Reestruturação do agronegócio no Brasil e no Rio Grande do Sul na década de 90: concentração, centralização e desnacionalização. Mercado de trabalho no Rio Grande do Sul na década de 90 - Centro de Estudos do Trabalho (NET) e Núcleo de Pesquisas de Emprego.
Os anos 90 e os desafios da reestruturação
Isto porque a história é importante, as formas de crescimento capitalista são diferentes e diversas e o processo de crescimento é contínuo e tem profundas raízes históricas. A resposta reside no método subjacente a esta abordagem, onde a priorização de factores quantitativos deixa descobertos factores qualitativos essenciais para a compreensão do processo de mudança e crescimento económico.
4 - O paradigma tecnológico nas economias
Por exemplo, a rápida difusão da nova norma deverá surgir de um “novo bom senso” entre engenheiros, técnicos e gestores, que leve à substituição do modelo de investimento do ciclo anterior. 34; externalidades" geradas pelo novo paradigma, novo tipo de empreendedor-inovador nas pequenas empresas, novo modelo de consumo de bens e serviços e, consequentemente, novos tipos de distribuição de renda e consumo.
34;periféricas"
Quando existem condições para a construção de um processo de desenvolvimento coerente, a tarefa de desmantelar a rede de obstáculos e obstáculos que se acumularam ao longo de três ou quatro décadas é bastante difícil, não menos do que conceber e montar instituições adequadas para concretizar as melhores oportunidades. e novas condições competitivas.23 Um dos aspectos mais importantes desta mudança é a '(..) diminuição do apoio genérico aos investimentos produtivos, destinado a reduzir o custo do capital através de subsídios, com o consequente aumento de medidas mais locais, como bem como de apoio à I&D e às atividades relacionadas com a criação de conhecimento” (Ibid., p.138).
8 - Considerações finais
E uma organização é livre ou nua (Zysman, 1994) quando a empresa encontra soluções para resolver exclusivamente os seus problemas de ação coletiva. O efeito deste tipo de acção no processo de crescimento económico tem sido esmagador e destrutivo de qualquer mecanismo de crescimento autónomo.
Bibliografia
The current wave of technological change: implications for competitive restructuring and for institutional reform in developing countries.
A economia gaúcha nos anos 90
Introdução
Este texto tem como objetivo apresentar a evolução da economia gaúcha na década de 1990, comparando seu desempenho com o do país e de outros estados. Para isso, a análise será realizada utilizando os resultados da economia como um todo e dos seus setores mais importantes, tomando como parâmetro a evolução do PIB.
Panorama geral da economia gaúcha
Taxas médias de crescimento anual do PIB e do PIB per capita no Rio Grande do Sul e no Brasil - 1970-1997. Porém, se compararmos o crescimento do Rio Grande do Sul com o do Ceará, Paraná e Santa Catarina, estados que competem entre si na atração de investimentos recentes, fica claro que o RS mostrou menos dinamismo.
Agropecuária
Contudo, quando comparamos o desempenho agrícola do estado em relação ao do país, surge um quadro diferente. Tomando como referência no valor bruto da produção as principais culturas do estado, é significativa a menor produtividade obtida em relação à média nacional.
Indústria de transformação
Percentual do VAB da indústria de transformação de estados selecionados no total do Brasil - 1997. 5É importante destacar a aparente contradição entre crescimento e participação na estrutura industrial do VAB a preços correntes de bens industriais.
Serviços
Este texto analisa as transformações do agronegócio brasileiro durante a década de 1990 - com foco nos setores de produção e processamento agrícola - tendo como referência o Rio Grande do Sul. A segunda tese é que a mudança no paradigma da produção agroindustrial no Brasil na década de 1990 foi acompanhada pela concentração de capital no setor, o que aumentou a escala que permite às empresas operar de forma competitiva no mercado e criou barreiras ao acesso a nova capital.
2.1 - Dados gerais
Concentração de capitais no setor de matérias-primas, através de aquisição de empresas e instalações, no Brasil e na Argentina - 1995/00. 2.2.7 - Fecha-se o círculo de desnacionalização da cadeia produtiva agroalimentar através da aquisição de empresas do elo. O setor agroindustrial abrigava um número significativo de empresas nacionais com bom desempenho no mercado.
2.3 - Desnacionalização: para além da ideologia, em que pode ser positiva e negativa?
Em todo o caso, pelo menos em relação aos exemplos mencionados, a acção concreta do Estado significa o reconhecimento expresso da fragilidade do capital nacional e da inevitabilidade da sua alienação. Dito tudo isto, não é desconhecido que a chegada de empresas multinacionais - mesmo através da alienação do capital nacional e mesmo sem um aumento imediato da capacidade produtiva - traz benefícios: racionalização dos processos de trabalho e de gestão, novos canais de comercialização, internos e externos recursos, novas fontes de financiamento e novos produtos. 21 Isto é o que Hilferding (1966) sugere, porque o desenvolvimento técnico expande simultaneamente a escala de produção, na qual o volume crescente de capital constante, e especialmente de capital fixo, requer sempre uma soma maior de capital para se expandir de forma correspondente. para a produção em geral ou para poder estabelecer novas empresas".
