A arbitragem pode ser disposta como uma espécie alternativa de solução de litígios em que se busca solucionar aqueles que concentre direitos patrimoniais disponíveis.
Sendo assim, ela surge como um meio de solucionar conflitos de interesses sem a obrigatoriedade de se utilizar da máquina do Poder Judiciário.
No Brasil, a Lei nº. 9.307/96 é quem regulamenta a arbitragem, tratando dos preceitos gerais e seu procedimento.
A utilização do instrumento da arbitragem como meio alternativo de solução de conflitos não é uma inovação no Direito Tributário, porém em termos de cenário internacional no emprego de tributos, as técnicas arbitrais tiveram seu início no século XIX, quando houve uma pensamento crescente na legislação e na doutrina para a instituição de tribunais de natureza arbitral.
A arbitragem foi muito defendida como meio de solução de conflitos para tanto, segundo Catarino e Fillipo (2015):
O FMI e a ONU criaram, no âmbito das respectivas esferas, textos convencionais reguladores de conflitos em matéria fiscal internacional. A Lei-Modelo sobre a Arbitragem Comercial Internacional (...) constituiu um importante fator de harmonização dos regimes nacionais da arbitragem transnacional. Para além dela, existe hoje a Convenção sobre Conciliação e Arbitragem no quadro da Conferência para a Segurança e Cooperação- CSCE, concluída em Estocolmo em 15 de dezembro de 1992. A ONU, de resto, consagra na sua Convenção Modelo para evitar a dupla tributação, o procedimento amigável como forma de resolução de conflitos.
Nos dias atuais, a tendência é que os Estados implantem a arbitragem em diversas áreas e campos, inclusive como meio de solução de conflitos com a finalidade de extinguir o litígio em âmbito tributário.
A arbitragem está presente no Brasil desde quando foi apresentada pelos colonizadores portugueses, que utilizavam este método para pacificar os conflitos existentes. Assim, fica visível a importância da evolução da arbitragem, para a história do Brasil.
Adentrando no campo da contabilidade, com o advento da Lei da Arbitragem, surge um novo campo de trabalho para os contadores e técnicos em contabilidade.
Para esses profissionais, abre-se o caminho para a função de árbitro e perito contábil. Além disso, o trabalho do perito-contador é muito parecida com à atividade desempenhada pelo árbitro, (SILVA, 2005), pois através de conhecimento técnico tenta mediar acordo entre os litigantes.
Não obstante de ser considerada uma das atividades no vasto campo de atuação profissional contábil, a arbitragem não é mencionada no Decreto-Lei n.º 9.295, de 27 de maio de 1946, que trata das atribuições do profissional contábil.
Tanto a profissão de economista quanto a de administrador, que são regulamentadas pelas Leis n.º 1.411/51 e n.º 4.769/65, demonstram a competência
dos profissionais que utilizam da arbitragem em relação a assuntos diretos da sua própria área de atuação. Portanto, cabe ao contador, se aprofundar para conquistar o seu espaço dentro da arbitragem (BECKE, 1999).
No Brasil, tem-se uma perspectiva de progresso da arbitragem, na dimensão em que seus frutos se revelem aceitáveis. Todavia, seu alcance ainda é restringido às empresas ou pessoas físicas que possuem maiores condições aquisitivas, sendo assim praticamente estranha da população mais carente. A arbitragem exige a contratação dos árbitros e isto pode inviabilizar a procura pelos que dispõem de poucos recursos. Sendo assim, pende a ficar cerceada a conflitos empresariais.
O Estado brasileiro vigilante à necessidade de criar outros foros para a pacificação de sua sociedade e para a resolução de controvérsias, patrocinou, a geração do Juízo Arbitral, tendo como intenção agilizar os processos e simplificar o acesso à Justiça, criando um foro competente às causas que envolvem questões de direito patrimonial, relações internacionais ou matérias de alta complexidade, causas estas que o Poder Judiciário não está totalmente aparelhado.
No que tange especificamente sobre os avanços na implementação da arbitragem tributária no Brasil, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 4.257/19, que pretende alterar a lei de execuções fiscais (Lei nº 6.830/80), e implementar no Brasil o instituto da arbitragem tributária.
Nas justificativas do mencionado projeto de lei, observamos dados que fundamentam a regulamentação do meio alternativo estudado.
Dados divulgados em 2018 pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, ano- base 2017, constam que o Poder Judiciário possuía um acervo de 80,1 milhões de processos de execuções fiscais pendentes de baixa. A taxa de obstrução das execuções fiscais foi de 92% em 2017, ou seja, a cada 100 processos de execução fiscal que iniciaram tramitação no ano, apenas 8 delas tinham sido extintos no final do ano (ANASTASIA, PL nº 4.257/19).
Esse imenso volume de processos traz consigo um custo altíssimo para os cofres públicos. O Brasil gasta cerca de 1,3% do seu PIB – Produto Interno Bruto, para manter o Poder Judiciário, bem mais do que outras nações vizinhas como Chile e Argentina, que gastam 0,22% e 0,13%, respectivamente, bem como países desenvolvidos como a Alemanha e Estados Unidos que gastam 0,32% e 0,14%, respectivamente (ANASTASIA, PL nº 4.257/19).
De certo as execuções fiscais correspondem a uma grande parcela do percentual desse custo. Conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), feita em 2011, apud. ANASTASIA, PL nº 4.257/19, concluiu que o custo unitário médio total de uma ação de execução fiscal promovida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional junto à Justiça Federal é de R$ 5.606,67 e o tempo médio de tramitação de um processo é de 9 anos, 9 meses e 16 dias e a probabilidade de obter-se a recuperação integral do crédito é de apenas 25,8%.
(ANASTASIA, PL nº 4.257/19).
Assim, o Brasil está caminhando para a implementação de tal instituto, porém o caminho ainda é longa e requer muita discussão sobre a matéria, porém o primeiro passo já foi dado, cabe agora ao Poder Legislativo ter sensibilidade para tratar da sua regulamentação e por conseguinte, desburocratize os procedimentos atualmente previstos na legislação para a cobrança de créditos tributários, tornando mais efetiva e menos custosa.