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ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

No documento Ciência da Saúde no Mundo Contemporâneo (páginas 145-164)

PERCEPÇÃO DE GESTANTES E DE SEUS PARCEIROS

gestação. Portanto, sendo necessárias medidas e ações que promovam a efetiva participação paterna na assistência pré-natal.

Palavras-chave: Gestante; Paternidade; Cuidado Pré-natal.

ABSTRACT

This study aimed to identify the perception of managers and their partners about the inclusion and participation of men without prenatal care in a basic health unit in the city of Rio Branco, Acre. For this purpose, developed in a descriptive observational, cross-sectional study, with a quantitative approach, involving 55 pregnant women and their partners, which was carried out using an application of a questionnaire with questions about the socio-demographic, gynecological and obstetric characteristics of prenatal care and about perception regarding the inclusion of prenatal care. The data were not analyzed in the SPSS statistical program, version 20.0, they were not calculated as absolute frequencies and variations of the variables of interest. He observed that 52.7% of pregnant women were between 18 and 24 years old, 70.9% were stationary, 63.6% had completed high school, 76.4% did not engage in paid work, 52.7% reported family income of up to one minimum wage, 85.5% lived in the urban area, 94.5% were not smokers, 90.9% were not alcoholics, 54.5% were primary, 54.5% were in the first gestational trimester, 49.2% 1 to 2 prenatal consultations, 63.6% did not plan the pregnancy, 96.4% had a single pregnancy and 49.1% intended to have a cesarean delivery.

No perception of the partner's inclusion in prenatal consultations, 89.1% considered it supported by partners, 92.7% considered inclusion and paternal participation important and 80.0% knew the right to have non-prenatal care and childbirth. Regarding the profile of partners, 38.2% were between 18 and 24 years of age, 61.8% had high school, 65.5% were in high school, 63.6% had paid work and 41.8% received income from one monthly minimum wage. As for the perception of the partners regarding their inclusion in prenatal consultations, 63.6% have already participated in the consultations, 80.0% considered their inclusion and participation important, 54.5% reported difficulties in monitoring such as prenatal consultations and 81.8% knew that the right to accompany their partners during prenatal care and childbirth. Thus, the inclusion and participation in prenatal consultations were seen by pregnant women and their partners, as an important support tool during pregnancy.

Therefore, measures and actions those promote effective standard participation in prenatal care.

Keywords: Pregnant Women; Paternity; Prenatal Care.

1. INTRODUÇÃO

O período gestacional é uma etapa relevante na vida da mulher e de seu parceiro que exige uma série de mudanças psicológicas e afetivas de ambos. Além disso, a mulher ainda passa por alterações físicas e biológicas, devido ao gestar, parir e a preparação para a amamentação, assim, necessitando de cuidados e acompanhamento de saúde (CARDOSO et al., 2018).

Com a confirmação da gravidez deve ser iniciada a assistência pré-natal, tanto da gestante como de seu parceiro, pois é uma importante estratégia de atenção à saúde no

intuito de assegurar o desenvolvimento adequado da gestação e garantir um excelente prognóstico ao binômio mãe/filho (BRASIL, 2016a; COSTA et al., 2016a; GOMES;

CARVALHO FILHA; PORTELA, 2017).

No acompanhamento pré-natal devem ser realizadas condutas acolhedoras e humanizadas que promovam intervenções preventivas e terapêuticas com a atenção voltada para a detecção prévia de patologias e ocorrências de riscos gestacionais (BRASIL, 2016a).

Neste contexto, é importante a inserção do parceiro na assistência pré-natal, por promover envolvimento, apoio emocional e psicológico à gestante, bem como também estimular a formação do vínculo afetivo com o concepto e para que o homem possa ser preparado para o puerpério e cuidados com o bebê (BRASIL, 2016a; HENZ; MEDEIROS;

SALVADORI, 2017).

