• Nenhum resultado encontrado

Muito ruim, acredito que não está tendo aprendizagem através das aulas remotas

Ruim, os meios tecnológicos e as aulas remotas estão servindo apenas para manter os alunos em contato com a escola

Razoável, está tendo pouca aprendizagem

Bom, pois os alunos que tem acesso estão tendo contato com o professor

Ótimo, pois além de serem alfabetizados, desenvolverão habilidades tecnológicas

Dos professores entrevistados 20% acreditam que essa nova modalidade de ensino para a alfabetização e letramento é muito ruim, acreditando que não há aprendizagem, 20% acreditam ser ruim, pois acreditam que os meios tecnológicos estão servindo apenas para que o aluno tenha contato com a escola e professor, 40%

destaca ser razoável, acreditando que está tendo pouca aprendizagem, 20% acredita que seja bom, pois os alunos que tem acesso, estão tendo contato com o professor e nenhum entrevistado acredita que esse processo de aprendizagem de forma remota é ótimo, sendo possível desenvolver as habilidades e competências necessárias.

Os dados disponibilizados neste estudo sobre as dificuldades da alfabetização e letramento através das TICs, foram evidenciadas nas falas dos professores quando foi disponibilizado pergunta dissertativa para que eles verbalizassem. Foi sugerido pelos professores da pesquisa, conforme seu apontamento ao assunto em epígrafe, o Professor A disse que “ O maior desafio é que mesmo com a tecnologia não temos a proximidade, não consigo pegar na lápis, mostrar os erros, ensinar as formas corretas de escrever as letras cursiva, observar bem os gestos da boca para analisar cada sílaba pois os celulares e a internet ocupa e as imagens chegam falhadas, enfim, nos anos iniciais esse processo é de suma importância par a obter êxito no processo ensino aprendizagem”. Contudo ainda temos o Professor B que destaca “Adaptação, tanto da minha parte, quanto dos alunos. O comprimento do apoio necessário dos pais ao acompanhamento dos alunos, está sendo de forma insatisfatória. Muitas exigências sem oferecer meios básicos para trabalho. Sem contar na exclusão que esses métodos de ensino dispõem”, referindo a exclusão digital que está acontecendo onde o número de alunos que possuem acesso a plataforma é muito pouco, pois apenas 28 alunos estão tendo possibilidade de acesso a plataforma e ao contato com o professor e 100 alunos estão buscando material impresso por não disponibilizarem de acesso a internet e ferramentas que possibilitem essas aulas.

Em geral há uma exclusão digital causada pela distribuição desigual do acesso as redes de comunicação interativa quanto aos meios digitais e acesso as plataformas educativas. Deveria ter uma universalização do acesso as mídias.

Nesse contexto, é interessante a ideia do livro “Educación em alfabetización mediática para uma nueva cidadania prosumidora nos coloca a refletir sobre o direito dos cidadãos ao acesso as mídias, sendo um desafio para as sociedades na

atualidade, pois esse acesso traz consequências positivas onde os usuários exercem seu papel na cidadania, formando uma sociedade participativa, com visão global.

Considerações finais

Através deste estudo foi possível constatar que várias são as adversidades encontradas pelos professores alfabetizadores para o exercício da sua prática docente no período de pandemia. Parafraseando Albert Einstein, no meio de qualquer dificuldade, encontram-se oportunidades. Corroborando essa afirmação, vimos que, no contexto das adversidades produzidas pela pandemia do Coronavírus, a educação conseguiu se reinventar e buscar alternativas de continuar os trabalhos, embora com algumas restrições e várias possibilidades. Mesmo que, no começo, tenha parecido difícil, cada um descobriu, adaptou, reinventou, criou oportunidades de crescer e refletiu sobre o uso das tecnologias digitais. Segundo Levy (2003), tais tecnologias são vistas como um pharmakon, ou seja, um remédio e um veneno, pois, até pouco tempo, elas eram vistas reconhecidas como algo que afastava as pessoas e tornava- as distantes, mesmos quando presentes. Agora, neste período de isolamento social, a Internet, os computadores e os dispositivos como smartphones foram responsáveis por aproximar os indivíduos, que, por razões sanitárias, estão fisicamente isolados ou distanciados socialmente e essas diversidades são potencializadas quando esse trabalho é realizado aos alunos que ainda não desenvolveram as habilidades de alfabetização e letramento.

