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Aspectos Ecológicos

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5. RESULTADOS e DISCUSSÕES

5.1. Aspectos Ecológicos

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Figura 4. Mapa de Uso e Cobertura do Solo da área de estudo, Itapoá (SC).

28 Foram criadas 7 classe diferentes de tipologias vegetais, levando-se em conta a resolução do CONAMA 261 de 30 de junho de 1999 (BRASIL, 1999), que diz que a vegetação de restinga compreende formações originalmente herbáceas, subarbustivas, arbustivas ou arbóreas, que podem ocorrer em mosaicos, sendo que a vegetação encontrada nas área de transição entre as restingas e as áreas de floresta ombrófila densa, igualmente será considerada como restinga, como também, as áreas de transição entre a restinga e o manguezal, bem como o manguezal e a floresta ombrófila densa, serão consideradas como manguezal.

Classe Ambiente Praial: pode-se afirmar que as praias arenosas apresentam-se como ambientes transicionais altamente dinâmicos e sensíveis, que constantemente ajustam-se as flutuações dos níveis de energias locais e sofrem retrabalhamento por processos eólicos, biológicos e hidráulicos, em escalas temporais variáveis. Abrange também um amplo espectro de modos de movimento, entre os quais se destacam as ondas geradas pelo vento, as correntes litorâneas, as oscilações de longo período e as marés. Respondendo a flutuações dos níveis de energia através de mudanças morfológicas e trocas de sedimentos com regiões adjacentes. As praias atuam como zonas tampão e protegem a costa da ação direta das energias do oceano, sendo esta sua principal função ambiental (HOEFEL, 1998). Neste caso, apresenta planície arenosa que abriga uma gama de organismos marinhos e terrestres decorrentes de uma dinâmica oceânica que tem como característica a sua relativa naturalidade e água costeira de qualidade, contendo um efluente costeiro oriundo da foz dos rios Saí-Mirim e Saí- Guaçu, como observado na Figura 5.

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Figura 5. Aspecto visual da Barra do Saí, Itapoá, SC.

Classe Manguezal Consorciado com Fragmentos de Floresta Ombrófila Densa e Restinga: foram consideradas dentro de uma mesma classe o ecossistema manguezal consorciado com fragmentos de floresta ombrófila densa e restinga, muito por conta da dificuldade no levantamento de informações, bem como na complexidade do ambiente analisado, sendo que, esta classe, ocupa 14% da área estudada.

A restinga (Formação Pioneira com Influência Marinha) é a formação vegetal predominante nos terrenos ondulados e arenosos da planície costeira, a qual, segundo Roderjan et al. (2002) pode ocupar os “cordões praiais” sobre antigas dunas ou como ambiente de transição entre os manguezais e a floresta ombrófila densa. Caracteriza-se por condições como a baixa capacidade de reter água e a baixa fertilidade do solo, aliadas a condições climáticas como a forte atuação dos ventos e dos raios solares causando intenso ressecamento e elevada precipitação de sais marinhos, tornam estes ambientes bastante hostis à colonização vegetal, de modo que somente plantas bem adaptadas colonizam e sobrevivem neste ambiente. A partir da área limitada pela abrangência da maré, a vegetação das praias é caracterizada por um pequeno grupo de plantas herbáceas, constituídas de gramíneas de raízes profundas e ciperáceas.

Tonhasca (2005) ainda afirma que a vegetação de restinga ocorre nas áreas planas e arenosas localizadas entre o oceano e as serras, onde o solo foi formado pelo acúmulo de sedimentos erodidos das rochas cristalinas e do material depositado pelo mar, como observado na Figura 6.

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Figura 6. Restinga localizada na margem do rio Saí-Mirim, próximo à sua desembocadura, Itapoá, SC.

Para o ambiente manguezal Schaeffer-Novelli et al (2000) afirma que os manguezais são partes de entidades complexas que envolvem vários níveis de observação e estão sujeitas a processos que ocorrem em uma ampla gama de escalas espaciais e temporais. O mangue refere-se ao tipo de vegetação encontrada nas áreas alagadiças litorâneas, na zona de transição entre a planície e o mar (TONHASCA, 2005). As plantas de mangue desenvolveram adaptações fisiológicas que as habilitaram a ocupar ambientes saturados de umidade e de alta salinidade e instabilidade do solo.

Afirma também que os nutrientes liberados pela decomposição das plantas juntamente com os oriundos dos rios e do oceano sustentam um grande número de crustáceos, peixes, aves e outros invertebrados.

