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CONCLUSÃO

No documento Rio de Janeiro (páginas 34-40)

Como acima destacado, o Estado, dentro de suas competências institucionais, deve buscar o desenvolvimento econômico mediante uma série de iniciativas para o desenvolvimento local e regional em bases sustentáveis, conjugando, para tanto, esforços comuns entre as estruturas de governo em prol da ampliação da atividade econômica, geração de empregos e qualidade de vida de toda a população. Nesse sentido, acredita-se que grandes empreendimentos estratégicos como a atividade mineradora, apesar dos enormes impactos potenciais, não podem ser simplesmente evitados.

Afinal, o Estado possui o precípuo objetivo de promover o desenvolvimento econômico, definindo diretrizes e coordenando a formulação e implantação de políticas de comércio e serviços, entre outras, no âmbito de suas competências, harmonizando ao mesmo tempo a tutela do meio ambiente.

Como apresentado no estudo, existem inúmeras iniciativas que buscam uma “nova mineração”, mais sustentável e equilibrada. Para tanto, o desenvolvimento econômico sustentável deve se pautar no tripé econômico, ambiental e social. Isso implica dizer que a despeito da importância da atividade econômica mineradora para a economia, recai o Estado deve realizar esforço maior para promover a implantação de alternativas que resultem em dimimuição dos impactos negativos da mineração.

A despeito de todo arcabouço jurídico e institucional por trás da gestão do meio ambiente, para que o Estado consiga atender ao precípuo papel de tutor do meio ambiente, mostra-se fundamental um maior aporte de investimentos nos órgãos ambientais, enriquecendo- os com ferramentas, estruturas, além de capital humano capacitado e suficiente para plena realização de suas funções, em especial o licenciamento ambiental e o poder de polícia mais efetivos.

A partir do estudo acima acerca do sistema de gestão ambiental estadual de Minas Gerais, pode-se concluir que a gestão ambiental por parte dos órgãos estatais ainda se encontra bem aquém do necessário, principalmente no que se refere ao Poder de Polícia Ambiental.

Isso porque as instituições estatais encarregadas da gestão ambiental aparentemente estão tendo suas atividades prejudicadas por insuficiência operacional, que afeta diretamente a capacidade de monitoramento e fiscalização dos empreendimentos impactantes. Como observado, de acordo com os resultados apresentados no trabalho, e ainda considerando as dimensões territoriais de Minas Gerais (586.528 km²), bem como o número registrado em 2015 de 157 barragens de rejeitos de classe III, com alto potencial danoso, pode-se dizer que os 61 servidores (menos de 3% do Sisema) identificados em exercício em 2015 em atividades de prevenção, fiscalização e controle ambiental traduzem a insuficiência da capacidade fiscalizatória estatal, decorrente principalmente do baixo quantitativo de servidores da área ambiental. A avaliação se torna mais crítica ao constatar que apenas sete servidores (0,30 % do corpo técnico do Sisema) se encontravam em exercício na Gerência de Resíduos Sólidos Industriais e da Mineração da Feam, gerência esta responsável pelo monitoramento das barragens em Minas Gerais.

Outro ponto de atenção são os estudos ambientais e os relatórios ambientais sem real dimensionamento do impacto potencial, visto que em muitas situações pode ocorrer uma subestimação dos impactos como ocorrido nos estudos da barragem do Fundão em Mariana.

Tal fato demanda então uma necessidade de melhoria da qualidade dos estudos, com construção de mais cenários considerando as piores situações possíveis.

Chama atenção o fato de que nos EIAs relacionados ao licenciamento da Barragem de Rejeito do Fundão nem sequer chegou a ser apresentada qualquer alternativa tecnológica para destinação de rejeitos que não a utilização de barragem. Ocorre que, somente após o desastre em Mariana, através do artigo 30 da Lei estadual n.º 21.972/16, ficou expressa a determinação para o fomento de alternativas à implantação de barragens visando à redução dos impactos ambientais gerados por destinação de rejeitos da mineração em barragens.

Quanto às perspectivas, lamentavelmente, tanto o Projeto de Lei n.º 5807/13, como a PEC 65/12, sinalizam a tendência governamental por dar maior celeridade ao licenciamento ambiental, atendendo, muito provavelmente, aos anseios de grandes grupos econômicos.

E pior, mesmo após grandes desastres como o ocorrido em Mariana, surgem medidas como a estabelecida no Decreto n.º 46.993/2016, que isenta os órgãos estaduais no licenciamento e na fiscalização ambiental de aspectos relativos à segurança estrutural e

operacional das barragens de rejeitos. Pois como visto fere gravemente princípio consagrado na Constituição Federal de 1988 da proteção estatal ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Por fim, há de se frisar que, se por um lado existem inúmeras iniciativas e alternativas que visam a uma mineração mais sustentável, a atuação do Poder Legislativo brasileiro parece caminhar em sentido oposto, dando maior ênfase aos anseios econômicos do que à preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Ademais, pode-se dizer que além da mineração não ser sustentável atualmente, parece não caminhar em sentido à sustentabilidade no Brasil.

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