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COMO AUMENTAR

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É possívelque você e sua comunidade identifiquem a necessidade de aumentar os gastos públicos destinados à criança e ao adolescente. O crescimento de despesas, no entanto, depende da disponibilidade de recursos, seja por meio de sua melhor alocação, seja pelo aumento da receita. Portanto, para otimizar os gastos públicos com a criança e o adolescente é necessário conhecer com quais fontes de recursos a prefeitura conta para realizá-los. Na verdade, a receita de um município tem ori- gem em diversas fontes, algumas sob o comando direto da prefeitura (tributos ar- recadados) e outras que dependem da União ou dos estados (transferências).

Além disso, há uma parte dos recursos da prefeitura, que compõe um caixa único, cujos gastos podem ser priorizados, e uma outra parcela que é vinculada, isto é, os recursos obtidos possuem uma destinação previamente definida.

Entre os recursostotais de que a prefeitura dispõe, que chamamos de receita própria, há a parcela composta pelos tributos que ela cobra diretamente e outra proveniente de transferências constitucionais da União e do estado. Os recursos da prefeitura obtidos pela venda de bens que ela possui (carros, máquinas e equipamentos, ter- renos, edifícios, ações etc.) também compõem a receita própria, mas não são re- ceitas permanentes devido à sua própria natureza e só podem ser destinadas à rea- lização de despesas de capital (obras, instalações, aquisição de veículos, máquinas etc.) por serem considerados receitas de capital. Os tributos arrecadados por ação direta da prefeitura são o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o Imposto sobre a Trans- missão de Bens Intervivos (ITBI) e as diversas taxas. De fato, estes constituem os verdadeiros recursos próprios do município, pois os critérios para sua cobrança e o montante da arrecadação dependem única e exclusivamente da ação do Poder Le- gislativo e Executivo do município. Apesar do potencial arrecadador que esses tri- butos representam, sobretudo o IPTU e o ISS, nem sempre os municípios os co- bram adequadamente, fazendo com que eles não tenham grande representação no total da receita da prefeitura.

Da Uniãoe dos estados, os municípios recebem dois tipos de recursos: as transferências constitucionais e as transferências voluntárias. As primeiras estão previstas na Constituição Federal ou em leis que determinam o repasse permanente de recur- sos em razão da atribuição de determinada competência ao município. Devem

4.1. AUMENTANDO OS RECURSOS PARA O ORÇAMENTO CRIANÇA E ADOLESCENTE

Os recursos para o Orçamento Criança e Adolescente são

originários principalmente de tributos arrecadados pelos municípios

e de transferências do Governo Federal.Conheça essas fontes de

recursos e veja como é possível incrementá-los.

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ser consideradas receita própria do mu- nicípio, pois são repassadas permanen- te e automaticamente. Nesse caso, en- quadram-se os recursos que chegam aos municípios por meio do Fundo de Par- ticipação dos Municípios (FPM), repas- se de parcela de diversos impostos co- brados pela União ou pelos estados, co- mo o Imposto Territorial Rural (ITR) e o Imposto sobre Circulação de Merca- dorias e Serviços (ICMS) (veja quadro seguir) e transferências para promoção da educação (Fundo de Desenvolvi- mento da Educação e Valorização do Magistério – Fundef), saúde (Sistema Único de Saúde – SUS) e assistência social (Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS).

Entre as transferênciasconstitucionais, desta- ca-se o repasse pelo estado de 25% do ICMS para os municípios. De acordo com a Constituição Federal, 75% desse recurso deve ser distribuído consideran- do a movimentação comercial (valor agregado fiscal) medida todos os anos em cada município. Os 25% restantes devem seguir critérios estabelecidos em lei estadual, envolvendo o cumprimento de quesitos nas diversas áreas sociais – que podem ser metas de escolaridade, proteção ambiental, participação da re- ceita própria do município em relação a sua receita total etc.

As transferênciasvoluntárias que chegam aos municípios são fruto de convênios, ter- mos de cooperação entre União e muni-

cípio ou entre estado e município. Não devem ser consideradas como receita própria, porque seu repasse é descontí- nuo e sujeito a demandas específicas.

Elas podem ser destinadas à promoção de ações em qualquer área social ou eco- nômica (desenvolvimento econômico, educação, turismo, assistência social etc.). Para serem autorizadas, estão su- jeitas à formulação de um projeto básico e a diversas exigências legais de presta- ção de contas, as quais ocorrem antes, durante e depois do recebimento dos re- cursos. O não enquadramento em tais exigências pode implicar na interrupção da transferência.

