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CAPITULO 3 PESQUISA: RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 As mulheres

Segundo a Junior (2018), em média 10% das mamografias de rastreamento apresentarão alguma anormalidade, 20% delas requerendo análise citológica ou histológica (biópsia), que neste trabalho foi utilizado como forma de coleta de material a PAAF para citologia e a core biopsy para histologia. Exemplifica que em uma população com 10.000 mulheres em idade de realização de mamografia (acima 40 anos), o rastreamento do câncer de mama gerará 200 biópsias por ano e que mulheres sintomáticas (não de rastreamento), também muitas vezes precisarão de biópsia.

Uma possível descoberta ou a possibilidade de neoplasia pode abalar intensamente a identidade da mulher, dado a mama ser um órgão que está relacionado à feminilidade, ao prazer, sensualidade, diferença de sexos,

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sexualidade, além de estar intensamente ligada à maternidade, uma vez ser fonte de alimento para o bebê, conforme retrata Santana e Peres (2013). O que apesar de ter sido realizado a categorização dos desenhos e colocado em grupos de possíveis sentimentos, não resta dúvida que esse processo é individual, singular para cada uma das mulheres que participaram do estudo.

O olhar de cada uma traz a sua visão, ímpar, mostrando que na nossa cultura ocidental, todo esse universo relacionado as possíveis doenças mamárias de alguma forma se entrelaçam, se identificam, por isso a possibilidade dessa categorização. Neste momento trago a citação de uma parábola do livro de Geertz (2015) , a vida entre os antros:

“Um barco a remos, amarrado à margem de um rio, cala na água.

Nele entram, um após o outro(conforme recordo), um gordo policial, um general grande coberto de medalhas, uma enorma senhora e um pomposo capitalista, e o barco afundando cada vez mais, com água até as bordas, enquanto embarcavam. Finalmente, um clérigo, magro como um trilho, entra e o barco finalmente afunda. Os outros todos apontam para ele: “Ele é o culpado! Foi ele quem provocou o desastre!”(GEERTZ, 2015, p.148).

A visão inicial de possíveis culpados, muitas vezes necessita de um olhar crítico, tempo para compreensão e algumas vezes intervenções de profissionais que proporcionem a relação com outras mulheres que tenham a comorbidade, profissionais estes que por terem conhecimento técnico e tempo para refletir sobre esse processo vivido com cada uma das pacientes, podem auxiliar no enfrentamento de sentimentos de finitude, reintegração familiar, melhora da percepção do “se sentir sozinha”, amparado na humanização de todo esse percurso.

O sistema de saúde deve ser vivido cotidianamente como uma narrativa em construção, tendo a participação dessas mulheres, oportunizando, em consultas, por exemplo, que o novo venha à tona, certamente não se mostrando uma tarefa fácil, esse tipo de abordagem abre para o inusitado pode sofrer interferência do já previamente planejado em uma consulta (anamnese, exame físico, solicitação de possíveis exames complementares), implicando na dinâmica atual vivênciada no cotidiano e relembrando dessa complexidade das relações estabelecidas com cada mulher.

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Vale reforçar que o tempo para atendimentos costumam ser curtos, em uma rede de assistência pública, devido ao grande volume de pacientes, mas essa justificativa, não deve tornar inválida a necessidade dessa participação e da construção necessária para cada grupo social, respeitando suas crenças, e repertório cultural dessas mulheres com suas diversas linguagens.

As mulheres que participaram dessa pesquisa, mostraram-se solicitas a atividade de modo geral. Foram mulheres de diferentes idades sendo a mais velha com 68 anos e mais nova com 22 anos. Tendo como média de idade 43 anos.

Somente uma não apresentava nenhuma religião. Dez mulheres oriundas de outros Estados, ou seja, 33 % dessas mulheres. Demonstra no presente estudo que 46%

dessas mulheres não identificam amigas para conversar, e que quando referenciam amizade é do núcleo familiar. Observamos nas seguintes falas citadas:

Paciente 4 :“Hum, mais ou menos. É que num, amiga, amiga a gente nunca tem né”.

Paciente 8: “Moro sozinha”....” Minha irmã, que tá comigo agora”.

Paciente 10: ”Três anos que eu tô aqui, até você fazer uma amizade demora um pouquinho né”.

Paciente 11: “Assim, não só conversa normal, porque na minha rua todo mundo tá trocando de casa”.

Fala paciente 12: “Agora tem um pouquinho assim, bom dia boa tarde. Não sou muito chegada”.

Paciente 16: “Tem conhecidos, mas meus amigos tão em São Paulo”.

Paciente 18: “Pessoas fechadas aqui”.

