• Nenhum resultado encontrado

As lâmpadas a óleo

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 33-38)

Muitos tipos de combustíveis foram utilizados ao longo da história humana para gerar a luz. As civilizações antigas como os sumérios, assírios e babilônios faziam uso do petróleo bruto e asfalto, que emergia da terra por infiltrações em fraturas de rochas, na Mesopotâmia (atual Iraque) como combustível de iluminação, em 3.000 A.C. (PRICE, 2006; SECRETARIA DA EDUCAÇÃO(PR),2007).

O óleo de baleia foi introduzido, como combustível de iluminação no Brasil, nos idos de 1600 na tentativa de substituição do azeite de oliva, caro e de difícil obtenção, já que vinham de Portugal, como os demais produtos manufaturados. As

naus, trazendo as mercadorias, enfrentavam muitos meses no mar para aqui chegar. O uso de óleo de baleia, conhecido também como azeite de peixe, popularizou-se bastante, pois sua queima produzia um brilho forte que se mantinha duradouro. Mesmo não tendo um preço inferior ao azeite de oliva, era um produto que não precisava ser importado, uma vez que havia pesca da baleia em costas brasileiras. Uma próspera indústria local, da exploração de produtos retirados a partir desse animal, se desenvolvia na Colônia, a partir do século XVII,(DIAS, 2010).

O quadro 1.1 mostra algumas substâncias utilizadas para geração de luz ao longo da história.

Quadro 1.1 - Substâncias utilizadas na geração da luz ao longo da história

Combustíveis Origem Período

Gordura animais terrestres Rebanhos, caça Até o século XVIII

Cera de abelha Colméias

Óleo de vegetais Palma, côco, oliva, gergelim, nozes, rícino, terebinto

Alcatrão Carvão

Óleo ou azeite de animais marinhos

Baleias, tubarões gigantes e cachalotes, focas, peixes de águas frias

Até o século XIX

Querosene ou óleo de parafina

Petróleo(destilação) Fonte: CEPA, (2000).

A figura 1.4 mostra alguns exemplos de tipos de lâmpada a óleo, utilizados desde os tempos do Brasil colonial.

Figura 1.4 - a) Lamparina ou candeeiro a azeite .Fonte:www.t3.gstatic.com,2012; b) Lâmpada de azeite de baleia do Brasil - colônia .Fonte:portaldoprofessor.mec.gov .br, 2012;c) Lâmpada de óleo antiga.Fonte:www.conniesicottedesigns.com,(2012).

1.3.1 A lâmpada de “Argand”

Aimé Argand, químico e físico de origem suíça, em 1780, requereu a patente de uma lâmpada de óleo, que ficou conhecida como lâmpada de “Argand”. Seu invento tinha uma capacidade ampliada, produzindo uma luminosidade entre 6 e 10 velas, trazendo grande progresso aos modelos existentes de lâmpadas a óleo de chama aberta, proporcionando qualidade e segurança à iluminação doméstica.

Segundo Vilhena e Louro (1995), a lâmpada de Argand tinha uma estrutura que se compunha de um pavio circular, disposto no interior de uma chaminé de vidro, através da qual ascendia uma corrente de ar que favorecia a combustão. Essa inovação provia uma chama estável, de forte intensidade e sem muita fumaça, tendo sido empregada, com alguns melhoramentos técnicos, por mais de um século.

A fonte de combustível era agora encerrada em um receptáculo metálico, e o controle da velocidade da queima de combustível e da luminosidade eram feitos por um cilindro metálico ajustável. Um pouco mais dispendiosas, devido a sua estrutura mecânica mais intrincada, fizeram presença, de início, nas classes mais privilegiadas, mas logo se popularizou, graças à qualidade de seu desempenho.

A figura 1.5 ilustra desenhos esquemáticos e fotografias de exemplos de lâmpadas de Argand.

Figura 1.5 – Lâmpadas de Argand (a) Diagrama de partes; (b)Protótipo. Fonte:www.

museudalampada.com.br,(2012) ; (c)Par em modelo “Eagle” doméstico decorativo.

Fonte:www.portuguese.alibaba.com,(2012).

1.3.2 Lâmpadas de querosene

A lâmpada de querosene já era conhecida no século IX, no califado Abbasid, do antigo império persa, tendo sido descrita primeiramente, pelo polímata e médico persa Muhammad ibn Zaccharyia Razi, de Bagdá, como a "naffatah", em seu Kitab al-Asrar (Livro dos segredos), empregada para iluminação e aquecimento. No ano 925 D.C., constam em registros que os muçulmanos, já destilavam o petróleo, obtendo o querosene. (WWW.WEBSTERS-ONLINE-DICTIONARY.ORG, 2012).

O querosene, um combustível resultante da destilação fracionada do petróleo (entre 150°C e 300°C), apresentava-se como um produto vantajoso, de atrativo valor comercial. A composição do produto é de hidrocarbonetos parafínicos (70%

mínimos), aromáticos (20% máximos) e olefínicos (5% máximos).

Com o intuito de substituir o azeite ou óleo de baleia como fonte energética mais barata na iluminação, o querosene ou óleo de parafina, foi introduzido, na Alemanha, em 1853. Em 1856, já iluminava as casas em Nova York. Em 1859, o petróleo foi encontrado no estado americano da Pensilvânia, por E.L.Drake. O querosene dominou então rapidamente o mercado, como uma opção barata, que produzia uma chama mais intensa e menos fuligem, sendo usado na iluminação pública. Uma das vantagens desse novo combustível era o reaproveitamento das antigas lâmpadas de óleo anteriormente utilizadas para azeite de peixe (figura 1.6).

Figura 1.6. Lâmpada a querosene.

Fonte:www.lightinthebox.com/pt/, 2013.

Apesar das vantagens econômicas e químico-energéticas do querosene, era um composto perigoso. Seus vapores ao se combinarem com o ar davam origem a misturas explosivas, deflagrando incêndios. (CLARKE, 1884). Além do risco de incêndios, o querosene trazia riscos à saúde humana, pela inalação de seus vapores perniciosos em seu manuseio. De acordo com SCHIO(2001), “a inalação de vapores produz irritação de vias respiratórias, cefaléia, náuseas, vômitos, depressão do sistema nervoso central (narcose), alterações de performance psicomotora”.

O surgimento da lâmpada elétrica comercial fez o consumo do querosene cair bastante em áreas servidas pela eletricidade. As lâmpadas de querosene ainda continuam a ser utilizadas em nações, onde há o isolamento e pobreza. Segundo o Banco Mundial, em 2009, estimava-se haver cerca de 1,6 bilhões de pessoas no mundo vivendo sem eletricidade (WORLD BANK, 2009). O uso de lâmpadas de querosene é amplamente difundido em áreas rurais da África e Ásia, onde não existe eletricidade ou é cara para o cidadão. O consumo estimado é de bilhões de litros desse combustível por ano o que dá um equivalente de 1,3 milhões de barris de óleo por dia.

Outros derivados do petróleo ainda são muito procurados para a iluminação em áreas rurais e carentes, entre eles estão a gasolina, o diesel, o biodiesel.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 33-38)