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Feitas tais considerações, a opção metodológica deste acadêmico é classificar o contrato em si mesmo, de acordo com o conteúdo, forma, sujeitos, tempo e previsão legal, bem como apresentar a classificação reciprocamente considerada.

Na medida em que o contrato produza obrigações para as duas partes ou apenas para uma delas, será ele bilateral (ex.: compra e venda) ou unilateral (ex.: depósito).

Com relação aos contratos unilaterais, pode-se entender como sendo aqueles em que só uma das partes se obriga em relação à outra; assim sendo, um dos contratantes é exclusivamente credor, enquanto o outro é exclusivamente devedor. É o caso da doação pura e simples, em que apenas o doador contrai obrigações, ao passo que o donatário só aufere vantagens, nenhuma obrigação assumindo, salvo o dever morar de gratidão. É o caso de ainda do depósito, do mútuo, do mandato, além do comodato55.

Já os contratos bilaterais, são aqueles que criam obrigações para ambas as partes e essas obrigações são recíprocas; cada uma das partes fica adstrita a uma prestação. É o que acontece com a Compra e Venda em que o vendedor fica obrigado a entregar alguma coisa ao outro contratante, enquanto este, por seu turno, se obriga a pagar o preço ajustado. Como bem se percebe, as obrigações criadas pelo contrato bilateral recaem sobre ambos os contratantes; cada um destes é ao mesmo tempo credor e devedor; o vendedor deve a coisa alienada, mas é credor do preço; o comprador, por sua vez, é devedor do preço, mas credor da coisa adquirida56.

contrato.

Art. 480 - Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. Cf. BRASIL.

Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 15 jan. 2011.

54 Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Cf. BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>.

Acesso em: 15 jan. 2011.

55 GOMES, Orlando. Contratos. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 71.

56 GOMES, Orlando. Contratos. p. 71.

Nessa classificação, é possível falar, por certo, em uma visão multilateral, na medida em que haja mais de dois contratantes com obrigações, como é o caso do contrato de constituição de uma sociedade por exemplo.

Quando o contrato estabelece apenas uma ‘via de mão única’, com as partes em posição estática de credor e devedor, pelo fato de se estabelecer uma obrigação apenas para uma das partes, como na doação simples, falar-se-á em contrato unilateral. Porém, havendo obrigações recíprocas, como na compra e venda, fala-se em contrato bilateral.

Há, no entanto diversos tipos de contrato, ou seja, quando as obrigações se equivalem, como na compra e venda, fala-se em um contrato comutativo.

Assevera Diniz57 que há nos contratos cumulativos a idéia de equivalência de prestações

“[...] cada contratante, além de receber do outro prestação relativamente equivalente à sua, pode verificar, de imediato, essa equivalência”.

Para Gagliano58 o contrato cumulativo “é o que, uma das partes, além de receber prestação equivalente a sua, pode apreciar imediatamente essa equivalência, como na compra e venda”.

Prossegue o autor59 afirmando que nos “contratos aleatórios, as partes se arriscam a uma prestação inexistente ou desproporcional, como exemplos, seguros, empréstimos. Simplificando, é o contrato de decisões futuras, em que uma parte é responsável por elas acontecerem ou não60”.

Já quando a obrigação de uma das partes somente puder ser exigida em função de fatos futuros, cujo risco da não ocorrência for assumido pelo outro contratante, fala-se em contrato aleatório, disposto nos arts. 458/46161 do Código Civil, como é o contrato de seguro.

57 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil brasileiro: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais.

p. 89.

58 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos teoria geral. v. I. Tomo I. São Paulo:

Saraiva, 2010. p. 54.

59 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos teoria geral. p. 54.

60 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos teoria geral. p. 54.

61 Art. 458 - Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.

Art. 459 - Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço recebido.

Art. 460 - Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato.

Art. 461 - A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser anulada como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a consumação do risco, a que no contrato se

Na hipótese das partes estarem em iguais condições de negociação, estabelecendo livremente as cláusulas contratuais, fala-se em contrato paritário, diferentemente do contrato de adesão, onde um dos contratantes impõe as cláusulas do negócio jurídico.

Nesse sentido Gagliano62 traz sua definição sobre os contratos paritários, afirmando que

“são os que realmente são negociados pelas partes, discutindo e montando-o dentro das formalidades da lei”.

Prossegue o autor com relação ao contrato de adesão, dispondo que:

são os contratos em que todas as cláusulas são previamente estipuladas por uma das partes, de modo que a outra no geral mais fraca e na necessidade de contratar, não tem poderes para debater as condições, nem introduzir modificações, no esquema proposto63.

Ainda nesta classificação, os contratos podem ser segundo Gagliano:

Consensuais, se concretizados com a simples declaração de vontade, ou reais, na medida que exijam o pagamento da coisa.

Quanto aos sujeitos, podem ser intuitu personae (como o contrato de emprego) ou impessoais, na medida em que somente interessa o resultado da atividade.

Quanto ao tempo, podem ser instantâneos, de trato continuado ou de prestação diferida, na medida em que se dualizam imediatamente, sucessivamente ou em data posterior à celebração.

Quanto à forma, os contratos podem ser solenes ou não-solenes, na medida em que se exija, para sua celebração, a prática formal de atos jurídicos. A forma livre é a regra no nosso país, embora haja contratos solenes como o de compra e venda de imóvel acima do valor legal64.

Por fim, quanto à previsão legal, pode-se falar em contratos nominados ou inominados, na medida em que estejam previstos expressamente na lei, ou seja, fruto da criatividade na autonomia da vontade.

considerava exposta a coisa. Cf. BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 15 jan. 2011.

62 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos em espécie. v. IV. Tomo 2. São Paulo:

Saraiva, 2010. p. 34.

63 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos em espécie. p. 34.

64 GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso de Direito Civil: contratos em espécie. p. 34.

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