A identificação paterna é bem mais complexa de ser construída, pois o homem não vivencia no seu próprio corpo os processos da gestação, porém, é possível acompanhá-los através da participação nas consultas de pré-natal. Dessa maneira, de acordo com Política Nacional de Assistência Integral à Saúde do Homem (PNAISH), a inclusão do parceiro no pré-natal visa melhorar a atenção na saúde da mulher durante a gestação e parto, assim como promover a compreensão do homem sobre as mudanças emocionais e fisiológicas da gestante (BRASIL, 2016b; BALICA; AGUIAR, 2019).

Os principais benefícios da inserção do homem no pré-natal é reduzir complicações durante o trabalho de parto, maior adesão ao tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e outras doenças e estimular a paternidade (BRASIL, 2016b).

No Brasil, além da presença do parceiro durante todo o pré-natal, é garantido às parturientes, por meio da Lei nº 11.108/2005, o direito à presença e escolha de um acompanhante durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (BRASIL, 2005).

Contudo, a importância da presença do companheiro durante o pré-natal, ainda não é uma prática frequente na rotina das unidades de saúde. Dentre os principais motivos identificados para a baixa adesão, destacam-se: a falta de disponibilidade, interesse e tempo para acompanhar as consultas, o descrédito nos profissionais em saúde e o hábito dos homens de não buscar os serviços de saúde com frequência, assim promover a adesão do homem na unidade de saúde ainda é um desafio (HENZ; MEDEIROS; SALVADORI, 2017).

Considerando a relevância da participação do parceiro em todas as etapas do período gravídico-puerperal e a escassez de estudos sobre esta temática, torna-se importante conhecer a percepção que a gestante e seu parceiro tem sobre a inclusão deste no pré-natal,

do homem e melhorar a assistência na fase gestacional trazendo benefícios à gestante e ao concepto.

Dessa forma, o objetivo do estudo foi identificar a percepção de gestantes e de seus parceiros sobre a inclusão e participação do homem no atendimento pré-natal em uma unidade básica de saúde do município de Rio Branco, Acre.

2. MATERIAIS E MÉTODO

Tratou-se de um estudo observacional descritivo, de corte transversal, com abordagem quantitativa. Foi realizado em uma unidade de saúde de Rio Branco-AC, Brasil, composta por equipe uma multidisciplinar e que possui uma ampla área de abrangência no território adscrito.

O município de Rio Branco, capital do estado do Acre, está localizado na Amazônia Sul Ocidental (latitude: 9°58'26''S; longitude: 67°48'27''O), possui uma área territorial de 8.834,942 km² e população estimada em 407.319 habitantes no ano de 2019 (IBGE, 2020).

Para o cálculo amostral foi considerada a média mensal de mulheres que realizaram o acompanhamento pré-natal durante o primeiro semestre de 2019, cuja média de atendimentos foi de 100 gestantes ao mês, sendo considerado um intervalo de confiança de 95% e um percentual de margem de erro de 5%, o que determinou uma amostragem mínima de 55 gestantes e seus parceiros que foram convidados para participarem do estudo.

Foram incluídos, por conveniência, as gestantes e seus respectivos parceiros com idade igual ou superior a 18 anos, em acompanhamento pré-natal na referida unidade, em qualquer trimestre gestacional e que voluntariamente aceitaram participar das atividades e ações propostas, assinando o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Por sua vez, foram excluídos os que não tiveram condições físicas ou psicológicas para responderem o questionário.

A coleta de dados foi realizada na própria unidade de saúde no momento da procura por atendimento, nos meses de janeiro a fevereiro de 2020, por meio da aplicação de um questionário semiestruturado com perguntas sobre as características sociodemográficas, gestacionais e sobre a inclusão paterna na assistência pré-natal.

Os dados foram digitados e revisados no programa Microsoft® Office Excel 2016 e analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS)

versão 20.0, onde foram calculadas as frequências absolutas e relativas para as variáveis de interesse.

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UNINORTE e aprovado com o parecer número 3.777.821 e CAAE 24103619.4.0000.8028.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme a tabela 1, a maioria das gestantes estava na faixa etária de 18 a 24 anos de idade (52,7%). Esse resultado se assemelha ao encontrado em um estudo sobre o perfil de gestantes atendidas em São Luís (MA) no qual houve predomínio de mulheres na idade de 20 a 29 anos, com 42,0%(SOUZA et al., 2013). Porém, difere dos resultados de um estudo realizado no município de Cáceres (MT) em que a maior parte das participantes se encontrava na faixa etária entre 26 e 30 anos, com 44,0% (FERREIRA et al., 2014).

