3.2 INTERNATIONAL SHIP AND PORT FACILITY SECURITY CODE
3.2.1 A Implementação do ISPS Code
O ISPS110 estabelece que a companhia deve providenciar um plano de proteção, o qual enfatiza a responsabilidade do comandante. Esse terá
109PORTO DE ITAJAÍ. Casemiro destaca importância do programa de segurança portuária.
[S.I.: s.n.]. Disponível em: http://www.portoitajai.com.br/noticias/det_noticia.php?vfNot_cod=902>.
Acesso em 5 jun. 2006.
110MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. Conteineres brasileiros com destino aos EUA serão vistoriados. [S.I.: s.n.], 2005. Disponível em:
<http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio> Acesso em: 20 ago.2005.
autoridade absoluta e é responsável por tomar decisões relativas à segurança e proteção do navio e à solicitação de assistência da Companhia ou de qualquer Governo Contratante, caso necessário.
Cada companhia deve estabelecer o plano de proteção de navios baseados nos níveis de segurança estabelecidos pelos Governos Contratantes do acordo. Os portos de Itajaí e São Francisco do Sul em Santa Catarina estão certificados com o nível 1 de proteção. Esse é o nível que normalmente os navios e instalações portuárias operam. Para o nível 1 a empresa deve garantir que as medidas preventivas contra acidentes sejam corretamente cumpridas. Essas medidas têm como objetivo a identificar e tomar a ações preventivas contra incidentes de proteção cabíveis, da seguinte forma: assegurar a execução de todas as tarefas relacionadas com a proteção do navio; controlar o acesso ao navio; controlar o embarque de pessoas e seus pertences; monitorar áreas de acesso restrito a fim de assegurar que somente pessoas autorizadas tenham acesso às mesmas; monitorar áreas de convés e em torno do navio;
supervisionar o manuseio de cargas de provisões do navio; e assegurar que informações relativas à proteção estejam prontamente disponíveis111.
Mesmo operando em portos de nível 1, todas as embarcações devem ter planos de proteção para os três níveis de segurança. Os níveis 2 e 3, são compostos de medidas adicionais ao nível 1, que são específicas a cada nível.
Com base na avaliação de ameaça para os portos que a frota irá operar, o CSO (Company Security Officer) providenciará uma Avaliação de Proteção do Navio (SSA), considerando os seguintes itens a bordo do navio: proteção física;
integridade estrutural; sistemas de proteção do pessoal; política de procedimentos; sistemas de rádio e telecomunicações, incluindo sistemas e rede de informática; outras áreas que, caso danificadas ou utilizadas para a observação ilegal representem um risco para pessoa, propriedades, ou operações a bordo do navio ou dentro das instalações portuárias112. O plano de proteção deve considerar todos os pontos de acesso à embarcação, considerando também as pessoas, atividade, serviços e operações que serão realizadas na embarcação.
111 SINDMAR. 2004.
112 SINDMAR. 2004.
A preparação de um plano de proteção eficaz deve se basear na avaliação completa de todas as questões relacionadas à proteção do navio, incluindo, uma apreciação plena das características físicas e operacionais e os tipos de viagem, de um determinado navio. O plano também deve conter planos de proteção a todos os acessos do navio, identificando-os de forma apropriada, indicando as restrições ou proibições de acesso para os três níveis de proteção. O SSP irá definir o tipo de proteção para cada nível. Através desses planos podem ser elaborados sistemas apropriados de identificação, concedendo identificações temporárias ou permanentes, para o pessoal de bordo e visitantes. Qualquer que seja o plano elaborado, esse deve ser coordenado com o sistema aplicado às instalações do porto.
Todas as pessoas que queiram subir a bordo de navios estarão sujeitas à revista. A freqüência dessas revistas pode ser aleatória e devem ser estipuladas pelo SSP e ser especificamente aprovada pela Administração do porto em que a embarcação esteja operando.
As áreas restritas do navio devem estar devidamente estabelecidas, sob o firme propósito de impedir o acesso não autorizado, proteger os passageiros, o pessoal de bordo, o pessoal da instalação portuária ou outras agências autorizadas a subir a bordo. Também devem restringir o acesso às áreas de proteção sensíveis dentro do navio e proteção à carga e às provisões do navio de qualquer tipo de violação.
Considerando o nível 1 de proteção, as medidas de restrição aplicadas incluem a trava ou fechamento dos pontos de acesso, equipamentos de vigilância para monitorar as áreas, a utilização de vigias e patrulhas. O plano de segurança do navio também poderá contar com a utilização de dispositivos automático de detecção de intrusão para alertar o pessoal de bordo sobre o acesso não autorizado113.
O ISPS Code também considera a proteção ao manuseio das cargas.
Essas medidas podem ser aplicadas em conjunto com a instalação portuária.
Para o Nível 1 de segurança, é feita a verificação rotineira da carga, das unidades de transporte e espaço de cargas antes e durante a operação e uma verificação
113 TRAINMAR. Código ISPS. Disponível em; www.trainmar.com.br/paginas/isps. Acesso em 12.
ago. 2005.
para garantir que o carregamento feito coincide com a documentação. Também serão verificados os lacres e qualquer outro método para a prevenção de violação. As inspeções podem ser visuais ou físicas, e contar com a utilização de equipamentos de detecção ou escaneamento, além de dispositivos mecânicos.
Para um Plano de Proteção do Navio seja eficaz, o pessoal de bordo deve ser capaz de detectar atividades fora do navio, tanto em terra quanto na água. A cobertura de segurança deve incluir a área interna e externa do navio, tendo a capacidade de identificação de pessoal nos pontos de acesso facilitado. O Plano de segurança do navio deve conter procedimentos e medidas de proteção específicos, caso opere em portos de um Estado não Contratante do ISPS Code.
No Porto de Itajaí, as medidas estão sendo devidamente aplicadas e os documentos de procedência estão sendo exigidos. Em cada escala do navio, ó feito um relatório indicando as pessoas que entraram a bordo, serviços realizados e informando também como foi realizada a operação de cargas. Após a operação do navio, outro relatório é elaborado para ser entregue no próximo porto de escala.
Dessa forma, os níveis de segurança de acordo com o ISPS Code implicam necessariamente em estabelecer melhorias da infra-estrutura administrativa e física, seja em equipamentos, tecnologia e na formação e capacitação de recursos humanos de tal forma que possam ser absorvidos por todos os atores da comunidade portuária como meio de assegurar a aplicação homogênea da nova norma de proteção portuária.