Com a existência de uma mircro-bacia entre os rios Saí-Mirim e Saí-Guaçu pode-se observar uma ligação do manguezal entre as desembocaduras, formando um grande complexo estuarino, como observado na Figura 7 eFigura 8. Segundo ODUM (1979), a palavra “estuário”, refere-se a um desaguadouro de rio ou uma baía onde a salinidade é intermediaria entre o mar e a água doce, e onde a ação das marés constitui um importante regulador físico. Encontram-se diversas espécies adaptadas às condições ecológicas características desse ecossistema situando-se geralmente perpendicular à zona costeira. Apesar da importância desses sistemas não existe uma única definição

31 que abrange todos os estuários do mundo, sendo que, a gama de definições existentes, são devido ao fato da maioria delas serem dadas com base em características particulares de cada estuário (MEDEIROS, 1992).

Figura 7. Fauna característica de mangue do rio Saí-Mirim, Itapoá, SC.

Figura 8. Vegetação característica de manguezal encontrada na micro bacia entre os rios Saí-Mirim e Saí-Guaçu, Itapoá, SC.

Classe Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas: esta classe ocupa uma porção de 60% da área estudada. Segundo Veloso (1991) esta tipologia, geralmente,

32 apresenta um dossel não contínuo, entre 20 e 30 m, acima do qual sobressaem alguns indivíduos emergentes que podem atingir cerca de 40 m de altura. Abaixo deste dossel, situa-se um estrato arbóreo contínuo, representado pela grande maioria das árvores. Os estratos arbustivo e herbáceo apresentam-se mais ou menos desenvolvidos, dependendo da situação, condicionando trechos nos quais a locomoção se torna difícil e outros nos quais esta é feita com facilidade. As trepadeiras estão bem representadas, sendo que alguns indivíduos podem apresentar diâmetro superior a 10 cm, enquanto as epífitas, apesar de bem representadas, só exibem maior expressão sobre as árvores de grande porte ou nas proximidades dos cursos de água e nos trechos mais úmidos da floresta.

Sua fisionomia, estrutura e composição podem variar de acordo com o regime hídrico dos solos do estágio de desenvolvimento da floresta e do nível de interferência antrópica, como pode-se observar na Figura 9. Constituí, na planície litorânea uma das principais unidades tipológias, em razão de sua representatividade e diversidade florística elevada (Roderjan et al. 2002), como também, sendo a formação predominante na área de estudo, possuindo altíssima amplitude de distribuição na planície quaternária que se estende do Município de Guaratuba (PR), até o Rio Itapocú, na cidade de Jaraguá do Sul (SC) (NEGRELLE, 1995).

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Figura 9. Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas encontrada na área de estudo, Itapoá, SC..

Classe Floresta Ombrófila Densa Aluvial: esta classe ocupa 12% da área e trata- se de uma formação ribeirinha ou „floresta ciliar‟ que ocorre ao longo dos cursos de água ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias. Essa formação é constituída por espécies vegetais com alturas variando de 5 a 50 metros, de rápido crescimento, em geral de casca lisa, tronco cônico e raízes tabulares. Nessas florestas encontram-se muitas palmeiras no estrato dominado e na submata, havendo espécies que não ultrapassam os 5 metros de altura. Observa-se também algumas plantas não lenhosas na superfície do solo. Entretanto, a formação apresenta muitos cipós lenhosos e herbáceos, além de um grande número de epífitas (VELOSO, 1991).

Esta tipologia, na área de estudo, aparece na zona de transição entre o ecossistema manguezal e a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, bem como na região próxima as margens dos rios e da rodovia. Portanto, são locais alagados que

34 possuem as características necessárias para suportar este tipo de formação, como observado na Figura 10

Figura 10. Floresta Ombrófila Densa Aluvial, encontrada na margem do rio Saí- Mirim, Itapoá, SC.

Classe Área Urbanizada: esta classe constituí um total de 5% da área de estudo, sendo que existem quatro pontos de urbanização Três deles situam-se na margem da rodovia (Figura 11), e um apenas localizado por meio de fotografias aéreas

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Figura 11. Urbanização às margens do rio Saí-Mirim, Itapoá, SC.

Classe Solo Exposto: o solo exposto abrange 6% da área, e pode ser observado no setor noroeste da área, próximo às margens da rodovia, bem como na margem do rio Saí-Guaçu, área de uso especial definida pela prefeitura em seu Zoneamento Ecológico Econômico, porém desrespeitando o Código Florestal Brasileiro que institui Área de Preservação Permanente em uma distância de 50 metros da margem de rios que possuam de 10 a 50 metros de largura, com é o caso do Saí-Guaçu, observado na Figura 12.

