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O PAPEL DO CONTADOR NA ARBITRAGEM

De certo as execuções fiscais correspondem a uma grande parcela do percentual desse custo. Conforme pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), feita em 2011, apud. ANASTASIA, PL nº 4.257/19, concluiu que o custo unitário médio total de uma ação de execução fiscal promovida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional junto à Justiça Federal é de R$ 5.606,67 e o tempo médio de tramitação de um processo é de 9 anos, 9 meses e 16 dias e a probabilidade de obter-se a recuperação integral do crédito é de apenas 25,8%.

(ANASTASIA, PL nº 4.257/19).

Assim, o Brasil está caminhando para a implementação de tal instituto, porém o caminho ainda é longa e requer muita discussão sobre a matéria, porém o primeiro passo já foi dado, cabe agora ao Poder Legislativo ter sensibilidade para tratar da sua regulamentação e por conseguinte, desburocratize os procedimentos atualmente previstos na legislação para a cobrança de créditos tributários, tornando mais efetiva e menos custosa.

Desse modo, diante do seu conhecimento técnico o contador dentro do cenário do uso da arbitragem de cobranças de créditos tributários pode exercer a função de árbitro e perito.

O contador irá ter relevância como árbitro. Este, quando contador, pode exercer papel de perito. Por meio do artigo 22 da Lei da Arbitragem, o árbitro- contador irá determinar a realização de perícias quando for julgado necessário.

Quando exerce a função de perito, em procedimentos arbitrais, o que não é muito usual, o profissional contábil acaba assumindo ambos os papéis.

Os procedimentos e a sentença arbitral são bem ágeis, como já foi dito, ao contrário do que ocorre na justiça atual, em que o juiz não possui amplo domínio da matéria contábil, o que irá fazer necessário de perícia para auxiliá-lo.

Observa-se que os contadores vêm conquistando seu espaço na arbitragem, principalmente porque as instituições entendem que a matéria tributária é de competência exclusiva dos contadores.

O Contador, quando perito ou árbitro, deverá recusar sua indicação quando observe-se incapacitado, abster-se de interpretações parciais sobre a matéria que é objeto da perícia, mantendo imparcialidade moral e técnica na confecção do respectivo laudo, abnegar de expender fundamentos ou dar a conhecer sua certeza pessoal sobre os direitos de quaisquer das partes envolvidas, ou da justiça da demanda em que estiver agindo, mantendo seu parecer no âmbito técnico e restrito aos quesitos propostos; julgar com equidade o pensamento manifestado em laudo submetido à sua avaliação; mencionar impreterivelmente fatos que tenha conhecimento e considere em condições de exercer consequências sobre peças contábeis objeto de seu labor e renunciar a dar parecer ou emitir posicionamento sem estar suficientemente esclarecido e munido de documentos.

3 METODOLOGIA

A metodologia científica é apta a proporcionar um entendimento e análise do mundo por meio da construção do conhecimento. O conhecimento só sucede quando o estudante percorre pelos caminhos do saber, tendo como personagem principal deste processo o conjunto ensino/aprendizagem. Pode-se confrontar então metodologia com o caminho de aprendizagem a ser percorrido e ciência com o saber obtido.

Segundo Gil (2002) a pesquisa é conseguida mediante o concurso dos conhecimentos a disposição e a utilização precisa de métodos, técnicas e demais outros procedimentos científicos. Essa última, normalmente, se inicia de ponto específico, uma interrogação, um quadro que não tenha resolução adequada ou aceitável.

Assim, toda pesquisa tem como alicerce uma teoria que serve como fio transmissor para a investigação (PRODANOV; FREITAS, 2013).

A pesquisa tem por intuito encontrar respostas para indagações, mediante o uso do método científico, visto que a construção de um projeto ocorre mediante a apreciação de etapas necessárias ao progresso da pesquisa, que vai desde a concepção do problema, dos objetivos e instrumentos, até a convincente apresentação dos resultados (GIL, 2002).