Como dissemos, parte dos recursos da prefei- tura integra um caixa único e outra constitui recurso vinculado. A destina- ção dos recursos do caixa único se defi- ne pela disputa política que se estabe- lece internamente na administração municipal, principalmente durante o processo de elaboração do orçamento.

Já os recursos vinculados têm sua desti- nação legalmente predefinida seja por força de lei ou convênio e não estão sujeitos à disputa alocativa. Muitas ve- zes, envolvem a existência de contra- partida por parte da prefeitura, que po- de levá-los a sofrer alguma influência daquela disputa, uma vez que tais re- cursos devem vir das disponibilidades do caixa único. Na verdade, há pelo menos quatro tipos de recursos vincu- lados, classificados a partir da sua base legal ou da sua finalidade:

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(a) Os recursos transferidos por força constitucional: recursos da saúde repas- sados para pagamento de procedimen- tos de saúde ou recursos da educação re- passados por meio do Fundef; em alguns casos, podem ser repassados fundo a fundo, por exemplo, do Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde da cidade.

(b)Os recursos oriundos de convênios:

por exemplo, recursos oriundos do Fun- do Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o município no Programa Nacional de Saúde do Escolar.

(c)Os recursos definidos por lei que de- vem integrar fundos: é o caso do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente que recebe, obrigatoria- mente, recursos para despesas com a promoção da infância e da adolescência.

(d)Os recursos originários de operações de financiamento.

4.2. ATUANDO SOBRE AS RECEITAS PRÓPRIAS DO MUNICÍPIO

Atuar para incrementar as receitas próprias é fundamental, pois os municípios brasi- leiros são dependentes das transferên- cias, sobretudo as constitucionais. Se fôssemos considerar somente os tributos por eles cobrados, os municípios teriam à sua disposição apenas 8% dos recursos.

Contudo, após as transferências, eles passam a dispor de 29% de todo o di- nheiro público arrecadado. Embora isso seja positivo dentro do pacto federativo – acordo de cooperação entre as três es- feras de governo para melhor atender à população –, essa situação demonstra uma fragilidade financeira dos municí- pios brasileiros. Conforme dados da Se- cretaria do Tesouro Nacional (STN), para conseguir prestar seus serviços, im- plementar seus programas sociais e fazer investimentos, cerca de 40% dos muni- cípios brasileiros possuem receitas entre 95 a 100% dependentes das transferên- cias constitucionais. Isso certamente li- mita as possibilidades de ação desses mu- nicípios, já que eles não têm como au- mentar suas receitas por esforço próprio.

A maioriadesses municípios deve essa realidade à sua fragilidade econômica, pois as con- dições econômicas das empresas e dos cidadãos que ali vivem não permitem a obtenção de uma receita expressiva. Em alguns casos, entretanto, ainda prevale- ce a cultura da não cobrança de tributos e da prática de renúncia fiscal de forma abusiva. A renúncia fiscal é a liberação, pelo Poder Público, do recolhimento de parte dos tributos dos contribuintes, vi- sando algum benefício para a cidade ou para alguma instituição, em razão da na- tureza de sua atividade econômica. De acordo com a Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, as renún- cias praticadas devem constar em qua- dro próprio da Lei do Orçamento Anual e a concessão de novas renúncias deve ser descrita na Lei de Diretrizes Orça- mentárias, acompanhada de demons- trativo de seu impacto orçamentário- financeiro, sendo exigida a prévia redu- ção de despesa ou equivalente aumento da receita para compensação da perda de receita.

Para aumentaros recursos próprios do municí- pio visando beneficiar o OCA, você po- de considerar pelo menos três ações de vigilância social: (1) levantamento e análise do perfil da receita do município e da renúncia fiscal praticada; (2) veri- ficação da regulamentação e efetiva co- SIGA POR AQUI

O pagamento das transferências voluntárias depende do atendimento de exigências cadastrais e de prestação de contas, além do cumprimento dos percentuais constitucionais de saúde e educação, assim como dos estabelecidos na Lei

Complementar nº 101/00 (pessoal e dívida). Entretanto, é possível que o órgão repassador, estado ou União, esteja com problemas financeiros ou administrativos, ou

mesmo sofrendo resistências políticas para processar a transferência. Há ainda casos em que a própria prefeitura deixa de providenciar os documentos disponíveis e necessários para a liberação dos recursos.

Procure conhecer a causa desse problema para organizar corretamente sua mobilização.

Busque, sempre que possível, a ajuda de um parlamentar para confirmar os motivos da interrupção da transferência.

Verificando por que as transferências voluntárias

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