embora as observações tenham possibilitado um entendimento do que foram suas aulas, com as entrevistas, propõe-se uma aproximação do que pensam delas e da Geografia que ensinam.
O texto do próximo subcapítulo traz a análise dessas entrevistas.
foi muito fácil”, “[...] eu me senti estimulado a propor aulas mais coletivas mesmo”. P3 ressaltou que havia uma conversa permanente com a coordenação que influía em suas aulas, o que também acontecia com os professores durante os intervalos. Nesses momentos eram passados uma tranquilidade e um estímulo a “[...] uma educação crítica, uma educação que estivesse [sic] muito ancorada na vivência, no cotidiano, na realidade concreta daquele estudante”. Essas características foram observadas em suas aulas, pois, além de possuir uma tendência aos referenciais marxistas, a uma concepção crítica da Geografia, em seu diálogo com os alunos eram abordados aspectos relacionados as suas realidades de vida. Entretanto, como já destacado, o cotidiano dos alunos apareceu apenas como exemplos pertinentes para o que estava sendo discutido e não no desenvolvimento de alguma atividade.
Os docentes relataram uma postura participativa dos discentes, incentivada por eles, como um hábito comum dos estudantes:
Olha, eu reconheço que eles e a escola em si têm muito mérito nisso [na participação]. Esses alunos foram sendo ambientados e trabalhados nessa pedagogia escolar. Então, eu sinto, mais do que em outras escolas que eu já dei aula também, que eles têm uma facilidade e uma tranquilidade tanto entre eles como com o professor de se abrir, de se colocar (P3).
Enfim, a coisa da construção coletiva, inclusive fora de sala de aula, porque os alunos aqui têm essa perspectiva. É natural para eles participar da vida do colégio, isso é bacana, porque nas duas turmas, a maioria dos alunos são alunos muito antigos, então, acho que eles já têm uma coisa da cultura Escola Nossa no comportamento deles. Então, também é fácil trabalhar com eles, porque eles estão acostumados com essa perspectiva mais de construção coletiva mesmo das coisas, a mostra pedagógica aqui, eles participam pra caramba, é bem legal isso. Então, eu acho que se tem uma coisa que me influência é isso a perspectiva de construção coletiva tanto das aulas quanto da comunidade escolar como um todo (D2).
Essas exposições evidenciam que a participação e a interatividade, bem como o protagonismo para a construção em conjunto, também demonstrados por meio do questionário e das observações das aulas, são características que explicitam que essa prática coletiva é uma prática social em ambas as escolas. De acordo com os professores, os alunos já chegavam às aulas com esse costume, proveniente de outras aulas e de outras experiências nas escolas, principalmente aqueles que estavam há mais tempo nas instituições. D2 ainda salientou que essa perspectiva coletiva é uma característica de todas as instâncias da EN.
Mesmo que a construção coletiva e participativa esteja descrita nos documentos das duas escolas, ambos os professores disseram que não os conheciam. Isso só reforça a ideia de esses atributos - presentes nos PPPs, nos Estatutos e nos Regimentos - também serem práticas
sociais das escolas, pois os docentes se referiram a eles sem nem mesmo ter acesso aos documentos institucionais.
P3, ao mesmo tempo, falou de um tratamento mais individualizado, em que os estudantes eram reconhecidos nas suas singularidades, e trouxe junto com essa perspectiva a ideia de que “[...] dar aula é um exercício sempre de coletividade [...]” e, ao voltar a se referir à interatividade com os estudantes e ao estímulo disso em suas aulas, disse que “[...] com certeza, eu tenho noção de que tem um legado pedagógico em cima dos alunos da AEN que me facilita muito conseguir ter essa troca”. Por meio das observações da escola e das aulas, foi possível verificar que esse é um legado presente em toda a comunidade escolar, pois, como exposto anteriormente, a coletividade, a interação e o protagonismo são práticas comuns na instituição. Essas práticas estão presentes tanto no trabalho da equipe pedagógica e dela com os professores, quanto na autonomia dos estudantes em sala de aula.
