OS 90 ANOS DA CRISE DE 1929
3. CAUSAS
Nessa seção o artigo aborda as quatro principais causas da Crise de 1929 nos EUA, na época com 121 milhões de habitantes: (i) Superprodução; (ii) Subconsumo; (iii) Especulação financeira; e (iv) Expansão do crédito bancário.
3.1 SUPERPRODUÇÃO
A diminuição das exportações americanas é devido à recuperação econômica dos países da Europa Ocidental como o Reino Unido, a França, a Holanda e a Itália, a partir de 1921.
Quando a oferta é maior do que a demanda por produtos percebe-se a superprodução (overproduction). A superprodução industrial provocou estoques e prejuízos econômicos desde 1925. Nos EUA, a média, era de um carro para cada 6 pessoas.
Ocorreram demissões e contenção de despesas, devido ao alto estoque de bens industrializados como automóveis e comidas enlatadas.
Ocorre também uma superprodução agrícola, principalmente, de trigo, logo, o produtor no campo não encontra comprador interno ou externo. Ressalta-se que nos EUA, em 1920, as propriedades rurais tinham 25 milhões de cavalos, 246 mil tratores, quatro mil colheitadeiras de grãos, além de 139 mil caminhões.
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A superprodução de petróleo e de carro (linha de montagem do Ford Modelo T desde 1914) prejudicou os negócios dos homens mais ricos dos EUA, John D. Rockefeller e Henry Ford.
3.2 SUBCONSUMO
Quando ocorre o excedente de produção de bens, ou seja, o que não é consumido, surge então o subconsumo (underconsumption). Por exemplo, o excedente de produção de carros das marcas Ford, Chrysler e General Motors nos EUA gerou o subconsumo em 1929.
Pode-se verificar que ainda ocorre uma forte diminuição do consumo de bens e serviços na economia americana provocada pelos seguintes fatores: (i) Saturação do mercado interno com a diminuição da campanha publicitária; (ii) Forte retração do mercado interno; (iii) A queda do poder aquisitivo não acompanhava a produção de bens industrializados; (iv) Exploração de operários e ausência de leis trabalhistas; e (v) Elevada concentração de renda (10% mais ricos detinham 90% da Renda Nacional).
Acabou o lema "buy now, pay later" (compre agora, pague depois) da prosperidade, sem limites, em uma escala nunca vista na sociedade americana. Milhões com roupas novas compraram títulos de liberdade (liberty bonds), ações (stocks) carros (cars) ou chapéus (hats), mas, com a crise econômica aumentou o contingente de americanos sem dinheiro, sem consumo de bens e serviços.
Vários economistas consideram que a depressão econômica não foi só oriunda da superprodução, mas, também provocada pelo subconsumo, ou seja, o consumo inferior às necessidades. Com política de queda salarial nos EUA só aumentou o subconsumo.
3.3 ESPECULAÇÃO FINANCEIRA
A prosperidade financeira mais fictícia do que o lucro real da empresa, não acompanhava o crescimento que se verificava nos preços das ações, sejam elas ações ordinárias (ON) ou ações preferenciais (PN), provocando altos investimentos na Bolsa de Valores de Nova York (New York Stock Exchange - NYSE), fundada em 1792, na famosa Wall Street, número 11, com a compra exagerada de ações das empresas como United States Steel Corporation, General Motors, Ford, Chrysler, Standard Oil Company, Singer, Kodak, P&G e Coca-Cola.
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Uma ação é a menor parcela do capital social de uma empresa de sociedade anônima. O valor da ação subia cada vez mais no pregão da NYSE. "No início de 1928, o valor de uma ação da Radio Corporation of America (RCA) custava 85 dólares; em setembro de 1929, seu valor havia subido para 505 dólares" (CAMPOS; MIRANDA, 2005, p.465), ou seja, um crescimento absoluto de US$ 420 e um aumento relativo de 494,11%.
Em 24 de outubro de 1929 foi uma quinta-feira negra (black thursday) e ocorreu a grande queda (the great crash) da NYSE, em Wall Street. O Índice Dow Jones teve forte queda, 12,8 milhões de ações disponibilizadas com preço em forte redução, sem compradores, um grande desastre financeiro. A desvalorização das ações ordinárias e ações preferenciais foram de 10 bilhões de dólares no único e drástico pregão.