Sobre à classificação da pesquisa, ela se dividir em três grandes grupos:

exploratórias, explicativas e descritivas. Constatando as informações acima, Gil (2002) frisa que o objetivo principal de um estudo descritivo é a descrição das peculiaridades de determinada população e fenômeno ou, então, a definição de correlações entre variáveis.

O presente trabalho se refere a um estudo descritivo, com abordagem quantitativa. Os métodos quantitativos entendem que tudo deve ser quantificado para proporcionar resultados confiáveis. Atuam com dados numéricos e técnicas estatísticas tanto para classificar como para examinar os resultados, desse modo são mais empregados em estudos nas áreas biomédicas e exatas, apresentando-se como uma pesquisa tanto descritiva como analítica (FERNANDES, 2003).

Por outro lado, estão os métodos qualitativos que descrevem uma relação entre a finalidade e os resultados que não podem ser obtidas através de números, nomeando-se como uma pesquisa descritiva. As interpretações dos fenômenos são analisadas indutivamente (FERNANDES, 2003).

Levando em consideração o fundamento em artigos publicados, livros, revistas, entre outros, esta pesquisa também se caracteriza como pesquisa/levantamento bibliográfico. O levantamento bibliográfico é definido pela busca de estudos antecedentes produzidos por outros autores e comumente publicados em livros ou artigos científicos (ACEVEDO; NOHARA, 2013).

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A contabilidade é tida como aspecto de patrimônio da humanidade e sua execução é essencial para o desenvolvimento e sobrevivência da sociedade.

O profissional da contabilidade deve estar pronto para um ambiente versátil diante das contínuas variações exigidas no mercado. E, por ser a contabilidade é uma área muito vasta, o profissional contábil, por sua formação, pode operar em diversos campos como: contabilidade pública, contabilidade privada, perícia contábil, controladoria, entre outras (FARI; NOGUEIRA, 2007).

Assim, para que o contador aproveite este ambiente variável com competência, deverá se aperfeiçoar cada vez mais para confrontar uma sociedade empresarial desprovida de apoio e acompanhamento, e sua figura deve estar a todo momento pautada na ética (MARION; ALMEIDA; VALVERDE, 2002).

O contador é responsável pelo recolhimento de dados que importam aos usuários da contabilidade, tendo o seu papel de esclarecer dúvidas, solucionar problemas e também elaborar aspectos estrategistas, já que é tido como o principal auxiliador da tomada de decisões no interior das organizações (FARI; NOGUEIRA, 2007).

E, tanto quanto em outras áreas, a capacidade de pensar, de forma crítica e lógica, assim como de estudar e assumir decisões em ambientes de mudança constante são elementares para o triunfo do contabilista (RODRIGUES, 2014).

O contador, por meio do âmbito arbitral, por dados contábeis nas empresas, deve colaborar para a elucidação da verdade acerca das discussões dos fatos (NEVES JUNIOR, 2014).

No ordenamento jurídico brasileiro, a arbitragem é concebida como um meio de resolução de conflitos, facultativo e extrajudicial, em que um ou mais árbitros conhecedores da matéria a ser discutida, via de regra escolhidos pelas partes, irão solucionar a controvérsia.

Essa sentença arbitral será vinculativa e terá validade de título executivo judicial. No direito tributário, a implantação da arbitragem pode ser positiva porque, ao mesmo tempo em que há facilidades no que tange à exequibilidade de sentença arbitral, há também a preservação da autonomia da vontade, pois as próprias partes elegem os árbitros e ainda, podem estabelecer que eventuais controvérsias sejam

dirimidas pela via arbitral antes mesmo de surgido o conflito, através de uma convenção de arbitragem chamada cláusula compromissória (GIANNETTI, 2017.)

