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Conclusão

No documento nos anos (páginas 153-157)

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Do ponto de vista das especificidades da indústria gaúcha, o que ressalta é que a mesma chega, em 1997, com um tamanho médio dos estabelecimentos abaixo da média brasileira, fato que, aliás, já se verificava em 1986. Isso é per- cebido tanto no estrato dos pequenos quanto no dos grandes estabelecimen- tos. No que se refere a este último conjunto, constata-se que o Rio Grande do Sul apresentou, na média, o menor porte de estabelecimentos entre todos os estados selecionados. O próprio Estado do Paraná, que era o único a apresentar um tamanho médio inferior ao do Rio Grande do Sul nesse estrato em 1986, chegou ao ano de 1997 com 1033,9 empregados por estabelecimento contra os 888,3 registrados nas Indústrias gaúchas do mesmo estrato. Isso decorre do fato de ser o Paraná o único estado a apresentar crescimento no tamanho médio das unidades de maior porte.

c) assim como o Brasil, o Rio Grande do Sul realizou, nos anos 90, um movimento em direção ao padrão dos países desenvolvidos no que tange à participação da indústria no PIB. Como, no caso do Rio Grande do Sul, esse movimento ocorreu com menor intensidade, oshare industrial gaúcho em 1997 foi o mais elevado, não só em relação ao Brasil, como na comparação com todos os outros estados analisados, exceção feita a Santa Catarina. Admitindo-se que oshareindustrial do Estado convirja para o padrão nacional, pode-se inferir que existe, potencialmente, uma margem para redução do mesmo de, aproximadamente, 10 pontos percentuais;

d) no período 1993-98, o Rio Grande do Sul, em termos das mudanças intra-industriais, apresentou uma evolução singular no grupo das indústrias tradicionais, sendo o único estado a aumentar o peso desse conjunto industrial. Assim, o grupo formado por essas indústrias reforçou a sua participação no Estado, atingindo o percentual de 49,8% entre 1993 e 1998 contra o de 35% verificado para o Brasil em igual período;

e) no período analisado, o Rio Grande do Sul seguiu a mesma direção da indústria brasileira no que se refere às modificações nas escalas de produção. Tanto para o Rio Grande do Sul quanto para todos os estados analisados, ocorreu um aumento na participação do número e do emprego dos pequenos estabelecimentos;

f) ao contrário da afirmação bastante corrente, o Rio Grande do Sul não apresenta qualquer especificidade no que tange à participação do número de pequenos estabelecimentos na sua estrutura industrial, tendo em vista que a mesma é praticamente igual à que se verifica nos demais estados da Federação ao longo do período 1986-97. Em 1997, ressalta, porém, que o tamanho médio dos pequenos e dos grandes estabelecimentos da indústria gaúcha situou-se abaixo da média brasileira.

Como conclusão geral, pode-se dizer que as grandes mudanças que marcaram a década de 90, como a estabilização monetária, a abertura comercial e a reestruturação, não implicaram alterações significativas na estrutura indus- trial, ao menos no que diz respeito aos grandes agregados de que trata a presente análise. Como foi mencionado, a explicação para essa baixa mobilidade estrutural reside no fato de que o País, nos anos 80, já havia alcançado um periil industrial mais equilibrado e mais próximo da estrutura das economias de industrialização mais avançada. Ainda assim, percebe-se, claramente, que a orientação das mudanças verificadas nos anos 90 se direciona no sentido de aproximar a

157 estrutura industrial brasileira do padrão que caracteriza o grupo de países de maior dimensão e desenvoivimento. De certa forma, a recessão que marca os três primeiros anos dessa década significa um interregno nesse processo de ajustamento, tendo em vista o avanço de participação verificado no grupo das indústrias tradicionais em detrimento das produtoras de bens de consumo duráveis.

Deve-se advertir, porém, que a relativa estabilidade observada na participação dos grandes grupos industriais, em alguns casos, encobre sensíveis mudanças entre os vários gêneros que os compõem.

Nesse cenário, pode-se dizer que o Rio Grande do Sul acompanha, com algumas peculiaridades, os movimentos mais gerais realizados pela indústria brasileira. Dentre essas peculiaridades, sobressai o exemplo da trajetória ascendente do grupo das indústrias tradicionais gaúchas, que, ao contrário do que se verifica nos demais estados analisados, aumenta consideravelmente o seu peso na matriz produtiva do Estado.Tendo em vista que vários segmentos desse grupo foram objeto de elevados investimentos externos, seria importante averiguar o comportamento desse conjunto de indústrias nos próximos anos.

Em suma, pode-se dizer que as mudanças ocorridas na indústria gaúcha até o último ano de análise foram no sentido de reforçar o seu perfil fortemente fundado nas indústrias tradicionais. Resta saber se os desdobramentos de dois investimentos de grande porte, como a General Motors e seus sistemistas e a ampliação do Pólo Petroquímico de Triunfo, serão capazes de alterar os rumos seguidos até o momento pela industrialização do Rio Grande do Sul.

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