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Conclusões e Considerações Finais

No documento Público e a Crise Pandémica (páginas 172-180)

A doença infeciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), não constitui a primeira pandemia à escala global, mas a resposta imediata global que esta ameaça exigiu, e ainda exige, para impedir e conter a disseminação do vírus – e as suas variantes – constituiu uma novidade. A “comunidade internacional tradicional”, alicerçada nos princípios da soberania e igualdade estadual, viu-se compelida a responder de forma coordenada, alicerçada nos princípios da cooperação e da informação96.

O RSI constitui um instrumento multilateral ao qual se aplicam as regras decorrentes do direito dos tratados, por força da constituição da OMS, sendo considerado vinculativo para os respetivos Estados parte.

Qualquer comportamento que possa ser imputado a um Estado parte do RSI, consista este numa ação ou omissão, que viole uma norma decor- rente desse RSI constitui a violação de uma norma primária que dá lugar à responsabilidade do Estado infrator por factos internacionalmente ilícitos. Esta responsabilidade pode ser invocada por qualquer um dos Estados parte do RSI, incluindo aqueles que não se possam considerar como Estados lesados.

Finalmente, e identificadas que estão as falhas do RSI, parece mais exequível na atualidade, que se aprove um documento que mais do que o substituir o venha colmatar, permitindo que o combate à próxima pandemia ou epidemia seja mais eficaz.

A abordagem holística e global de todas as questões de saúde resul- tante da Omnibus Resolution da AGNU, parece ter reflexo na referência a uma arquitetura global de emergências de saúde pública based on a

95 Neste sentido, Pedro Alexandre Villarreal Lizárraga, ob.cit., p. 267.

96 Raymundo Treves, The health of international cooperation and UNGA Resolution 74/274. QIL, Zoom-out 70 (2020), pp. 21-36.

whole-of-government and whole-of-society approach97. No fundo, a solução ideal passaria por um documento de governança mundial multinível que definisse de forma precisa os direitos e obrigações dos Estados, sendo incorporado no seu direito interno. Algo que sob a forma de uma convenção ou acordo internacional proporcionasse nos diversos Estados membros da OMS o mesmo resultado que um regulamento ou até uma diretiva produzem no âmbito da União Europeia. Sendo certo que, como muito bem sublinharam Bogdandy e Villarreal, uma abordagem holística e eficaz no combate a pandemias de SARS-CoV-2 inclui o direito internacional da saúde, os direitos humanos, o direito internacional do comércio, a paz e segurança internacionais e a capacitação financeira98. Mas, nas atuais circunstâncias, será realista conceber um tratado com estas abrangência e implicações?

97 Veja-se o documento da OMS em https://cdn.who.int/media/docs/default-source/

emergency-preparedness/20220324_wha-hepr-concept-note_final-for-publishing.pdf?sf vrsn=cffd8e98_11&download=true , cit. p. 7.

98 Armin von Bogdandy/Pedro A. Villarreal, ob.cit.

NOTA DE APRESENTAÇÃO 5 SUMÁRIO 7

A SUSPENSÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESTADO DE EXCEÇÃO BIOPOLÍTICO: REVISITAÇÃO APÓS DOIS ANOS DE PANDEMIA

Luís Heleno Terrinha 9 1. Pandemia e constituição: o estado de exceção constitucional

biopolítico 1 0

2. Emergência e direitos fundamentais: o antagonismo 13 3. A suspensão do exercício de direitos fundamentais 16

3.1. Conceito e efeitos da suspensão 16

3.2. Consequências da suspensão 20

3.3. Disciplina jurídica da suspensão 23 3.4. Diálogo com outros contributos doutrinais acerca

da suspensão de direitos fundamentais 25 4. O modelo de interação normativa entre os órgãos

de soberania na decretação e execução do estado

de emergência 30

4.1. Regime constitucional e legal 30

4.2. Ilações 33

4.3. O anteprojeto de lei de emergência sanitária 34 5. A declaração presidencial do estado de emergência

e a execução pelo Governo – avaliação crítica 37 5.1. O desenho normativo dos decretos presidenciais

de declaração do estado de emergência 37

5.1.1. Incoerência lógica 37

5.1.2. Problemas jurídicos 38

5.1.3. Incerteza e insegurança jurídicas 43 5.1.4. Reflexos na execução pelo Governo 45 5.2. Problemas jurídico-constitucionais subsequentes 47

