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As vozes dos alunos

No documento Educação a distância (páginas 81-86)

Tomando por base tais definições, essas modalizações irão contribuir para o entendimento da avaliação empreendida pelos alunos em relação à atividade proposta na disciplina em questão, como exposto na introdução deste capítulo. Na próxima seção, trataremos da análise do corpus.

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sua formação em um espaço de educação a distância, atividades com caráter não virtual talvez não sejam rotineiras.

A segunda aluna relata que a experiência foi “altamente gratificante”, mas não especifica o que, de fato, foi satisfatório:

se a geração e análise dos dados ou o conhecimento adquirido. O que nos chama a atenção nesse segmento é o que Clot (2010), em outro contexto, denomina de “metamorfose do passado” – isto é, ao refletir sobre sua experiência na atividade de geração de da- dos, a aluna volta ao passado, mas reviver a experiência no mo- mento em que ela está relatando-a (respondendo à pergunta da professora) “só é possível ao olhar para adiante” (CLOT, 2010, p.

242), e por isso a aluna diz: “recorrerei sempre que necessário em minha vida acadêmica”. Destacamos, assim, a importância da atividade solicitada pela professora, de descrição da experiência vivida por seus alunos, uma vez que, por meio dela, eles puderam reviver o exercício com outros olhos, o que contribui ainda mais para sua aprendizagem.

Entretanto, os alunos avaliam não apenas a geração de dados, mas também o aprendizado que é proporcionado pela ati- vidade. Vejamos:

Nos excertos de Camila, Daniel e Ester, há novamente a presença de modalizações apreciativas: “de suma importância”,

“interessante”, “prazeroso” e “diferenciada”. Essas modalizações são utilizadas para qualificar a experiência da atividade e, por

A realização do mesmo foi de suma importância, pois adquiri novos conhecimentos acerca da análise do discurso. Foi interessante a coleta de dados por que se refere a algo do nosso cotidiano. (CAMILA).

Confesso que se tornou um trabalho interessante e prazeroso, facilitando o estudo e a compreensão sobre o tema abordado na aula. (DANIEL).

Observar e escutar a conversa com sentido em coleta de dados para a realização da atividade foi uma experiência diferenciada, [...] o conhecimento adquirido após o aprendizado é enriquecedor [...].

(ESTER).

conseguinte, a construção do conhecimento. Os alunos relatam que a atividade proposta foi significativa (“de suma importância”) para a aquisição de novos conhecimentos e para a assimilação da teoria que fora estudada anteriormente (“facilitando o estudo e a compreensão”).

A partir desses segmentos, retomamos o pensamento de Vygotsky (1998 [1934]) ao defender que nossas ações estão sem- pre permeadas por atitudes afetivas, sejam elas negativas ou po- sitivas, e que, quando estamos realizando algo que é importante para nós, as emoções são frequentemente mais profundas e sig- nificativas (OLIVEIRA, 1992). Assim, ao descreverem a atividade proposta pela professora, constatamos que os alunos demons- tram uma relação de afeto positiva com as atividades de geração e transcrição dos dados – relação esta marcada linguisticamente pelos adjetivos em negrito. Pontuamos, desse modo, a necessida- de de o professor – independentemente de o ambiente de forma- ção ser virtual ou presencial – proporcionar atividades significa- tivas para os estudantes, pois, concordando com Vygotsky (1998 [1934]), entendemos que, quanto mais significativas forem as atividades, maior poderá ser o envolvimento e a aprendizagem dos alunos. Vejamos a seguir o que mais os nossos colaboradores relatam acerca desse aprendizado:

A realização deste trabalho foi de grande proveito, [...]. Foi interessante a coleta de dados, pois estava voltado para interação verbal [...]. Foi importante o nosso aprofundamento na análise da conversação como também o estudo da conversa e da interação para construção do nosso autoconhecimento com uma nova visão, outro ponto fundamental foi da compreensão da organização geral da conversação que usamos no trabalho, como também os proce- dimentos de coleta de dados, sua transcrição e al- gumas estratégias que regem o funcionamento da fala que são imprescindíveis no nosso aprendizado.

(FABIANA).

