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As empresas de Serviços Profissionais

A maior parte das pequenas empresas prestadoras de serviços profissionais, está muito abaixo dos limites definidos para a classificação de micro, pequena ou média empresa. São, geralmente, clínicas médicas, odontológicas ou fisioterapêuticas, escritórios de advocacia, empresas de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia, escritórios de contabilidade e outras organizações cujos pontos em comum são (1) a operação centralizada no dono ou em dois ou três sócios; (2) poucos funcionários e (3) uma estrutura organizacional bastante simplificada.

Além disso, o ponto mais importante que elas têm em comum é o produto: serviços profissionais, também chamados de serviços “verdadeiros” ou “serviços de trabalho” (KON, 2004, p.8), por serem processos inteiramente gerados pelo fator trabalho, fornecidos diretamente aos consumidores finais, sendo produtos intangíveis, pessoais, únicos ao utilizador e, normalmente, não reproduzíveis. As pequenas empresas prestadoras de serviços profissionais são organizações cujos recursos principais são justamente os de capital humano.

Os recursos físicos de capital e os recursos de capital organizacional, embora sejam importantes, são de menor relevância. Se, conforme mostra o levantamento feito por Borba e Piccoli (2005), os Estudos Organizacionais têm se dedicado às teorias que contemplam as grandes empresas, com poucos estudos que dediquem atenção às pequenas, as pequenas empresas prestadoras de serviços são, segundo Kon (2004, p.1) ainda mais “esquecidas”

pelos estudos organizacionais

2.5.1 AS EMPRESAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHARIA

O setor de serviços está suscetível a transformações e aperfeiçoamentos que resultam da própria evolução sócio-econômica mundial, embasada particularmente pelas constantes mudanças tecnológicas, que levam as atividades de serviços a papéis diferenciados no contexto da dinâmica de desenvolvimento das organizações (KON, 2004).

As organizações de serviços de Engenharia, no Brasil, são caracterizadas pela atuação de profissionais liberais, legalmente habilitados de acordo com a lei 5194 de 24 de dezembro de 1963, devidamente registrados no respectivo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA do seu estado.

A quase totalidade das pesquisas realizadas no Brasil que tangenciam o exercício profissional da Engenharia está ligada muito mais às questões relativas à construção civil do que à Engenharia propriamente dita. Muitos trabalhos reconhecidos e referenciados como sendo relativos às praticas gerenciais de Engenharia são, na verdade, sobre práticas gerenciais de empresas de construção civil ou de instalações industriais. Organizações de serviços profissionais de Engenharia são freqüentemente confundidas na literatura com empresas cujos produtos são engenheirados. Assim, é comum que as pessoas se refiram à empresas de construção civil, por exemplo, ou a empreiteiras de obras públicas como estradas e pontes como se elas fossem empresas de Engenharia, o que não é correto. A Engenharia entra nesses produtos finais (casas, edifícios, pontes, estradas) como um insumo. Uma matéria prima. Por mais importante que seja para o resultado final da obra, não se deve deixar de perceber que a participação da Engenharia nos custos totais dessas obras raramente ultrapassa os 10%, como pode ser constatado em diversos documentos que relacionam os custos das obras com os custos de serviços de Engenharia (CDHU, PSQ/PROJETO, 2002b; SENGE, 1991; IAB-DN, 2005; DEINFRA-SC, 2005). Além disso, e apenas para não deixar dúvidas sobre esse detalhe, demonstrando que essa visão não passa de um equívoco cultural, basta observar que ninguém considera uma fabrica de aviões como uma empresa de Engenharia, apesar de seu produto final ser tão engenheirado quanto uma obra de construção. O mesmo raciocínio pode ser adotado para analisar um estaleiro ou uma fábrica de automóveis.

Empresas de Engenharia são, portanto, empresas cujo produto final é um serviço, como projeto, consultoria, assessoria técnica, acompanhamento, fiscalização e um conjunto de

outras atividades previstas pela lei 5.194, de 24/12/1966. Plonsky (1987, p.50-55) observa que muitas empresas realizam serviços de Engenharia, ainda que não sejam empresas de Engenharia. Por outro lado, empresas de Engenharia realizam serviços que não são, necessariamente de Engenharia. Assim, conclui o autor, empresas de Engenharia, ou empresas de projeto de Engenharia (também chamadas empresas de Engenharia de projeto ou empresas de Engenharia consultiva) são aquelas dedicadas à atividade de Engenharia e que têm nessa atividade sua principal fonte de renda.

As organizações de serviços de Engenharia no Brasil são, na sua grande maioria pequenas empresas, constituídas muitas vezes como sociedades civis ou como unidade de profissional autônomo (CONFEA, 2005, p.1). Essas organizações são, via de regra, administrada pelo próprio profissional, seguindo critérios de gestão cujos métodos ainda não foram suficientemente investigados pelos estudos contemporâneos. Esses profissionais estão submetidos a uma realidade empresarial cuja complexidade geralmente lhes escapa pois faltam-lhes os conhecimentos técnicos formais de economia, administração ou contabilidade.

A RBV explica questões organizacionais. Assim, uma questão relevante para este trabalho é discutir se pequenas empresas de engenharia podem ser consideradas organizações. Se existem nessas empresas os fenômenos organizacionais abordados pela RBV ou se essas empresas são apenas aglomerados de pessoas.

Seguindo a tipologia proposta por Mintzberg (1979) os pequenos escritórios de Engenharia podem ser descritos como organizações de Estrutura Simples (ou empreendedora), na qual o impulso mais forte é dado pelo ápice estratégico em direção à centralização. Nesse tipo de organização a estrutura é tão simples quanto o próprio nome indica. Há pouca ou nenhuma estrutura tecnológica, pouca ou nenhuma assessoria de apoio, mínima ou inexistente departamentalização e uma pequena ou desconsiderável hierarquia. A coordenação é feita pela supervisão direta. O poder está nas mãos do diretor executivo e, portanto, geralmente dispensa planejamento formal, treinamento ou procedimentos semelhantes, podendo ser flexíveis e "orgânicas". As condições que favorecem esta forma de organização são aquelas de firmas gerenciadas pelo proprietário - uma pequena organização em um ambiente simples ainda que dinâmico, o que pode ser compreendido por um indivíduo líder.