Essa tendência de concentração da produção a granel também pode ser observada em outros estados produtores. Enquanto entre 40% e 50% da produção de grãos no Rio Grande do Sul e no Paraná ocorre em fazendas com até 50 hectares, em Goiás e Mato Grosso entre 60% e 85% dela ocorre em fazendas com mais de 500 hectares. Na verdade, nas indústrias farmacêutica e química, assim como no processamento da produção agrícola, também ocorre um intenso processo de troca de ativos, com negócios envolvendo fusões e aquisições de já megaempresas.
Tendências estruturais
Contudo, é importante notar que, enquanto no subperíodo anterior a produtividade da indústria transformadora (TI) permaneceu praticamente estagnada, entre 1990 e 1992 aumentou em média 7,5% (Bonelli, Gonçalves, 1998). Dada a participação insignificante da extração mineral no Rio Grande do Sul, optou-se por focar a análise no comportamento da indústria de transformação. Taxas médias de crescimento, por classes e sexos e períodos selecionados, da indústria gaúcha.
2.1 - Evolução no share industrial
Participação da indústria de transformação no valor adicionado bruto a preços básicos, por países e períodos selecionados, no Brasil. Ao mesmo tempo, como tais valores não diferem muito do peso atual da Indústria de Transformação no PIB, estimado em 22,7%, conclui-se que o movimento de longo prazo na economia brasileira deverá ocorrer sem grandes ‘traumas’ . , tal foi a grande redução do peso industrial observada entre 1980 e 1996". Participação da indústria de transformação no valor adicionado bruto a preço básico, em países selecionados e no Brasil - 1985-97.
2.2 - Mudanças na estrutura intra-industrial
A comparação da evolução da estrutura industrial do Rio Grande do Sul com a do Brasil chama inicialmente a atenção pela elevada participação das indústrias tradicionais no nível estadual (Tabela 9). Em contrapartida, em comparação com o Brasil, aponta-se que a menor participação da Dinâmica A no total da indústria de transformação do estado se deve, em grande parte, à expressão significativamente menor que os setores metalúrgico e químico do Rio têm. Grande do Sul. É possível concluir, portanto, que as mudanças ocorridas na indústria gaúcha na década de 1990 foram assimétricas ao movimento ocorrido no país, reforçando seu perfil “tradicional”. que caracteriza a matriz produtiva.
2.3 - Modificações nas escalas de produção
Taxa de crescimento do número de empresas, em períodos selecionados, por estrato de tamanho, no Brasil e no Rio Grande do Sul. Para o Rio Grande do Sul há também uma redução notável no tamanho médio das empresas durante todo o período 1986-97. Tamanho Médio dos Estabelecimentos da Indústria de Transformação no Rio Grande do Sul e no Brasil - 1986-97.
Conclusão
Em relação a este último grupo, verifica-se que o Rio Grande do Sul teve, em média, o menor tamanho de estabelecimento de todos os estados selecionados. O próprio Estado do Paraná, que era o único com porte médio menor que o do Rio Grande do Sul nesse patamar em 1986, chegou a 1997 com 1.033,9 empregados por estabelecimento, ante os 888,3 registrados nas Indústrias Gaúchas do mesmo estrato . . Nesse cenário, pode-se dizer que o Rio Grande do Sul acompanha, com algumas particularidades, os movimentos mais gerais realizados pela indústria brasileira.
A primeira trata de questões mais gerais como: (a) o processo de abertura comercial brasileira iniciado em 1988-89 e acelerado nos anos 1990-94, que ocorreu em um ambiente macroeconômico desfavorável; (b) a tendência de apreciação da taxa de câmbio real nesse período, agravada pela introdução do plano real, e seu impacto na balança comercial brasileira; c) uma análise do desenvolvimento das negociações comerciais multilaterais e da incorporação nelas de “novos” temas que afetam o comércio internacional (comércio de serviços, investimento internacional e direitos de propriedade intelectual); d) a importância estratégica que o Mercosul tem tido para o Brasil como forma de lidar com as propostas de livre comércio da Europa e dos Estados Unidos com vistas a uma maior abertura do mercado único; (e) A relação do Rio Grande do Sul com o mundo exterior neste contexto. A segunda seção apresenta as principais mudanças nos cenários nacional e internacional na década de 90, analisando as transformações na estrutura do comércio exterior do estado nesse período: (a) o perfil comparativo do desempenho das exportações do estado e do país em relação às exportações mundiais; b) a comparação entre o comportamento das exportações gaúchas por fator agregado em relação ao Brasil, destacando o comportamento dos principais produtos da lista de exportações gaúchas entre 1992 e 1999; (c) os principais mercados para as exportações do estado e possíveis mudanças em seus destinos, com destaque para o processo de globalização e a reorganização econômica global nos acordos regionais, fenômenos que caracterizaram a década de 90 no plano internacional, e o processo de abertura econômica realizado realizado pelo Brasil em nível nacional. 1 Ano inicial de disponibilização dos dados no Sistema de Análise de Informações de Comércio Exterior (ALICE), elaborado em conjunto pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
1.1 - A discussão teórica a respeito da liberalização comercial
No que diz respeito ao contexto macroeconómico, a liberalização deveria idealmente ocorrer num ambiente de estabilidade económica para maximizar os ganhos alocativos e deveria ser acompanhada inicialmente por uma taxa de câmbio real desvalorizada e, a médio e longo prazo, por uma taxa de aprox. paridade. Em resumo, o sucesso da reforma comercial está ligado ao comportamento da taxa de câmbio. Os países que tiveram sucesso na implementação de reformas comerciais, como a Coreia do Sul no período 1980-90, permitiram inicialmente que a taxa de câmbio caísse para evitar o aumento dos défices da balança corrente.
