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CAPÍTULO 2...................................................................................... 28

2.1 UNIÃO ESTÁVEL

2.1.2 C ONCEITO

Destarte, para SEREJO [2004, p. 35]:

A realidade que temos hoje, no Brasil, como resultante dessa evolução, em que as construções jurisprudenciais foram decisivas, é um instituto oficialmente reconhecido, com assento constitucional e previsão legal.

Não se olvida que, atualmente, a união estável é instituto definitivamente incorporado ao ordenamento jurídico pátrio, notadamente por força de disposição constitucional, aliás, possuindo a mesma proteção, direitos e deveres dispensados ao casamento.

No mesmo sentido, ISHIDA [2003, p. 218] aduz que

“concubinato lato sensu é a união estável do homem e da mulher, sem a existência de matrimônio”.

Quando se trata de união entre homem e mulher, passando a trilhar as responsabilidades da vida em comum, todavia, sem maiores solenidades ou oficialização estatal, em desapego às formalidades de rituais e registros em órgãos próprios, estar-se-ia diante do instituto da união estável, união livre, estado de casado ou concubinato. [RIZZARDO, 2005. p. 886].

OLIVEIRA [2003, p. 120] entende que o texto do artigo 1.723 do Código Civil já conceitua o instituto como união “entre homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura, com objetivo de constituição de família”.

Assim, oportuno transcrever o disposto no artigo citado pelo autor:

Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

Imperioso esclarecer que os dois parágrafos que complementam o artigo supra, notadamente o §1º, dá conta de definir a hipótese do chamado concubinato impuro, ainda que, atualmente, encontre-se em desuso o termo, o próprio Código Civil, no artigo 1.727, utiliza o vocábulo.

§1º. A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.

§2º. As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável.

SILVA [2002, p. 841] define união livre como a que “decorre da mancebia ou do concubinato, em que há mero estado de fato, em relação à vida em comum entre o homem e mulher, aparentando uma situação de casados”.

Para GAMA [1998, p. 97] a expressão a ser usada é companheirismo e se traduz como:

A união extramatrimonial monogâmica entre o homem e a mulher desimpedidos, como vínculo formador e mantenedor da família, estabelecendo uma comunhão de vida e d’almas, nos moldes do casamento, de forma duradoura, contínua, notória e estável.

Do ensinamento de LISBOA [2004, p.215] extrai-se que

“concubinato ou amasiamento é a união informal entre o homem e a mulher, que passam a viver perante a sociedade como se fossem civilmente casados”.

Todavia, mister trazer a posição firmada por SILVA PEREIRA

[2004, p. 534], que afasta tal equiparação, pois:

Uma vez que a lei facilitará sua conversão em casamento deixou bem claro que não igualou a entidade familiar ao casamento. Não se cogita de conversão, se tratasse do mesmo conceito. União estável e casamento são institutos diversos [...].

Por seu turno, CAHALI [2002, p. 55] rejeita qualquer forma de regulamentação estatal acerca da união estável, sob pena de se criar uma nova categoria de casamento e, por isso, procura afirmar que a existência de um contrato de convivência é que confere eficácia ao instituto, ou seja, “o instrumento pelo qual os sujeitos de uma união estável promovem regulamentações quanto aos reflexos da relação [...]”.

Ainda que o artigo 1.723 do Código Civil esboce um conceito de união estável, cabe à doutrina essa tarefa e, por isso, para eventual conceito do instituto, é imprescindível associa-lo à definição de família.

Para DIAS [2005, p. 164], por exemplo, “definir união estável começa a terminar por entender o que é família. [...] conceituar família que deixou de ser o núcleo econômico e de reprodução para ser o espaço de afeto e amor”.

E continua:

Nasce a união estável da convivência, simples fato jurídico que evolui para a constituição de ato jurídico, em face dos direitos que brotam dessa relação. Por mais que a união estável seja o espaço do não instituído, à medida que é regulamentada, vai ganhando contornos de casamento.

Por último, junto à conceituação de união estável, importante trazer algumas considerações sobre a família que, no escólio de DINIZ [2002, p.

10] pode ter acepção lata, além dos cônjuges e de seus filhos, abrange os parentes da linha reta ou colateral, bem como os afins. Ou, ainda, na significação restrita é a família formada por qualquer dos pais e descendentes.

SILVA [2002, p. 347] define família como:

É a comunhão familiar, onde se computam todos os membros de uma mesma família, mesmo daquelas que se estabeleçam pelos filhos, após a morte dos pais. Na tecnologia do Direito Civil, no entanto, exprime simplesmente a sociedade conjugal, atendida no seu caráter de legitimidade, que a distingue de todas as relações jurídicas desse gênero. E, assim, compreende somente a reunião de pessoas ligadas entre si pelo vínculo de consangüinidade, de afinidade ou de parentesco, até os limites prefixados em lei.

RIZZARDO [2005, p. 11] ao comentar sobre família discorre:

No sentido atual, a família tem um significado estrito, constituindo- se pelos pais e filhos, apresentando certa unidade de relações jurídicas, como idêntico nome e o mesmo domicílio e residência, preponderando identidade de interesses materiais e morais, sem expressar, evidentemente, uma pessoa jurídica. No sentido amplo, amiúde empregado, diz respeito aos membros unidos pelo laço

sangüíneo, constituída pelos pais e filhos, nestes incluídos os ilegítimos ou naturais e os adotados.

Destaca-se que, atualmente, a família, ainda base da sociedade e instituto que goza da proteção do Estado, não mais se origina apenas do casamento, pois, a seu lado, existem aquelas que surgem da união estável e a formada por qualquer dos pais e seus descendentes. [GONÇALVES, 2005, p. 15]

Oportuno mostrar o apontamento de DIAS [2005, p. 39]:

A “cara” da família moderna mudou. O seu principal papel é de suporte emocional do indivíduo, em que há flexibilidade e, indubitavelmente, mais intensidade no que diz respeito a laços afetivos. Difícil encontrar uma definição de família de forma a dimensionar o que, no contexto social dos dias de hoje, se insere nesse conceito. É mais ou menos intuitivo identificar família com a noção de casamento, ou seja, pessoas ligadas pelo vínculo do matrimônio. Também vem à mente a imagem da família patriarcal, o pai como a figura central, na companhia da esposa e rodeados de filhos, genros, noras e netos. Essa visão hierarquizada da família, no entanto, sofreu com o tempo uma profunda transformação. Além de ter havido uma significativa diminuição do número de seus componentes, também começou a haver um embaralhamento de papéis.

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