Paciente 20: “Geralmente assim amiga! Entre aspas, a gente...eu pra mim tinham meus pais e irmão”.

Paciente 28: “Não, tem assim pessoas da igreja né, que eu vou...ah, que conheço né, não é amigos, mas eu conheço assim”.

49 Quadro 1 – Dados das Informantes

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Fonte: Delgado (2019)

Conforme o quadro elaborado acima, as informantes são oriundas de Santa Catarina e de outros estados do país tais como: Maranhão, Pará, Curitiba e outros.

Conforme, Granada (2017) observamos um aumento significativo de pessoas que deixam os seus países ou estados devido às facilidades proporcionadas pelos avanços tecnológicos, estes reduzem os custos de transporte e facilitam a comunicação e os espaços geográficos, facilitando as relações, proporcionando a queda de barreiras de circulação, aumentando o fluxo de bens, serviços, capital, conhecimento e ideias. Nessa região essas mulheres vêm acompanhando seus familiares, em busca de empregos e melhores condições de vida.

Granada (2017), explica que os fluxos migratórios devem ser entendidos no contexto da diversidade, globalização e internacionalização dos mercados de trabalho, cita que a inadequação de acolhimento e respeito a esses imigrantes, já demonstram relatos no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde, no período entre 1937 e 1945, em função da “campanha de nacionalização” promovida pelo Estado Novo, onde o objetivo era a integração e caldeamento de todos os “alienígenas”, sendo algumas medidas tomada durante a campanha militar para a tarefa de nacionalização. Essas políticas de nacionalização também ocorreram em outras partes do Brasil, como em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, bem como 188 japoneses imigrantes nos anos de 1908 a 1942, vindos para fazendas no Estado de São Paulo, acusados de terem dificuldades de aculturação, e considerados risco para raça em formação.

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A precariedade de condições de acolhimento, exploração dos imigrantes haitianos observados: nos valores cobrados pelos aluguéis em residências frequentemente insalubres, além da fomentação pelos próprios moradores com relação a questão sanitária, impactam o processo migratório na saúde física e mental, considerando maus tratos em relação à falta de resolutividade administrativa, condições de moradia desumana, insuficiência de alimentos, formação de estereótipos e discriminação. Tudo relatado corroborando para um vazio existente entre as esferas do governo para atenção desta população preocupada a não auxiliar no acolhimento, temerosos com uma possível intensificação de fluxos (GRANADA, 2017).

Ainda segundo Granada (2017) os trabalhadores imigrantes estão mais expostos a trabalhos perigosos e menos saudáveis, sendo a eles impostos contratos menos seguros, temporários e com menor estabilidade no emprego, geralmente relacionados a serviços domésticos, na construção civil, hotelaria, atividades de limpeza, dentre outras atividades nos setores sensíveis em flutuações econômicas.

Segundo, Martin (2018) a cultura dos imigrantes, geralmente definida de uma forma superficial e estereotipada, demonstram que compartilham de outros modos de ver e viver o mundo, o que implica nas explicações, justificativas e sentimentos com relação a eles. Essa diferença demonstrada e explicitada pela língua, pelo sotaque, pelas vestimentas ou por determinados costumes e comportamentos, de modo geral pouco dizem sobre seu jeito de ver e interpretar o mundo.

Segundo Geertz (2001, p. 77) “as fronteiras sociais e culturais têm uma coincidência cada vez menores”, uma vez que a diversidade cultural está cada vez mais intrínseca dentro das próprias sociedades, organizando para que o confronto e as trocas sejam muito mais marcados nos processos da renovação cultural do que o foram no passado. Esse modo novo onde os outros já não se apresentam distantes e suas maneiras de ser e viver se desenvolvem entrecruzados aos nossos parece criar uma série de novos desafios.

A cultura geralmente está associada às manifestações artísticas, como teatro, artesanato, música, folclore, também podemos associá-la ao conhecimento. Assim sendo uma pessoa que tem “cultura” seria “culta” porque estudou muito, porém o conceito de cultura, principalmente na visão sociológica e antropológica, inclui a

53 primeira concepção, e aprimora e considera inverídica a segunda que trata apenas como conhecimento. Nesta visão a cultura refere-se a um sistema de significados e símbolos, compartilhados por membros de uma sociedade, que torna possível a vida em comum, compreende gestos, hábitos, sentimentos, tradições e maneiras.

Abrangendo tanto aspectos materiais como, objetos, tecnologia e símbolos, quanto imateriais, hábitos, ideias, crenças e valores (PAIXÃO, 2012).

