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3.5 COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL

3.5.1 Conceito

As Cooperativas são sociedades de pessoas de natureza civil, com forma jurídica própria não sujeitas a falência e distinguem-se das demais sociedades em razão de suas características principais serem o fato de ter uma estrutura voltada ao atendimento e viabilização da atividade de seus associados sem objetivo de lucro, e estão reguladas pela Lei no 5.764, de 1971 que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, o que diferencia as sociedades Cooperativas pelas seguintes características.

Conforme Vianna e Farace (1999), para entender-se o que são exatamente

as sociedades cooperativas, devido às suas peculiaridades econômicas e jurídicas, é preciso conhecer alguns conceitos relacionados aos princípios cooperativistas, como por exemplo: cooperar, que é o ato de trabalhar em mútua colaboração, com vistas a atender interesses comuns e potencializar resultados; cooperado, que é como se denomina a pessoa que se associa à uma cooperativa.

O congresso de Praga, em 1948, definiu a sociedade cooperativa da seguinte forma:

Será considerada como cooperativa, seja qual for a constituição legal, toda a associação de pessoas que tenha por fim a melhoria econômica e social de seus membros pela exploração de uma empresa baseada na ajuda mínima e que observa os princípios de Rochdale (POLONIO,1999, p. 19;

VIANNA;FARACE,1999, p. 17).

Cooperativismo, por outro lado, é um movimento internacional que objetiva constituir uma sociedade justa, mediante a prática da liberdade e da fraternidade entre as pessoas, assim como adota os princípios da democracia. Nas sociedades cooperativas, este movimento busca atender na prática as necessidades reais dos seus cooperados e a remuneração adequada do seu trabalho, praticando os princípios cooperativistas, os quais encontram-se no site da Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB.

No Brasil, o conceito legal de cooperativa consta do artigo 4º da Lei n.º 5.764/71, conhecida como “Lei do Cooperativismo”, que define as cooperativas como “sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados”.

O Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução 920/2001, que aprovou a Norma NBC T 10.8 (item 10.8.1.2), define as cooperativas da seguinte forma:

As Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificam-se de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados.

Assim, as pessoas que se associam a uma cooperativa serão chamados de cooperados, os quais, através da união de esforços poderão alcançar objetivos comuns, muitas vezes considerados inatingíveis se fossem buscados de maneira individual.

A cooperativa é uma forma de organização classificada juridicamente como uma espécie de sociedade civil, possuindo características próprias em relação às

36 demais sociedades, já que visa o desenvolvimento econômico e social dos seus cooperados e não tem fins lucrativos (PAES, 2003).

Pode-se então concluir que cooperativa é a reunião de pessoas, que se unem em torno de um objetivo comum, buscando a satisfação das suas necessidades econômicas e sociais, através da exploração de uma determinada atividade e respeitando os princípios cooperativistas.

Segundo a Lei 5.764 de 16 de dezembro de 1971 capitulo II, Artigos. 3º e 4º da a seguinte definição:

Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro.

Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características:

I - adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços;

II - variabilidade do capital social representado por quotas-partes;

III - limitação do número de quotas-partes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais;

IV - incessibilidade das quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade;

V - singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade;

VI - quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital;

VII - retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral;

VIII - indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social;

IX - neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social;

X - prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;

XI - área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços.

A sociedade cooperativa deverá também:

a. ser constituída pelo número mínimo de associados, conforme previsto no art. 6o da Lei no 5.764, de 1971 (v. pergunta 635), ressaltando-se que as cooperativas singulares não podem ser constituídas exclusivamente por pessoas jurídicas, nem, tampouco, por pessoa jurídica com fins lucrativos ou com objeto diverso das atividades econômicas da pessoa física;

b. não distribuir qualquer espécie de benefício às quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei no 5.764, de 1971, art. 24, § 3o, e RIR/1999, art.

182, § 1o);

c. permitir o livre ingresso a todos os que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, exceto aos comerciantes e empresários que operam no mesmo campo econômico da sociedade, cujo ingresso é vedado (Lei no 5.764, de 1971, art. 29 e

§§);

d. permitir a cada associado, nas assembléias gerais, o direito a um voto, qualquer que seja o número de suas quotas-partes (Lei no 5.764, de 1971, art. 42).

Percebe-se que as sociedades cooperativas têm como grande diferencial o seu objetivo que, conforme já mencionado é o de prestar serviço a seus associados sem objetivo de lucro, porém existe uma troca recíproca que obriga os associados a contribuírem com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica em comum.Também diferentemente das demais sociedades as cooperativas não podem de forma alguma distribuir lucros ou favorecer qualquer associado ou terceiro de qualquer forma, exceto os juros atribuídos ao capital integralizado previsto em lei.

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