Os dois professores, ao falarem dos seus planejamentos, ressaltaram a construção a partir de escolhas individuais, mas houve momentos coletivos. D2 descreveu a construção da Ementa com os alunos e disse que:
Então, a partir disso, dessa ideia de construção da ementa...eu acho que a ementa foi o grande começo dessa ideia de construção coletiva, eu acho que ali eles entenderam: “eu acho que aquele professor ali tá afim de construir junto com a gente” (D2).
[...] a dinâmica da aula era muito construída junto com os alunos dentro de sala de aula. E essa coisa de estar sempre querendo saber deles o que interessa a eles:
formato de avaliação, conteúdo das aulas, a forma como vai ser a aula, eu passo muito filme, mas estou sempre consultando eles se isso é interessante ou não (D2).
Ao mesmo tempo, destacou que há um lado individual, pois ele é quem condensa as propostas e elabora esse documento. Disse que se baseava nos livros didáticos e que levou para as aulas muito das suas experiências da pós-graduação, em que trabalhou com a temática dos conflitos urbanos e agrários.
P3 contou que no último bimestre deixou os alunos escolherem como seria o trabalho final, “[...] quando eles escolhem, eles querem mesmo fazer isso, então eles fazem”.
Até então, D2 era o único professor que não havia demonstrado, por meio do questionário e das observações das aulas, ter o livro didático como referência. Todavia, logo no início da entrevista, ele expôs que:
[...] quando eu entrei [...] eu me guiei mais pelo livro didático, com base no livro didático e com base no que os alunos tinham falado que já tinham dado do livro e a
partir daí eu fiz um planejamento para os dois períodos que eu ainda tinha para dar, porque eu entrei no início do segundo período (D2).
Isso, mais uma vez, evidenciou que a organização do trabalho dos professores estava pautada pelos livros didáticos, uma prática entre todos os docentes de Geografia das duas escolas. Na entrevista, P3 também falou que o acesso ao livro didático o auxiliou no planejamento do 3º e do 4º bimestres37, mas que interveio com algumas mudanças, pois disse que o livro não trazia tudo e que a ordem de alguns conteúdos não fazia sentido. Ressaltou ainda que o acompanhamento da coordenação lhe deu confiança para fazer essas alterações
“[...] porque lá eu acho que é um lugar em que isso é estimulado também, lá é um ambiente muito favorável para propor coisas diferentes, para ter autonomia, então isso pra mim foi muito interessante”.
Embora os livros didáticos sejam uma base para a organização dos docentes, ambas as escolas dão liberdade para lidarem com esse material. Não precisam necessariamente exercer uma prática de ensino vinculada o tempo todo ao que está proposto no livro, podem e devem trabalhar com outros recursos didáticos e até mesmo produzi-los. As escolas queriam essa autonomia por parte dos docentes, entretanto mesmo não sendo uma obrigatoriedade o uso constante dos livros didáticos, eles eram as principais referências para a escolha dos conteúdos, e não, a necessidade de se elaborar algum conceito, vinculado ao pensamento espacial, ou o desenvolvimento de alguma atividade atrelada as práticas sociais dos estudantes.
Sobre os documentos orientadores das propostas pedagógicas das escolas, P3 falou sobre a falta de debater o PPP, mas que a coordenação e os professores mais antigos lhe passavam com suas experiências o que havia nele. Ainda sobre isso, falou:
[...] você tem a coordenação muito preocupada com a garantia de caminhos e alternativas a serem traçados por eles [alunos], que eles tenham o máximo de portas possíveis para abrir. Então, assim, todo bimestre tem os simulados que são adaptados baseados no Enem, tem uma certa preocupação com a garantia dos conteúdos pra que eles não sejam prejudicados num processo futuro de vestibular e tudo mais. Então, tem essa preocupação, por outro lado, tem esse estímulo pra que você vá se adequando... você consiga dar conta de cada aluno especial, você consiga ver, sobretudo, a potencialidade de cada aluno (P3).
