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As categorias de cotas na UERJ

Art. 3º Entende-se por Programa de Ação Afirmativa um conjunto de iniciativas que compreende no mínimo:

I – a universalidade do sistema de cotas conforme critérios estabelecidos nesta lei para todos os cursos e turnos oferecidos;

II – a unidade do processo seletivo;

III – em caso de não preenchimento de vagas reservadas para determinado grupo, estas serão prioritariamente ocupadas por candidatos dos demais grupos, segundo a seguinte ordem: estudantes negros, indígenas e quilombolas, alunos de escola pública, estudantes com deficiência e filhos de policiais civis e militares, conforme o Artigo 1º;

IV – programa de apoio aos estudantes destinatários dessa lei, compreendendo o apoio acadêmico, o material didático e a bolsa permanência;

V – acompanhamento dos estudantes destinatários, após a conclusão dos cursos;

VI – divulgação nos meios de comunicação e redes sociais deste programa de ação afirmativa para os potenciais destinatários dessa lei, escolas da rede pública e sociedade em geral.

Além da garantia do acesso à universidade em sistema único de seleção, entende-se como programa de Ação Afirmativa um programa de apoio aos estudantes que ingressam por esta lei como bolsas permanência, material didático e apoio acadêmico, além do acompanhamento dos concluintes e egressos do sistema de cotas.

Essa lei expressa o que de mais avançado tem se observado no debate das ações afirmativas enquanto política pública de inclusão no ensino superior no país. Por fim, a força da lei ainda impõe divulgação pública direcionada aos destinatários em potencial do programa de cotas. Ainda não tive notícias de leis estaduais, que contenham esta compreensão mais complexa de ações afirmativas.

A própria legislação federal sequer cita a palavra permanência, auxílio ou apoio para estudantes que ingressam pelas ações afirmativas em instituições federais de ensino superior.

A lei 12.711/2012 se refere apenas ao ingresso no ensino superior, deixando todo o restante para as administrações das instituições de ensino, fato que dificulta entendimento, bem como não fortalece uma visão mais abrangente ou da totalidade do tema das ações afirmativas.

A própria avaliação proposta quando findados os 10 anos desta política é citada de maneira vaga e abstrata, apenas citando que devem ser ouvidas instituições e representantes dos grupos dos quais a lei se direciona. Aliás, a palavra avaliação também não é citada na lei federal, que apenas se refere a revisão do programa.

obedecem a legislação estadual nº Lei 5.346/2008, atualizada na Lei nº 8.121/2018 que ampliou o sistema por mais 10 anos.

Existem modalidades diferentes de vagas reservadas no que diz respeito à Lei nº 8.121/2018. Houve a com a inclusão de quilombolas e manteve os percentuais em 20% das vagas reservadas a negros, indígenas e alunos oriundos de comunidades quilombolas, 20%

das vagas reservadas a alunos oriundos de ensino médio da rede pública, seja municipal, estadual ou federal e 5% das vagas reservadas a estudantes com deficiência, e filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão de serviço. Em todas as modalidades, é preciso comprovar carência, ou seja, renda per capita (por pessoa da família) mensal bruta igual ou inferior a R$ 1.650,00 (hum mil seiscentos e cinquenta reais). Este valor de carência se refere a um salário-mínimo e meio que vai sendo corrigido anualmente de acordo com Deliberação 07/2013103 da Reitoria.

Manteve-se também o regime de autodeclaração nas inscrições e matrículas para exames vestibulares e de admissão para estudantes negros e indígenas, sendo obrigatória a instituição de uma Comissão Permanente de Assistência, para verificar a regularidade do exercício dos direitos reconhecidos e reparados por esta Lei, especialmente para apurar casos de desvio de finalidade, fraude ou falsidade ideológica, cabendo às Universidades criarem mecanismos para estes fins.

Além disso, o Poder Executivo disponibiliza vagas de estágio, obrigatórios e não obrigatórios, para estudantes destinatários da Lei nº 8.121, na administração direta, indireta e nas sociedades empresariais contratadas pelo poder público, inclusive permissionárias e concessionárias do serviço público, de acordo com a Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Com a ampliação do sistema de reserva de vagas pela Lei 5.346/2008, os estudantes passaram a ter direitos, tais como Bolsa Permanência durante todo o curso universitário, aquisição de material didático e Passe Livre Universitário para estudantes no município do Rio de Janeiro. Além desses direitos, o Programa de Iniciação Acadêmica – PROINICIAR consolidou-se com a oferta de atividades de apoio e complementação acadêmica, através do PROINICIAR Pedagógico, que contribuem para o desenvolvimento profissional e pessoal do estudante, além de auxiliar na integração e na qualificação acadêmicas dos estudantes.104

A Universidade vem passando por diversas mudanças para o aprofundamento do programa de ações afirmativas. A atual gestão criou a Pró-reitoria de Políticas e Assistência Estudantis (PR4) que ficou responsável pela inclusão na UERJ Departamento de Articulação,

103 Disponível em http://www.daiaie.uerj.br/legislacao/de_072013.pdf Acesso em 30/10/2021.

104 Disponível em https://www.uerj.br/inclusao-e-permanencia/sistema-de-cotas/ Acesso em: 28/10/2021.

Iniciação Acadêmica e de Assistência e Inclusão Estudantil, subordinado à PR-4, foi criado pelo AEDA nº 017/2020, ampliando a atuação da antiga CAIAC.

