• Nenhum resultado encontrado

Quando se fala em autonomia, é relevante notarmos que este é um processo de consensos (valores, políticas e princípios), e que este visa priorizar o princípio de inclusão.

Segundo Sassaki (1997, p. 36), “a autonomia é a condição de domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce”.

Ter autonomia para a P.N.E.E. é ter maior ou menor controle no ambiente físico e social em que ela necessite freqüentar/executar seu trabalho/objetivo. Cabe então a sociedade e ao mercado de trabalho eliminar todas as barreiras físicas para que as P.N.E.E.

possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional.

Sálvia relata que:

“Inclusive eu trabalho direto com a menina, aquela que tem problema. As pessoas assim reclamam bastante, a maioria do pessoal, pra trabalhar com essas pessoas precisa ter paciência, eu tenho né. Não que eu queira falar mal, mais eu tenho paciência com essas pessoas, mas nem todas as pessoas tem. Eu trabalho com uma direto. É só que as meninas meio que... diz como é que tu agüenta, como tu consegue, do jeito que a gente tem que ter assim uma paciência, mas eu acho que não é nada demais, assim né... eu acho que cada um tem que ter uma chance. Eles são assim um pouco... a gente fala com eles e eles não entende a gente, não sei se eles não entendem, ou não querem entender ou pede para fazer um favor e eles não fazem, pelo menos a menina que trabalha comigo.”

Segundo Freire (1998, p. 60):

O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história.

Agerato explicita:

“A deficiência dele não impede de ele ser um bom profissional. Basta ele ter força de vontade, e também ter lá desde a infância um acompanhamento familiar, um incentivo familiar. Senão não adianta... A qualificação dele pode ser melhor ou igual aquela pessoa que tem o corpo perfeito.”

Segundo Amaral (1995) enfatiza que a forma como os pais percebem a deficiência dos filhos e as atitudes que tomam em relação a ele, são decisivas para seu posterior desenvolvimento e integração social.

Os dados apontaram para a necessidade de se incluir discussões a respeito das P.N.E.E., pois se notou uma carência de conhecimento básicos (teórico e prático) em relação a estes indivíduos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sempre que se encerra um trabalho, seja ele grande ou pequeno, procura-se fazer uma avaliação de tudo aquilo que se previa no início deste. As expectativas, os anseios, as atitudes. Enfim, tudo o que aconteceria ao logo da caminhada.

No início, põe-se dizer que os objetivos foram alcançados, se não em sua totalidade, mas ao menos em sua grande maioria, o que revela mudanças no modo de pensar e agir.

Educação, direito de todos. Procurei compreender como o mercado de trabalho está visualizando a inclusão de pessoas com necessidades educacionais (P.N.E. E), vista esta a partir da organização predominantemente capitalista em que estamos inseridos. Pois numa época em que a economia é basicamente financeira, os investimentos diminuem e o desemprego aumenta. O emprego, então se torna um bem raro. E a educação já não está sendo um meio tão seguro e tão claro de ascensão social.

Essa, entre tantas ações, muitas vezes é vista pela instituição como desnecessárias.

E também pela falta de uma política global responsável, coerente com a demanda e as necessidades atuais, impedindo que ocorram progressos significativos, especialmente voltados para o atendimento da P.N.E.E.

Ao mesmo tempo não podemos deixar de frisar que uma instituição/empresa deve contar com o devido apoio e comprometimento dos familiares e da comunidade, para que junto dos profissionais possam estar auxiliando a P.N.E.E. no seu desenvolvimento global.

Para que isso se efetive, não basta ter claro o papel dos profissionais e ações que devem permear os mesmos. É necessário mostrar aos políticos e governantes a importância da inclusão do P.N.E.E. no mercado de trabalho para a sociedade como um todo. Para que se invista em uma formação de qualidade aos profissionais, bem como a reciclagem daqueles que já atuam na profissão, tornando-os capazes de responder ao P.N.E.E. todas as suas necessidades, não importando a etapa e o ambiente em que se encontram.