1.2 - A experiência brasileira de liberalização comercial
Quando o programa terminou, a maioria dos sectores industriais tinha um grau de protecção efectivo próximo dos 20%. Por fim, a influência do câmbio sobrevalorizado, em maior ou menor grau, ao longo do período. No final de 1994, o país tinha acumulado reservas internacionais utilizando o conceito de caixa de cerca de 36,5 mil milhões de dólares.
1.3 - O Brasil frente ao GATT e à Organização Mundial do Comércio (OMC)
Apesar de alguns resultados positivos, a Rodada Uruguai fez poucos progressos na prevenção do uso arbitrário de políticas destinadas a restringir o comércio injusto (muitas vezes disfarçado de protecionismo), bem como de outras ferramentas utilizadas pelos países desenvolvidos para proteger os seus mercados internos, tais como a escalada tarifária e "pontos tarifários", que afectam principalmente as exportações agrícolas dos países em desenvolvimento. Apesar disso, a perspectiva de conseguir uma maior abertura do mercado mundial para os produtos agrícolas exportados pelos países em desenvolvimento não é nada animadora para os próximos anos. É um facto que o comércio internacional de produtos agrícolas nunca se orientou pelas regras que se aplicam aos produtos industriais, criando distorções na sua comercialização, o que acabou por prejudicar os países em desenvolvimento.
1.4 - O papel do Mercosul na inserção internacional brasileira
34; as restrições no mercado americano abrangem uma gama mais ampla de produtos do que na União Europeia. 34; a incidência de ações judiciais antidumping e antissubsídios contra produtos brasileiros é maior nos EUA do que na União Europeia. 34, a estrutura da União Europeia apresenta uma forte progressividade, o que resulta numa proteção altamente eficaz para produtos com maior valor acrescentado;
1.5 - O contexto internacional e o Rio Grande do Sul
Ou seja, se não fosse o comércio preferencial com os países do Mercosul (com a posterior redução ou eliminação de tarifas), seria evidente como um todo a perda de competitividade dos produtos de exportação do Rio Grande do Sul na década de 1990. 10 Para uma análise mais aprofundada do comércio do RS com os países do Mercosul no período de 1992 a abril de 198, ver Teruchkin (1998). O estado também tem se beneficiado de projetos de infraestrutura que visam fortalecer os laços com os países do Mercosul, por meio de investimentos que facilitam o intercâmbio, como rodovias e portos.
2.1 - Perfil comparativo do desempenho das exportações estaduais e do País em relação às exportações
Em 1994, ano do Plano Real, as exportações brasileiras cresceram, acompanhando o ritmo de crescimento das exportações mundiais. Contudo, em 1995 esta forte recuperação das exportações brasileiras não pôde ser mantida, o mesmo ocorreu em 1996. Mesmo assim, tanto o Brasil quanto o Rio Grande do Sul apresentaram taxas de crescimento bem superiores às exportações mundiais, pois, enquanto esta última foi de apenas 3,23. % em 1997, as exportações brasileiras e gaúchas cresceram 10,67% e 10,53%, respectivamente (Tabela 2).
2.2 - Comportamento das exportações por fator agregado
A perda de dinamismo nas exportações de manufaturados interrompeu o processo de diversificação da agenda e a queda da participação dos produtos de origem agrícola nos produtos manufaturados exportados pelo Brasil e pelo Rio Grande do Sul. Pelo contrário, o país tornou-se ainda mais dependente das exportações de bens industrializados “padronizados”. Assim, a perda de participação das exportações brasileiras na OCDE deveu-se ao fraco desempenho dos produtos industrializados.
2.3 - Principais destinos das exportações
Apesar da forte queda nas vendas para a China registrada em 1999, a evolução média das exportações gaúchas para aquele país, no período 1992-99, foi bastante elevada, indicando um forte potencial para a colocação de produtos gaúchos, especialmente comida. O Japão, apesar da recessão que afetou sua economia e da conseqüente queda nas exportações gaúchas para aquele país em 1998 e 1999, apresentou-se como um mercado claramente em crescimento na década de 90, apenas esfriando nos últimos dois anos. O que atualmente limita a expansão das exportações do estado em termos de produtos manufaturados parece ser a situação da América Latina; Em relação aos produtos básicos e semimanufaturados, as explicações podem ser encontradas na Europa e na Ásia.
2.4 - Os efeitos da abertura comercial nas importações