o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. São os grandes canais condutores de expressão de vontade popular junto aos governantes e das deliberações destes aos governados, em continuo processo de interação. Os partidos políticos, como componentes que são da expressão política do Poder Nacional, são influenciados na dinâmica social em que estão inseridos por fatores vários, dentre eles o regime político, o ordenamento jurídico, a comunicação, a situação geopolítica, a ciência e tecnologia. Esses fatores contribuem diretamente para fortalecer ou deteriorar os partidos políticos, impondo-se, pois, o aprimoramento integrado de todos eles. 73
Nesta linha, Ferreira Filho, trata a respeito da Democracia:
A Democracia contemporânea repousa inteiramente sobre os partidos. De fato, é aos partidos que foi atribuída a tarefa essencial de realizar a autodeterminação social. É a eles que incumbe o papel de extrair uma vontade geral da multidão de vontades particulares. São o mecanismo de transmissão que permite a passagem da autodeterminação pessoal à autodeterminação social. 74
Portanto, em um entendimento geral, os Partidos, embora pessoas Jurídicas de direito privado não sejam órgãos do povo nem titulares de poderes do Estado, mas sim organizações aglutinadoras de interesses e visões globais e ideológicas das classes e dos grupos sociais impulsionadores da vontade popular. Sendo então, nas palavras de De Placido e Silva, no sentido político: “ é o vocábulo indicado para designar a organização que tem por finalidade agregar ou arregimentar elementos para defesa de programas e princípios políticos, notadamente para sufragar os nomes dos seus membros aos cargos eletivos.”75
Os Partidos Políticos têm como natureza jurídica a denominação de pessoas Jurídicas de direito privado.
73 NOGUEIRA, José da Cunha. Manual Pratico de Direito Eleitoral. 5º ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2000. p. 10.
74FILHO, Manoel Gonçalves Ferreira. Os partidos políticos nas constituições democráticas.
Minas Gerais: Revista Brasileira de Estudos Políticos, 1966. p. 56.
75 SILVA, Oscar De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 590.
O partido político é pessoa jurídica de direito privado (arts. 17,
§2°, da Constituição Federal, art. 7°, caput, da Lei 9.096/95 e 7° da Resolução 19.406/95 – TSE). O requerimento do registro de partido político é de natureza complexa. Pois é dirigido ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Capital Federal – Brasília, e, após o cumprimento de exigências legais mediante certidão de inteiro teor expedida pelo oficial (...) o presidente solicitará o registro do estatuto e do órgão diretivo nacional no Tribunal Superior Eleitoral.76
Anteriormente, como nos ensina Thales Tácito, os partidos políticos eram pessoa jurídica de direito público interno.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 17, parágrafo 2°, preceitua que os partidos políticos adquirem personalidade jurídica na forma da lei civil, devendo registrar-se no Cartório de Títulos e Documentos. Anteriormente pela Lei 5.682/71 (Lei Orgânica dos Partidos Políticos), os partidos políticos tinham personalidade jurídica de direito publico interno. 77
Enquanto instituições jurídicas, os Partidos Políticos são entes sociais que diferenciam-se não somente dentre eles próprios, mas distintos também de outros entes sociais e do Estado.
A personalidade jurídica é concedida aos partidos políticos com o registro de seus órgãos constitutivos, programa e estatuto no Tribunal Superior Eleitoral, sendo proibido o funcionamento ou formação de qualquer partido que contrarie em seu programa ou ação o regime democrático (...) 78
Verifica-se que é o Tribunal Superior Eleitoral o principal agente responsável pela formação e registro dos Partidos Políticos, como todos as movimentações a eles possíveis.
76 RAMAYANA, Marcos. Direito Eleitoral. 8° ed. rev., ampliada e atualizada. Niterói, Rio de Janeiro: Impetus, 2008. p. 314.
77 CERQUEIRA, Thales Tácito Pontes Luz de Pádua. Direito Eleitoral Brasileiro. Belo Horizonte: Del Rey, 2000. p. 104.
78 NOGUEIRA, José da Cunha. Manual Pratico de Direito Eleitoral. 5º ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2000. p. 11.