A inserção do P.N.E.E. nas atividades da empresa representa um amplo alcance, tornando possível novas posturas nas relações pessoais, profissionais e, isso se dá na convivência com a diferença e com a possibilidade de superação que a deficiência pode ensinar. Entende-se que se deve promover uma ruptura na representação das P.N.E.E. e vê- las com sua história, com seu rosto e seus enigmas, sua diversidade, para que, com elas a nossa ‘incapacidade’ de olhar conduza a uma educação de qualidade que há tanto tempo lhes é negado.

A preparação dos funcionários para receber a P.N.E.E., e um melhor acompanhamento e supervisão dos profissionais, também fica de recomendação a partir desta pesquisa, pois entende-se que a constituição do sujeito se dá nas múltiplas interações com o meio socialmente e culturalmente formado.

Nesse sentido a empresa ou mercado de trabalho como um todo, deve ser reconhecida como um processo pelo qual o ser humano e a sociedade podem desenvolver suas potencialidades. O mercado de trabalho tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento social e pessoal da P.N.E.E., pois possibilita mais do que uma qualificação para o trabalho, tornam-se cidadãos críticos e livres para escolherem o que for melhor para as suas vidas.

A contribuição deste trabalho para a Psicologia foi mostrar a importância que tem o mercado de trabalho para P.N.E.E., já que estes pertencem a uma área educacional especial onde se constitui o alicerce do desenvolvimento humano. Devendo salientar, que disto depende a P.N.E.E., a realização do seu aprendizado e a construção da sua personalidade.

REFERÊNCIAS

AMARAL, L.A. Deficiência: questões conceituais e alguns de seus desdobramentos. In:

AMARAL, L. A. Pensar a diferença/ Deficiência. Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, Brasília, 1994.

BUENO, J. G. S. A integração social das crianças deficientes: a função da educação especial. In: MANTOAN, M. T. E. et. Alli. A integração de pessoas com deficiência. São Paulo: Memnon, 1997.

BRASIL, Constituição de 1988: texto constitucional de 5 de outubro de 1988 com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais n◦ 1/1992 a 30/2000 e Emendas Constitucionais de Revisão n◦ 1 a 6/1994Ed. Atual. Em 2000- Brasília: Senado Federal, Gabinete do 4º. Secretário, 2000.

BRASIL. Decreto n.º 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Ed. Atual. 2000.

CARREIRA, D. A integração da pessoa deficiente no mercado de trabalho. Escola de Administração de Empresas de São Paulo- Fundação Getúlio Vargas. Disponível em:

http://www.fgvsp.br/academico/professores/Dorival_Carreira/

Acesso em 14 de Setembro de 2005.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2000. (Biblioteca da educação. Série 1. Escola; v .16. ).

CUNHA, A. Adaptação de ocupação e o emprego do portador de deficiência./

Organização Internacional do Trabalho. Brasília:CORDE, 1997.

DEMO, P. Pesquisa: princípio cientifico e educativo. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1997.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

GUARESCHI, Sandra; JOVCHELOVITCH. Textos em Representações Sociais. 2. ed.

Petrópolis: Vozes, 1997.

JACQUES, M, G, C. Psicologia social contemporânea. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

LANE, S. T. M; GODO, W. Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo:

Brasiliense, 1999.

LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 4. ed. São Paulo:

Atlas, 1992.

________________ Metodologia cientifica: ciência e conhecimento cientifico, métodos científicos, teoria, hipóteses e variáveis, metodologia jurídica. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

Deficiência e trabalho: redimensionando o singular no contexto universal. 2.000.

Mestrado de LANCILLOTTI, S. S. P. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, Mato Grosso.

LEI, N◦ 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8112cons.htm. Acesso em 13 de setembro de 2005.

lEI, N◦ 9.394/ 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em 15 de setembro de 2005.

LEI, N◦ 7.853, de 24 de outubro de 1989. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7853.htm Acesso em 25 de setembro de 2005.

LEI, N°8.213, de 24 de julho de 1991- DOU de 14/08/98- (atualizada até julho/2005).

