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O CONSUMO CHINÊS

No documento a recessão das nações (páginas 42-47)

Para Adam Smith (1996, pp.223-224) o consumo era sempre crescente no grande império da China:

A diferença entre o preço da mão de obra em dinheiro na China e na Europa é ainda

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maior do que a diferença entre o preço dos mantimentos em dinheiro, nas duas regiões, pois a remuneração real do trabalho é mais elevada na Europa do que na China, já que a maior parte da Europa está desenvolvida, ao passo que a China ainda parece estacionária.

Ao abrir sua economia em 1979 até 2008, o PIB chinês cresceu em média de 10%

ao ano por 30 anos consecutivos. Desde 2009 até os dias atuais ocorre à desaceleração econômica da China.

A China é uma grande consumidora mundial de petróleo, carvão, minério de ferro, soja, carne bovina, entre outros produtos primários. Atualmente, o consumo é o novo motor da China. A China é o primeiro mercado mundial de vinho tinto e o segundo consumidor global de conhaque. É líder mundial no consumo de bicicletas, de cimento, de calçados, entre outros produtos industrializados. É a maior consumidora global de automóveis, celulares, smartphones e drones comerciais. A República Popular da China encontra-se em segundo lugar no ranking mundial no consumo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

Conforme Smith (1996, p.235), em pleno Século das Luzes, enfatizou que:

O comércio dos suecos e dinamarqueses com a Índia Oriental começou no decurso do século atual. Até os moscovitas agora mantém comércio regular com a China, através de uma espécie de caravanas, que atravessam por terra a Sibéria e a Tartária, indo até Pequim. (...) O consumo de porcelana da China e das especiarias das Molucas, das quinquilharias de Bengala e de inúmeros outros artigos, aumentou mais ou menos em proporção semelhante.

A antiga Rota da Seda era realizada por caravanas de cavalos e camelos que transportavam as riquezas da milenar China para a Europa. Precisamos defender a livre concorrência, o livre mercado, o livre comércio para gerar mais riquezas nas nações.

Precisamos lutar contra o monopólio e o protecionismo na economia mundial.

Recentemente, a China denunciou os Estados Unidos à OMC por guerra comercial (EL PAÍS, 2019). Chega de ondas de tarifas de importação! O Brasil e o mundo são afetados pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Na encantadora A Riqueza das Nações, Smith (1996, p. 235) enfatizou que:

Ora, nas Índias Orientais, especialmente na China e no Industão, o valor dos metais preciosos, quando os europeus começaram a manter comércio com aqueles países, era muito mais alto do que na Europa, e ainda hoje assim é. (...) Consequentemente, a comitiva de uma pessoa de posição na China ou no Industão é, assim, em todos os sentidos, muito mais numerosa e esplêndida do que a dos indivíduos mais ricos da Europa.

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Ao escrever em 1776, Adam Smith (1996, p.236) observou que:

(...) como já se observou, o preço real do trabalho, a quantidade real de produtos vitais que é dada ao trabalhador, é menor, tanto na China como no Industão, os dois grandes mercados da Índia, do que na maior parte da Europa. (...) Mas, em países de artes e indústria iguais, o preço monetário da maior parte dos manufaturados será proporcional ao preço do trabalho em dinheiro; e nas artes manufatureiras e industriais, a China e o Industão, embora inferiores, não parecem ser muito mais inferiores a qualquer parte da Europa.

A China sofre com os Estados Unidos, que acusam de práticas comerciais injustas, acusam os chineses de roubar propriedade intelectual, de enormes subsídios em diversos setores da economia chinesa. Mais de 100 multinacionais já anunciaram planos de mudar a produção industrial para fora da China, para outros países asiáticos como Vietnã e Índia, por exemplos, Microsoft, Citizien e Nokia fecharam suas fábricas em Guangzhou, além do clima muito conturbado com os protestos de estudantes em Hong Kong por democracia.

De acordo com o filósofo escocês Adam Smith (1996, p.261):

A quantidade desses metais nos países mais distantes das minas deve ser mais ou menos afetada por essa riqueza ou pobreza, devido ao transporte fácil e barato dos metais, de seu pequeno volume e grande valor. Sua quantidade na China e no Industão deve ter sido mais ou menos afetada pela riqueza das minas da América.

No Livro Segundo, Adam Smith não cita a China nos seus cinco capítulos, como também, não comenta a China no Livro Terceiro, nos seus quatro capítulos. Já no Volume II, Livro Quarto, Capítulo III, o economista britânico Adam Smith (1996, p.468) cita novamente a China e no qual destacou, "A maior parte desse capital inglês reporia os capitais empregados na Virgínia, no Industão e na China – capitais que proporcionariam renda e sustento aos habitantes desses longínquos países".

