NÃO DEMONSTRADA A EXISTÊNCIA DE CULPA EXCLUSIVA OU CONCORRENTE DA VÍTIMA, BEM COMO A OCORRÊNCIA DE CASO
2.4 Causas Excludentes e Atenuantes da Responsabilidade
5. que o agente, ao causar o dano, aja nessa qualidade; não basta ter a qualidade de agente público, pois, ainda que o seja, não acarretará a responsabilidade estatal se, ao causar o dano, não estiver agindo no exercício de suas funções.
Essas regras exigidas pelo art. 37 da Constituição Federal de 1988 demonstram
que se tratando de pessoa jurídica de direito público, ou sendo sua delegada, que esteja
prestando serviço público, e que por ventura causarem danos a terceiros, a responsabilidade
de indenização recai sobre o Estado.
As causas excludentes da responsabilidade do Estado, são aquelas que de alguma maneira, importando a culpa e as diversas situações pelo qual foi praticado o ato, de alguma maneira irresponsabilizam o Estado pelo evento danoso.
Elucidando sobre força maior Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2004, p. 554), conceitua como “acontecimento imprevisível, inevitável e estranho à vontade das partes, como uma tempestade, um terremoto, um raio. Não sendo imputável à Administração, não pode incidir a responsabilidade do Estado; não há nexo da causalidade entre o dano e o comportamento da Administração”.
Nesse mesmo assunto, discorrendo sobre a exclusão da responsabilidade objetiva, Celso Antonio Bandeira de Melo (2003, p. 883) afirma que “eventual invocação de forç a maior [...] é relevante apenas na medida em que pode comprovar ausência de nexo causal entre a autuação do Estado e o dano ocorrido”. Ou seja, se o dano foi produzido por força maior, não foi causado pelo estado, não podendo este ser responsabilizado por tal dano.
A mestre Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2004, p. 555) também faz referência ao caso fortuito, “em que o dano seja decorrente de ato humano, de falha da Administração”, não ocorrendo assim a mesma exclusão da força maior.
Diógenes Gasparini (2004, p.876), divergindo do pensamento de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, conceitua força maior e caso fortuito:
[...] acontecimento, imprevisível e irresistível, causado por força externa ao Estado, do tipo do tufão e da nevasca (caso fortuito) ou da greve e da grave perturbação da ordem (força maior). Destarte, demonstrado que o dano é uma decorrência de acontecimentos dessa ordem, não há o Estado que indenizar, dado não ter sido ele o causador do dano, conforme decisões de nossos Tribunais, a exemplo do STF (RDA,128:554) e do Tribunal de Justiça de São Paulo (RT, 509:141). Assim, demonstrado o estado de imprevisibilidade e de irresistibilidade do evento danoso, nada mais é necessário para liberar a Administração Pública da obrigação de indenizar o dano sofrido pela vítima.
A jurisprudência concorda com a exclusão da responsabilidade civil do Estado nos casos acima apresentados:
Admitindo o caso fortuito ou de força maior e a culpa exclusiva da vítima como excludentes da responsabilidade civil objetiva do Estado, merece destaque o seguinte precedente: "o princípio da responsabilidade objetiva não se reveste de caráter absoluto, eis que admite o abrandamento e, até mesmo, a exclusão da própria responsabilidade civil do Estado, nas hipóteses excepcionais configuradoras de situações liberatórias, como o caso fortuito e a força maior, ou evidenciadora de culpa atribuível à própria vítima" (Ap. Cível nº 27.524-5 - Campinas – 4ª Câmara de Direito Público -Rel. Eduardo Braga -3-12-98, v. u.).
Ementa: Indenização -Fazenda Pública -Responsabilidade Civil - Morte de preso na Casa de Detenção - Nexo de Causalidade entre o evento e a ação ou omissão
da Administração - Inexistência - Autor do homicídio que agiu em legítima defesa - Culpa da vítima configurada – Incidência da teoria do risco administrativo e não do risco integral – Art. 37, §6º, da Constituição Federal – Ação Improcedente – Recurso não provido.
A culpa exclusiva da vítima também é causa excludente da responsabilidade.
Roberto Senise Lisboa (2002, p.272) afirma que a culpa da vítima “é a violação do dever jurídico que proporciona dano ao próprio violador, durante o exercício da atividade perigosa, pelo agente ou seu subordinado”.
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2004, p.555), citando um julgado, dita que:
Quando houver culpa da vítima, há que se distinguir se é sua culpa exclusiva ou concorrente com a do poder público; no primeiro caso, o Estado não responde; no segundo, atenua-se a sua responsabilidade, que se reparte com a da vítima (RTJ 55/50, RT 447/82 e 518/99).
A exclusão pode acontecer também, decorrente de culpa exclusiva de terceiro, explicada por Roberto Senise Lisboa (2002, p.272) como “a violação do dever jurídico de terceiro que proporciona dano à vítima, durante o exercício da atividade perigosa, pelo agente ou seu subordinado”.
Pode também acontecer a ocorrência simultaneamente de culpa da vitima e de terceiro, assim, explica Roberto Senise Lisboa (2002, p.273), “nesse caso o terceiro pode vir a ser responsabilizado, pela via regressiva, na proporção de sua participação para a causação do evento danoso”.
Diógenes Gasparini (2004, p. 875) ilustra alguns julgados que demonstram a exclusão da responsabilidade:
Por certo não se há de admitir sempre a obrigação de indenizar do Estado. Com efeito, o dever de recompor os prejuízos só lhe cabe em razão de comportamentos danosos de seus agentes e, ainda assim, quando a vítima não concorreu para o dano, embora nessa hipótese se possa afirmar que o Estado só em parte colaborou para o evento danoso. Se a vítima concorreu para a ocorrência do evento danoso atribui-se-lhe a responsabilidade decorrente na proporção de sua contribuição, conforme decidiu o então TFR na vigência na Constituição Federal anterior (RDA, 137:233), mas de plena aplicabilidade no regime da Lei Maior vigente. De sorte que não se cogita da responsabilização do Estado por dano decorrente de ato de terceiro (RDA, 133:199) ou de fato da natureza (vendaval, inundação), salvo a hipótese de comportamento estatal culposo. Isso é mais que óbvio. Em suma, diz- se que não cabe responsabilidade do Estado quando não se lhe pode atribuir a autoria do ato danoso. [...]