Disponível em: http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1991/8213.htm#t2

MANTOAN, Maria Teresa Égler. Caminhos pedagógicos da inclusão. 2002. (Educação on-line- www.educacaoonline.pro.br).

MANUAL diagnostico e estatístico de transtornos mentais: DSM-IV-TR. 4. ed. texto rev.

Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

MARX, K. O Capital. Volume I, São Paulo: Abril Cultural. Cap. I. 1983.

NUNES L. R. D. P. et al. Pesquisa em educação especial na pós-graduação. Rio de Janeiro: Viveiros de Castro editora Ltda., 1998.

OLIVEIRA, Juarez de. Constituição da República Federativa do Brasil. 17. ed., 1997.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa cientifica. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

SASSAKI. R. K. Inclusão: Construindo uma sociedade para todos. 2. ed. Rio de Janeiro:

WVA, 1997.

SAWAIA, B. B. As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. Petrópolis: Vozes, 1999.

VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. 9. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (coleção primeiros passos:177).

www.apaebrasil.org.br retirado no dia 21 de outubro de 2005.

www.ibge.gov.br retirado no dia 14 de outubro de 2005.

www.senac.br retirado no dia 25 de setembro de 2005.

BIBLIOGRAFIA

AMIRALIAN, Maria Lúcia Toledo Morais. Psicologia do excepcional / Maria Lúcia T. M.

Amiralian –São Paulo: EPU, 1986. (temas básicos de psicologia; v. 8).

DESLANDES, S. F. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade / Suely Ferreira Deslandes, Otavio Cruz Neto, Romeu Gomes; Maria Cecília de Souza Minayo (organizadora). 23. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

GUARESCHI, P. A. Sociologia crítica: alternativa de mudança. EDIPUCRS, 52 ed. Porto Alegre: 2003.

LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia cientifica / Eva Maria Lakatos, Marina de Andrade Marconi. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1991.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 20. ed. ver. e ampl. São Paulo:

Cortez, 1996.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente. 6. ed. – São Paulo: Martins Fontes, 1998.

SUGESTÕES DE LEITURA

BRASIL, Constituição de 1988: texto constitucional de 5 de outubro de 1988 com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais n◦ 1/1992 a 30/2000 e Emendas Constitucionais de Revisão n◦ 1 a 6/1994Ed. Atual. Em 2000- Brasília: Senado Federal, Gabinete do 4º. Secretário, 2000.

LEI, N°8.213, de 24 de julho de 1991- DOU de 14/08/98- (atualizada até julho/2005.

Disponível em: http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1991/8213.htm#t2

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Secretaria de Inspeção do trabalho.

Instrução normativa N°20, de 26 de janeiro de 2001. p. 1 de 2, 2 de 2. Disponível em:

http://www.tem.gov.br/Temas/FiscaTrab/Legislacao/instrucoes/conteudo/in20.asp?Acao...

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente. 6. ed. – São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Política nacional para a integração da pessoa portadora de deficiência e as normas de proteção – D-003.298-1999. Disponível em: http://www.dji.com.br/decretos/1999- 003298/003298_1999_034a045.htm

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Subchefia para assuntos Jurídicos. Disponível em www.presidencia.gov.br/ccivil_03/Leis/L7853.htm

Projeto de lei que institui o Estatuto do Portador de deficiência. Disponível em:

http://www.cidadania.org.br/conteudo.asp?conteudo_id=142&secao_id=106&pag=4

RESOLUÇÃO CNE/CEB N° 2, DE 11DE SETEMBRO de 2001. Disponível em:

http://www.mec.gov.br/cne/pdf/CEB0201.pdf

APÊNDICE 1

Entrevista semi-estruturada

Entrevista a um empregado/funcionário da empresa

Dados de identificação:

Nome da empresa.

Qual seu nome?

Sexo.

Qual seu cargo?

1- Que atividades você desempenha no seu cargo?

2- Você gosta do que faz?

3- Como você desempenha seu trabalho?

4- Que habilidade envolve a execução de seu cargo?

5- Na sua opinião o que a P.N.E.E. desempenha dentro da instituição?

