, e os alunos que tiveram dificuldade puderam fazer os ajustes com a colaboração dos colegas.

Quanto à identificação dos elementos da narrativa, o resultado foi ainda mais positivo, conforme se pode observar no gráfico seguinte:

Figura 11: Identificação dos elementos da narrativa

Fonte: Elaborada pelo pesquisador.

A análise das respostas dadas pelos alunos a essa atividade comprovou que 88%

conseguiram identificar os elementos da narrativa, sendo que apenas 12% tiveram dificuldade.

Essa situação deve-se ao fato de que, no Ensino Fundamental 1, as atividades de compreensão textual muitas vezes se resumem a exercícios que visam à identificação simplificada desses elementos. Perguntas do tipo “Quem são os personagens principais da história? ” “Quem é o vilão da história? ” “Faça um resumo da história narrada” são corriqueiras nos livros didáticos e em atividades com texto literário direcionadas a essa fase do ensino. Apesar de básico, não há dúvida de que esse conhecimento é importante para o trabalho com o texto narrativo. Esse conhecimento se faz necessário para o sentido da narrativa, pois a estrutura narrativa e os elementos relacionam-se ao sentido do texto e, para leitores iniciantes, facilitam o exercício da leitura, pois toda narrativa apresenta um esquema de organização que interfere diretamente nos acontecimentos que compõem o enredo da história. Assim essa atividade criou uma familiaridade com textos narrativos, tipologia dentro da qual se enquadra o gênero que orientou as atividades de leitura ao longo da sequência.

4.5 A BIBLIOTECA ESCOLAR E A TECNOLOGIA DIGITAL INTEGRADAS ÀS