Ainda que na atualidade possam existir métodos muito mais específicos para resolução de lides tributárias como a arbitragem, a exemplo do protesto de Certidão de Dívida Ativa, recentemente chancelado pelo STF, a simples existência não garante sua efetividade, pois a inserção desses métodos encontra-se prejudicada devido a uma compreensão formalista do princípio da indisponibilidade do interesse público que ainda prevalece na doutrina administrativista. A indisponibilidade do interesse público é um princípio reconhecido que contem sua essência axiológica na supremacia do interesse público, tendo em vista que diante da impossibilidade de equilíbrio entre os interesses, o interesse particular não pode prevalecer sobre o interesse público (CARVALHO FILHO, 2016).

Sendo de interesse público, o Estado da sociedade. Assim, dizer que o interesse público é exclusivamente interesse do Estado é muito simples, porque não existe equivalência necessária entre interesse público e interesse do Estado.

Dessa forma, é normal que o Estado tenha interesses individuais que assemelhem o Estado enquanto pessoa que não são interesses públicos, mas interesses particulares similares ao interesse individual como qualquer outra pessoa.

Desse modo, o interesse particular do Estado irão prevalecer quando não sobreporem ao interesse público.

A eficiência é um dos fundamentos da Administração Pública, portanto é uma obrigação da Administração reconhecer a arbitragem como uma das formas a proporcionar o acesso à justiça com adequabilidade e celeridade.

Nessa esteira, a arbitragem não acarretaria em abdicação de direitos e deveres seja por parte do sujeito passivo, nem ao menos por parte do sujeito ativo, mas sim uma via alternativa de impugnação. Senão vejamos o posicionamento de Leonardo Varella Giannetti e Marciano Seabra de Godoi (2015, p. 38-39):

Mesmo com o crédito tributário formalizado, no sistema brasileiro ele é passível de ser combatido, seja na via administrativa, nesse caso por meio de processo instaurado e julgado pela Administração Tributária, seja na via judicial, por meio de medidas processuais próprias, decorrentes do exercício, pelo contribuinte, do respectivo direito de ação. A arbitragem, no caso, será uma terceira via de que o contribuinte poderá lançar mão em substituição à jurisdição estatal, faculdade esta que, sendo escolhida, impedirá ou restringirá em alguns casos, conforme previsão legal a concomitante ou seguida discussão judicial da matéria fiscal cujo mérito tenha sido enfrentado em um tribunal arbitral.

Conforme descrito acima, medidas devem ser tomadas para a diminuir as demandas do poder judiciário, com o intuito de solucionar problemas como a morosidade e a fragilidade técnica das decisões. Nessa esteira, muito se tem discutido no Brasil acerca dos meios mais adequados para solução de conflitos.

Para exemplificar, trazemos no quadro abaixo três métodos alternativos para solução de conflitos: Conciliação, mediação e arbitragem. Sendo este último método, o abordado no presente artigo. Para melhor ilustrar acerca da distinção desses três métodos, observa-se o fluxograma abaixo:

Processos não vinculantes Controle do processo e do seu resultado

cabe às próprias partes

Processos Vinculantes Controle do processo e do seu resultado cabe a terceiros

Tomada de decisão particular pelas próprias partes

Tomada de decisão extrajudicial por terceiro

Tomada de decisão

judicial por terceiro Negociação Mediação Conciliação Decisão Administrativa /

ARBITRAGEM

Decisão Judicial

Características intrínsecas

Maior sigilo Maior publicidade

Maior propensão à preservação de relacionamentos

Maior propensão à solução do conflito como se sendo uma questão pontual

Maior adimplente espontâneo

Maior exequibilidade diante de facilidades relativas à execução forçada

Maior flexibilidade procedimental

Maior rigor com o seguimento do procedimento previamente estabelecido

Maior preocupação com a humanização e

sensibilização das partes Maior desgaste emocional

Maior Celeridade Maior recorribilidade

Maior utilização da linguagem cotidiana das

partes/interessados Maiores custos processuais (ou operacionais)

Figura 1: Distinção de métodos e características.