6- Você acha que ela (P.N.E.E.) realiza as tarefas propostas pelo cargo?

7- Você acha que a P.N.E.E. tem um cargo fixo?

8- Houve seleção de candidatos para a entrada sua e da P.N.E.E.?

9- Qual é o nível de exigência imposto para a contratação da P.N.E.E.?

10- Porque você acha que a empresa contrata P.N.E.?

11- A contratação da P.N.E.E. está relacionada com a lei de cotas?

12- A empresa oferece ou tem curso de capacitação profissional?

13- O processo de recrutamento, seleção e treinamento são o mesmo para todos?

14- Para você quais as dificuldades em se contratar mão de obra de P.N.E. no mercado de trabalho formal?

15- Como é visto a inclusão da P.N.E.E. no mercado de trabalho formal nessa instituição?

16- O perfil profissional da P.N.E.E. corresponde ao perfil do cargo da empresa?

17- Qual é o comportamento dos funcionários em geral no relacionamento com o P.N.E.E.?

18- Você, ou os outros funcionários, receberam algumas orientações/capacitações para se relacionarem com a P.N.E.E.?

19- Como a empresa avalia o desempenho da P.N.E. no trabalho realizado?

20- Como é o relacionamento com os demais funcionários?

21- O que você entende por P.N.E.E.?

APÊNDICE 2

Quadro demonstrativo dos resultados das entrevistas com os empregadores/funcionários da empresa

ENTREVIS TADOS

O QUE ENTENDE POR

P.N.E.E.

EXIGÊNCIA IMPOSTA

PARA A CONTRATAÇÃ

O DA P.N.E.E.

POR QUE VOCÊ

ACHA QUE A

EMPRESA CONTRAT A P.N.E.E.

COMO É VISTA A INCLUSÃO DA P.N.E.E.

NA

EMPRESA

EM SÍNTESE

AGERATO 24 anos Cargo:

Assistente Administra tivo

“Existem

deficientes com muita capacidade de exercer qualquer função dentro da empresa do que uma pessoa que tem o corpo perfeito. A deficiência dele não impede de ele ser um bom profissional.”

“A contratação dos especiais...o que a gente faz... a gente entra em contato com a Fundação

Catarinense de Educação

Especial... Então a quantidade de funcionário a gente determina pra eles, e a avaliação desse funcionário é feita por eles.”

“Existe uma cota, a lei de cotas de especiais, que são 5%

encima do total de...

aliais 2%

encima do quadro total de funcionário de cada loja”.

“Não tem nenhuma

reclamação dos especiais, inclusive eu acho que a empresa acaba fazendo a parte social, que é um ponto pra empresa com certeza.”

Considera que a P.N.E.E. pode realizar um trabalho dentro da empresa;

Reconhece a Lei e os direitos das pessoas com necessidades

educacionais especiais; Cabe a entidade

beneficente

preparar a P.N.E.E. para o mercado de trabalho.

BELLIS 31 anos Cargo:

Fiscal de Caixa

“A gente nem procura chamar a atenção deles por que eles são bem sensíveis, e se chamar atenção eu acho que, capaz de ela sair chorando e ir embora. Se for pra pedir alguma coisa e vê que ela não quer fazer ela fica brava, mas fora isso...”

“Essa eu não sei de responder.”

“...é contratado baseado numa lei. São obrigado a contratar, fora isso eu acho que eles não contratariam...

tem que ter uma

porcentagem e dependendo do número de funcionário tem que ter uma

porcentagem de

deficiente.”

“Agora vejo que é normal.

Eu vejo um pouco de gozação em relação a eles de certos funcionários, brincadeiras sem graças coisas assim.

Agora não vejo mais isso, mas teve um tempo que havia, essa brincadeiras

acho que diminuiu

porque os deficientes

diminuíram, só tem dois, mas antes tinha mais, e via um pouco de deboche, eles ficavam até bravos.”

Entende que a P.N.E.E. está limitada em desempenhar

algumas

atividades dentro da empresa.

No documento Cynthia Wagner.pdf - Univali (páginas 44-57)

Documentos relacionados