meios.
Gardner compreende que todos os seres humanos tenham todas as inteligências em determinado grau, porém alguns são considerados “promissores”.
Isto é relevante, visto que numa cultura estes podem vir a desenvolver avanços importantes naquele ambiente através de determinada inteligência. Alguns indivíduos são “promissores” em suas inteligências já outros não são. Na falta de acompanhamento a esses que não são promissores, esta inteligência tende a falhar no desenvolvimento de suas práticas que envolvem a mesma. Um auxílio intensivo nos primeiros anos de vida pode levar indivíduos a um nível “promissor”. O percurso de desenvolvimento cognitivo de um indivíduo promissor está relacionado com a inteligência. Existem inteligências que se desempenham de maneira precoce como a matemática e a musical, já outras surgem mais gradualmente na fase adulta, como ocorre com as inteligências pessoais.
simpósio sobre inteligência realizado em 1921, grande número de psicólogos expôs suas opiniões a respeito da natureza da inteligência.
Alguns consideravam um indivíduo inteligente na medida em que fosse capaz de um pensamento abstrato; para outros, a inteligência era a capacidade de se adaptar ao ambiente ou a capacidade de se adaptar a situações relativamente novas ou, ainda a capacidade de aquisição de novos conhecimentos. Houve várias teorias sobre inteligência: as que postulavam a existência de uma inteligência geral, as que postulavam a existência de várias faculdades diferenciadas e as que defendiam a existência de múltiplas aptidões independentes.3(GOHARA. apud. BOCK;
FURTADO e TEIXEIRA 1999. p.236)
Howard Gardner (1995) realizou uma revisão no campo da neurobiologia, e sugeriu a existência de áreas no cérebro que correspondem a determinadas formas de cognição, esta mesma revisão, mostra uma organização neural que prova a ideia de diferentes modos de processamento de informações.
[...]Acreditamos que a competência cognitiva humana é melhor descrita em termos de um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais que chamamos de “inteligências”. Todos os indivíduos normais possuem cada uma dessas capacidades em certa medida; os indivíduos diferem no grau de capacidade e na natureza de sua combinação.4(GARDNER,1995. p.20)
Para o autor, a capacidade de solucionar problemas permite ao indivíduo, uma reflexão acerca do caminho que o mesmo deve traçar para atingir esse objetivo.
Analisar as inteligências é pensá-las em termos valorativos, podendo utilizá-las da forma mais distinta possível, de maneira que o indivíduo utilize no seu meio sócio- cultural. As inteligências de modo geral, são capacidades que desenvolvem-se através de mais de um sistema sensorial, e isso vem de sua própria natureza, de modo que:
está na própria natureza das inteligências que cada uma opere de acordo com seus próprios procedimentos e possua suas próprias regras. Aqui uma analogia biológica pode mostrar-se útil. Embora o olho, o coração e os rins sejam todos órgãos do corpo, é um erro tentar comparar estes órgãos em cada detalhe: a mesma restrição deveria ser observada no caso das inteligências.6 (GARDNER,1994. p.51)
3- BOCK, Ana; FURTADO, Odair; TEIXEIRA TRASSI, Maria de Lurdes. Psicologia: uma introdução ao estudo da psicologia. 13.ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1999 – 492p.
4- GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. 1.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
6- GARDNER, Howard. Estruturas da Mente: a teoria das Inteligências Múltiplas: Trad. Sandra Costa - Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
A competência intelectual humana segundo Gardner, deve apresentar um conjunto de habilidades para solucionar problemas e que dessa forma capacite o indivíduo a solucionar possíveis indagações que surjam nas suas relações cotidianas. Estes fatores permitem analisar as potências intelectuais que tem significado dentro de um contexto cultural. Paralelo a isso, Gardner reconhece; o que é valorizado em determinada cultura não será valorizado em outra. Isto acontece pelas demandas das culturas humanas em determinados ambientes. Os pré-requisitos são fatores que garantem que uma inteligência humana deve ser importante, isto em cenários culturais específicos. A análise busca conjuntos de inteligências que satisfaçam determinadas questões biológicas e psicológicas.
A princípio acreditava-se que a inteligência podia ser calculada e já nascia com o indivíduo em uma quantidade que geralmente não poderia ser ultrapassada, por ser vista como um fator genético. Para Piaget (1982), a inteligência;
é a solução de um problema novo para o indivíduo, é a coordenação dos meios para atingir um certo fim, que não é acessível de maneira imediata, enquanto o pensamento é a inteligência interiorizada e se apoiando não mais sobre a ação direta, mas sobre um simbolismo, sobre a evocação simbólica pela linguagem, pelas imagens mentais etc.7(…). (PIAGET,1983.
apud. BOCK, FURTADO e TEIXEIRA. 1999. p. 234)
Tem-se hoje uma visão completamente diferente a cerca da inteligência, foi comprovado que o nível de inteligência de cada indivíduo mantêm-se igual por toda a vida o que ocorre é que certas pessoas aprimoram essas ou algumas dessas inteligências. A teoria das I.M ratifica a ideia principal das inteligências dos indivíduos centradas nas habilidades linguísticas e lógico-matemática. A partir dessa ideia, Gardner desconstrói a imagem de uma única inteligência e passa a tratar de inteligências, entre elas a lógico-matemática e a linguística que vai ter sua relevância, relacionada às demais. Tais inteligências desenvolvem-se e constitui-se potencialmente em cada indivíduo em níveis distintos, podendo ser mensuradas com instrumentos específicos, um exemplo deles é o teste de Q.I.
Nós acreditamos que os indivíduos podem diferir nos perfis particulares de inteligência com os quais nascem, e que certamente eles diferem nos perfis 7 - BOCK, Ana; FURTADO, Odair; TEIXEIRA TRASSI, Maria de Lurdes. Psicologia: uma introdução ao estudo da psicologia. 13.ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1999 – 492p.
os quais acabam. Eu considero as inteligências como potenciais puros, biológicos, [...] As inteligências funcionam juntas para resolver problemas, para produzir vários tipos de estados finais culturais – ocupações, passatempos e assim por diante.8 (GARDNER,1995. p.15-16)
Para Gardner, as inteligências se manifestam de maneiras distintas em cada indivíduo, isso ocorre no crescimento com o passar dos anos. A mente humana é um instrumento complexo que por seus variados componentes não pode ser restrita por instrumentos como caneta e papel sendo necessário então reestruturar os objetivos e metodologias a fim de, na prática, atribuir igualmente a todas as inteligências a mesma importância que estas possuem na teoria.