No que diz respeito à cor ou raça, 70,9% das participantes eram pardas (Tabela 1).

Resultado semelhante foi observado em um estudo realizado com gestantes atendidas em Aracaju (SE), onde 61,0% das mulheres se declararam como sendo pardas (SANTOS et al., 2017). Porém, em um estudo desenvolvido em Porto Alegre (RS) sobre a qualidade da assistência pré-natal identificou que a maioria das mulheres era de cor branca, com 54,3%

(GOMES; CÉSAR, 2013).

Quanto à escolaridade, 63,6% das entrevistadas tinham o ensino médio (Tabela 1).

De igual modo, em uma pesquisa realizada com gestantes acompanhadas em Mato Grosso, foi verificado que a maioria tinha concluído ou cursavam o ensino médio, com 72,7%

(CARDOSO et al., 2018). Outra pesquisa desenvolvida com gestantes de Maringá (PR) constatou que 56,0% das gestantes também tinham o ensino médio(SOUZA et al., 2019).

No que se refere à ocupação, 76,4% das gestantes não realizavam nenhum tipo de atividade remunerada (Tabela 1). Esse resultado corrobora com os achados de um estudo desenvolvido entre gestantes atendidas em Fortaleza (CE), no qual se evidenciou que 60,0%

das entrevistadas não tinham trabalho remunerado (HOLANDA et al., 2018). Em um estudo realizado em um hospital público na cidade de Picos (PI), os achados foram similares, na qual 91,6% das gestantes não tinham atividade remunerada (BARBOSA et al., 2017).

Tabela 1. Características sociodemográficas de gestantes submetidas à assistência pré- natal em uma unidade de saúde do município de Rio Branco, Acre, Brasil, 2020.

Variável N %

Faixa etária (anos)

18-24 29 52,7

25-29 15 27,3

35-40 09 16,4

>40 02 3,6

Cor/ Raça

Parda 39 70,9

Negra 03 5,5

Branca 07 12,7

Amarela 06 10,9

Escolaridade

Ensino Fundamental 06 10,9

Ensino Médio 35 63,6

Ensino Superior 14 25,5

Atividade remunerada

Sim 13 23,6

Não 42 76,4

Renda familiar mensal*

Sem renda 16 29,1

Até 1 SM 29 52,7

2 - 3 SM 08 14,5

≥ 4 SM 02 3,7

Local de moradia

Zona urbana 47 85,5

Zona rural 08 14,5

Total 55 100,0

Notas: *Valor do Salário Mínimo (SM) em 2020 = R$ 1.050,00.

No que diz respeito à renda, 52,7% das grávidas tinham renda familiar mensal de até um salário mínimo (Tabela 1). Em um estudo realizado na cidade de São Paulo (SP) se evidenciou que somente 12,3% das gestantes tinham renda familiar de até um salário mínimo, enquanto 39,8% recebiam entre um e dois salários mínimos(FONSECA; VISNARDI;

TRALDI, 2019). Dado semelhante foi encontrado em um estudo desenvolvido em São José dos Pinhais (PR), no qual 50,0% das entrevistadas referiram ter renda familiar de um a dois salários mínimos (TEIXEIRAet al., 2015).

Sabe-se que quanto maior o nível de escolaridade do casal, maior é a adesão da mulher ao pré-natal e a participação do homem durante o ciclo gravídico-puerperal (LIMA, 2014). O baixo nível de escolaridade associado às condições socioeconômicas desfavoráveis é considerado fator de risco para mãe e filho e devem ser observados no acompanhamento pré-natal, pois podem interferir diretamente no entendimento das

condutas que devem ser tomadas para manutenção da gestação no pré-parto, parto, pós- parto e puerpério adequados (TREVISANUTTO; SOUZA; CUNHA, 2018).

