• Nenhum resultado encontrado

Comportamento Estrutural dos RCD

No documento Revista Científica (páginas 82-85)

1. IntRoDução

3.1. Comportamento Estrutural dos RCD

A deformabilidade das diferentes camadas que constituem o pavimento foi estudada com base na retroanálise das deflexões medidas durante os ensaios FWD. Deste modo, estimaram-se os módulos de deformabilidade de todos os pontos ensaiados no pavimento e procedeu-se, posteriormente, ao tratamento estatístico dos resultados, de forma a deter- minar o módulo de deformabilidade máximo, mínimo e médio de cada uma das camadas dos diferentes trechos experimentais, bem como, o desvio padrão e o coeficiente de varia- ção dos valores obtidos.

Os resultados obtidos são os apresentados no Quadro 4.

Quadro 4 – Módulos de deformabilidade médios obtidos para os agregados granulares.

Campanha S1 - MBB S2 - BBM S3 - ABGE S4 - 70% ABGE + 30% MBF

N.º Data Máx. Min. Média Desvio CV Máx. Min. Média Desvio CV Máx. Min. Média Desvio CV Máx. Min. Média Desvio CV 3 04-09-2012 260 160 190 42 22,3 160 130 142 16 11,3 390 210 286 62 21,8 330 300 320 17 5,4 4 26-10-2012 (a) (a) (a) (a) (a) 310 250 282 21 7,6 400 350 372 19 5,2 390 300 355 40 11,4 5 24-04-2013 260 180 206 26 12,8 330 210 285 38 13,4 330 190 253 41 16,3 380 300 338 32 9,5 (a) Secção experimental não ensaiada

Na retroanálise teve-se em consideração as deflexões registadas no impacto referente ao maior nível de carga aplicado (65 kN). Importa ainda referir que se procedeu à corre- ção dos módulos de deformabilidade da camada betuminosa tendo em conta o efeito da temperatura.

Na Figura 5 apresenta-se a variação do módulo de deformabilidade em cada secção expe- rimental, considerando as três campanhas de ensaios analisadas. Note-se que a campanha 3 foi executada sobre a camada granular, enquanto as campanhas 4 e 10 foram realizadas sobre a camada betuminosa, depois de concluída a construção do pavimento.

83

Estudo do Comportamento de Resíduos de Construção e Demolição Aplicados em Camadas não Ligadas de Pavimentos

Figura 5 – Variação do módulo de deformabilidade estimado para as camadas granulares.

Procedeu-se à comparação dos resultados numéricos obtidos através da modelação dos ensaios FWD, que têm como base o modelo elástico linear, com os valores das extensões me- didas na instrumentação (extensómetros). Com esta análise pretendeu-se avaliar a adequabili- dade do modelo elástico na modelação da deformabilidade do pavimento durante os ensaios de carga. Para esse efeito, utilizou-se o programa BISAR adoptando-se os módulos de deformabi- lidade obtidos para os diversos pontos ensaiados em cada secção experimental.

Na Figura 6 apresentam-se os resultados obtidos em dois dos pontos analisados. Nestes gráficos estabelece-se uma comparação relativa entre as extensões medidas pelos extensó- metros (eixo das ordenadas) e as extensões calculadas através do programa BISAR (eixo das abcissas), consoante o valor da carga aplicada pelo FWD.

Figura 6 – Comparação entre as extensões medidas pelo FWD e as obtidas através do BISAR.

Na grande maioria dos pontos ensaiados observou-se uma tendência semelhante à apre- sentada na Figura 6. Deste modo, constatou-se que as extensões calculadas são, de uma for- ma geral, superiores às medidas, o que significa que o pavimento apresenta nos ensaios uma deformabilidade menor que a considerada pelo modelo adoptado. Tal situação permite concluir que a utilização do modelo elástico linear foi conservativa.

Na avaliação da capacidade de carga de pavimentos flexíveis, com base em ensaios não destrutivos, deve-se ter em consideração o efeito da temperatura dada a sua elevada influência na deformabilidade dos materiais betuminosos. Por esse motivo, e sabendo que os ensaios FWD foram executados em diferentes condições, uma vez que a temperatura nos vários pontos ensaiados variou, calculou-se um módulo de deformabilidade corrigido, de acordo com a me- todologia proposta por Antunes (1993), que tem em consideração o efeito da temperatura na determinação do módulo de deformabilidade da camada betuminosa.

Na Figura 7 são apresentados os módulos de deformabilidade médios obtidos para os diferentes materiais aplicados na camada granular do pavimento rodoviário, tendo em con- sideração as três campanhas de ensaios em estudo. Tal como foi referido, durante a execu- ção das campanhas 4 e 10 o pavimento esteve sujeito a condições hídricas distintas, o que permitiu aferir a influência das mesmas no comportamento mecânico dos vários materiais estudados.

Figura 7 – Módulos de deformabilidade médios da camada granular para as diferentes secções experimentais.

Para condições de menor humidade (colunas a verde), o material que registou maior módulo de deformabilidade foi o ABGE (372 MPa). Não obstante, os agregados reciclados estudados também apresentaram bons resultados. A mistura de 70%ABGE com 30%MBF, quando com- parada com o agregado natural de referência, apresentou um módulo de deformabilidade infe- rior em cerca de 5% (355 MPa). Para BBM obteve-se um módulo ainda mais baixo (282 MPa), inferior em aproximadamente 25%.

Na campanha efetuada após o inverno (colunas a azul), período durante o qual ocorreu elevada precipitação, o material que apresentou menor deformabilidade foi a mistura de 70%

ABGE com 30% MBF (338MPa), seguido do BBM (258MPa), do ABGE (253MPa) e, finalmente, da MBB (206MPa). Nesta campanha, observou-se uma diminuição muito acentuada do módulo de deformabilidade do ABGE, em cerca de 30%, exibindo por isso um comportamento mais de- formável. Os restantes materiais não revelaram grande sensibilidade à alteração das condições hídricas do pavimento, verificando-se que o módulo de deformabilidade calculado permaneceu praticamente constante.

85

Estudo do Comportamento de Resíduos de Construção e Demolição Aplicados em Camadas não Ligadas de Pavimentos

Relativamente aos módulos de deformabilidade obtidos para a camada granular na cam- panha de agosto, realizada durante a construção das secções experimentais sobre a camada granular, observou-se, de uma forma geral, uma diminuição da deformabilidade depois de cons- truída a camada betuminosa, o que seria expectável.

Os valores do módulo de deformabilidade obtidos na camada betuminosa e no solo de fun- dação foram igualmente analisados por Simões (2013).

No documento Revista Científica (páginas 82-85)