3 METODOLOGIA
A proposta de nossa pesquisa é investigar as percepções que atores sociais carregam a respeito de suas próprias memórias como aprendizes da L.I e da execução das provas de qualificação em Inglês, a partir de uma análise empreendida por meio do Sistema de Avaliatividade. Para tanto, escolheu-se criar Grupos Focais que serviriam como um espaço para compartilhamento de ideias.
Cada grupo participou de uma reunião que durou cerca de duas horas. As opiniões foram coletadas a partir de gravações de áudio, que foram transcritas por mim;
também exerci papel de mediadora, embora fosse interessante haver um observador externo, que provavelmente enriqueceria a discussão com um olhar não preconcebido. Infelizmente, não foi possível contar com um, dadas as adversidades com relação às agendas. No entanto, vale mencionar que, inicialmente, havia um psicólogo disposto a exercer tal papel; entretanto, tal projeto não teve continuidade.
A fim de coletar os dados para esse estudo, criei um roteiro de temas divididos em dez tópicos aplicados a dois Grupos Focais, sendo um composto de sete participantes e outro de seis, com sujeitos assim caracterizados: seis já foram submetidos às avaliações supracitadas para que obtivessem seus graus de Mestre e/ou Doutor; três foram meus alunos durante determinado período, com objetivos gerais de aprendizagem das quatro habilidades, e quatro não foram alunos meus, mas de outros institutos.
Nossa pesquisa enquadra-se em uma abordagem qualitativa de cunho etnográfico, uma vez que apresenta viés interpretativo para compreender as ações e opiniões dos sujeitos supracitados em seu próprio meio (acadêmico e profissional), a fim de verificar se eles dialogariam ou não com o olhar da própria pesquisadora- autora a respeito do conhecimento de LI anteriormente conquistado em cursos de idiomas e seu uso em exames de proficiência linguística. Teis e Teis (2006, p. 1) colaboram nesse sentido: "Trata-se de gerar dados aproximando-se da perspectiva que os participantes têm dos fatos, mesmo que não possam articulá-la".
sugiram soluções de cunho qualitativo, a fim de se melhorar, a partir das análises de dados ali obtidas, algum aspecto e observar em profundidade saídas que garantam melhor performance (GOMES; BARBOSA, 1999), seja para uma empresa que comercializa determinado produto ou serviço, seja para um centro de ensino, para que aperfeiçoem suas técnicas. O que o Grupo Focal proporciona, segundo Dias (2009), é uma reflexão mais subjetiva das informações com fluxo de detalhes mais extenso, e, portanto, um conhecimento mais subjetivo de quem dele participa. Esse grupo geralmente é composto por seis a dozes participantes.
Todo grupo focal tem um moderador que deve contribuir com uma abordagem investigativa e observadora para conduzir a discussão, cuidando que nenhum dos participantes seja colocado em evidência em detrimento de outro que fique silenciado, garantindo, assim, que todos tenham oportunidade de expor seus pontos de vista.
Uma sessão não deve exceder duas horas e o roteiro que se estabelece não deve ser pensado estritamente; este é apenas um elemento para ajudar a manter o grupo em uma linha e garantir que os participantes possam ter respeitados os seus direitos aos turnos conversacionais. Porém, deve-se ter em mente que os assuntos não serão obrigatoriamente encerrados por esse roteiro.
Há de se observar que o Grupo Focal gera dados qualitativos e não quantitativos e, por isso, não é capaz de oferecer uma verdade única e geral, não permitindo generalizações, porque essa técnica ouve a um determinado grupo, a uma determinada classe, dá ênfase a um determinado objetivo em dado momento.
Nesse trabalho, a autora do estudo também atuou como moderadora. Em primeiro momento, fez-se um grupo focal constando de seis participantes, para então, posteriormente, realizar-se outro encontro com outros sete. Infelizmente, por não poder contar com um moderador que observasse externamente os dados obtidos por meio das conversas e que muito contribuiria com suas observações, sabemos que captação de reações e motivações dos participantes do grupo podem não ter sido totalmente contempladas (GOMES; BARBOSA, 1999).
Organizar um Grupo Focal pode ser demorado e difícil. Além disso, como moderadora, foi necessário tomar cuidado para que os atos enunciativos não tomassem um comportamento demasiado alocutivo (CHARAUDEAU, 2008, p. 82) de superioridade por parte do enunciador nem que alimentasse papel de inferioridade;
minha preocupação recaíra sobre a garantia dos turnos aos interlocutores do
processo. A condução ordenada da discussão é importante para que as falas não se misturem nem criem uma atmosfera caótica que poderia até prejudicar o turno de fala de algum dos participantes.
Inicialmente, apliquei um questionário a todos os membros participantes, constando de perguntas que remetiam a informações pessoais, como nome e se prefeririam ser identificados por siglas; dele também constavam dados sobre idade, escola em que estudaram, se fizeram cursos de inglês e se ainda estudam em alguma instituição. Em seguida, aplicou-se, aos dois grupos, um mesmo roteiro de perguntas. Nele, foram levantadas as opiniões sobre suas experiências individuais acerca da efetividade da aprendizagem de inglês em um curso de idiomas, seus sentimentos frente a realização de avaliações que possam vir a testar a proficiência de seu conhecimento para a classificação ou qualificação nos cursos de Mestrado e Doutorado; também foram levantados os seguintes assuntos: quais são os estilos de aprendizagem de cada um dos que participaram dessa pesquisa e como julgam que deveriam ser os cursos de inglês para seu perfil e para sua necessidade atuais.
A última parte da discussão se concentrou nos seguintes temas: os cursos ou mesmo aulas particulares conseguem atender às necessidades do aluno para a execução de tais provas? E, se conseguem, qual foi a melhor estratégia percebida para tal? Como operacionalizar estilos viáveis de se ensinar, a partir da abordagem centrada nas necessidades do aluno?
Durante a discussão, todo cuidado foi necessário para que não houvesse indução dos dados, o que acarretaria "poluição" dos mesmos. Essa foi uma questão fulcral para o bom andamento do grupo.
O roteiro elaborado para a condução da discussão deu origem aos seguintes temas globais:
Tema 01: a experiência individual com relação ao contato com língua inglesa (presentes nas perguntas 1- 3 e 7).
Tema 02: habilidades necessárias e preferências para a aprendizagem (perguntas 4- 6).
Tema 03: como analisam a possibilidade do uso da língua materna em sala de aula (perguntas 8- 10).
Tendo esse quadro como condutor de temas recorrentes, retiramos, de cada um dos três temas globais, propostos como núcleos de discussão, as orações ou
fragmentos maiores constantes das falas dos participantes para serem posteriormente analisados.
Além disso, foram enviadas por e-mail a seis participantes, aqueles que passaram pela experiência de realizar exames em Inglês para admissão em Mestrado e Doutorado, mais quatro perguntas ligadas especificamente à realização de seus exames de proficiência de diferentes áreas.
Os sujeitos dessa pesquisa têm diferentes perfis como alunos, com diferentes visões, pois acreditamos que, com as diversas vozes trazidas para dentro do discurso, teremos resultados interessantes para compartilhar.