Com relação ao local de moradia, 85,5% das participantes residiam na zona urbana (Tabela 1). De modo similar, a maioria das gestantes atendidas no município de Gurupi (TO) morava na zona urbana, com 95,3% (SILVA et al., 2015). Assim como, 97,5% das gestantes atendidas em uma unidade de saúde de um município de Santa Catarina também moravam na zona urbana (FURLANETTO et al., 2016).

Com base na tabela 2, 94,5% das gestantes referiram não serem tabagistas. De igual modo, em estudo realizado em Sinop (MT) 95,0% das entrevistadas não eram fumantes (TREVISANUTTO; SOUZA; CUNHA, 2018). Semelhantemente, em Minas Gerais foi identificado que 92,2% das mulheres não fumavam (SANTOS et al., 2018).

Referente ao consumo de bebidas alcoólicas, 90,9% das participantes não eram etilistas (Tabela 2). Dado semelhante foi encontrado em uma pesquisa com gestantes de Porteirinha (MG) no qual se observou que 84,5% das entrevistadas não faziam uso de bebidas alcoólicas (DIAS et al., 2018). Assim como, na pesquisa realizada em Teresina (PI) em que 76,0% das mulheres referiram não serem etilistas (ARAÚJO et al., 2015).

Em relação ao histórico de gestações, 54,5% das mulheres eram primíparas (Tabela 2). Resultado que corrobora com achados do estudo desenvolvido entre gestantes atendidas em Fortaleza (CE) no qual se evidenciou que 87,8% das entrevistadas eram primigestas (HOLANDA et al., 2018). De maneira diferente, em um estudo para verificar desigualdades regionais no acesso e na qualidade da atenção ao pré-natal e ao parto nos serviços públicos de saúde no Brasil, 52,7% das mulheres eram multíparas (LEAL et al., 2020).

De modo geral, as mulheres durante sua primeira gestação podem desenvolvem medos e inseguranças com maior facilidade, necessitando de maior apoio emocional16. Portanto, é importante a inclusão do parceiro nesse processo, considerando que, reflete de modo direto na saúde da gestante, trazendo benefícios como segurança, apoio, estabelecimento de vínculo com a equipe de saúde e maior compreensão das mudanças biológicas e psicossociais que ocorre durante o período gestacional (QUEIROZ et al., 2019).

Conforme a tabela 2, 54,5% das gestantes estava no primeiro trimestre gestacional e 49,2% já haviam realizado de 1 a 2 consultas de pré-natal (Tabela 2). Diferentemente dos resultados de um estudo desenvolvido na cidade de São Paulo (SP), no qual 68,6%

realizaram mais de seis consultas com maior frequência de início do pré-natal no primeiro trimestre, com 85,2% (SANTOS et al., 2015). Assim como no estudo realizado em Porto

ou mais consultas de pré-natal e a maioria iniciou o pré-natal no primeiro trimestre (GOMES;

CÉSAR, 2013).

Tabela 2. Comportamento, características ginecológicas, obstétricas e da assistência pré-natal de gestantes de uma unidade de saúde do município de Rio Branco, Acre,

Brasil, 2020.

Variável N %

Tabagista

Sim 03 5,5

Não 52 94,5

Etilista

Sim 05 9,1

Não 50 90,9

Histórico de gestações

Primípara 30 54,5

Multípara 25 45,5

Trimestre gestacional

Primeiro 30 54,5

Segundo 13 21,9

Terceiro 12 23,6

Número de consultas de pré-natal

1 – 2 27 49,2

3 – 4 08 14,5

5 – 6 13 23,6

> 6 07 12,7

Planejamento da gestação

Sim 20 36,4

Não 35 63,6

Tipo de gestação

Única 53 96,4

Gemelar 02 3,6

Tipo de parto pretendido

Vaginal 18 32,7

Cesáreo 27 49,1

Sem preferência 10 18,2

Total 55 100,0

Para o acompanhamento pré-natal, minimamente adequado, o Ministério da Saúde recomenda a realização de no mínimo seis consultas de pré-natal, sendo, uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre de gestação (BRASIL, 2006).