Até 2019, as ações afirmativas na UERJ estavam dentro da Sub-reitoria de Graduação SR-1, mas esta foi desmembrada, criando a Pró-Reitoria de Políticas e Assistência Estudantis (PR4), que tem como responsabilidade fundamental a formulação de políticas e de ações, buscando acompanhamento das atividades de assistência, inclusão e acessibilidade aos estudantes da Universidade. Cabe a PR-4 refletir e definir objetivos, metas e estratégias para a melhoria na atenção e no atendimento à comunidade discente; propor, discutir, planejar e gerir políticas voltadas à comunidade discente, implementar os objetivos do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UERJ e das legislações sobre os direitos no tema assuntos estudantis e desenvolver metodologias propostas de inclusão, de acessibilidade e de desenvolvimento integral psicossocial e valorizar os talentos e reconhecer a pluralidade cultural dos estudantes de graduação, de ensino básico e de pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Para o planejamento e a execução de suas ações, a PR4 estrutura-se Departamento de Articulação, Iniciação Acadêmica e de Assistência e Inclusão Estudantil (DAIAIE), o Departamento de Acolhida, Saúde Psicossocial e bem-estar (DASPB) e a Coordenadoria de Assistência Alimentar e mobilidade espacial (CAAM).

É importante ressaltar que os métodos de aferição para enquadramento nas vagas reservadas seguem os critérios de raça/cor nacionais sistematizados pelo IBGE. Nesse aspecto, desde as primeiras legislações a entrarem em vigor a autodeclaração tem sido utilizada como critério para as cotas raciais. No que diz respeito aos critérios sociais a universidade hoje conta com um sistema de análise socioeconômica organizado e dirigido pelo Departamento de Articulação, Iniciação Acadêmica e de Assistência e Inclusão Estudantil, subordinado à PR-4 – Pró-reitoria de Políticas e Assistência Estudantil da UERJ, foi criado pelo AEDA nº 017/2020, ampliando a atuação da antiga CAIAC. As atividades têm como foco a inclusão e a articulação acadêmicas, através da gestão dos direitos previstos nas Leis 5.346/2008 e 8.121/2018 para os estudantes oriundos da reserva de vagas, bem como propor e coordenar atividades de apoio e complementação acadêmica, que contribuam para o desenvolvimento profissional e pessoal dos estudantes da UERJ105.

Importante, salientar, por fim, que estamos analisando as ações afirmativas de reserva de vagas do ponto de vista conceitual, das categorias e evolução histórica para a

105 http://www.daiaie.uerj.br/index.php/a-daiaie/ acessado em 30/12/2021.

posteriori analisar os números, perfil socioeconômico, modelos de avaliação e resultados obtidos nestas décadas de experiência uerjiana.

A questão do racismo faz o debate se orientar excluindo as outras modalidades de cotas, como a de alunos oriundos da escola pública e os 5% para pessoas portadoras de deficiência e filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.

Esta última modalidade, por exemplo, assim como outras, não tem seu quadro preenchido. Além disso, em poucos cursos, tem um patamar de ocupação perto dos 50%.

Observando Anuário Estatístico (2021)106:

Destaco o não preenchimento sintomático desta modalidade ao longo dos anos e de diferentes cursos. Em muitos destes, sequer existem candidatos para essas vagas, portanto nem preenchidas são, correndo risco destas vagas irem para ampla concorrência.

A lei coloca da seguinte forma

III – em caso de não preenchimento de vagas reservadas para determinado grupo, estas serão prioritariamente ocupadas por candidatos dos demais grupos, segundo a seguinte ordem: estudantes negros, indígenas e quilombolas, alunos de escola

106 http://www2.datauerj.uerj.br/pdf/DATAUERJ_2021.pdf acessado em 30/12.2021

pública, estudantes com deficiência e filhos de policiais civis e militares, conforme o Artigo 1º.

Historicizando as políticas de cota na UERJ a partir de 2008, em conformidade com a Lei 5346/08 e 8.121/2018, poderemos observar situações contínuas como não preenchimento das vagas reservadas em seus 45%, especialmente os 5% para deficientes, filhos de militares mortos em serviço. Neste breve histórico da legislação e das vagas preenchidas pelas cotas na UERJ, senti a necessidade de uma meta avaliação desta política pública. Até aqui muito tem se falado no Twitter e redes sociais sobre fraudes ou polêmicas, mas pouco sobre problemas e propostas para ampliação das ações afirmativas. Questões como políticas afirmativas de permanência, evasão, rendimento, até mesmo ausência de alguns dados serão tratadas nas duas seções posteriores deste capítulo.