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Para a compreensão dos diversos modelos e taxonomias das redes de cooperação, é importante a análise sociológica, pois conforme Matheus e Silva(2006), a correta análise de uma rede social deve ser feita através da sociologia, psicologia social e antropologia. Inicialmente temos os “atores” das redes sociais, entendendo-se por atores, as unidades discretas que podem ser desde indivíduos classificados por seus atributos (classe social ou nível intelectual, por exemplo) até empresas, cujos atributos poderiam ser produtividade ou lucratividade, por exemplo, podendo-se chegar até a nações, na forma de agrupamentos por mercados, como é o caso do

• Alianças estratégicas,

• Cadeias de suprimentos,

• Empresas estendidas,

• Empresas virtuais,

• Etc.

Formas de agrupamento:

• Desintegração vertical,

• Focalização,

• Terceirização,

• Horizontalização,

• Parcerias.

Resultam em Modelos de reestruturação:

Mercosul. Os atores integrantes da rede de cooperação estabelecem elos de ligação entre si e esta ligação é o que define a estrutura em forma de rede e sua taxonomia.

O aspecto fundamental na análise das redes de cooperação, sobrepondo-se inclusive ao atributo dos atores, está situado exatamente no padrão das conexões entre os atores, ou seja, nos laços ou nós estabelecidos entre eles, pois é esse padrão de conexão ou interação que viabiliza o fluxo de informações e conseqüentemente, o fluxo do conhecimento e do aprendizado.

De acordo com Borgatti e Croos (2003), a qualidade desses laços ou nós é fundamental para a obtenção de informações vantajosas, de modo que os atores possam potencializar as redes nas quais estão inseridos, possibilitando o aprendizado, gerando vantagens competitivas. De fato, o estudo da natureza dos laços ou nós é fundamental para a caracterização dos modelos de nós, fundamentais, por sua vez, para a compreensão do funcionamento de uma rede social. Conforme os autores acima citados, os laços ou nós entre os atores são classificados em:

Associativistas, que ocorrem quando os atores participam de mesmos eventos tais como seminários, congressos, convenções, associações, etc.;

Biológicos, quando prevalecem graus de parentesco, tais como os exibidos entre pai e filho;

Formais, estabelecidos no interior da hierarquia empresarial ou social;

Individuais, quando predominam a amizade entre os atores;

Interativos, caracterizados pela aproximação voluntária entre os atores em função de interesses ou necessidades comuns e convergentes;

Transacionais, quando ocorrem transferências de bens ou recursos materiais;

Transferenciais, quando ocorrem transferências de bens intangíveis na forma de serviços ou informações;

Ao lado dessa classificação dos laços, há outra que deve ser analisada de modo simultâneo, pois é justamente a justaposição de ambas as classificações que

define a natureza do aprendizado das redes. De acordo com Granovetter (1985), existem três tipos de laços entre atores: laços ausentes, laços fracos e laços fortes.

Os laços ausentes, por sua própria natureza, são indesejáveis à medida que não agregam qualquer benefício a uma rede social. Sua ocorrência pode ser exemplificada em uma estrutura organizacional hierárquica de vários níveis, onde um determinado gerente não troca informações com um colaborador, o que acarreta lacunas de comunicação e barreiras à expansão do conhecimento.

Conforme definição de Lazzarini, Chaddad e Neves (2000), apoiada em Granovetter (1985), os laços fortes implicam em confiança recíproca consistente e alta dose emocional na relação, demandando por isso muito tempo para se formarem. É o caso dos relacionamentos que ocorrem em empresas familiares, pois onde há ocorrência de laços ou nós biológicos, verifica-se a ocorrência da maior incidência de laços fortes em função dos vínculos familiares. Outra situação em que podem ocorrer os laços fortes é quando prevalecem os nós individuais dentro de uma rede, caracterizados pela amizade entre os atores, os quais, se não forem dosados adequadamente, podem levar a empresa ou a rede a um viés administrativo, de modo que a eficiência pode dar lugar a vínculos de amizade nocivos ao grupo.

Embora a ocorrência de tais vínculos seja benéfica por proporcionar confiança mútua, fundamental ao sucesso de uma rede de cooperação, ao longo do tempo há o risco desses laços fortes contribuírem para o “engessamento” da estrutura de uma rede de cooperação, comprometendo sua evolução e ganhos cognitivos. Isso porque os relacionamentos pessoais passam a se sobrepor aos aspectos de eficiência e inovação. Situação semelhante seria aquela observada em um grupo de projeto, no qual prevalecem a harmonia e a amizade excessiva, que contribuem para que o grupo entre em revés, com alto risco de o mesmo distanciar-se de seus objetivos.

Esse aspecto também pode ser observado com freqüência nas empresas de cunho familiar. A par disso, deve-se ressaltar que a ocorrência de laços fortes confere confiança mútua, fator crítico do sucesso de uma rede de cooperação.

Já os laços fracos têm uma característica muito peculiar e importante. Ao contrário do que poderia supor o senso comum, os laços fracos contribuem para a circulação de novas informações, ou seja, informações não redundantes. Segundo Granovetter (1985), os laços fracos respondem pelo conceito de “ponte”, ou seja, geram a conexão de uma rede ou grupo de atores com um outro grupo de atores,

estabelecendo troca de novas informações. Os contatos estabelecidos através de laços fracos são pontuais e a identidade e confiança entre atores são dados de menor importância. O que importa é a qualidade e o valor da informação veiculada.

Assim, o ator que executa uma ponte, interage regularmente com atores de outros grupos, estabelecendo canais de comunicação pouco densos embora importantes para a obtenção de informações inéditas. A eficiência dos laços fracos encontra-se, portanto, associada à não redundância das informações, ou seja, sua eficiência relaciona-se ao ineditismo da informação.

Podemos notar pelo exposto, que a conexão mais adequada para o preenchimento dos “buracos estruturais” são os laços fracos. Os buracos estruturais constituem lacunas existentes entre relações, indicando oportunidades de intermediação (“brokerage”) (Burt, 1992). Essas posições são importantes à medida que unem atores de diferentes redes, possibilitando que entrem em contato com novas oportunidades. Assim, acredita-se que ligações heterogêneas, desde que freqüentes, podem ser mais vantajosas do que os laços fortes. De fato, os laços fortes, à medida que supõem forte vínculo emocional entre os atores não se prestam para alicerçar a troca efetiva de informações inéditas e não redundantes, tendem sim a subsidiar repetições, replicando a tradição, isto é, a conformidade.

É preciso ainda observar que a maior ou menor intensidade dos laços favoráveis (laços fracos), o balanceamento adequado na intensidade dos laços fortes e o gerenciamento sobre pontos onde ocorrem os laços ausentes é o que irá definir os fatores de sucesso ou insucesso de uma rede social.

A cadeia de fatores estabelecida por atores e suas conexões - laços, nós, pontes e buracos estruturais - é determinante para a formulação de taxonomias das redes, conforme se discute na seção seguinte.

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