Todavia, o baixo número de consultas encontrado neste estudo pode ser explicado pelo fato de que foram incluídas mulheres em todos os trimestres gestacionais, porém a maioria ainda estava no início da gestação, recebendo suas primeiras consultas de pré-natal.

Concernente ao planejamento da gravidez, 63,6% das gestações não foram planejadas (Tabela 2). De igual maneira, em uma pesquisa para identificar o perfil das

gestantes atendidas em uma maternidade do município de Joaçaba (SC) foi observado que 55,6% das gestantes não haviam planejado a gravidez (PRANDINI; MACIEL; VICENSI, 2016). Assim como, no estudo feito em Rio Verde (GO) em que 65,91% das gestações também não foram planejadas (FONTANA et al., 2017).

Os resultados encontrados relacionados ao planejamento da gravidez indicam um consenso com dados nacionais, onde metade das gestações não é planejada, ainda que possa ser desejada (BRASIL, 2013). Referente à inclusão do parceiro no planejamento familiar, é perceptível a pouca ou nenhuma participação deste nesse processo. Isso pode ser interpretado por uma perspectiva de gênero, no qual o aspecto reprodutivo é considerado pela sociedade como sendo papel da mulher, contrário ao previsto pelo Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) que salienta que o homem também é sujeito no processo sexual e na contracepção (BRASIL, 2004).

Nesse contexto, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), ainda que não ofereça uma proposta efetiva, enfatiza a necessidade de valorização da paternidade como um fator relevante na promoção da saúde sexual e reprodutiva (BRASIL, 2008). Por sua vez, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda incentivar os parceiros a participarem do planejamento familiar com o objetivo de levantar preocupações sobre saúde reprodutiva e estimular a paternidade responsável (SBP, 2019).

Quanto ao tipo de gravidez, 96,4% das gestantes são únicas (Tabela 2). Da mesma forma, em um estudo realizado no Estado de Alagoas, a maioria das gestantes apresentou um único, com 99,1% (COSTA et al., 2019). Em outro estudo realizado no interior do Rio Grande do Sul todas as mulheres entrevistadas tiveram gravidez única (HENDGESet al., 2019).

Quanto ao tipo de parto pretendido, 49,1% das entrevistadas referiram preferência pelo parto cesáreo (Tabela 2). Esse resultado difere do encontrado no estudo realizado em Sinop (MT) no qual as gestantes referiram maior preferência pelo parto vaginal, com 58,3%

(TREVISANUTTO; SOUZA; CUNHA, 2018). De igual modo, em um estudo realizado em Campo Grande (MS) a maioria das entrevistadas desejava trazer seus filhos ao mundo por parto vaginal, com 51,07% (SOUZA et al., 2016a).

No Brasil, nota-se nos últimos anos um aumento significativo nos índices de parto cesáreo e a ampliação de suas indicações. Contudo, sabe-se que o parto normal reúne, em relação ao cesáreo, uma série de vantagens como o menor custo, a recuperação mais rápida, o respeito pela maturidade da criança, entre outros, configurando-se como uma forma

de parto é aquele mais adequado às condições de sua gravidez, que melhor atende ao seu bebê e às possíveis complicações surgidas durante a gravidez (BRASIL, 2013).

O pré-natal, como espaço de educação em saúde, é o lugar ideal para o entendimento de todos os aspectos relacionados à gravidez, proporcionando a mulher e seu parceiro o suporte ideal para a escolha do tipo de parto(BRASIL, 2013). É de fundamental importância a orientação do pai quanto ao seu direito de acompanhar e fazer parte de todo o ciclo gravídico-puerperal junto a sua companheira, favorecendo um maior vínculo dessa paternidade e compreensão de seu papel na sociedade e na família (MENDES et al., 2020).

