2.2 CONTRATO ADMINISTRATIVO
2.2.3 Características dos contratos administrativos
75 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo Moderno. 10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. p.
209.
76 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo Moderno. 10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. p.
209.
77 GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 696-697.
Considerando os contratos administrativos, no sentido próprio e restrito, que abrangem apenas aqueles acordos de que a Administração Pública é parte, aparece com uma série de prerrogativas que garantem a sua posição de supremacia sobre o particular, buscando sempre o interesse público.
a) Presença da administração pública como poder público
Nos contratos administrativos, a Administração aparece com uma série de prerrogativas que garantem a sua posição de supremacia sobre o particular; elas vêm expressas precisamente por meio das chamadas cláusulas exorbitantes ou de privilégio ou de prerrogativas.78
b) Finalidade pública
Essa característica está presente em todos os atos e contratos da Administração Pública, ainda que regidos pelo direito privado; às vezes, pode ocorrer que a utilidade direta seja usufruída apenas pelo particular, mas, indiretamente, é sempre o interesse público que a Administração tem que ter em vista, sob pena de desvio de poder.79
c) Obediência à forma prescrita em lei
Para os contratos celebrados pela Administração, encontram-se na Lei inúmeras normas referentes à forma; esta é essencial, não só em benefício do interessado como da própria administração.80
d) Procedimento legal
A lei estabelece determinados procedimentos obrigatórios para a celebração de contratos e que podem variar de uma modalidade para outra, compreendendo medidas como autorização legislativa, avaliação, motivação, autorização pela autoridade competente, indicação de recursos orçamentários e licitação.81
e) Contrato de adesão
78 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 243.
79 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 243.
80 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 244.
81 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 248.
Todas as cláusulas dos contratos administrativos são fixadas unilateralmente pela administração. Pelo instrumento convocatório da licitação, o poder público faz uma oferta a todos os interessados, fixando as condições em que pretende contratar; a apresentação de propostas pelos licitantes equivale à aceitação da oferta pela Administração82.
f) Natureza Intuitu Personae
Todos os contratos para os quais a lei exige licitação são firmados em razão de condições pessoais do contratado, apuradas no procedimento de licitação. É vedada a subcontratação, total ou parcial, do seu objeto, a associação do contratado a outrem, salvo consórcio, a cessão ou transferência, total ou parcial; essas medidas somente são possíveis se expressamente previstas no edital de licitação e no contrato.83
g) Presença das Cláusulas Essenciais
As cláusulas essenciais são aquelas que não podem faltar no contrato administrativo, sob pena de sua nulidade, e estão descritas no art. 55 da Lei nº 8.666/93.
Art. 55 - São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:
I - o objeto e seus elementos característicos;
II - o regime de execução ou a forma de fornecimento;
III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;
IV - os prazos de início de etapas de execução, de conclusão, de entrega, de observação e de recebimento definitivo, conforme o caso;
V - o crédito pelo qual correrá a despesa, com a indicação da classificação funcional programática e da categoria econômica;
VI - as garantias oferecidas para assegurar sua plena execução, quando exigidas;
VII - Os direitos e as responsabilidades das partes, as penalidades cabíveis e os valores das multas;
VIII - os casos de rescisão;
IX - o reconhecimento dos direitos da Administração, em caso de rescisão administrativa prevista no art. 77 desta lei;
X - as condições de importação, a data e a taxa de câmbio para conversão, quando for o caso;
82 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 249.
83 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 249.
XI - a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do licitante vencedor;
XII - a legislação aplicável à execução do contrato e especialmente aos casos omissos;
XIII - a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação.
§ 1º - (Vetado).
§ 2º - Nos contratos celebrados pela Administração Pública com pessoas físicas ou jurídicas, inclusive aquelas domiciliadas no estrangeiro, deverá constar necessariamente cláusula que declare competente
o foro da sede da Administração para dirimir qualquer questão contratual, salvo o disposto no § 6º do art. 32 desta lei.
§ 3º - No ato da liquidação da despesa, os serviços de contabilidade comunicarão, aos órgãos incumbidos da arrecadação e fiscalização de tributos da União, Estado ou Município, as características e os valores pagos, segundo o disposto no art. 63 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964.
h) Presença das cláusulas exorbitantes
Nos contratos administrativos, são reconhecidas, em razão da lei, da doutrina e da jurisprudência, a favor da administração pública contratante, certas prerrogativas, a exemplo de:
a) modificar a execução do contrato a cargo do contratante particular;
b) acompanhar a execução do contrato;
c) impor sanções previamente estipuladas; e d) rescindir, por mérito ou legalidade, o contrato.84
Acerca das cláusulas exorbitantes, o art. 58 da Lei nº 8.666/93 estabelece:
Art. 58 - O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta lei confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitados os direitos do contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta lei;
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração
84 GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 667.
administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.
§ 1º - As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos não poderão ser alteradas sem prévia concordância do contratado.
§ 2º - Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas econômico- financeiras do contrato deverão ser revistas para que se mantenha o equilíbrio contratual.
Conforme o disposto, a Administração Pública pode alterar a qualquer tempo a prestação da responsabilidade do contratante, sem que este possa se opor, tendo apenas, o direito à compensação financeira, sempre em benefício às necessidades públicas. Deve ainda, acompanhar a execução dos contratos, orienta, fiscalizar, interditar e de intervir, avocando a execução do contrato.
i) Mutabilidade
A Lei ainda estabelece limite quantitativo às alterações, à medida que, ao permitir acréscimos e supressões de, até 25%, para obras, serviços ou compras, e de 50%, no caso de reforma de edifício ou equipamento, impõe ao contratado a obrigação de acatá-los até o montante de 25% ou 50%, do valor do contrato, não podendo os acréscimos implicar alterações do seu objeto. 85
Cabe, por fim, salientar que, ao mesmo tempo em que a Administração Pública possui prerrogativas, também se submete a restrições impostas pela lei, como é o fato da proibição expressa de alteração do objeto do contrato, em que fica demonstrado que o legislador teve o cuidado de limitar a abrangência do poder da Administração Pública.86