6. Conclusão 52

A ADEQUAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA À SITUAÇÃO PANDÉMICA

Pedro Coutinho 53

1. Introdução 53

2. Para que serve um estado de excepção? 55 3. A apatia da Assembleia da República no combate

à pandemia 57

4. Conclusão 60

RISCO E INCERTEZA, SAÚDE E DANOS COLATERAIS.

O QUE SE ESPERA DO ESTADO DE EMERGÊNCIA SANITÁRIO?

Cristina Queiroz 63

1. Os termos do problema 63

2. A natureza “excepcional” ou “extraordinária” da crise 64 3. A ausência de modelos e instrumentos jurídicos 65

4. O “efeito cumulativo” 67

5. A criação de um sistema jurídico paralelo 68 6. Lei constitucional ou lei parlamentar? 69

7. A estratégia de saída democrática 75

O PRINCÍPIO DA GARANTIA DO EQUILÍBRIO INSTITUCIONAL DE PODERES COMO LIMITE NEGATIVO INTANGÍVEL

DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE EMERGÊNCIA

Raquel Brízida Castro 77

1. Introdução 78

2. A relevância jurídico-normativa da declaração do estado

de exceção 79

2.1. A natureza jurídico-normativa do Decreto presidencial 79 2.2. A eficácia jurídico-normativa “sui generis

da Resolução parlamentar 83

3. O modelo constitucional português de poderes

de emergência 91

3.1. Um modelo de separação de poderes “sui generis” 93 3.2. A tese dos poderes normativos extraordinários

do Governo 95

4. O Princípio do equilíbrio institucional de poderes da Constituição portuguesa de emergência: síntese

e reconstrução 110

5. Considerações finais 113

MECANISMO EUROPEU DE RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS

Ana Rita Gil 115

1. Introdução 116

2. Os desafios aos direitos fundamentais durante a crise do

COVID-19 117

3. As recomendações da FRA 120

4. O Mecanismo Europeu de Resiliência – Resposta da UE

à pandemia 122

4.1. Enquadramento do Mecanismo no Next

Generation EU 122

4.2. Os planos nacionais de recuperação e resiliência 124 5. O Mecanismo Europeu de Resiliência e os direitos

fundamentais – análise crítica 126

5.1. A transição digital e a transição verde 127 5.2. Proteção especial das pessoas vulneráveis

e atenuação do impacto social – o Pilar Europeu

dos Direitos Sociais 128

5.3. Perspetiva de género 130

5.4. Promoção de políticas dirigidas a crianças e jovens 131 5.5. Análise crítica: os direitos deixados para trás 132 6. As respostas aos direitos “deixados para trás”: o mecanismo

de condicionalidade 134

7. Possíveis respostas positivas aos desafios aos direitos,

liberdades e garantias que “ficaram para trás” 136

8. Conclusão 137

RESPONSABILIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA.

A NATUREZA DAS OBRIGAÇÕES DECORRENTES DO REGULAMENTO SANITÁRIO INTERNACIONAL DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

Fátima Castro Moreira 141

1. Introdução 141

2. A OMS e os poderes normativos atribuídos pelos Estados 144 3. O Regulamento Sanitário Internacional e as obrigações

decorrentes do mesmo 150

4. A Responsabilidade Internacional dos Estados por violação

do RSI 159

5. A aprovação de outro instrumento no âmbito da OMS

e o RSI 165

6. Conclusões e Considerações Finais 170

No documento Público e a Crise Pandémica (páginas 172-180)