Seguindo esse raciocínio tudo que sentimos, pensamos e fazemos nos é fornecido pela cultura. Dessa forma o aspecto de cultura ressalta o aspecto do compartilhamento. Aspectos, significados, valores e símbolos compartilhados é o que se refere à cultura nesse contexto. A predominância dessas mulheres ao aspecto religioso, valorizando a família, sentido isoladas ou sozinhas, podemos observar que nesse núcleo pesquisado, mantêm um perfil cultural.

Não sendo esses elementos transmitidos geneticamente e sim compartilhados e aprendidos, observamos que as entrevistadas de outros estados referem essa dificuldade de inserção, já que deslocam trazendo seus aspectos culturais e ocorrendo essa estranheza com outro estilo de cultura conforme a fala da paciente 12:

“Muito diferente! Porque aqui é um lugar sossegado, calmo e lá é muito agitado”.

“É diferente, aqui é mais bom dia boa tarde e não sou muito chegada. Lá é um país que eles...não quer saber, não que saber, não tem café na porta (risos) aqui eles são mais social”.

Os grupos sociais se identificam como tais e se definem pelas crenças, valores e significados que dividem, em resumo pela cultura que têm. A cultura de um país, de um povo ou de um grupo, é como se fosse uma colcha de retalhos, onde cada pedacinho traz um elemento próprio ou emprestado de outra cultura. Dessa forma os padrões de comportamento de uma cultura são sempre estranhos às pessoas que dela não compartilham. O que torna difícil para as mulheres que se deslocam para esse estado se identificar com modos diversos, ao passo que aos que recebem compreender o jeito diferente e gostos, crenças e hábitos dos que chegam (PAIXÃO, 2012).

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Contudo nesse mundo globalizado, cada vez mais a tendência de entremear de culturas, através da tecnologia e possibilidade de comunicações com diversos

“mundos”, desenvolvendo uma dinâmica de mudanças de gerações. O consumo globalizado influência de diversas formas a vida das pessoas, construindo novos hábitos, gostos, e costumes esses criados em detrimento dos antigos. Os jovens por exemplo, conforme cita Paixão (2012) apresentavam práticas diversas com relação aos relacionamentos, namoravam, com o tempo, outra geração mudou a dinâmica de se relacionar e construíram o “ficar” mudando a forma de relações pessoais, o que seria impensável alguns tempos atrás.

Entender a dinâmica da cultura se faz importante para aceitar diferenças entre as gerações, essa diferença entre grupos de uma mesma cultura e entre diferentes culturas. Tudo que o homem observa que afasta da sua cultura, ele tende a tornar a visão depreciativa, pois não é o “normal”.

A possibilidade de união e identificação de mulheres em um ambiente de saúde pode facilitar a quebra de preconceitos com relação aos migrantes e auxiliar na troca de culturas, ampliando o conhecer de novas possibilidades de aplicações de programas e integração a saúde de todos. Oportunizando o compartilhamento nesses espaços de atendimentos, possamos, talvez, desmitificar esses padrões culturais e de comportamento diverso, diminuindo dessa forma a estranheza pelos que estão no território, já que essas não compartilham das culturas diversas oriundas dos migrantes.

Durante a entrevista algumas participantes desmostraram um grato relato de um bom atendimento, na questão da saúde comparada ao estado que uma das entrevistadas origina. Mas de modo geral, independente da migração, o sentimento de isolamento é referido.

O dispensar atenção demonstrando satisfação com o atendimento pelas pacientes, juntamente com a atitude solidária percebida reduz o sentimento de isolamento conforme já demonstrado em estudo realizado por Miranda, Feliciano, Sampaio (2020).

Analiso que a integração dos profissionais da saúde, junto a esses acompanhamentos migratórios, ofertados pelos municípios através de cursos de capacitações culturais, fazendo dessa forma a integração das diferentes culturas,

55 estruturando ambientes que busquem o acolher dessas pacientes, buscando a superação dos desafios no processo de inclusão. Conhecer as especificidades próprias a esses grupos que provavelmente auxiliariam na tarefa do cuidado (MARTIN, GOLDBERG e SILVEIRA, 2018).

Para Godinho e Koch (2004) o médico deve exercer não somente atividade assistencial, mas tem papel educativo, fornecendo à população informações que lhe sejam úteis na prevenção, controle e combate das enfermidades, incluo aqui a importância de que esse profissional seja empático, capaz de obter o entendimento pleno da perspectiva do próximo.