Isso exemplifica a preocupação da equipe pedagógica em adequar o professor à proposta da escola. Embora esse docente não conhecesse os documentos da AEN, essa resposta demonstrou saber a respeito de alguns elementos que contém o PPP e o Regimento: a garantia da expressão da personalidade, a liberdade de aprender e ensinar, pluralismo de
37 Os planejamentos anteriores foram realizados pelo professor que saiu no meio do 2º bimestre.
concepções pedagógicas, valorização das experiências, além de uma formação do Ensino Médio voltada para o vestibular, o ENEM e o mercado de trabalho.
D2 salientou que, até então, os documentos não era uma grande preocupação sua “[...]
eu não me vejo muito como um professor muito ligado a isso, porque pra mim a questão do conteúdo é consequência de uma dinâmica de aula mais da relação [com os alunos]”. Mas começou a sentir necessidade de conhecê-lo, quando ele e o professor de História iniciaram uma conversa sobre criarem projetos mais interdisciplinares em 2018.
Realmente, como exposto anteriormente, nas aulas de D2 foi possível observar que aconteciam diálogos com as turmas para a escolha dos conteúdos, momento em que organizavam as Ementas. Porém, como ele mesmo ressaltou, havia nessa construção uma influência dele e dos livros didáticos. D2, ao falar sobre isso, também voltou a fazer menção aos conceitos, o que já havia aparecido nas suas respostas ao questionário e na sua Ementa, disponibilizada pela secretaria.
O que eu tentei trabalhar que eu vi que tinha correlação com o que faltava para eles no livro didático e o que eles trouxeram, porque eu também trabalhei muito o que eles trouxeram... [...]E aí eles sempre traziam algumas coisas, então, eu tentei trabalhar muito o conceito de território, o conceito de redes e, nessa parte final, trabalhei muito a questão urbana em geral, em vários aspectos, muito porque eles trouxeram isso também, e agora trabalhei a ideia de globalização, passei até um documentário do Milton Santos (D2).
Em uma das aulas observadas, foi trabalhado o conceito de rede, entretanto se observou que, embora fosse um conceito geográfico, seu modo de abordagem pelo professor não foi atrelado ao raciocínio espacial. Sobre o conceito de território, D2 falou:
Acaba que, na verdade, a reflexão deles vai muito mais com relação à vivência que eles têm, da ideia que eles fazem desse conceito, por exemplo, o conceito de território é um conceito que eu vi que eles conseguem sacar bem, principalmente, essa relação território e cultura é uma coisa que para eles é muito mais próxima.
Então, acaba vindo muito da vivência deles também, eu não tenho, por exemplo, uma ideia de grade sistematizada que me guie, não vejo minhas aulas assim dentro disso, nem nego a importância [...] (D2).
Eu acho que o Fundamental 2, pelo menos pra mim, ainda não tem essa necessidade de um aprofundamento conceitual e teórico, eu tento trabalhar sempre a relação daquilo do conceito que a gente está dando com a realidade deles e, principalmente, o que eles trazem da compreensão daquele conceito (D2).
Isso demonstra, assim como a observação das suas aulas, que a discussão ficava muitas vezes apenas na vivência dos alunos. Quando o professor formulou essa explicação em relação ao território, ele fez uma menção ao conceito cotidiano que os discentes possuíam.
Cabe a ele intervir de modo que esses conceitos se tornem científicos (CAVALCANTI, 2012). No caso do pensamento geográfico, essa linguagem, esse conceito científico deve estar atrelado a uma reflexão espacializada dos fenômenos. Na entrevista, assim como nas suas Ementas, o professor também citou outros conceitos, como urbanização, conflito, industrialização e consumo, todavia esses são conceitos abordados por todas as ciências humanas, não sendo necessariamente da Geografia.