Conforme a tabela 3, 89,1% das gestantes entrevistadas relatou se sentirem apoiada pelo parceiro durante a gestação. Em uma pesquisa realizada com gestantes cadastradas em duas unidades de saúde no município de Viçosa (MG) foi identificado que a maioria tinha o apoio do companheiro como a principal forma de participação durante o período gestacional (CALDEIRA et al., 2017). Em outra pesquisa desenvolvida no município de Fortaleza (CE), as gestantes expressaram medo e insegurança durante a gestação, dessa maneira, concordam que presença e apoio do parceiro são primordiais durante as consultas de pré-natal (FERREIRA et al., 2016).

A participação do parceiro nas consultas de pré-natal favorece os cuidados com a saúde da mulher, sendo a principal fonte de apoio, afeto e segurança para a gestante.

Portanto, esse apoio torna-se indispensável para o enfrentamento de situações que podem causar estresse e desconforto, além da satisfação de necessidades que pode vir a surgir nesse período (SOUZA et al., 2016b; COSTA; TAQUETTE, 2017).

Tabela 3. Percepção e conhecimento das gestantes sobre a inclusão do parceiro na assistência pré-natal em uma unidade de saúde do município de Rio Branco, Acre,

Brasil, 2020.

Variável N %

Se sente apoiada pelo parceiro durante a gestação?

Sim 49 89,1

Não 06 10,9

Considerada importante à inclusão e participação do parceiro nas consultas de pré-natal?

Sim 51 92,7

Não 04 7,3

Sabe que tem o direito de ter o acompanhamento do parceiro durante as consultas de pré-natal e no parto?

Sim 44 80,0

Não 11 20,0

Total 55 100,0

Concernente à inclusão do parceiro, 92,7% das gestantes referiram considerar importante à inclusão e participação do parceiro nas consultas de pré-natal (Tabela 3).

Resultado semelhante em um estudo em Franca (SP) no qual também consideram importante a presença dos parceiros nas consultas de pré-natal no qual 78,8% das entrevistadas tiveram impressões positivas sobre essa inclusão e participação (ALVES, 2019). Na pesquisa realizada com gestantes acompanhadas em Mato Grosso os discursos das entrevistadas indicam o quão importante consideram o envolvimento do parceiro durante esse processo, representando principalmente a aceitação do bebê e o entendimento de poder confiar em seus parceiros nos momentos de dificuldade (CARDOSO et al., 2018).

O envolvimento e a participação ativa do parceiro na assistência pré-natal têm reflexos diretos na saúde emocional e física da mulher, possibilitando uma gestação mais segura e com melhor desenvolvimento. Por sua vez, influenciam no elo mãe, pai e filho, visando a maior compreensão do parceiro a respeito das mudanças que a mulher passa durante esse período, fortalecendo o seu vínculo com a mesma, auxiliando durante todo o processo e criando espaço para um maior envolvimento nos cuidados ao bebe após o nascimento (HENZ; MEDEIROS; SALVADORI, 2017; SILVA; GONÇALVES, 2020).

Neste contexto, os profissionais de saúde devem seguir cinco passos importantes para a inclusão efetiva desse parceiro no pré-natal, como: incentivar a sua participação nas consultas de pré-natal e nas atividades educativas, com postura acolhedora, solicitar exames e testes rápidos, efetuar imunização, esclarecer dúvidas e realizar orientação sobre temas relevantes da vida sexual e do processo gestacional, propiciar maior envolvimento durante o pré-parto, parto, pós-parto e puerpério (BRASIL, 2016b).

No que tange ao direito de acompanhamento do pré-natal e parto pelo parceiro, 80,0%

das entrevistadas relataram ter conhecimento sobre esse direito (Tabela 3). Dado semelhante foi encontrado em um estudo realizado em uma maternidade pública de Teresina (PI) no qual 73,17% referiram saber acerca do direito de ter acompanhante (LIMA; SANTOS;

CUNHA, 2019). De modo diferente, em um estudo em duas maternidades filantrópicas do estado de Sergipe foi evidenciado que 57,5% não conheciam esse direito estipulado por lei (SANTOS et al., 2016).

Por sua vez, no estudo de Souza et al. (2018) realizado no Hospital Amigo da Criança, participante da Rede Cegonha e que trabalha com as boas práticas preconizadas pela

No documento Ciência da Saúde no Mundo Contemporâneo (páginas 145-164)