O termo indicador origina-se do latim indicare, que significa descobrir, apontar, anunciar, estimar. Os indicadores comunicam ou informam sobre uma direção, resumem informações relevantes de um fenômeno particular, com o objetivo de agregar e quantificar informações de modo que sua significância fique mais aparente (BELLEN, 2005).
Indicador é uma unidade de medida de uma atividade, com a qual se está relacionada, ou ainda, uma medida quantitativa que pode ser usada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade de importantes cuidados providos às atividades dos serviços. O indicador não é uma medida direta de qualidade, mas identifica resultados de assuntos específicos (BITTAR, 2001). Indicador é “a unidade que permite medir o alcance de um objetivo específico”
(COHEN e FRANCO, 1998, p.152)
Em projetos sociais, indicadores são parâmetros quantificados e/ou qualificados que detalham em que medida os objetivos foram alcançados, dentro de um espaço de tempo e numa localidade específica. Sinalizam e mensuram aspectos de uma realizada, porém não são a própria realidade. (VALARELLI, 1999).
A escolha de indicadores deve ser feita de acordo com o ângulo que se deseja analisar um projeto social, como quanto à eficiência, à eficácia, à efetividade e ao impacto.
(AGGUILAR & ANDER-EGG, 1994; VALARELLI, 1999)
- Eficiência: refere-se a boa utilização de recursos em relação aos resultados obtidos;
- Eficácia: verifica se as atividades do projeto alcançaram os resultados previstos;
- Efetividade: mensura os resultados de um projeto, examinando os benefícios e mudanças geradas para a população atingida;
- Impacto: examina as mudanças geradas em outras áreas não diretamente ligadas ao projeto, demonstrando poder de influência e verificando se os resultados positivos de um programa foram reproduzidos em outros locais.
2.4.1 Gestão de Indicadores
Sintetizando as informações do estudo sobre gestão no terceiro setor e necessidade de avaliação de projetos sociais, pode-se dizer que existe uma lacuna a ser preenchida entre esses dois contextos, justificando a afirmação de complexidade de gestão feita por Teodósio (2002).
Fischer et al (2003) assinalam problemas no estabelecimento de indicadores de mensuração, controle de processos, resultados e impacto dos projetos sociais, justamente pela falta de experiência das organizações do terceiro setor, pela dificuldade em trabalhar com problemas sociais complexos, além de utilizar ferramentas de mercado para apurar retorno em investimentos sociais. A autora ainda orienta para uma abordagem pluralista na definição de uma forma de avaliar, combinando conceitos para a criação de um sistema de indicadores que contemple todos os objetivos do projeto.
A definição de indicadores exige uma confiável fonte de informações e análise de todas as variáveis envolvidas no processo. Um conjunto de fatores interfere nestas decisões, por isso, fala-se em sistema de indicadores.
Para Valarelli (1999), a concepção de um sistema de indicadores requer diálogo entre os diferentes sujeitos envolvidos, onde ajustam-se os interesses e enfoques das organizações.
Minayo et al (2005) destacam a importância dos agentes financiadores nesta etapa.
Os indicadores de um projeto devem destacar condições específicas de uma realidade, por isso, deve-se construir um sistema de indicadores próprio para cada projeto, mesmo que as variáveis sejam semelhantes. O contexto deve ser analisado com muita cautela, pois no levantamento de informações podem surgir obstáculos difíceis de serem vencidos (VALARELLI, 1999).
É comum organizações terem muitas informações sem que ninguém às analise, neste caso um plano de execução se faz necessário, pois definir um sistema de indicadores exige recursos financeiros, humanos e tempo, assim um bom planejamento não deve deixar de contemplar a gestão dos indicadores.
Para organizar um sistema de indicadores para avaliação de projetos sociais Aguilar e Ander-Egg (1995) listam quatro requisitos que devem ser considerados na elaboração dos indicadores: independência (utilizar cada indicador para uma só meta), verificabilidade (permitir a comprovação empírica das mudanças que vão ocorrendo com o projeto), validade (servir para a medição de todos e cada um dos efeitos que o projeto persegue) e acessibilidade (sua obtenção deve ser relativamente fácil e pouco custosa).