D2, em nenhum momento da pesquisa, expressou a noção de espacialidade e, quando questionado sobre a importância da Geografia na educação dos estudantes, disse:
Eu acho que as disciplinas de Humanas em geral são disciplinas que trazem mais a questão da reflexão, desse olhar para os problemas da cidade. [...] Eu acho que os alunos da Escola Nossa são muito próximos das disciplinas de Humanas, mesmo os que não gostam tanto, eu acho que têm, não sei, uma forma de ver o mundo, vamos dizer assim, que tem uma proximidade com as disciplinas de Humanas: Geografia, História, Filosofia, enfim. Eu acho que a colaboração que traz é isso: são alunos mais reflexivos que olham mais para a sua realidade, que pensam mais a vida em sociedade, que têm essa coisa forte da construção coletiva. [...] nesse sentido de pessoas mais humanas que olham para o outro, que têm uma preocupação com a sociedade. Eu percebo isso e talvez isso seja uma influência das disciplinas de Humanas e também dessa filosofia do colégio de estar sempre se voltando para a sociedade. Eles têm, por exemplo, muito uma ideia de consciência ambiental, aí nem tem muito a ver com a aula de Geografia, porque a gente nem abordou muito esses temas, mas é uma coisa do colégio também, eles trazem muito isso (D2).
Nota-se que a sua resposta não foi sobre a Geografia, e sim, sobre a importância das ciências humanas. O que pode ser justificado pelo fato do professor não ser geógrafo, mas ter uma graduação na área de humanas.
Já P3, em relação aos conceitos, disse:
Eu tento colocar ele na instrumentalização do conteúdo, o conteúdo que a gente tenta trabalhar e a partir dele, eu uso o conceito, mas muito mais para trabalhar algo que está na realidade concreta deles para reportar... de vez em quando, eu consigo sim fazer uma pergunta com base no conceito. Mas, obviamente, eles não têm uma formação do conceito prévia, geralmente, eles trazem uma interpretação do conceito vinda dos veículos de comunicação, de como as pessoas usam, uma coisa mais comum assim, mas mesmo assim vale a pena fazer uma pergunta utilizando esse termo do conceito, porque, primeiro, ele vai exercer um momento sobre aquele conceito e às vezes pós-aula, acho que não no início ou durante a aula, mas pós-aula talvez ele até aprimore um pouco o que ele achava, às vezes ele vai precisar usar também. Não adianta só o professor chegar, fazer o uso do conceito no seu entendimento, porque tem ali uma combinação de definições, porque vai ver ele não pegou a definição só de um autor, vai ver ele tem um entendimento combinado de um autor com outro e aí você não tem como cobrar que aquele aluno tenha isso.
Você pode fazer que ele exerça a instrumentalização daquele conceito (P3).
Realmente, assim como exposto nessa resposta, durante as observações das aulas de P3, foi possível perceber que na sua linguagem, em meio ao diálogo com os alunos, os
conceitos geográficos estavam presentes. Espontaneamente, o professor articulava-os e trazia em suas ideias a noção de espacialidade dos fenômenos. Nessa resposta, é possível perceber também que P3 possuía a noção de conceito cotidiano, quando falou que os alunos adquiriam esses conceitos em suas vivências, e conceito científico, quando mencionou que seu entendimento se dá a partir de vários autores. Porém, como suas aulas eram sempre expositivas e dialógicas, não foi possível perceber momentos em que ele tinha a intenção de sistematizar os conhecimentos abordados com os alunos.
A noção da importância do pensamento geográfico relacionada à espacialidade apareceu na resposta de P3 ao questionário e, também, durante a entrevista. O professor falou:
[...] a Geografia contribui eu acho, porque se você está trabalhando com espaço social, você precisa trabalhar com a diversidade que é incorporada, que é materializada naquele espaço e da desigualdade também. Eu acho que a Geografia consegue trazer a desigualdade para o plano espacial e chama atenção para você ter uma boa distinção entre aquilo que é desigual e aquilo que é diferente (P3).
E acho que não tem como não falar aqui que é um conteúdo importante pra vida deles, você precisa ter esse nível de entendimento da Geografia pra você ter uma maturidade para interagir com as pessoas futuramente, para você passar no vestibular, para você ter um deslocamento no espaço mais tranquilo, que você seja mais autoconsciente do que você está fazendo no espaço, você ter um grau de consciência nas suas atitudes, porque elas interferem e onde você vai se localizar também para não fazer besteira. A gente não fala sobre isso só por conta de segurança, a gente fala, sobretudo, porque a gente conhece muito pouco o Brasil, como é que você vai circular pelo Brasil se você não faz ideia de onde está pisando.