A experiência foi interessante e inusitada, diferen- te porque sempre estamos a ouvir diversos diálogos, mas sem o objetivo de analisa-los, como a finalidade era a análise, o dialogo parece torna-se mais interes- sante. (GABRIELA).

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Ao avaliarem o processo de gravação da conversa para posterior análise, os alunos utilizam modalizações apreciativas (“interessante”, “inusitada”, “diferente”) para expressar os bene- fícios que tal metodologia pode proporcionar à sua aprendiza- gem. Por ser uma disciplina teórica, Linguística II requer que o professor, ao planejar as atividades que serão postadas na plata- forma do curso virtual, tenha em mente que exercícios práticos como este podem propiciar uma consolidação dos estudos, pois, como postulado por Dewey, é na prática que o aluno vai “[...] en- xergar, por si próprio e à sua maneira, as relações entre meios e métodos empregados e resultados atingidos” (DEWEY, 1974, p.

151 apud SCHÖN, 2000, p. 25). Esse fato fica evidenciado quando o aluno assevera que os procedimentos utilizados na atividade proposta foram “imprescindíveis” para o seu aprendizado. Ade- mais, os alunos também externaram a experiência de pesquisar exemplos reais de fala, como vemos a seguir:

Ao afirmarem que a atividade é caracterizada como um

“exemplo vivo da aprendizagem” e “uma experiência bastante rica”, os alunos mostram-se convencidos da necessidade de pro- postas como esta. Eles utilizam as modalizações apreciativas

“fantástica”, “significativa”, “criativos” e “rica” para assegurar que o aprendizado pode ocorrer de forma mais eficaz quando há uma atividade prática que utilize os conhecimentos estudados. A interatividade com os falantes também é mencionada como um

A experiência foi fantástica, a princípio, estava buscando uma conversa entre adolescentes ou crianças. O conteúdo é muito bom, faz com que a experiência do nosso cotidiano se transforme num exemplo vivo da aprendizagem. Tornando-a mais significativa. [...] Achei muito bom e também cria- tivo! (HELENA).

Foi uma experiência bastante rica. Ter um mo- mento de interatividade com pessoas de tanta ex- periência de vida, perceber suas opiniões a respeito da temática abordada, suas críticas e seus anseios.

Percebendo suas visões sobre o mundo em que vive- mos e ver no que diverge dos meus pensamentos e convicções. Muito bom poder constatar isso in loco.

(ISAAC).

fator estimulante para o exercício de análise, e poder constatar o que foi lido na teoria no momento da geração dos dados “in loco” faz com que a atividade cumpra seu propósito. Apesar das dificuldades iniciais, um dos alunos garante que esse foi um fator de incentivo à busca de novos conhecimentos:

Neste segmento, percebemos que o aluno utiliza as mo- dalizações pragmáticas “boa” e “incrível” para avaliar a experi- ência vivida e termina seu relato fazendo um trocadilho com a teoria estudada (Análise da Conversação) ao garantir que, “para ter uma boa leitura, é necessário ter uma boa conversação com os livros”.

Ademais, o aluno relata que a análise dos dados é consi- derada “difícil” por ser algo novo, mas em momento algum esse fato foi mencionado como limitador da busca por novos conhe- cimentos. Entendemos tal posicionamento, novamente, a partir de Vygotsky (1998 [1934]), uma vez que, pelo fato de o aluno estar envolvido na atividade, por esta se apresentar como significa- tiva para ele, a complexidade apresentada é recebida como um estímulo para adquirir novas competências, e não o contrário.

Nesse sentido, destacamos que o aluno parece, como postula Clot (2007) em outro contexto, não se “deixar levar pela emoção”, pela dificuldade encontrada. Segundo o autor, “é preciso aprender ‘a não se deixar levar’ pela emoção para ter condições de extrair dela os recursos do gesto” (CLOT, 2007, p. 32). No caso do nosso colaborador, portanto, acreditamos que ele não se deixa levar pela dificuldade para poder extrair dela aprendizagem.

Foi uma experiência incrível, [...] Agora na hora de fazer a análise, foi difícil, pesquisei no material da aula, na internet e em livros, diante de tantas pes- quisas, a experiência foi boa, pois, palavra que não conhecia, agora conheço, e descobri que para ter uma boa leitura, é necessário ter uma boa conversa- ção com os livros. (JÚLIA).

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