2.3 Perspectivas ao Desenvolvimento Regional
2.3.2 Cluster
Conhecer e entender os atores e as políticas públicas de desenvolvimento regional, utilizar os melhores meios e determinar estratégias de comunicação para atingir os fins esperados são algumas ações para integração regional do turismo. Analisar o ambiente em que estão inseridos os processos de regionalização e do desenvolvimento turístico, bem como os fatores importantes que impactam na sua cultura, é fator essencial da comunicação eficiente e eficaz. O processo de regionalização é feito por pessoas e com pessoas, e para que as pessoas se entendam, é necessário diálogo e comunicação planejada e eficiente, visando à mobilização, à conscientização e à vontade de mudança.
A comunicação responsável e participativa é imprescindível para o desenvolvimento regional do turismo e trabalhar em conjunto é uma tarefa muito mais difícil do que fazer um trabalho solitário, porém, a condição de sobrevivência em tempos de extrema competitividade surge do fortalecimento do grupo.
De acordo com Porter (1999, p. 104),
um cluster geralmente melhora a reputação de uma região em determinado setor, aumentando as oportunidades de os compradores procurarem as empresas ali sediadas. A reputação da Itália em moda e design, por exemplo, beneficia as empresas ligadas a produtos de couro, calçados, vestuários e acessórios.
A vantagem competitiva de um local, região ou cidade não surge habitualmente em empresas isoladas, mas em clusters de empresas, ou seja, em empresas da mesma indústria, atreladas entre si através de relações do tipo cliente/fornecedor (KOTLER;
JATUSRIPITAK; MAESINCEE, 1997). Sendo assim, os clusters representam melhoria de relações e infraestrutura numa determinada área.
Segundo Lastres e Cassiolato (2003), o termo cluster faz referência a aglomerados territoriais de empresas, desenvolvendo atividades semelhantes.
Posteriormente, outros autores e instituições, que passaram a adotar o modelo de clusters, assim o definiram: No contexto dos estudos empresariais esta terminologia é empregada quando em uma determinada região geográfica um grande número de empresas dedica-se a produzir o mesmo tipo de produto ou serviço (ALMEIDA;
FISCHMANN, 2002; ZACCARELLI, 2000).
Zaccarelli (2000, p.198) afirma que, “o cluster existe naturalmente, mesmo que as empresas que dele participam não tenham consciência de sua existência”, e esclarece que “um cluster não é uma organização formalizada de empresas, na qual elas se inscrevem e ganham uma carteirinha de membro do cluster, como se fosse um clube ou associação”. Humphrey e Schmitz (1995, p.8), por sua vez o definem como:
uma concentração geográfica e setorial de empresas. Tal concentração será beneficiada por economias externas – o surgimento de fornecedores para matérias primas e componentes, maquinário novo e de segunda-mão, peças de reposição, concentração de trabalhadores com habilidades setoriais específicas, podendo também atrair agentes de vendas para mercados distantes e serviços especializados de caráter técnico, financeiro e contábil.
Schmitz (1997) descreve que clusters permitem alcançar ganhos de eficiência coletiva, proporcionando vantagens competitivas as quais, raramente, empresas isoladas alcançariam. Na mesma linha de pensamento está Zaccarelli et al. (2008), afirmando que as empresas pertencentes aos clusters de negócios obtêm maiores vantagens competitivas sobre empresas concorrentes individuais.
Rosenfeld (1996) contribui relatando que o cluster pode ser interpretado como uma aglomeração de empresas independentes concentradas em determinado espaço geográfico, que se beneficiam das mesmas oportunidades e enfrentam as mesmas dificuldades.
Os operadores do projeto Chihuahua Siglo XXI – México (1998): refletem que o cluster pode ser entendido como um grupo econômico formado por empresas ou indústrias abrigadas em uma região, apoiadas por outras que fornecem matéria prima e serviços sustentados por organizações com profissionais qualificados, altas tecnologia, ambiente propício para os negócios e infraestrutura física (LOPES NETO, 1998).