A diversidade cultural encontra-se cada vez mais presente, envolvida na relação profissional-paciente, profissional-profissional e profissional –acadêmicos, conforme Cotta Filho (2020), nesse contexto no qual o fluxo de pessoas se torna cada vez mais intensificado e diversificado, novas complexidades surgem para os serviços. Conforme Losco e Gema (2020) presença de pessoas oriundas de países distintos, com hábitos culturais diversos e com diferentes formas de compreender o processo de saúde-doença, traz demandas diferenciadas para a atuação dos profissionais de saúde. Entende a pesquisadora que enquanto agente promotora de saúde deve estar atenta a essa dinamicidade existente no serviço e atualização com relação as diferentes formas de comunicação devida a diversidade cultural, fazendo com que esse fluxo migratório não atrapalhe a atenção do ser humano que busca o atendimento.

Como posto por Lussi (2015) a desigualdade se previne com equidade e não se combate com igualdade. Muitos migrantes não conseguem alcançar um nível satisfatório de bem-estar: financeiro, físico, laboral, comunitário e social.

Na entrevista pode-ser observar que 50% das mulheres são casadas e com filhos, como apresenta no quadro acima. Ademais no processo de entrevista é percepitível o apoio dos familiares nas seguintes falas:

Paciente 2: “...nos entendemos muito bem graças a Deus, são 20 anos de casados, mas nunca nos dessedentemos sempre conversando, tanto é que ele está presente comigo agora veio me trazer aqui e sempre que preciso, também me acalmando que temos que ir atrás buscar”.

Paciente 5: “Ele trabalha embarcado, então é uma semana em casa e vinte dias no mar, mas sempre que tá em casa é um ótimo

56 companheiro”.

Paciente 7; “Bem unida, todo mundo ajuda o outro, na doença, na riqueza, na pobreza (risos) todo mundo junto”.

Paciente 13: “Sim. Como eu fui na dele, ele é na minha, porque ele também teve câncer né”.

Demonstra que as pacientes apresentam diversas necessidades de cuidado que mudam de acordo com sua condição e sua trajetória, conforme refere Moreno- Gonzales, Salazar-mayar e Tejada-tayabas (2018), onde o cuidado é uma atividade complexa que se transforma com o tempo, e é fundamental para a subsistência e o desenvolvimento do ser humano.

A família é a fonte primordial dos cuidados quando algum de seus integrantes se vê acometido por alguma doença, principalmente nos casos de doenças crônicas, aquelas que são permanentes e com tendência a deterioração da pessoa afetada.

A figura do cuidador requer deste, uma participação sincera e carinhosa e não só a realização de possíveis procedimentos técnicos nesse cuidado. Conforme reforça Moreno-Gonzales, Salazar-mayar e Tejada-tayabas (2018), necessita ter conhecimento da enfermidade, cuidado técnico, apoio emocional, reconhecer sua função e trabalhar, precisa ser sensível as questões que a paciente apresenta, espiritualidade e religiosidade é uma tendência na busca de respostas em algo divino, onde os cuidadores e seus familiares confiam e tem fé. Existe uma busca de um significado da possível doença e a fortaleza para enfrentá-lo.

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Figura 1: Perfil escolar das informantes

Fonte: Delgado (2019)

Com relação a escolaridade observamos que 26% apresentam superior completo, são mulheres ativas mesmo as aposentadas recorrem a alguma atividade profissional, conforme falas a seguir:

Paciente 2: ”Eu sou aposentada, então, tipo assim...faço alguma coisa, sou manicure”.

Paciente 1: “Então a minha vida assim, me aposentei e fui obrigada a trabalhar de novo porque a minha aposentadoria e dele não dá, tem água, luz e contas que vem né”.

O diagrama acima apresenta nível de escolaridade das mulheres que participaram da pesquisa, demonstrando que a maioria tem ensino médio e superior completo, além disso, temos uma analfabeta.

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3. 2 Os desenhos e seus significados

As mulheres conseguiram em sua grande maioria expressar seus sentimentos através do desenho, algumas refletiram o que desenharam, ficaram receosas com possíveis críticas ao que fossem realizar, porém foram tranquilizadas com relação a isso. Trouxeram desenhos positivos como o que demonstra os desenhos das pacientes 1, paciente 5, 20, 24, desenhos de rosto alegre, palavras como confiante, esperança. Como pode ser visto nas figuras:

Figura 2: Confiança - Informante 1

Fonte: Delgado (2019)

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Figura 3: Vida - Informante 5

Fonte: Delgado (2019)

Figura 4:Esperança - Informante 20

Fonte: Fonte: Delgado (2019)

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Figura 5: Tranquilidade - Informante 24

Fonte: Delgado (2019)

A visão esperançosa com pensamento positivo, são estratégias que contribuem para enfrentar todo o processo da doença, ou possível doença iminente.