A China é a maior produtora e consumidora de arroz (cereal) e de ouro (metal precioso) do mundo na atualidade. O preço de um produto oscila muito, sobe e desce, no mercado. O ouro sempre foi mais caro, mais valioso do que o arroz na China imperial ou na China moderna. O arroz é um produto agrícola com mais utilidade para o chinês, mas o ouro por ser um metal raro requer mais trabalho produtivo, logo é mais caro.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Passados dois séculos e quarenta e três anos, Adam Smith na pequena e portuária

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Kirkcaldy, jamais poderia sonhar que seus pensamentos econômicos e sua cativante defesa da liberdade econômica, do livre mercado, fossem repercutir tanto nos dias atuais, diante de uma guerra comercial, diante de uma desaceleração mundial, à beira de uma recessão global. As bolsas de valores de Shanghai e Hong Kong estão em ligeira queda.

As crises econômicas são cíclicas. As crises econômicas afetaram a economia dos Estados Unidos, já se passaram quase 11 anos desde a Crise de 2008, além de quase 90 anos da Crise de 1929. Estamos em plena desaceleração da economia mundial, e piorando com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do planeta, e agravando-se a cada medida de cunho protecionista, com as tarifas de importação cada vez mais altas, em outras palavras, rumo à recessão das nações. A recessão econômica já atingiu a Argentina e a Itália, por exemplos.

A obra magna do economista clássico Adam Smith completará 250 anos em 2026, um ano histórico para a China, quando retornará a sua posição de maior economia do planeta. Do motor a vapor no século XVIII ao robô no século XXI, o pensamento liberal é defender o direito à propriedade privada e a livre iniciativa. O papel-moeda foi inventado pelos chineses na dinastia Tang (618 a 907 d.C.) e provavelmente, serão os primeiros habitantes da Terra, a realizar compras com pagamento pelos QR Codes em todas as transações, sem uso do papel-moeda.

Nos dias de hoje, com A Riqueza das Nações podemos aprender a arte de pensar livremente e de produzir livremente também, além de realizar a escolha conforme o próprio interesse, e sobretudo, aprender mais com o melhor livro científico de Adam Smith, assim, pode interagir com as escolhas dos outros agentes econômicos no Brasil, na China, na Rússia, nos Estados Unidos e no mundo.

Muitos brasileiros gostam muito de comida chinesa. Poucos brasileiros gostam de ler muitos livros e eBooks nas bibliotecas. Pouquíssimos brasileiros sabem que o eBook A Riqueza das Nações é um infoproduto na atualidade. Uma leitura, uma releitura ou uma nova leitura da obra clássica de Adam Smith poderá contribuir para entender o poder da especialização do trabalho e da produtividade no crescimento econômico chinês em plena Quarta Revolução Industrial.

Em uma análise final, observo que a China nos dias atuais enfrenta uma histórica desaceleração econômica, o envelhecimento da população e a dívida pública elevada.

Hoje, os Estados Unidos têm um PIB nominal de US$ 20 trilhões contra US$ 14 trilhões da

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China (FMI). Mas, em 2026, a minha projeção é de um provável cenário econômico é que o PIB chinês alcançará 26 trilhões de dólares americanos contra os 25 trilhões do PIB norte-americano. Em suma, a China alcançará a hegemonia econômica mundial nos próximos sete anos.

REFERÊNCIAS

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EL PAÍS. China denuncia os EUA à OMC por guerra comercial. Disponível em:

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/04/economia/1567583555_787469.html.

Acesso em: 09 de setembro de 2019.

FAO. Food and agriculture data. Disponível em:

http://www.fao.org/faostat/en/#home. Acesso em: 25 de agosto de 2019.

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25 de agosto de 2019. FMI. Lista de países por PIB (Paridade do Poder de Compra).

ISTO É DINHEIRO. Reservas internacionais da China sobem a US$ 3,107 tri em agosto. Disponível em: https://www.istoedinheiro.com.br/reservas-internacionais-da- china-sobem-a-us-3107-tri-em-agosto/. Acesso em: 09 de setembro de 2019.

LIMA, Sérgio Eduardo Moreira (Organizador). Brasil e China: 40 anos de Relações Diplomáticas: Análises e documentos. Brasília: FUNAG, 2016.

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MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. 6ª. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

MOCHÓN, Francisco. Princípios de Economia. São Paulo: Pearson, 2013.

NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. O século da China. São Paulo: National Geographic Society, 2008.

SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia no século XXI. São Paulo: Record, 2008.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. Os Economistas. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

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No documento a recessão das nações (páginas 42-47)