Altemburg e Meyer-Stamer (1999), em seus estudos e experiências na América Latina, definiram que clusters são aglomerações razoavelmente extensa de firmas, em uma área espacialmente delimitada, com perfil de especialização distinto e na qual o comércio entre empresas é substancial.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, (FIEMG), no Projeto Cresce Minas:
[...] um conjunto de empresas e entidades que interagem, gerando e capturando sinergias, com potencial de atingir crescimento competitivo contínuo superior ao de uma simples aglomeração econômica. Nele, as empresas estão geograficamente próximas e pertence à cadeia de valor de um setor industrial. Essa integração das empresas gera, entre outros benefícios, redução de custos operacionais, e dos riscos apresentados, aumento da qualidade dos produtos e serviços, acesso à mão de obra mais qualificada, atração de capital, criação de empreendedores e melhor qualidade de vida (FIEMG, 2000, p. 16).
Após estudos sobre clusters industriais e suas origens no campo teórico, Igliori (2001, p. 111) emitiu a seguinte definição: “[...] o cluster é caracterizado pela
concentração espacial e setorial de empresas, em que o desempenho dessas, pelo menos parcialmente, é explicado pela interdependência existente entre firmas”.
A Monitor Group (2001, p. 33), consultoria contratada pelo Governo da Bahia para estabelecimento do Cluster do Entretenimento da Bahia: “Cluster é um conjunto de empresas e entidades paralelas que estão direta e indiretamente relacionadas à cadeia produtiva de uma indústria de uma região e envolve organizações do setor público, privado e institucional”.
O investimento em bens públicos é geralmente considerado como função do governo, mas o conceito de cluster evidencia que os recursos e as instituições locais beneficiam as empresas. Nesse sentido, as associações comerciais podem se transformar em fóruns para a troca de ideias e em centros de ação coletiva para superar obstáculos que contrapõe a produtividade e o crescimento.
Analisando as definições anteriormente apresentadas, além de outras disponíveis na literatura sobre o tema, pode-se verificar que, apesar de reduzidas variações conceituais, estão presentes essas premissas básicas, quais sejam, a concentração geográfica de um setor produtivo, que compartilha os mesmos propósitos e almeja o alcance de resultados coletivos.
Garrido (2001) reúne uma série de conceitos sobre cluster, que podem ser visualizados de modo sintético na Figura 04.
Figura 04 – Definição de clusters na percepção de diferentes autores.
Fonte: elaborado pela autora, adaptado de Garrido (2001).
Além de melhorar a produtividade, os clusters desempenham um papel primordial na capacidade de inovação permanente das empresas. Já que os consumidores mais exigentes costumam fazer parte do cluster, as empresas participantes geralmente dispõem de opções mais adequadas para o mercado do que seus concorrentes isolados.
Ao mesmo tempo, o contato permanente com outras entidades do cluster contribui para que, as empresas saibam com antecedência como a tecnologia está evoluindo, qual a disponibilidade de componentes e máquinas, quais os novos conceitos de serviço e marketing, elevando assim o poder econômico das mesmas (PORTER, 1999).
A noção de cluster assemelha-se perfeitamente à ideia de arranjos produtivos locais (APL). Alguns autores abordam ambas as terminologias ao se referir às aglomerações de empresas especializadas em produtos ou serviços com ênfase
numa área geográfica limitada. O conceito de APL é introduzido de forma integrada e mostra-se abrangente e complexo ao buscar esclarecer os elos de encadeamento.
Geralmente, um arranjo produtivo é compreendido como uma aglomeração produtiva de pequenas e médias empresas de uma mesma atividade econômica, que cooperam e competem entre si. Os objetivos são idênticos, todos direcionados ao estimulo do desempenho e competitividade das indústrias através do incentivo à inovação, no intuito de promover o desenvolvimento econômico e social sustentável.
A discussão teórica pode ter diversos destaques, mas o que vale é aplicar a teoria adequada para transformar a realidade. O modelo APL é adequado às ideias das teorias econômicas apresentadas neste capítulo, quanto à função, a responsabilidade e aos papéis dos atores no desenvolvimento regional, pois ele contempla o comprometimento das organizações públicas e privadas.
O conceito de arranjos produtivos locais – APL – será abordado com mais detalhes na seção seguinte.