Fonte: Manual de Mediação Judicial (2016).

No que se refere à possibilidade de escolha dos árbitros, tem-se como uma característica da arbitragem que mais importa ao direito tributário e que distingue o

instituto da conciliação e mediação. Isso ocorre pelo fato das decisões serem mais tecnicamente fundamentadas e qualificadas.

Conforme dados carreados pela Escola de Arbitragem Internacional, de Queen Mary, Universidade de Londres, as oito principais vantagens da arbitragem seriam: exequibilidade dos laudos arbitrais, flexibilidade procedimental, possibilidade de escolha de árbitros, confidencialidade, neutralidade, definitividade das decisões, celeridade procedimental e custo (ESCOBAR, 2017).

No sistema judiciário, ao protocolar um processo o mesmo é submetido a uma distribuição eletrônica, em que haverá um juízo que se tornará prevento. Dentro do sistema, há uma separação de varas e em cada vara, via de regra, há um Juiz, que se denomina Titular da Vara e um outro que será o Juiz Substituto.

Nas últimas entrâncias, existe uma divisão por ramo do direito, onde encontramos magistrados com experiências distintas em cada uma das Varas.

À vista disso, não é de se surpreender que as decisões por estes juízes proferidas sejam carentes de fundamentos técnicos específicos na seara tributária, como também possuam fundamentações desatualizadas e jurisprudências ultrapassadas aplicada aos casos. Isso porque especialização técnica e atualização de conteúdo levam tempo, e a falta delas gera incapacidade técnica.

N v s Jun or t l (2014) m su p squ s ―Inst tuições e Câmaras de Juízo r tr l o D str to F r l‖ s ut u tu o o pro ss on l ont l qu n o r tro ou perito na Justiça Arbitral. Como resultados, evidenciou-se que o profissional contábil quando árbitro, irá gerar economia nos processos, visto que substituirá o perito. Mesmo assim, essa atuação ainda é baixa dentro da Justiça.

M rt n z (2003) por m o ― r tr m no Br s l omo nov oportun tr l o p r o pro ss on l ont l ‖ nt ou ons nt zou os profissionais da contabilidade diante da alternativa da arbitragem como solução de conflitos. Ficou claro que o contador deve desenvolver e exercitar o domínio sobre todos os fatos que intervém no desenvolvimento de suas funções.

No ano de 2015, o complexo legal de resolução de litígios fora do judiciário passou por algumas reformas. Por tal, o Congresso Nacional ocasionou extenso debate parlamentar e com a sociedade civil para tratar sobre métodos de soluções extrajudiciais de controvérsias. Nessa passagem, aprovou, por exemplo, a atualização da Lei de Arbitragem, modificando a Lei 9.307/1996, bem como instituiu a Lei de Mediação, lei esta que marcou a implantação do instituto no Brasil e criou a

Autocomposição Administrativa de Litígios com a Administração Pública - Lei 13.140/2015.

A Administração passou a se valer de um conjunto de instrumentos modernos, a exemplo das leis supracitadas, para a solução alternativa e adequada de demandas. Contudo, a mencionada reforma não foi capaz de encabeçar a arbitragem em direito fiscal, por não trazer a regulamentação para o emprego de tal instrumento. Por sua vez, a arbitragem no âmbito tributário apenas foi referida pela Lei de Mediação de 2015, de forma tímida e incapaz para ampliar seu uso no país.

Um dos maiores obstáculos encontrado na introdução da arbitragem em m tér tr ut r st no ntu o utor t r smo ― mp r um‖ o Est o m m tér de Direito Tributário. Historicamente, encontramos que a origem do particular autoritarismo do Estado em matéria de impostos está nos impostos na Roma antiga pelo fisco do imperador César. Em seguida, o poder absoluto de se cobrar impostos foi recebido pelos novos parlamentos do liberalismo. Nesse momento, embora a justificação da criação dos impostos agora tivesse se assentado numa pressuposta vontade popular veiculada pelos representantes do povo, pelos parlamentos, o lançamento e cobrança de impostos continuavam a ser um dos principais instrumentos de poder, de domínio, de satisfação dos objetivos e dos interesses dos governantes.