Conforme o desenho, percebemos a necessidade de repassar esperança e a decisão de serem positivas. Os desenhos positivos, considerados, ao ver da pesquisadora foram também estratégias que contribuíram no processo prévio da realização do procedimento. São desenhos que referem a busca do alegre, de uma possível tendência a normalidade. Contudo, por serem em boa parte migrantes, estas mulheres também referem uma parcela grande de solidão e saudades de suas terras de origem, alguns familiares que ficaram, etc.

Estes apoios sociais para diminuir essa solidão referida pelas pacientes podem surgir dos familiares, que interferem de forma positiva nos momentos de tensão. Amigos, conhecidos profissionais e pessoas ligadas a instituições diversas como os serviços de saúde, também podem ser parte deste rol de apoios, apesar de pouco mencionados, fazem parte (MORENO-GONZALES; SALAZAR-MAYAR;

TEJADA-TAYABAS, 2018)

Segundo estudo realizado por Quintana (2015) as mulheres migrantes são protagonistas de grande parte da mobilidade humana, sendo estas as principais provedoras de suas famílias no sentido de blindar-lhes um bem-estar econômico mesmo que custe a saúde emocional, psicológica e econômica. A pesquisa demonstra que as pacientes muitas vezes se calam, e percorrem solitariamente o

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caminho da investigação, colocam suas famílias como de maior importância, e negam o direito de submetê-los a um possível sofrimento, optando por carregar este possível “fardo” sozinhas.

Os migrantes desenvolvem um tipo distinto de autocuidado derivado da carência de apoio familiar e de outro tipo. Essa situação é algo frequente nos doentes que vivem sozinhos, principalmente em migrantes. Quando enfrentam a perda da saúde ou precisam passar por alguma situação que implique em auxílio de outras pessoas, tendem a buscar as redes sociais que permanecem nos círculos já formados, integrando dentro dos seus, o que forma um pequeno passo dentro dos da estabilização emotiva e social. Desenvolvendo dessa forma para o migrante o”

tecido social”, assegurando a vivência no meio (QUINTANA, 2015).

Nesse sentido, observamos que a pesquisa pode contribuir de forma significativa para diminuição do sofrimento emocional, oferecendo condições favoráveis ao desenvolvimento de laços de confiança com os profissionais da saúde que atuam no local em que se realizam os exames diagnósticos que estavam prestes a realizar.

Segundo Scardoelli e Waidman (2011) estamos nos tornando cada vez mais individualistas, mais isolados, afastados das pessoas que amamos, impedidos de dar e, até mesmo, de receber carinho e atenção dos que nos rodeiam, amigos ou familiares, devido à velocidade das mudanças, o aumento do índice de violência, e sobrecarga emocional e de funções. A promoção de uma escuta qualificada, em um momento como o retratado pela pesquisa, possibilita o diálogo com relação a esses sentimentos de isolamento e solidão, possibilitando a sensação momentânea, antes da realização do procedimento, de apoio e acolhimento.

O pensamento estabelecido é, pautado no que Scardoelli e Waidman (2011) propõe enquanto busca de novas práticas criativas e competentes para serem desenvolvidas buscando a promoção da saúde mental, utilizando estratégias e mecanismos para o enfrentamento do sofrimento, seja social ou emocional e fortalecer os vínculos e solidariedade entre as mulheres com a finalidade de comunitariamente encontrarem soluções para os problemas vivenciados coletivamente.

62 Durante a realização dos desenhos, se fez possível um processo e oportunidade de comunicação das mulheres com a profissional que faria seus exames. Sendo a elas propiciados um espaço de cuidado e acolhimento para que expressassem suas angústias e experiências vivenciadas naquel contexto. Ficou evidenciado o que descreve Scardoelli e Waidman (2011) de que o processo de adoecimento precisa utilizar-se da verbalização dos sentimentos e emoções que ficam escondidos e reprimidos, necessitando o desabafo, a confidencia, o partilhar de intimidades e segredos. A fala, o diálogo, a palavra acabam sendo um poderoso remédio e uma excelente terapia, entretanto, para algumas pessoas mais tímidas e caladas, a verbalização e o compartilhamento dessa dor pode ocorrer através de desenhos e com isto é possível facilitarmos uma diminuição das tensões geradas pela angústia e medo.

Nos desenhos obtidos, muitas das mulheres expressaram sentimentos de indagação e angústia com relação ao resultado dos exames, com desenhos como coração apertado, como a da paciente 02 e 06, e desenhos de rostos com aspecto assustado como representando pelas pacientes 04, 09 e 10. Como pode ser visto nas figuras:

Figura 6: Coração Apertado - Informante 2

Fonte: Delgado (2019)

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