Valarelli (2000b) defende que a construção de indicadores deve traduzir concretamente os objetivos e resultados do projeto, priorizar cada um, tornar nítidas as posições em jogo, assim aumentando o consenso em torno do que se pretende alcançar e diminuindo as chances de conflitos no futuro.
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O conceito de indicadores para avaliação de projetos sociais adotado pela ONU contempla critérios de eficiência, eficácia e efetividade, onde “os indicadores servem de padrão para medir, avaliar ou mostrar o progresso de uma atividade, com relação às metas estabelecidas, quanto à entrega de seus insumos (indicadores de insumos), obtenção de seus produtos (indicadores de produtos) e a consecução de seus objetivos (indicadores de impactos)” (ONU apud AGUILAR e ANDER-EGG, 1995, p.124). Assim, “os indicadores de insumo são utilizados para avaliar a eficiência, os indicadores de produto avaliam a eficácia e os indicadores de impactos são empregados para avaliar a efetividade dos projetos sociais”
(FRASSON, 2001, p.238).
É importante destacar que para que cada indicador possa cumprir o objetivo de indicar a realidade do projeto social devem ser construídos a partir da realidade de cada projeto, respeitando os critérios técnicos, políticos e sociais que cercam a realidade do projeto a ser avaliado.
A busca pela profissionalização das organizações do terceiro setor no Brasil passa pela capacitação de seus gestores, que vindo do setor privado ou governamental adotou os mesmos métodos exercidos em suas atividades anteriores, sendo este, um dos principais motivos de falhas apontado em pesquisas sobre gestão no terceiro setor.
A descoberta de técnicas cada vez mais adequadas para a gestão de organizações que buscam minimizar problemas sociais complexos inspira os cidadãos a acreditarem cada vez mais nas organizações que atingem seus objetivos e mostram seus resultados de forma transparente.
De acordo com a evolução apresentada neste referencial teórico, acredita-se que o estabelecimento de um conjunto de indicadores pode informar de forma satisfatória instituições financiadoras, atores envolvidos em projetos sociais e demais interessados sobre a gestão e aplicação de recursos, nos projetos sociais geridos pelo CIEE/SC.
Nesta parte do estudo serão abordados os aspectos metodológicos, caracterizando e contextualizando a pesquisa e informando sobre procedimentos técnicos realizados.
3.1 Caracterização da pesquisa
O presente estudo caracteriza-se como pesquisa teórico-empírica, pois confrontou idéias expostas no referencial teórico com as experiências e práticas adotadas pela organização. A principal característica de uma pesquisa teórico empírica é a confrontação da visão teórica com fatos empíricos, ou seja, aqueles que realmente acontecem (GIL, 1995).
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, justamente por esta permitir a anotação, análise e trabalho com fatos ou fenômenos sem manipulá-los, neste caso em investigações específicas (TRIVIÑOS, 1987).
Triviños (1987) relata ainda que a pesquisa qualitativa tenha o ambiente natural como fonte direta dos dados, que a preocupação é com o processo e não somente com o resultado e que o significado é a preocupação essencial da abordagem qualitativa.
A pesquisa qualitativa é uma designação que abriga correntes de pesquisa muito diferentes. Em síntese, essas correntes se fundamentam em alguns pressupostos contrários ao modelo experimental e abordam métodos e técnicas de pesquisa diferentes dos estudos experimentais (CHIZZOTTI, 1998, p.78).
Por existir o objetivo de entender as práticas no estudo de caso não serão observados dados quantitativos, porém sim qualitativos, buscando-se obter dados descritivos através de contato direto do pesquisador com a situação em estudo.
Por ser uma pesquisa qualitativa, justificou-se a realização de um estudo de caso, pois ele permite um estudo mais aprofundado de fenômenos, inserindo num contexto, além de possibilitar a visão do estudo por vários ângulos (RICHARDSON, 1985).
A pesquisa foi caracterizada como descritiva, pois objetivou descrever atividades realizadas pelo Centro de Integração Empresa Escola e confrontá-las com os conceitos estudados.
Um ponto comum de desvantagem do método acima, apresentado na literatura pesquisada, é a dificuldade de generalização das descobertas, justamente por estudar particularmente uma realidade (GIL, 1999; MARCONI & LAKATOS, 1991).
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