Nesse contexto, desde de sua origem, a carga tributária vem sofrendo crescimento constante, muitas vezes apenas para atender interesses políticos e econômicos dos governantes. Por conta disto ainda há uma forte resistência destes para reconhecer meios alternativos de resolução dos litígios de cunho fiscal. A arbitragem tributária ficou fora da reforma de 2015, que implementou a Lei de Mediação anteriormente mencionada. Entretanto, sua simples menção na lei é clara indicação da importância do assunto, a merecer mais estudo e reflexão pelos três poderes da República: Legislativo, Executivo e Judiciário.

É dever o Estado se aprofundar na aplicação de tal instituto, trazendo em reformas tributárias posteriores a regulamentação de todos os aspectos para implementação da arbitragem tributária no cenário brasileiro, viabilizando a sua efetiva aplicação através de regras a serem seguidas por aqueles que optem por tal meio.

Portanto, a arbitragem só pode ser instituída em comum acordo entre as partes, sendo firmado por meio de convenção arbitral que pode ser estabelecida

antes de se instalar o conflito, através de cláusula compromissória estabelecida no momento em que as partes firmam um contrato. Também pode ocorrer de as partes decidirem optar pela arbitragem depois de instaurada a lide, então, estas firmam o compromisso arbitral submetendo à arbitragem um compromisso já existente.

Diante dos fatos abordados, será exposto um processo de ação civil em relação à indenização por danos morais em uma das Comarcas do Estado do Rio de Janeiro. Neste processo, a empresa A será denominada com autora e a empresa B como réu, condenada a comprovar os pagamentos pagos pela autora, bem como indenizá-la por danos morais e materiais ocasionadas pela mesma (FERREIRA, 2014).

A autora alega que é cliente do réu, que possui um comércio varejista de um produto e que por problemas financeiros deixou de honrar alguns pagamentos ficando com débitos em aberto com a ré. A partir disto, a réu, indevidamente, deixou de fornecer as mercadorias que a mesma havia comprado até mesmo aquelas que foram pagas à vista, lhe enviando também cobrança pelos correios (FERREIRA, 2014).

Ficou relatado pagamentos em aberto por meio do advogado da empresa que realizou a cobrança, em que o mesmo solicitou o envio dos títulos pagos pela ré, mas a mesma não enviou. Por fim, a autora informa que mesmo efetuando o pagamento da dívida que contraiu com a ré, a mesma não mais lhe vendeu mercadorias a prazo, o que coloca em risco a sua atividade comercial já que a ré é a única empresa fornecedora das mercadorias (FERREIRA, 2014).

Diante deste relato, o juiz pediu para a empresa B apresentar aos autos a quitação dos débitos conforme o relato da Empresa A, porém a mesma demonstrou que somente alguns títulos foram pagos. Logo, o juiz constata que a Empresa A realmente não quitou todos os débitos e diz que a Empresa B diante deste fato não é obrigada a continuar fazendo negócios com a autora (FERREIRA, 2014).

O juiz então nomeia um perito para averiguar o encerramento das atividades da empresa por perda de lucro devido ao não fornecimento de mercadorias pela ré.

Fica evidente que se trata de um processo que envolve lucros cessantes. Após o recebimento da intimação, o perito-contador retira o processo da secretaria da Comarca e avalia os seus detalhes com a leitura e estudo dos autos. Após a análise constata que não há impedimento ou suspeição, estando o mesmo habilitado para

executar a perícia. De início é solicitado pelo juiz, a proposta de honorário para a execução da atividade pericial (FERREIRA, 2014).

