mercado internacional de mercadorias, até então, distribuídas apenas no mercado doméstico, assim, ficou estabelecida a OMC.
Nos próximos decênios, essa forma normatizadora econômica terá que ceder, pelo menos em parte, o seu lugar a uma nova visão global da gestão planetária baseada na coexistência de regimes econômicos, sociais, políticos e, sobretudo culturais diversos. Será cada vez mais difícil omitirem-se os poderes mundiais de enfrentar planejada e articuladamente os fenômenos do desarmamento mundial, da defesa do meio ambiente, da miséria e subdesenvolvimento que inviabilizam uma ordem mundial razoavelmente equilibrada e permanente.
seu ápice no fim do século XIV83.
Nesse mesmo século, o comércio intra-europeu incitado pelo progresso dos povos ibéricos na rota das Índias, fortificou-se facilitando a formação dos impérios coloniais europeus.
Em meados do século XVI, o comércio europeu avança até as costas do Pacífico, havendo conquistas de terras, formação de colônias, fartura de variedade e quantidade de produtos; fortificando os impérios coloniais e viabilizando o surgimento de um mercado mundial.
O Poder dos impérios alternava-se, e a hegemonia Britânica, nos mares do mundo, durante o período medieval até o início do comércio de manufaturas, atribuiu à Inglaterra o título de império colonial e comercial mais importante da história. Razão pela qual a Inglaterra tinha uma posição confortável junto à economia mundial.
Até o final do século XVII, o comércio internacional vivia a era do mercantilismo84 na qual se gravou a prática de barreiras comerciais e o surgimento de um capitalismo comercial principiante. Dessa feita, com o aparecimento do capitalismo de manufaturas, deu-se início a novas indústrias e, com elas, nova fase de relacionamento econômico entre os países. Surge o livre cambismo85,o qual teve seu auge entre 1860 a 1880.
Nesse período, foram assinados acordos e tratados entre potências econômicas européias. Tais documentos eram cheios de princípios claros de normas do comércio internacional, de cujas aplicações surgiram os primeiros ensaios de uma integração econômica internacional.
Uma nova economia mundial surge após a primeira grande guerra.
Existiam dois pólos de domínio mundial: Um centralizado no governo central, o então chamado socialista; e, outro, de economia de mercado, conhecido por economia capitalista.
83 TAMAMES,Ramón, HUERTA Begonã G. Estructura econômica iternacinoal, 19. ed. Madrid:
Alianza, 1999, p.26-28.
84 Mercantilismo – caracterizado pelo comércio em que subordinava tudo ao interesse: doutrina do enriquecimento das nações pela acumulação dos metais precioso. AULETE, Caldas. Dicionário língua portuguesa. 3. ed. Rio de janeiro: Delta, v.3,m. 1980.
85 Livre Cambismo – aquela situação das relações econômicas que era possível o comércio internacional sem travas comerciais nem barreiras alfandegárias verdadeiramente importantes, nem tão pouco existiam obstáculos sérios para os movimentos dos fatores de produção (capitais e trabalhadores). TAMAMES, Ramón, HUERTA Begonã G. Estructura econômica iternacinoal.p.32.
Essa transformação, na qual a economia mundial passou, consentiu o surgimento de grandes desequilíbrios entre as nações, e o livre cambismo foi cedendo lugar ao bilateralismo86como forma predominante das relações econômicas internacionais. Esse último foi marcado por restrições quantitativas ao comércio de bens, o controle de câmbio e acordo de clearing87.
Dessa forma, a economia mundial era formada por um modelo misto de bilateralismo e multilateralismo88, de acordo com os interesses de cada país.
Desfez-se o pólo socialista, registrando-se um novo processo de integração comercial, que teve como marco a queda do muro de Berlin, em 1989.
O pós-guerra, como mencionado no item anterior, é caracterizado por um processo de organização econômica ímpar na história. Surgem as organizações econômicas normatizadora do comércio internacional, como a Declaração de Princípios das Nações Unidas, no qual o Brasil aderiu em 1943. A Conferência de Bretton Woods realizada em agosto de 1944, criando o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
Os mercados mundiais passam a coadunar-se intensamente, as distâncias deixam de ser obstáculos para a negociação entre países e continentes, fronteiras são rompidas, tudo isso com a grande evolução dos meios de comunicação e da informática. Esse universo acabou estimulando novas relações econômicas e comerciais entre países, tornando-os mais interdependentes no que se refere a comércio, serviços, tecnologia, e investimentos.
De acordo com Toledo89,
Nos últimos anos, a globalização de produtos e mercados tem ocupado permanentemente a discussão acadêmica e a ação dos executivos.
Trata-se de uma tendência irreversível que tem ditado o comportamento estratégico das empresas. A sobrevivência e o crescimento não estão
86 Bilateralismo – prática comercial entre dois países de interesses econômico comum, através de acordos onde ambos têm direitos e obrigações.
87 Acordos de Clearing significa que um saldo comercial no final de um exercício de um país não poderá ser utilizado para aquisição de produtos fora deste país. (Compensação de créditos e débitos).
88 Multilateralismo – Prática comercial entre mais de dois países de interesse econômico comum, através de acordos onde todos têm direitos e obrigações. HERZ, Organizações Internacionais.
p.21.
89 TOLEDO,Geraldo L.; SILVA, Fernando S. Markenting e competitividade. In XVI ENANPAD – Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração.
Canela-RS, 1992. Anais. Editado pela presidência da ANAPAD, Salvador – BA, 1992,v.5 – Marketing, p.185.
vinculados apenas a bons produtos. O acesso á tecnologia de ponta e aquisição de know-how, por exemplo, são outros ingredientes indispensáveis ao sucesso competitivo.
Drucker (1994) 90 enfatiza ainda, que:
[...] vivemos numa economia cujos recursos mais importantes não são instalações e máquinas, mas conhecimento, e onde os trabalhadores do conhecimento compõem a maior parte da força de trabalho... O conhecimento é um bem móvel, transferível e altamente vendável.
Nesse artigo, Ducker realça a celeridade e a grande demanda de informações que são viabilizados aos cidadãos com o advento da internet, sendo que de um lado é um fator altamente positivo para a atualização das empresas e seus executivos, de outro permite acelerar a concorrência e disputar competitividade com muitos, num mercado, que, cada dia que passa, torna-se mais único.
Leciona Stelzer:
Dessa forma, quando determinados eventos econômicos entraram em acelerado desenvolvimento, uma série de acontecimentos disparou como mola desarticuladora do sistema internacional.
A terra carece de um processo de gestão planetária. Na fase em que se vive a regulação dos mercados começa a escapar da mão das grandes empresas multinacionais para exigir formas de controle supranacionais, baseadas em amplos acordos, estratégias e planos de ação de conjuntos de Estados, de empresas, de instituições de pesquisa e prospectivas.
Contudo, dialeticamente, são essas barreiras e limites que geram e organizam a vida social e econômica contemporânea. De alguma forma, pois, elas terão que se auto-reformar para abrir caminho às novas fases de desenvolvimento.
90 DRUCKER, Peter. E-EDUCAÇÃO. Revista Exame. n. 12, 14. jun. 2000. 716 ed, p.64.
2.4 A GLOBALIZAÇÃO E OS FATORES DE INSTABILIDADE PARA O