Importa considerar que a aquisição da personalidade jurídica pelo partido decorre do ato de registro emanado do Tribunal Superior Eleitoral. Para obtenção desse registro, dentre as condições exigidas, deve a entidade postulante dispor de um percentual mínimo do eleitorado, que haja votado na última eleição geral à Câmara dos Deputados. 79
Na opinião de Paulino Jacques “os partidos são univsersitas idearum, universidades ou corporações de idéias, isto é, associações políticas, que, organizadas sob a inspiração de idéias, procuram realizá-las através da pregação cívica e da ação política.” 80, essas, idéias que o autor fala, tratam-se de ideologias que o partido defendem, as quais, devem ser mencionadas e inscritas no ato do registro.
Absolutamente, não pode o partido político ser considerado como órgão estatal, por ser um sujeito próprio de direito e de obrigações, em decorrência de sua personificação jurídica. Age em seu próprio nome no exercício de atividade política. A constituição de 1988, em seu art. 17, § 2°, reconheceu ao partido político personalidade de natureza civil. E o mais significativo que proveio dessa mudança foi consorciar a genealogia do partido as associações civis, importando na sua genética democratização, por iniciativas privadas em seus atos fundacionais. O partido político é no Brasil uma corporação de derivação associativa exercendo atividades públicas por expressa autorização legal, dispondo de capacidade normativa, de poder disciplinar, auferindo e aplicando recursos financeiros, mediante controle aplicável às instituições públicas. 81
Referente ao caráter, bem como as funções, o partido político, quando eleito deve trabalhar para os cidadãos, tendo a legalidade e capacidade para os procedimentos nas entidades publicas. A respeito desse assunto José da Cunha Nogueira trata:
O caráter político do partido não resulta apenas da afetação que se lhe fez da personalidade política de direito público, mas
79 RIBEIRO, Fávila. Direito Eleitoral. 4º ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 561.
80 JACQUES, Paulino. Curso de Direito Constitucional. 7° edição. Rio de Janeiro: Forense, 1974. p. 321.
81 RIBEIRO, Fávila. Direito Eleitoral. 4º ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 290.
pelo correspondente tratamento que lhe foi dispensado em lei, pelos padrões de controle que lhe são aplicáveis, pelos fins públicos que lhe são próprios e pelos procedimentos impostos como exigências à validade de seus atos.82
Sendo, assim, que os partidos políticos diferenciam-se pelo lugar especifico onde se originou, pela função especifica que se desenvolveu, de modo geral, de sua ideologia.
No partido político aparece em primeiro plano a sua dimensão sociológica, pela condição de grupo humano onde se engendra uma gama de relações que lhe confere coesão e unidade, em decorrência de estímulo mútuo entre dirigentes, membros, candidatos, filiados e simpatizantes. Reflete o partido acentuado processo de interação humana para realização de idéias ou necessidades políticas, pressupondo, assim, uma trama de relações interpessoais entre os seus membros e destes com o publico em geral. 83
Como bem diz José da Cunha Nogueira “Os partidos políticos, via de regra, defendem ostensivamente as suas posições porque delas dependem para julgamento popular” 84, pois, se organizam atribuindo-se o seu particular ordenamento jurídico, com o intuito do bem popular.
Estruturam-se por regiões, cidades ou bairros, sujeitos, porém, a relações regulares e de subordinação com seus níveis organizacionais hierarquicamente superiores como diretórios regionais, distritais e, principalmente nacionais.
O partido político é instrumento de relevante importância na dinâmica do poder político, contribuindo à interação entre o governante e governados no esquema do regime representativo. Revela-se como força coletiva de atividade do
82 NOGUEIRA, José da Cunha. Manual Pratico de Direito Eleitoral. 5º ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2000. p. 11.
83 RIBEIRO, Fávila. Direito Eleitoral. 4º ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996. p. 268.
84 NOGUEIRA, José da Cunha. Manual Pratico de Direito Eleitoral. 5º ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2000. p. 10.
processo político. É elemento necessário à luta em termos políticos pela conquista ou manutenção do poder.85
Nesse sentido, conforme a maioria dos autores pesquisados, o principal objetivo de qualquer Partido Político e também sua característica mais evidenciada, é alcançar o poder político e, só ou coligado, implementar o seu programa de governo para toda a sociedade, defendendo, ao mesmo tempo, os interesses.