Então, acho que é um pouco pra isso: prepara para o amadurecimento das pessoas, mas acho que o principal é conseguir trazer esse discernimento sobre a diversidade e a desigualdade (P3).
P3, em todos os momentos da pesquisa, trouxe o raciocínio espacial. Nas aulas, essa elaboração apareceu no decorrer das suas explicações. No questionário e na entrevista, vinculou essa ideia à importância da Geografia, como demonstrado acima.
Em relação aos referenciais pedagógicos, o professor D2, diferente do que havia citado no questionário sobre a pedagogia libertária de Paulo Freire e as pedagogias alternativas do curso Amã que realizou, falou que usava muitos elementos da sua formação em Psicomotricidade relacional. Disse que a Educação é uma das principais aplicações dessa área, pois ela lida com as relações entre professor, aluno e entre um grupo no processo de ensino e aprendizagem. D2 contou ainda que, influenciado por essa formação, realizou algumas dinâmicas de corpo nas turmas e que os resultados foram muito positivos, pois os alunos se mostraram mais interessados em realizar os trabalhos e mais unidos. E, assim como nas observações das suas aulas, refirmou sua preocupação em trabalhar o atitudinal dos estudantes.
P3, da mesma forma como no questionário, citou Paulo Freire e Gramsci como referenciais da Educação Popular, Roseli Caldart como uma referência da Educação do Campo, mas também mencionou Vygotsky e pela primeira vez Saviani. Sobre a Educação Popular, falou que tinha consciência de que ela precisava chegar às camadas mais abandonadas da sociedade, mas que essa prática tinha que ser exercida em todas as escolas e não apenas nas que eram públicas. De fato, suas aulas eram dialógicas e constantemente eram feitas referências às problemáticas sociais, como ele mesmo aponta:
[...] mas o que eu gosto é da interação em si, porque ali eu consigo ver com mais facilidade como cada um está se apropriando. Mesmo aquele aluno que não é muito de falar, ele soltou duas ou três palavras, já tem alguma noção. Já ficam mais confortáveis do que só colocar no quadro sem nenhuma interação, reflexão. É a parte que eu mais gosto (P3).
Eu acho que o conteúdo básico é dado, eu trabalho muito bem isso, mas onde eu posso apontar acréscimos de temas, de questionamentos, de reflexões mesmo que eu absorvi e quero trazer, porque eu acho que cabe naquela hora (P3).
Essa resposta esclarece que o professor tinha consciência do seu propósito com a prática dialógica e, de acordo com ele, através dela conseguia visualizar a apropriação dos conhecimentos por parte dos alunos. Com certeza essa prática tem seus méritos, como dar voz aos discentes e refletir sobre suas realidades. No entanto, uma sugestão seria realizar outras práticas com o auxílio de outros recursos didáticos, como vídeos, exercícios, textos, reportagens e mapas, sistematizando o conhecimento de formas variadas e trabalhando o atitudinal dos estudantes de diferentes maneiras.
Em relação aos referenciais da Geografia, ambos os professores citaram Milton Santos e David Harvey. P3 ainda citou Ruy Moreira, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Aziz Ab’Saber e D2 citou Carlos Bernardo Vainer que, de acordo com ele, embora não fosse geógrafo, foi seu orientador. Já em relação aos referenciais específicos do ensino de Geografia, nenhum dos dois docentes soube mencionar. P3 se referiu apenas às aulas de uma professora de Geografia da Faculdade de Educação da UFF, mas não relatou nenhuma especificidade sobre isso.
É bastante expressivo que os professores não tenham informações sobre quem são os geógrafos que realizam pesquisas voltadas para o ensino na educação básica. Isso porque são autores que trazem contribuições importantes, como as expostas nesta pesquisa, ou seja, a importância do pensamento espacial, do pensamento teórico e conceitual, das metodologias de ensino, da formulação dos currículos e outras. Mesmo que o acesso aos conhecimentos produzidos por esses cientistas não seja a garantia de mudanças e melhorias nas práticas dos docentes, eles possibilitam reflexões e elaborações que permitem uma maior consciência dos significados das metodologias do professor em sala de aula.