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Categorias para análise da Tarefa EITERSA

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 59-62)

Estas categorias referem-se às estratégias de regulação emocional de mães e pais diante da manifestação de expressões emocionais de tristeza e de raiva dos(as) filhos(as). Estas expressões das crianças participantes foram codificadas de maneira observacional, através de

múltiplas modalidades, consistindo de expressão facial, da entonação verbal e da expressão corporal.

Especificamente, codificou-se a expressão facial de raiva e tristeza, através de seus indicadores globais manifestados pelos participantes, tal como proposto por Hubbard (2001).

O sistema de codificação utilizado por Hubbard adotou uma perspectiva de abordagem do informante cultural, que pressupõe que o conhecimento dos observadores da expressão emocional decorra da experiência pessoal (que se pode considerar, a partir da perspectiva sociocultural, como sendo compartilhada, em boa medida, pelos membros da cultura).

Tal abordagem é recorrentemente adotada em estudos observacionais, como o de Gross e Levenson (1993), que examinaram aspectos específicos de regulação e expressão emocional.

Uma abordagem alternativa, seria a de usar sistemas de codificação validados e mais detalhados disponíveis para medir a expressão emocional, como o sistema de codificação de ação facial emocional (FACS; Ekman & Friesen, 1976). De uma perspectiva prática, no entanto, e como argumenta a autora, esses sistemas apresentam alguns obstáculos (exigências técnico/tecnológicas mais sofisticadas, treinamento formal longo), além do que se prestam a estudos que tem como foco aspectos que requerem maior detalhamento das expressões faciais e microanálises, o que não corresponde aos objetivos dessa tese.

Tanto para a codificação das expressões faciais quanto para as demais modalidades das expressões emocionais (entonação verbal e expressão corporal), foram usados indicativos relevantes no contexto sociocultural aqui estudado, para manifestações de raiva e tristeza, adaptados de Hubbard (2001). As definições adotadas para as categorias usadas são fornecidas a seguir:

Expressão facial: codificou-se, nesta modalidade, as expressões faciais de raiva e tristeza, sendo que a expressão facial de raiva foi identificada por sobrancelhas franzidaspara dentro, abaixadas, boca expressando uma “linha rígida”; já a expressão facial de tristeza, foi codificada a partir da presença de cantos dos lábios esticados e virados para baixo, e olhos voltados para baixo.

Entonação verbal: codificou-se nesta modalidade as entonações verbais de raiva e tristeza, sedo que a entonação verbal de raiva foi identificada por emissão de um som forte assemelhado a um rosnado. A entonação verbal de tristeza foi codificada a partir de uma voz baixa com uma inflexão descendente.

Expressão corporal: codificou-se as expressões corporais associadas à raiva e tristeza.

Identificou-se a expressão corporal de raiva por arremessar um objeto com força, balançar o punho com o movimento de parecer socar algo, bater com a mão na cabeça ou em algo

denotando um tapa; levantar um ou os dois pés e ficar batendo forte no chão; apontar o dedo para alguém em movimento que parece denotar acusação; esticar o nariz para cima. A expressão corporal de tristeza foi codificada por cobrir o rosto; cobrir a boca com as mãos; suspirar, ou seja, emitir ar com força pelo nariz ou pela boca; declinar no assento, sentando em uma postura mais baixa.

Nesse estudo foram tratadas além das expressões emocionais das crianças, as reações e estratégias de regulação emocional de mães e pais diante da possível manifestação de expressões emocionais de tristeza e de raiva dos(as) filhos(as). Desse modo, foram definidas as seguintes categorias de análise, sendo suas definições operacionais adaptadas de Morris et al.