Alfabetizar uma criança com métodos adequado a especificidade dos discentes, tendo o contato direto no dia a dia não é uma tarefa fácil para o professor, imagina este ensino através de uma tela de computador ou celular, sem um contato direto com o aluno, sem a certeza de poder pegar na mão e conduzí-lo, ou ainda, fica difícil avaliar a dificuldade do discente quanto as atividades recebidas, sem ter a certeza que a produção é realmente do aluno. A prática docente através do uso de ferramentas digitais, ainda que caminhando frente às possibilidades de que o aluno tem em casa, tendo que incentivar os pais e responsáveis a firmar parcerias para colaborar com a aprendizagem dos pequenos nesse período, a tempos atrás diríamos que seria uma tarefa impossível, porém a realidade nos mostra que é possível fazer,

nessa descoberta de novas possibilidades de trabalho com meios tecnológicos, mesmo enfrentando a desigualdades social. Vemos professores se reinventando, buscando cada vez mais meios e capacitação com a tecnologia, aprimorando sua prática, desenvolvendo um trabalho em conjunto com os familiares dos estudantes, mesmo que nem todos firmam esta parceria, deixando bem claro a importância dos papéis de cada um neste momento, os desafios vão sendo vencidos cada dia. O estudo no contexto familiar, mesmo de forma lenta, com paciência, respeito e boa vontade vão se concretizado, devendo “criar possibilidades” significa se adaptar ao meio em que se está inserido, criando oportunidades que são capazes de atrair o olhar do aluno para novas formas de aprender e apreender o mundo, com responsabilidade e criticidade.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Educação a distância na internet:

abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.2, p. 327-340, jul./dez. 2003. Disponível em:

<https://www.scielo.br/pdf/ep/v29n2/a10v29n2.pdf >. Acesso em: 13 de setembro de 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação esclarece principais dúvidas sobre o ensino no país durante pandemia do Coronavírus.

31 mar. 2020. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/busca-geral/12-noticias/acoes- programas-e-projetos-637152388/87161-conselho-nacional-de-educacao-esclarece- principais-duvidas-sobre-o-ensino-no-pais-durante-pandemia-do-coronavirus.

Acesso em: 03 maio 2020.

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Curriculares Nacionais:

introdução. Secretaria de Educação Básica. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 1997.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.

São Paulo: Paz e Terra, 2003.

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.

GARCÍA-RUIZ, R.; GARCÍA, A. R.; ROSELL, M. del M. R. Educación en

alfabetización mediática para una nueva ciudadanía prosumidora. Comunicar:

Revista científica iberoamericana de comunicación y educación, n. 43, 2014, p.

15-24. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4738032.

Acesso em: 20 maio 2020.

GASPERETTI, Marco. Computador na educação: guia para o ensino com novas tecnologias. São Paulo: Esfera, 2001.

GOMEZ, A. I. Perez. Educação na Era Digital: a escola educativa. Tradução Marisa Guedes. Porto Alegre, Penso, 2015.

LIRA, Bruno Carneiro. Alfabetizar letrando: uma experiência na Pastoral da Criança. São Paulo: Paulinas, 2006.

LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 4. ed. São Paulo: Loyola, 2003.

MATO GROSSO. Secretaria de Estado de Educação. Seduc disponibiliza atividades pedagógicas não presenciais para alunos de MT. 14 abr. 2020. Disponível em:

https://bit.ly/32BcYdM. Acesso em: 25 abr. 2020.

MORAN, José Manuel et al. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2007.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec/Abrasco, 1992.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte:

Ceale/Autêntica,1998.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte:

Ceale/Autêntica, 2004.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Folha Informativa – Covid-19 (doença causada pelo novo corona vírus). 11 mar. 2020. Disponível em:

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covi d19&Itemid=875. Acesso em: 05 maio 2020.

Capítulo 9

RECORTE DO PERFIL DOS