Vê-se, portanto, que mesmo após a criação de políticas públicas de desjudicialização como a mediação, a conciliação, o procedimento de inventário, a usucapião e o divórcio extrajudi- ciais, dentre tantos outros procedimentos com igual finalidade, a população ainda opta, na maioria das vezes, por litigar junto ao Poder Judiciário, aumentando assim a morosidade e, consequen- temente, a “crise” instaurada junto a essa esfera que passou a ser uma resolutora de conflitos.
Se colocado em prática, o princípio Constitucional da soli- dariedade, enquanto um norteador de conduta de tolerância e entendimento, a partir da empatia e da ação, pelas pessoas e pelos profissionais que atuam com o direito, acredita-se que ele pode ser eficaz na resolução de conflitos e, em consequência, na redução de demandas judiciais.
A solidariedade atua no sentido de fazer com que a pessoa, nas suas relações interpessoais, coloque-se no lugar da outra com a qual está em conflito e, a partir da empatia, possa compreender o direito postulado pela outra parte e, dessa forma, através da ação, possa ceder em algum ponto, fazendo com que igualmente a outra parte também possa ceder, na busca da autossolução do conflito, sem necessidade de recorrer ao Judiciário.
Dessa forma, a solidariedade torna-se instrumento de concretização da dignidade, haja vista que a existência de um processo moroso em que a pessoa não vê esperança de solução de seu conflito, na busca da esperada justiça, causando-lhe angús- tia e afetando sua saúde, afeta, em consequência, sua dignidade.
Finalizando, pode-se afirmar, portanto, que a utilização da solidariedade para permitir à pessoa o acesso à solução de seus
Maini Dornelles e Jorge Renato dos Reis
conflitos, de forma justa e sem necessidade de recorrer ao Poder Judiciário, está cumprindo seu papel de instrumento de concreti- zação da dignidade da pessoa humana no ordenamento jurídico brasileiro.
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