(2011):

Estratégias de regulação emocional (mães e pais)

As estratégias foram codificadas de acordo com a tentativa ou não das mães e dos pais de auxiliar a regulação emocional do(a) filho(a), com as possibilidades de “não tenta”, pontuando 0 (zero), e “tenta”, pontuando 1 (um). Na tentativa de auxiliar a regulação emocional da criança, realizou-se categorização das estratégias usadas, que poderiam variar entre os seguintes tipos:

“Redirecionar atenção”; “Conforto físico”; “Reavaliação cognitiva” e “Supressão emocional”.

As definições operacionais são as que se seguem:

“Não tenta”: a mãe ou o pai não se envolve na reação da criança ao manifestar uma expressão emocional (tristeza ou raiva) em função da tarefa. Neste caso, a mãe ou o pai podem não procurar confortá-la e, principalmente, podem não oferecer alternativas de resposta emocional.

“Tenta”: a mãe ou o pai se envolve na reação da criança que manifesta uma expressão emocional (tristeza ou raiva) em função da tarefa. Neste caso, os pais podem redirecionar a atenção da criança para outro foco; podem oferecer algum conforto físico (como um abraço);

podem ressignificar para a criança, a situação emocional vivida.

Ressalta-se que as tentativas ou não de utilização de estratégias de regulação emocional de mães e pais foram consideradas somente a partir da manifestação emocional de tristeza e/ou raiva por parte das crianças. A proposição da tarefa previu a possibilidade de alguma criança não expressar nem tristeza nem raiva, podendo exibir ou não outras expressões emocionais que, caso surgindo, não seriam consideradas nesse estudo.

As categorias de estratégias de regulação emocional que poderiam ser utilizadas por pais estão descritas a seguir:

Redirecionar atenção: a mãe ou o pai se envolve na reação da criança que manifesta uma expressão emocional (tristeza ou raiva), promovendo a estratégia de redirecionamento da atenção. Tal redirecionamento da atenção implica a tentativa de mudança de foco da atenção da criança e pode se dar, por exemplo, mostrando um objeto ou brinquedo existente na casa, conversando ou contando uma história que possa interessar à criança ou fazendo a criança lembrar um evento que fora importante ou marcante.

Conforto físico: a mãe ou o pai se envolve na reação da criança que manifesta uma expressão emocional (tristeza ou raiva), promovendo a estratégia de conforto físico, que se refere à possibilidade de fazer um acolhimento através de, por exemplo, pegar no colo, verbalizações, como “está tudo bem”, fazer carinho/afago, ou de comportamentos que denotem suporte de calma e “calor” físico, como dar as mãos, e dar abraço.

Reavaliação cognitiva: a mãe ou o pai se envolve na reação da criança que manifesta uma expressão emocional (tristeza ou raiva), promovendo a estratégia de reavaliação cognitiva, que auxilia a criança na modificação da trajetória de uma resposta emocional. Desta maneira, a criança pode receber suporte para alterar o impacto ou a intensidade emocional. Os pais podem assim, ajudar a criança a avaliar e reinterpretar a situação emocional de maneira diferente da experimentada pela criança. Os pais podem indicar propósitos ou perspectivas diferentes diante do episódio emocional. Se a criança, durante a realização da tarefa, recebe como presente uma meia pequena que não lhe sirva, os pais podem tentar, por exemplo, utilizar a meia para brincar de fantoche ou dizer que a meia pode ser dada a uma criança pequena que ficará contente em receber.

Supressão emocional: a mãe e ou o pai não se envolve na reação da criança que manifesta uma expressão emocional (tristeza ou raiva), promovendo a estratégia de supressão emocional, que rejeita a expressão de uma resposta emocional e/ou inibe a expressão, no intuito de reduzir sua intensidade. Desta maneira, a criança não recebe suporte acolhedor para lidar com o episódio emocional. Os pais podem assim, não se engajar, podem desvalorizar, inibir, ou mesmo menosprezar a situação emocional. Se a criança, por exemplo, manifestar comportamento de birra ou de frustração, os pais ao fazerem uso dessa estratégia, tentam impedir, reprovar e/ou desqualificar a manifestação emocional da criança.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 59-62)