A quinta-feira de 24 de Outubro é o primeiro dia que a história se identifica com o pânico de 1929. (...) Nesse dia, 12.894.650 ações mudaram de dono, muitas delas a preços que destruíram os sonhos e as esperanças dos que as possuíam. [...] Cerca das onze horas, o mercado tinha degenerado numa confusão doida e desenfreada para vender [...]. Às onze e meia era verdadeiramente o pânico. [...] Ajuntamentos formaram-se em volta de sucursais das firmas de corretores na cidade e por todo o país. [...] Os suicídios sucediam-se e onze especuladores bem conhecidos tinham já morrido (Galbraith, 2009).
Em 29 de outubro de 1929 foi uma terça-feira negra (black tuesday) e aconteceu a grande quebra (the great crack) da NYSE e uma nova queda do Índice Dow Jones. As ações despencaram em mais de 40% de seu valor. Um alto volume de ações à venda e os preços despencaram no pregão.
O novo pânico em Wall Street, 16,4 milhões de ações foram postas à venda no pregão, a preços bem baixos, mas não foram compradas, e levaram os acionistas à bancarrota no país mais rico do planeta, com uma perda de US$ 14 bilhões.
No colapso financeiro (financial collapse) de outubro de 1929, milhões de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dólares. Muitos perderam tudo que tinham. Muitos investidores cometeram atos de suicídio nos altos prédios de Nova York, a maior cidade dos EUA e uma das maiores cidades do mundo.
A quebra na Bolsa de Valores de Nova York - o centro financeiro mundial - piorou drasticamente a taxa de desemprego, causando a deflação e a forte redução nas vendas de bens e serviços, que por sua vez obrigaram ao encerramento de inúmeras empresas comerciais e industriais por todo o país, elevando o contingente de desempregados.
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Nas ruas das cidades americanas, os filhos dos desempregados estavam com cartazes "Why can't you give my dad a job?" (Por que não dá um emprego ao meu pai?) ou os próprios desempregados vendendo maçãs (apples) por cinco cents cada.
3.4 EXPANSÃO DO CRÉDITO BANCÁRIO
Os bancos americanos como JP Morgan Bank ofereciam muito crédito, a juros baixos, para estimular as produções agrícola e industrial e ao mesmo tempo elevar o consumo das famílias, além da especulação financeira, já que entre 1924 e 1929, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) alcançou mais de 300%.
A expansão do crédito bancário muito fácil deflagrou um colapso financeiro nos EUA e nos países capitalistas como o Canadá. Depois dos EUA, o Canadá, o segundo maior país do mundo, foi o país mais atingindo duramente durante a Grande Depressão.
O fácil acesso ao crédito nos bancos, com nenhuma regulamentação governamental, incentivou mais empréstimos, com uma taxa de juros baixa do FED (Federal Reserve System), o banco central americano e fundado em 1913. "Em 1929 existiam 25 mil bancos no país, em 1933 estavam reduzidos a menos de 15 mil" (CAMPOS;
MIRANDA, 2005, p.466), portanto, mais de nove mil bancos faliram nos EUA entre 1929 e 1933.
Em seu best-seller Dicionário de economia do século XXI, para o economista Sandroni (2008, p.204) a crise econômica significa:
Perturbação na vida econômica, atribuída pela economia clássica a um desequilíbrio entre produção e consumo, localizado em setores isolados da produção. (...) Na economia capitalista, embora também possam ocorrer perturbações derivadas da escassez, as crises econômicas características do sistema são as de superprodução. (...) A mais série crise econômica mundial foi a de 1929-33, chamada Grande Depressão.
As ações das empresas sofreram uma queda vertiginosa na NYSE, perdendo quase todo o seu valor inicial. As empresas foram forçadas a reduzir a produção e demitir os seus funcionários. A corrida bancária dos clientes por dinheiro nos bancos provou o caos econômico, financeiro e social nos EUA, era a Grande Depressão. Totalmente diferente dos
"anos felizes" durante os anos de 1919-29.
Em seu valioso Dicionário de economia do século XXI, o economista Paulo Sandroni (2008, p.237) define a depressão econômica como a "Fase do ciclo econômico em que a
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produção entre em declínio acentuado, gerando queda nos lucros, perda do poder aquisitivo da população e desemprego".
O desemprego muito elevado revela a depressão econômica, pois a forte retração da economia abala os diversos setores econômicos, e sobretudo, afeta a bolsa de valores.
Com a forte queda da bolsa de valores, por exemplo, em 8 de julho de 1932, o índice Dow Jones fechou em 41,22 pontos, momentos de grande incerteza por parte dos investidores.
A depressão econômica dos anos 30 faliu muitas empresas e bancos nos EUA.