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Figura 12. Solo exposto na região noroeste da área de estudo.

Classe Floresta Ombrófila Densa Alterada: ocupando um total de 3% da área alterada, trata-se de uma formação originalmente formada por Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, porém por consequência de ações antrópicas foi alterada gerando uma formação de sucessão. É observada unicamente na margem da rodovia, origem provável das alterações na formação original (Figura 13).

Figura 13. Floresta Ombrófila Densa Alterada, encontrada na margem da rodovia.

37 Para o auxílio das informações para a elaboração do mapa de uso e cobertura do solo, foram amostrados diversos pontos (Figura 14), os quais também foram registrados por meio de fotografias. Com posse destes dados, foi possível descrever as diferentes formações vegetais existentes nos limites da área de estudo, conforme Quadro 1.

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Figura 14. Pontos amostrais na área de estudo.

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Quadro 1. Descrição dos tipos vegetacionais do pontos #01 a #17.

Ponto

Amostral Características Aspecto Visual

#01

Ambiente com presença de floresta ombrófila densa aluvial, com predominância de espécies arbóreas de pequenos porte decorrente de indicações de solo encharcado, e presença de sub bosque, que resultam em uma densa mata ciliar.

#02

Ambiente constituído originalmente de floresta ombrófila densa aluvial, alterada pela retirada da vegetação e plantio de Pinus sp. Apresenta também clareiras bem definidas com domínio da Brachilaria sp. E Lírio do brejo (Convallaria majalis), este, nas partes mais encharcadas.

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#03

#04

#05

#06

Esses ambientes, de forma geral, apresentam vegetação original constituída de floresta ombrófila densa das terras baixas e aluvial, nas porções de solo mais úmido, intensificada pela drenagem da estrada que margeia. Nessa porção a floresta apresenta árvores de menor porte intercaladas com ambientes de clareias, apresentando domínio de Brachiaria sp.

#07

Ambiente originalmente constituído de floresta ombrófila densa aluvial, com predominância de espécies arbóreas de médio porte decorrente de solo encharcado, e presença de sub bosque, que resultam em uma densa mata ciliar. No entanto, em alguns trechos, essa mata ciliar se encontra alterada com presença de espécies exóticas, como Pinus sp. e ocupada por edificações

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#08

#09

#10

#11

#12

Paisagem caracterizada por manguezal alterado, com predominância de espécies oportunistas, ainda com ocorrência de ecossistema marisma e vegetação de transição (entre ecossistema manguezal e ecossistemas terrestres).

#13

#14

#15

#16

#17

Paisagem caracterizada por manguezal, apresentando concomitantemente espécies de transição, marisma e vegetação típica de dunas

Souza (1999) e Souza & Ângulo (2003) realizaram importantes estudos sobre a erosão costeira na praia de Itapoá e sobre a evolução de sua linha de costa. Na região compreendida entre as desembocaduras dos rios Saí-Mirim e Saí-Guaçu, que fazem a divisa da área de estudo, foram observadas variações na morfologia da costa associadas a migração da desembocadura do rio Saí-Mirim, sendo que esta, em alguns períodos alcançou a desembocadura do Rio Saí-Guaçu, como observado na Figura 15.

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Figura 15. Configuração da linha de costa na área de influência da desembocadura do rio Saí-Mirim entre os anos de 1957 e 1995.

Fonte: Souza (1999).

Desta forma, é possível afirmar que o complexo ambiente formado pelo ambiente manguezal, restinga e a Floresta Ombrófila Densa Aluvial, pode ser atribuído a esta variação da desembocadura do Rio Saí-Mirim. Porém, segundo Cruz (2010) entre os anos de 1995 e 2007, foram observadas poucas variações de posição de linha de costa, sendo que as principais mudanças referem-se à variação no grau de inflexão do esporão arenoso do rio Saí-Mirim, bem como na configuração da posição de bancos arenosos próximos à desembocadura deste rio. Enfim, estas informações podem subsidiar a formação deste ecossistema que ali se encontra, sendo recente a estabilização do ambiente.

43 Portanto é possível afirmar que a área de estudo trata-se de um complexo ambiente costeiro, possuindo diversos ecossistemas que merecem atenção especial para que possam estar sendo conservados e preservados com subsídio de leis.

No documento Rafael Fernando Mora.pdf - Univali (páginas 39-56)

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