Fica homologado o honorário apresentado e estipulado um prazo de 30 dias para a conclusão do trabalho pericial. De posse dos quesitos apresentados por somente uma das partes, no caso a ré, o perito constata que falta documentos a serem juntados aos autos para responder aos questionamentos feitos pelo assistente técnico, de antemão emitindo um termo de diligência, solicitando os documentos faltantes e assim dar continuidade ao seu trabalho. A Empresa A não atendeu à solicitação feita pelo perito no prazo determinado (FERREIRA, 2014).

Visto que o perito terá que aguardar a solicitação feita através do termo de diligência para dar continuidade ao seu trabalho, o mesmo através de uma petição solicita prorrogação por igual período do prazo fixado inicialmente ao juiz. Em seguida, o perito responde aos quesitos elaborados pelo assistente técnico da Empresa B, agindo de acordo com o Código de Ética Profissional (FERREIRA, 2014).

Os quesitos foram fundamentados com base no que foi apresentado pelas partes, a Empresa A não apresentou tudo o que foi solicitada conforme diligência realizada, dificultando assim, as respostas do perito a alguns quesitos. Concluído os quesitos, o perito prepara a redação que compõe o Laudo pericial contábil, esclarecendo através dele todas as controvérsias levantadas no desenvolvimento do processo (FERREIRA, 2014).

O laudo pericial contábil é um documento escrito, no qual o perito deve informar, de forma ampla, o objeto da perícia e particularizar os pormenores e as minúcias que abranjam o objeto e as buscas de elementos de prova essenciais para a conclusão do seu trabalho.

O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são norteados e conduzidos pelo perito-contador e também pelo perito-contador assistente, na devida ordem, que adotarão modelo próprio, observando a estrutura. Neles devem ser consignados de forma circunstanciada, clara e direta, sequencial e coerente, o objeto de estudo da perícia, as análises e observações realizadas, as providências realizadas para a busca de elementos de prova imprescindíveis, a metodologia e critérios empregados, os resultados apropriadamente fundamentados e por fim as suas conclusões.

A metodologia adotada no estudo de caso se desenvolveu mediante a análise de livros e documentos, conforme os termos iniciais da diligência pericial.

Por fim, o perito inclui os quesitos na composição do seu laudo pericial e posteriormente encerra-o de forma clara e precisa com a sua conclusão perante a lide.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A obtenção e a conservação dos direitos estão ligadas à formação de sua vida em sociedade, pois é pela convivência que o ser humano passa a querer que determinados limites sejam determinados.

A partir da formação do litigio, seja ele tributário ou não, é dever do Estado dispor meios para solução do mesmo. No Brasil, para garantir os direitos, utiliza-se do Sistema Judiciário. Mas, fica claro o descontentamento da sociedade brasileira com a qualidade dos serviços, pela burocratização das tramitações processuais e pela lentidão das decisões, que chegam a se arrastar por décadas.

Diante do cenário encharcado de processos de execuções fiscais no Poder Judiciário, como falado anteriormente, é de grande importância que passemos a discutir soluções que levem para a desjudicialização das demandas, ou seja, meios que retirem do judiciários assuntos que, por conta da legislação vigente, são desnecessariamente judicializados.

A necessidade ou não da participação do Poder Judiciário tem que ser refletida, ou seja, a legislação só deve prever o processamento de uma ação, caso a intervenção do juiz seja imprescindível para garantir a proteção a um direito fundamental dos envolvidos.

Com o surgimento e a regulamentação de meios alternativos de solução dos conflitos, vislumbra-se, no entanto, uma saída para esta crise. Tais métodos não têm o intuito de solucionar todos os problemas que cercam a justiça brasileira, mas se consolidam como um modo de oferecer à sociedade uma segunda opção para resolver suas controvérsias.

Estes meios alternativos são conhecidos como Métodos Extrajudiciais de Solução de Conflitos – MESC ou Alternative Dispute Resolution – ADR e englobam a negociação, a conciliação, a mediação e a arbitragem.